Alerta: A Venezuelização do Pensamento Governamental
A greve dos enfermeiros reiniciada esta quinta-feira está a ser alvo de um feroz ataque de descredibilização, em face do estado de desespero do Governo, perante a elevada adesão, a excelente e inédita organização dos trabalhadores e, por fim, pela facilidade do Governo elaborar um discurso público de descredibilização, que é ampla e cegamente secundado pelos meios de comunicação social, em face das características da profissão e do impacto social que causa uma greve destes profissionais.
A greve foi legalmente convocada, foi formado o colégio arbitral, com representação do Governo, para que se estabelecessem os serviços mínimos e estes foram fixados. Todos os trâmites legais foram cumpridos e a greve é total e completamente legal.
Pese embora tudo ter sido realizado pela forma legal e esta greve já vir assim decorrendo, numa primeira fase, desde novembro do ano passado, sucede que ontem o primeiro-ministro do atual Governo em exercício, António Costa, disse a todos os portugueses que esta greve é ilegal. E é ilegal porquê? Porque o primeiro-ministro e o Governo assim a passaram a considerar agora. Ora, isto é completamente ridículo porque a ilegalidade não pode ser declarada por quem quer que seja, quando quer e perante a sua perceção, depois de todos os trâmites legais terem sido realizados e até com a intervenção do próprio Governo.
Mas o primeiro-ministro não se ficou pela mera consideração venezuelana de considerar ilegal o que é legal; não, foi ainda mais longe e demonstrou ainda melhor qual é o seu entendimento de um Estado de Direito Democrático e a sua perspetiva dos direitos dos trabalhadores. Os direitos dos trabalhadores, para António Costa, são algo muito bonito e que fica muito bem nos discursos politicamente corretos mas, quando desagradam ao primeiro-ministro, esses direitos passam a ser ilegais e ainda selvagens.
«Não podemos confundir aquilo que é o exercício da atividade sindical, aquilo que é o exercício legítimo do direito à greve, com práticas que não são de greves cirúrgicas mas de greves selvagens que visam simplesmente atentar contra a dignidade dos doentes, contra as funções do SNS, que são absolutamente ilegais e relativamente aos quais as instituições não podem ficar impassíveis porque nos cabe, em todas as circunstâncias, assegurar a legalidade.»
E assim se expressou o primeiro-ministro, considerando, primeiro, a ilegalidade e a selvajaria da greve para de seguida introduzir o elemento emotivo populista ao considerar a greve atentatória da dignidade dos doentes e ainda de ser contra as funções do Serviço Nacional de Saúde. Discurso perfeito, dentro dos moldes previstos para convencimento geral dos media e dos cidadãos acríticos. E o objetivo foi alcançado.
Note-se que esta questão não é exclusiva dos enfermeiros. Este problema e este ataque a estes trabalhadores não é assunto alheio aos demais trabalhadores; este problema grave e atentatório dos direitos dos trabalhadores deve ser combatido por todos os trabalhadores e os Oficiais de Justiça estão, claro está, no mesmo barco.
Estamos, pois, perante um ataque muito grave do Governo aos direitos dos trabalhadores e seria muito acertado que, perante este ataque, todos os demais trabalhadores se pronunciassem e encetassem algum gesto de solidariedade, seja manifestando-se nas ruas, seja marcando novas greves… Tudo porque estas considerações do Governo são, elas próprias, selvagens e ilegais. E são selvagens porque não respeitam as regras democráticas de funcionamento deste Estado de Direito, regras essas que foram cumpridas pelos trabalhadores. Será selvagem aquele que não obedece às regras instituídas e que age de acordo com a sua própria vontade e livre arbítrio, desobedecendo à lei. Ora, os trabalhadores obedeceram e passaram por todos os procedimentos legais, pelo que não podem ser considerados selvagens. No entanto, o Governo, ao vir agora desrespeitar a lei, porque não lhe convém, está a ter uma atitude à margem da lei e da sociedade, logo, esta sim, selvagem.
Mas as mesmas considerações governamentais produzidas por António Costa, para além de serem verdadeiramente selvagens, são também ilegais e são-no porque, simplesmente, contrariam a lei. Isto é, quando o Governo considera que todos os procedimentos legais, legalmente realizados e concluídos por todos, até pelo representante do Governo no colégio arbitral são, afinal, ilegais, está a negar a própria lei e, por isso, a desrespeita, a atropela e é claro para todos que quando não se aceita a lei nem se pretende observá-la, incorre-se numa atuação ilegal.
É perigoso este pensamento venezuelano que se apoderou do nosso Governo.

Mas afinal como é que é esta greve? Saiba tudo nas questões e respostas que seguem.
O aviso prévio de greve marcou o início da greve para 18 de janeiro passado mas a greve foi suspensa até agora enquanto decorreram reuniões com o Governo.
Até ao dia 07 de fevereiro, a greve abrange sete centros hospitalares: Centro Hospitalar S. João (Porto), Centro Hospitalar e Universitário do Porto, Centro Hospitalar de Entre Douro e Vouga, Gaia/Espinho, Tondela/Viseu, Braga e Garcia de Orta.
Entre o dia 08 e 28 de fevereiro a greve decorre também no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, Centro Hospitalar Lisboa Norte e Centro Hospitalar de Setúbal.
A greve é só nos blocos operatórios?
Não, a greve abrange todos os enfermeiros dos centros hospitalares referidos. Mas o movimento de enfermeiros que fez recolha de fundos para financiar os grevistas indica que a verba só fica garantida para os profissionais dos blocos operatórios desses hospitais.
Quem decretou a greve?
A paralisação foi decretada por dois sindicatos: o Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (Sindepor) e a Associação Sindical Portuguesa dos Enfermeiros (ASPE).
A ideia da primeira greve e a criação de um "fundo solidário" partiu de um movimento espontâneo de profissionais que se auto denomina "Movimento Greve Cirúrgica".
Todas as cirurgias serão canceladas?
São afetadas as cirurgias programadas, dependendo da quantidade de enfermeiros que aderem à greve. A paralisação pode afetar até algumas cirurgias oncológicas com menor grau de prioridade. Contudo, as operações consideradas urgentes pelas equipas médicas serão sempre realizadas, porque há serviços mínimos a cumprir, como em qualquer outra greve.
Como são os serviços mínimos?
Há serviços mínimos decretados para esta greve, como qualquer outra de qualquer outro setor e mesmo no setor da saúde. Na primeira greve cirúrgica, os enfermeiros foram até além do que está estabelecido nos serviços mínimos, por acordo com os hospitais, isto é, cumpriram mais do que o mínimo estabelecido.
Que impacto pode ter a greve?
A primeira greve, no ano passado, que durou mais de um mês (novembro/dezembro) e decorreu em cinco hospitais, levou ao cancelamento de quase 8000 cirurgias.
Das cirurgias que foram adiadas, o Ministério da Saúde diz que foi possível realizar já 45% até ao final deste mês.
O que diz o Ministério da Saúde?
A ministra da Saúde, Marta Temido, equaciona usar meios jurídicos face à nova greve dos enfermeiros, por entender que levanta "um aspeto muito sério sobre questões éticas e deontológicas".
A greve é lícita?
Aquando do primeiro período de greve, no final do ano passado, o Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República considerou que é lícita a convocatória da greve dos enfermeiros, mas alertou que caso caiba a cada enfermeiro decidir o dia, hora e duração da greve, o protesto seria "ilícito". Esta é a conclusão de um parecer do Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República (PGR), solicitado pelo Ministério da Saúde e que só o divulgou parcialmente.
Sobre a possibilidade de recorrer à requisição civil, a ministra da Saúde tem afastado essa hipótese, considerando até que é uma "opção extrema" e que só se usa quando não há cumprimento de serviços mínimos.
Porquê blocos de cirurgia de centros hospitalares?
O movimento de enfermeiros que impulsionou a greve às cirurgias afirma que cancelando e adiando cirurgias isso causará "constrangimentos económicos ao Estado".
Segundo dados divulgados pelo jornal Público, a primeira greve teve um impacto de pelo menos 12 milhões de euros em quatro dos cinco hospitais onde se realizou.
Como foi feita a recolha de donativos para apoiar os enfermeiros que façam greve?
O movimento "greve cirúrgica" criou, através de uma plataforma na Internet, uma recolha de fundos. Para a primeira greve foram recolhidos mais de 360 mil euros. Para a greve que agora decorre os enfermeiros conseguiram mais de 420 mil euros.
A quem se destina o dinheiro?
O fundo serve para financiar os enfermeiros dos blocos que adiram à paralisação. Serão dados 42 euros por cada dia de greve que seja descontado do vencimento. Segundo a página criada pelo movimento, o dinheiro será transferido para a conta dos enfermeiros nos dias seguintes à entrega da folha de vencimento onde estejam discriminados os dias em que o profissional fez greve.
O que reivindicam os enfermeiros?
Os enfermeiros têm apresentado queixas constantes sobre a falta de valorização da sua profissão e sobre as dificuldades das condições de trabalho no Serviço Nacional de Saúde. Lembram que os enfermeiros levam para casa menos de mil euros líquidos por mês e que cumprem muitas horas extraordinárias que não lhes são pagas.
Os sindicatos conseguiram chegar a acordo com o Governo quanto à criação de uma carreira com três categorias, incluindo a de enfermeiro especialista. Contudo, não houve consenso quanto ao descongelamento das progressões para todos os profissionais, quanto ao aumento do salário base (atualmente de 1200 euros brutos) e quanto à antecipação da idade da reforma.

À Lusa, Carlos Ramalho, do Sindepor, referiu que os enfermeiros estão tranquilos com as ameaças do Governo e que já não é a primeira vez que as faz.
«Já na greve anterior a ministra pôs em causa, primeiro, a legalidade, depois, a legitimidade desta greve, pediu um parecer à Procuradoria Geral da República [PGR], que os sindicatos até hoje ainda não tomaram conhecimento. Presumimos que não foi favorável, senão o Ministério tinha-o tornado público", afirmou, reiterando que a greve "cumpre tudo aquilo que está legislado em termos de direito à greve".
Marta Temido, atual ministra da Saúde, por mais uns meses, questionada sobre a possibilidade de uma requisição civil disse que, na atual lei da greve, essa solução não é possível se estiverem a ser cumpridos os serviços mínimos, mas advertiu para um "aspeto absolutamente incomum", que é a duração da greve e para os serviços em causa, que merecem "serviços máximos".
“Em última instância, esta greve, que já enfrentámos antes e que nos preparamos para enfrentar outra vez, convoca para uma reflexão sobre questões éticas, deontológicas e sobre o exercício do direito à greve", observou a ministra.

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Um direito fundamental como o direito à greve, desde que estejam a ser cumpridos os serviços minimos fixados pelo tribunal arbitral, num pode ser considerado selvagem.
ResponderEliminarSelvagem é prometer tudo para se alcançar o poder e não dar nada.
Selvagem é colocar o sector público contra o privado, portugueses contra portugueses.
Greve de enfermeiros: que tema tão útil aos Oficiais de Justiça!
EliminarSe o autor tivesse sido alvitrado a investigação da P.J. sobre a origem de tantos "fundos", saber a origem do dinheiro, isso é que era!
Ao menos os Oficiais de Justiça quando aderem às greves que entendem, sabem que lhes custa caro, mas assumem isso!
Se ler bem o artigo, poderá acabar por verificar que o mesmo não tem nada a ver com a greve dos enfermeiros mas com uma causa maior que afeta todos os trabalhadores e, entre eles, claro está, estão também os Oficiais de Justiça.
EliminarNada disso!Nada se retira de útil para os Oficiais de Justiça que sabem bem o que querem e não aderem a este tipo de incentivos a greves.
EliminarO Governo lá saberá porque diz o que diz.Todos temos espírito crítico, analisamos e não precisamos que mostrem caminhos.
Neste caso, perante os factos, a maior parte dos estranhos à classe profissional sobre cuja greve V/ escreveu, já retirou conclusões.Não misturemos as coisas.Como utentes e pagantes de impostos, devemos exigir, antes de mais, a identificação pública dos depositantes no tal fundo de greve, essa é que é a questão principal e assim se tiram todas as dúvidas que andam por aí.
O facto de se duvidar e investigar sobre algo, como o fundo de suporte à greve, algo que não é inédito e é muito usado, e com normalidade, noutros países, não tem nada a ver com se considerar uma greve como “selvagem” ou “ilegal” quando não o é, pura e simplesmente porque cumpriu todos os preceitos legais e está a cumprir os serviços mínimos fixados. E é nisto; neste aspeto, que o artigo se desenvolve; apreciando o ataque feroz do Governo ao direito à greve enquanto exibe o teatral fantoche do fantasma dos interesses ocultos, lança a dúvida e o sentimento emotivo sobre os cidadãos, enquanto esmaga o direito dos trabalhadores com total impunidade, insanidade e total ajuda dos incautos cidadãos alinhados ou enredados.
EliminarQuando diz: "O Governo lá saberá porque diz o que diz", simplesmente envergonha a classe dos Oficiais de Justiça e desilude todos os trabalhadores.
Talvez acredite antes no que diz o Sindicato SFJ sobre o que o Governo diz e diz assim na última informação sindical, mesmo de hoje (04FEV):
“(...) este é um processo de luta muito complicado para todas as carreiras profissionais, uma vez que o Governo se tem comportado de forma teatral e até de terrorismo psicológico, fazendo de conta que está a negociar, bem como de forma prepotente e ditatorial querendo impor apenas as suas propostas (veja-se apenas a título de exemplo o que se está a passar com a recomposição de carreiras – 09A04M02D – em que o Governo tem dito tudo e o seu contrário)”.
Ou seja, recapitule:
O SFJ considera que o Governo tem tido um comportamento que classifica e caracteriza como:
.1. Comportamento de forma teatral,
.2. De terrorismo psicológico,
.3. Fazendo de conta que está a negociar,
.4. De forma prepotente e ditatorial,
.5. Querendo impor apenas as suas propostas e
.6. Tem dito tudo e o seu contrário.
Por isso e por isto, quando diz que "O Governo lá saberá porque diz o que diz", será que sabe mesmo o que está a dizer?
Quando se sabe o que se diz, é que se deve escrever.O que disse foi que é o Governo que deve explicar o que diz e porque o diz.Não sou eu de certeza.
EliminarA m/ opinião sobre o dito assunto ficou exposta, vale o que vale, será divulgada em jornal. Trata-se de monstruosa desigualdade de meios entre quem tem fundos de financiamento e quem não tem.A lei deve proibir expressamente.
Para já, investigue-se: temos direito a saber.
Tem toda a razão quando afirma: "quando se sabe o que se diz é que se deve escrever" e escrever bem para que se compreenda a ideia que se quer compreendida.
EliminarRelativamente à quotização dos trabalhadores para a criação de um fundo que permita que as suas lutas sejam mais eficazes, tal não deve ser proibido mas, pelo contrário, incentivado. Os trabalhadores devem poder organizar-se de todas as formas que queiram no sentido de deter maior eficácia nas suas lutas. Sem ir mais longe, veja-se, por exemplo, o último Plenário convocado pelo SFJ em Lisboa com autocarros pagos. Foi uma despesa de milhares de euros que proveio de um fundo daquele sindicato para que a ação dos trabalhadores tivesse um maior impacto. Há algum problema com isso? Nenhum! Só há é que desenvolver ainda mais esses apoios e fundos para incrementar a ação e a eficácia das lutas de todos os trabalhadores.
Mais uma vez: Polícia Judiciária no assunto do tal Fundo(e não fui que iniciei o tema), quem são os doadores de tamanhos valores, é o que o cidadão contribuinte, com direito a cuidados de saúde quer saber.
EliminarVir agora falar num outro tipo de fundo de greve já conhecido desde há muito, que resulta das quotizações dos trabalhadores associados dos sindicatos, nada tem a ver.
Os sindicatos têm orçamentos, as quotas fazem parte da receita e os benefícios de ser associado, variam de uns para outros, sendo que, também os valores das quotas são diferentes. Depois, são apresentadas as contas.E, se alguém entender, pode pedir auditorias.
Os Oficiais de Justiça quando aderem a greves, fazem-no sabendo que isso lhes sai do bolso e como tal nunca podem aderir tantas vezes quantas gostariam, mas podem dizer que o fizeram sem ficar a dever nada a outros, esse é que é o facto!
Ora muito bem, agora percebe-se melhor: Fundo sim mas transparente, com contas claras; claro está, como sempre deve ser.
EliminarÉ que parecia que a posição era de ser contra os fundos e que devia haver sempre perda de vencimento dos trabalhadores e a greve devia ser algo que se realizasse em sacrifício.
Mal entendido esclarecido.
Entendemos que poderia ser criado um fundo para compensar as greves dos Oficiais de Justiça, com alguma compensação, pois é difícil e representa um grande sacrifício que se possa aderir todas as greves e, por isso, as adesões nem sempre são a 100% e em alguns sítios começam a ser de 0% e repetidamente, isto é, a cada greve = 0 e isto é preocupante e deve levar-nos a pensar em como ultrapassar, em termos práticos estes valores. Por isso, a ideia de um Fundo é uma ideia interessante a aprofundar e. claro está, com regras claras e contas claras.
Muito obrigado pelas intervenções e pelo interesse que manifesta nestas causas e nestas problemáticas, bem como no acompanhamento esta iniciativa informativa.
Mas qual mal entendido?Quando aqui aparece escrito em 2/2, LONGO artigo sobre greve de trabalhadores, que não Oficiais de Justiça, o pormenor foi ao ponto de destacar o tal "fundo" criado em plataforma eletrónica, sem qualquer indicação pública dos pagantes.
EliminarE foi apenas sobre esse ponto que escrevi, porque não falava o artigo em outros "fundos", esses sim já conhecidos desde há muito.
Se mudou de opinião sobre as virtudes desse tal fundo anónimo (anónimo por enquanto), é outra coisa.Eu não!É só reler.Em tal greve tem sido demonstrada uma grande falta de ética: quando se presta um juramento para a profissāo deve ser cumprido, as pessoas merecem mais de quem presta cuidados de saúde e só são precisos enfermeiros se houver doentes.
Aguardemos.......
O mal-entendido era no sentido de que parecia ser contra todos os fundos que possam ajudar os trabalhadores. Não há nenhuma mudança de opinião. O fundo dos enfermeiros é totalmente legal e não carece de nenhuma divulgação pública dos seus participantes, nem há nenhum problema em que haja participantes vermelhos, azuis ou russos; isso é irrelevante. Nem sequer devemos confundir-nos e confundir outros como fez o próprio presidente da República ao dizer que o fundo é ilegal porque não pode marcar greves, por isso estar reservado aos sindicatos. Não confundamos as coisas nem ninguém. A greve foi declarada por entidade sindical e o fundo é uma iniciativa independente associativa que cumpre as regras legais existentes, embora possa não cumprir as regras legais que outros, como a comentadora, gostariam que existissem. Se se quer outras regras, trabalha-se para isso, fazendo-as e aplicando-as se for possível, mas enquanto não existam outras, há as que há. Assim, é completamente lícita a iniciativa dos enfermeiros e é completamente lícita a participação anónima ou confidencial de quem quer que seja nesse fundo não há nenhum problema nisso, uma vez que não estão a subsidiar sindicatos. Os fantasmas dos hospitais privados e até dos russos como já se disse na televisão, é um disparate mas mesmo que não seja e essas entidades tenham contribuído para o fundo, nada de ilegal existe nisso. Se se acha que as participações nestes fundos deve ser públicas com os contribuintes todos identificados, então regule-se nesse sentido mas, até lá, não se diga que é ilegal aquilo que não é de facto.
EliminarQuanto à ética e aos juramentos, como refere, por essa perspetiva, o direito a greve ficaria coartado em muitas profissões, isto é, para muitos trabalhadores. Estamos perante uma luta de trabalhadores, uma luta muito aguerrida e com aspetos novos, tal como os Oficiais de Justiça também inovaram nas suas greves e tal como o Governo também inovou, espezinhando o direito à greve com a construção de falsos incumprimentos de serviços mínimos, criando assim a oportunidade do recurso à excecionalidade da requisição civil. Tudo isto tem interesse para os Oficiais de Justiça a título de aprendizagem porque muita luta ainda têm pela frente.