Manif em Murça
Cerca de duas centenas de pessoas juntaram-se na passada sexta-feira junto à emblemática Porca de Murça para protestarem contra o encerramento do tribunal, que vai obrigar a população a deslocar-se aos tribunais de Vila Real, Alijó ou Chaves.
O protesto juntou ainda vários autarcas do distrito que também serão afetados pela reforma judicial. O presidente da Câmara Municipal de Murça, José Maria Costa, deu voz ao protesto e questionou o critério que levou ao encerramento, uma vez que o tribunal de Murça tem mais de 250 processos por ano. “Isso não é critério para encerrar o tribunal, onde há pessoas, os números não valem”, defendeu.
“Não tomaremos decisões isoladas, tomaremos decisões em conjunto através da CIM Douro, mas estamos disponíveis para ir até às últimas consequências”, garantiu.
O autarca murcense lembrou que “os serviços que representam a presença do Estado provocam uma atividade económica significativa, o que também é determinante para a sustentabilidade das pequenas vilas”.
A "Porca de Murça" é um monumento de granito localizado no centro da vila e que é "o símbolo mais profundo da identidade" local.
Maria João Vilaverde, representante da delegação local da Ordem dos Advogados referiu que “Esta decisão vai trazer graves consequências, quer para nós enquanto advogados, quer para os cidadãos que residem nesta comarca. Aqui não temos transportes públicos para nos descolarmos para os outros tribunais". Referiu ainda as "excelentes condições" do atual tribunal, edifício construído de raiz na década de 1990 e que custou ao Estado 2,5 milhões de euros.
"Este tribunal não traz despesas para o Ministério da Justiça", disse Maria João Vilaverde, acrescentando que, "para esta ministra [da Justiça, Paula Teixeira da Cruz] são só números, não existem pessoas", sustentou.
Carlos Silva, presidente da Junta Freguesia de Jou, também se juntou ao protesto para alertar para a "delapidação do interior do país" e a sua "desertificação completa". Referiu que "Não dá possibilidades de as pessoas transmontanas continuarem a viver na sua própria terra. Retirar-nos os serviços é retirar um pouco da pátria que é nossa", sublinhou.
Vila Real é o distrito do país mais afetado pelo encerramento de tribunais. Com ordem de fecho estão as comarcas de Boticas, Mesão Frio, Murça e Sabrosa, enquanto Mondim de Basto será transformada numa secção de proximidade.
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