A retoma dos prazos é já para a semana?
A suspensão dos prazos decretada em março e com efeitos a 09MAR está ainda pendente, isto é, os prazos mantêm-se suspensos e mantêm-se até que seja decretado o fim dessa suspensão, independentemente dos estados de emergência ou de calamidade decretados.
Recorde-se que esta suspensão dos prazos permitiu afastar milhares de pessoas dos tribunais e dos serviços do Ministério Público durante todo este tempo, salvando do contágio certo um número considerável de pessoas.
No entanto, decorridos que estão quase dois meses de suspensão dos prazos, as vozes que reclamam o fim da suspensão ouvem-se cada vez mais e especialmente provêm dos advogados, que veem os seus proveitos reduzidos ou também suspensos.
O Governo, sensível às questões financeiras, deu entrada na Assembleia da República, no passado dia 30ABR, de uma proposta de lei que, a ser aprovada, conforme apresentada, põe fim à suspensão dos prazos de forma imediata.
Curiosamente, propõe o Governo que os prazos judiciais sejam retomados de imediato mas os prazos administrativos apenas decorridos 20 dias da publicação da Lei.
Curiosamente, ou talvez não, a proposta do Governo prevê ainda – e como regra primeira – que a realização das audiências de julgamento se realizem sempre à distância.
Ora, se os advogados aplaudem o retomar dos prazos, embora critiquem o imediatismo de uns e o diferimento de outros; dos administrativos, já não lhes agrada nada que as audiências passem a ser à distância. Reclamam a presença das testemunhas e demais arguidos bem como dos magistrados. E neste aspeto discordam as magistraturas que gostariam de se manter à distância por tempo indeterminado.
Esta Proposta de Lei apresentada pelo Governo é a 30/XIV e propõe-se alterar a Lei 1-A/2020 de 19MAR.
Os partidos já apresentaram várias propostas de alterações e ao dia de ontem viam-se as propostas dos seguintes: PSD, IL, BE, PAN, PS, PCP e da “NãoInscrita”.
Pode ver todas as propostas de alteração acedendo diretamente pela seguinte hiperligação: “Parlamento-PropAlt”.
Pode ver a Proposta de Lei aqui mencionada, apresentada pelo Governo no passado dia 30 de abril, acedendo através da seguinte hiperligação: "Proposta de Lei 30/XIV".
O que acham os Oficiais de Justiça desta alteração proposta pelo Governo?
Os dois sindicatos, até à hora de publicação deste artigo, ainda não se haviam pronunciado, pelo menos de forma pública. Os advogados lançaram um comunicado ao qual pode aceder através da seguinte hiperligação: “OA-Comunicado”.
Os Oficiais de Justiça vivem numa dualidade de opiniões. Por um lado, gostam das audiências sem pessoas, pela segurança que isso lhes acrescenta mas, por outro lado, vendo como o sistema ainda não está funcional e os tantos problemas que surgem, com adiamentos devidos à impossibilidade de concluir as inquirições das pessoas, a par de passarem tanto tempo a explicar aos intervenientes processuais o que é o tal Webex que vai instalar no telemóvel ou no computador, quando têm equipamentos desses e também Internet, preferem as tradicionais e tranquilas audiências presenciais.
No que se refere à retoma dos prazos, os Oficiais de Justiça preocupam-se com a avalanche de pessoas e movimentação de processos que isso acarretará sem que a pandemia esteja realmente controlada. Consideram que, já para a semana é ainda cedo para retomar a atribulada vida normal dos tribunais, preferindo aguardar, tal como tantas outras entidades, até ao final do corrente mês de maio, mais vinte e poucos dias, para ver o desenvolvimento da evolução do contágio da doença, isto é, que a Lei, a ser aprovada, difira também a entrada em vigor em 20 dias dos prazos judiciais tal como sucede com os demais e, neste aspeto estando também em sintomia com a posição dos advogados.

Convém esclarecer que muitos funcionários judiciais não pretendem a retoma dos prazos porque estão isentos da tal " questão financeira" uma vez que estando em casa, o ordenado continua a cair por inteiro e haverá vida melhor? .Quantos estão a prestar apoio aos filhos provavelmente nenhum e porquê?
ResponderEliminarO Sr. é um palhaço e deve ser advogado para falar contra os OFiciais de Justiça, só pode.
EliminarO tal Sr. não será um palhaço, muito menos será Advogado, é apenas um "inventador" que imagina e logo escreve "coisas" sem nexo.
EliminarOs Oficiais de Justiça são dos mais interessados em que tudo possa decorrer: prazos, processos, mas com segurança sanitária para todos em geral.
Qualquer acumulaçāo de serviço, como sempre, cai em cima dos mesmos e só com muito trabalho extra se consegue recuperar o atraso.
Mais uma vez lembro o colapso judiciário de 2014 e quem mais o sofreu na pele (além dos utentes da Justiça, claro) : a classe dos Oficiais de Justiça, TRATADA como o elo mais fraco da máquina judiciária, mas nāo é.As pessoas é que desconhecem o seu poder!
Convém esclarecer este senhor ou senhora sósia de Dom Quixote que os Oficiais de Justiça são a única carreira da administração pública com disponibilidade permanente sem direito a remuneração pelo trabalho extraordinário ou qualquer outra compensação. Horas extraordinárias não remuneradas durante décadas!...
EliminarResposta ao comentário anónimo de 05-05-2020 às 17:21.
EliminarOs palhaços são uns profissionais louváveis com uma atividade dificílima que não é para qualquer um e por isso há poucos, enquanto que, noutras profissões, há milhares e milhões de profissionais. Pense nisso.
A utilização aqui do termo “palhaço” reveste um aspeto pejorativo e injurioso, não só para os palhaços, como para o Sr. ou Sra. do comentário a que respondeu e ainda, porque especificou, envolve mais uma outra atividade profissional, a dos advogados.
Ou seja, de uma penada só, liquidou logo três.
Gostaríamos muito que os comentários não tivessem este caráter injurioso, seja para com os comentadores, seja para com outras profissões.
É natural que se comente qualquer assunto com mais ou menos ligeireza e até com falsas generalizações, mas as respostas a tais comentários não têm que ser insultuosas para ninguém. As respostas podem ser rebatidas mas com uma explicação sensata.
A simples resposta a dizer que o comentador é “palhaço” ou “advogado” não responde ao assunto, nada esclarece ou acrescenta, apenas insulta. Claro que se compreende que a indignação de qualquer um possa produzir reações assim, a quente, mas, não deixa de ser um ato vazio.
Seria muito mais interessante que a resposta acrescentasse algo; que esclarecesse como a seguir a Donzília Santos veio comentar, pois assim se ganham as batalhas, com argumentos e não com insultos.
Os advogados são uma peça fundamental no sistema de justiça e quando se diz fundamental, quer-se dizer precisamente isso: fundamental. E, se incomodam, nada mais fazem senão o seu papel em defesa dos seus clientes. Os advogados não são o inimigo, são o contrapoder necessário e, por isso mesmo, têm que ser e devem ser incómodos.
Quando precisar de um vai querer ser defendido com todas as armas possíveis e é isso mesmo que se espera dos advogados, que ataquem tudo em defesa do seu cliente. Do outro lado, os demais profissionais apenas têm que compreender que é assim o mecanismo e a dualidade da justiça e que isso é perfeitamente natural.
Se continua a não haver condições para uma Justiça em tempo útil, não é abrir os tribunais um mês ou dois mais cedo que vai resolver o problema. Por isso, razão têm os funcionários judiciais em não querer dar o corpo ao manifesto. quem vai beneficiar que se exponha.
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