A disponibilidade para algumas reanálises

      O Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ) divulgou ontem uma informação sindical na qual informa que reuniu com a ministra da Justiça no dia anterior.


      Do conteúdo da reunião nada consta a não ser a seguinte informação:


      «A Senhora Ministra mostrou-se disponível, e comprometeu-se a reanalisar as nossas propostas, com o objetivo de ir de encontro a algumas das nossas posições.»


      Tudo o mais que consta na informação sindical não tem nada a ver com a dita reunião, que mais parece ter sido um mero encontro, constando apenas declarações de intenções e desejos do SFJ.


      Quanto ao concreto conteúdo da tal reunião, a tal manifestação de disponibilidade e compromisso de reanálise, é algo que, neste momento, está gasto, pois já no passado houve idênticas manifestações e compromissos que resultaram, sempre, num grande nada.


      Curiosamente, note-se, que o SFJ refere ainda que a tal manifestação de disponibilidade e compromisso da ministra da Justiça tem como objetivo ir ao encontro de “algumas das nossas posições”. Ou seja: “algumas”.


      Quer isto dizer que a tal disponibilidade nem sequer é para tudo mas apenas para algumas das posições defendidas pelo SFJ. Assim, temos uma disponibilidade para reanalisar que vale apenas isso mesmo: uma possibilidade e nada de concreto e, dentro dessa possibilidade, o objetivo é a da reanálise de apenas “algumas posições”.


      Ora, tudo isto é o quê? Nada! Isto não é nada e tem perspetivas para ser algo? Não! Não tem perspetivas nenhumas para vir a ser algo mas antes para continuar a ser nada.


      Perante isto, o SFJ aprecia assim a disponibilidade:


      «Esta disponibilidade em reapreciar os nossos fundamentos, revelada pela Sra. Ministra da Justiça nesta reunião, constituiu sem dúvida um fator positivo, bem diferente de reuniões anteriores, mas não mais do que isso, pelo que, obviamente, tal não altera em nada a estratégia de luta definida pelo SFJ.»


      Ou seja, embora exista o tal “fator positivo”, tal fator “não é mais do que isso” e “tal não altera em nada a estratégia de luta definida pelo SFJ.”


      Ainda bem que a postura do SFJ é agora esta de não aceitar uma mão cheia de nada como no passado aceitou, reiteradamente, impedindo que tivesse uma estratégia de luta, não só própria como também alheia, pois com compromissos e disponibilidades assim chegou a contestar a greve dos três dias de janeiro deste ano marcada pelo SOJ.


      Ainda bem que hoje estamos perante uma estrutura sindical que aprendeu, aprendeu com os erros cometidos, e, por isso mesmo, na mesma referida informação sindical afirma que «Como sempre temos assumido, só suspendemos a luta em face de propostas concretas do Ministério da Justiça, que respeitem os Oficiais de Justiça, e que permitam retomar as negociações de forma séria.»


      Muito bem, é isso mesmo que os Oficiais de Justiça pretendem e sempre pretenderam: “propostas concretas”; “que respeitem os Oficiais de Justiça” e um “retomar das negociações de forma séria”.


      A informação sindical conclui com uma manifestação de princípios na qual o SFJ afirma estar “sempre disponível para uma negociação com boa-fé, mas sem nunca abdicar da defesa intransigente de uma carreira digna”.


      Assim, pese embora não se tenha nada de palpável e da tal reunião ou encontro nada de concreto ou de especial se transmita, embora a informação sindical nada de relevo informe, serve pelo menos para o reafirmar das intenções deste Sindicato numa postura que, a manter-se assim, permite aos Oficiais de Justiça acreditar que os erros do passado não se voltarão, pelo menos para já, a repetir.


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Comentários

  1. Mais do mesmo...blá, blá, blá.

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  2. (cont.)

    E nos tribunais? A sua clientela parece que até não desgosta de ver a sua diligência adiada...

    Mas afinal que avaliação se fez dos efeitos da luta?

    Fazem-se uns comunicados, desejam-se boas festas a todos, enaltece-se a união, marcarm-se mais greves e voltamos para o ano com mais novidades.

    Será que isto chega?

    Quem sabe qual é o sentir do Povo (e da Tutela!) quanto aos efeitos da luta mediaticamente quase invisível que se trava nos tribunais?

    Permita-se um àparte (que não o é):

    Será que, recentemente, se a PJ não tivesse avançado para as detenções relativas a Tancos a PSP teria avançado também com as detenções que permitiram à opinião pública perceber a relação entre Tancos ( e Carregueira e Alfeite tb? ) e o sucedido com as armas da DN da PSP?

    Nesse caso, a opinião pública vê com preocupação que a degradação das condições de vida dos elementos das forças de segurança e militares pode estar na base do(s) sucedido(s), aliada à "impunidade" de quem tem que andar armado no exercício da sua profissão ampliada pelo desinteresse da hierarquia apenas preocupada com a promoção ao posto imediatamente acima.

    Ora, nos Tribunais há quem queira precarizar ao máximo a situação laboral exatamente daqueles que apoiam os magistrados de forma mais próxima : os auxiliares.

    Ou seja, tal como já se passa nas FA e de Segurança, vai-se criar na Justiça e em redor dos Magistrados um terreno propício à criação e propagação de fungos.

    E isso convirá aos adeptos do quanto pior, melhor.
    Mas, decerto, não convirá, nem ao Povo, nem à Democracia.

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  3. Conhece-se a árvore pelos seus frutos.
    A árvore vai envelhecendo e nada de frutos.

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  4. Uma mão cheia de nada.
    O Estatuto já devia ter redacção final.
    Os 10% já deviam estar no vencimento há muito. É lá o seu lugar.
    A aposentação já devia ter sido negociada à parte do Estatuto!

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