As Placas, os Bolinhos e o Chazinho

      Quase um milhão de euros depois e a disponibilidade, pela Câmara Municipal de Alcobaça, de uma antiga escola primária, a Comarca de Leiria ganhou novos espaços judiciais esta semana visitados, como se fosse uma inauguração, com descerramento de placa evocativa da visita da ministra da Justiça.


      Note-se bem que a placa colocada na parede do edifício, para a posteridade, refere, textualmente, que ali foi colocada “por ocasião da visita da ministra da Justiça”; não se trata, pois, da inauguração mas de uma simples visita.


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      Claro que todos ficam espantados com tal atitude que, aliás, já não é nova, de colocar placas nas paredes, para a memória futura do Povo e das vindouras gerações, pelas meras visitas de gente que ocupa transitoriamente um cargo de serviço público ao serviço do Povo.


      Por mais que as gentes locais estejam entusiasmadas com a visita de alguém, colocar placas de visitas com a bandeira nacional a dar cobertura ao ato é, manifestamente, excessivo e mesmo abusivo. Bastaria com uns bolinhos e um chazinho para bem receber as visitas, abandonando a alimentação desta subserviência e adulação indigna de um Estado onde a democracia devia imperar de facto em substituição desta saloia bajulação.


      O que é que aconteceu em Alcobaça? Foi a ministra que pagou do seu bolso as obras? Se sim, então forrem-se as paredes de placas evocativas mas, se não, se apenas cumpriu o seu dever e a sua obrigação, se apenas cumpriu com aquilo que era expectável que cumprisse, se apenas concretizou a sua função, se apenas realiza a função para que foi incumbida; onde está a necessidade de qualquer placa? E de uma placa de uma visitação?


PlacaVisitaInauguracao=(JFM+JLCv)-Alcobaca(14JUL20


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      As novas instalações para o Juízo de Família e Menores de Alcobaça, para o Juízo Local Cível de Alcobaça (cerca de 670 mil euros) e ainda a remodelação do Juízo de Família e Menores de Leiria (cerca de 200 mil euros), foram realizadas com o dinheiro dos cidadãos deste país, pelo que, na placa deveria constar a data da concretização da obra e, ou, o início da entrada em funcionamento das instalações e o valor pago pelo Povo para tais instalações.


      O texto da placa – e de todas as placas deste país –, descerradas com a bandeira nacional, deveriam ser assim: “Em tantos do tal entrou em funcionamento o Juízo tal com obras pagas pelo Povo de Portugal no total de 670 mil euros”.


      O Povo pagador é quem deve constar nas placas e mais ninguém e muito menos as visitas.


      A Câmara Municipal é um organismo do Povo português e não do seu temporário presidente, tal como é do Povo o Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça que efetuou as obras em nome desse mesmo Povo que é o seu proprietário; tal como Ministério da Justiça não é mais do que um organismo do Povo e ao serviço deste mesmo Povo de Portugal. Nenhuma destas entidades está acima do Povo mas abaixo deste e ao seu exclusivo serviço.


      Os Oficiais de Justiça que laboram diariamente nas instalações remodeladas detêm mais qualidade para desenvolver a sua função diária e, dessa forma, conseguem prestar um melhor serviço ao Povo que servem.


      As melhores instalações não se destinam apenas a quem nelas trabalha diariamente mas também a quem diariamente as utiliza para resolução dos seus problemas.


      Por isso, prestar um bom serviço ao Povo deste país passa necessariamente por acolher bem e servir melhor o Povo para o qual se trabalha, Povo este que, previamente, contribuiu para tal desiderato.


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      Fonte: “Governo”.

Comentários

  1. Mais um acto público e com visibilidade mediática desaproveitado pelas estruturas sindicais. Deveriamos ter lá estado e devolver a afronta com que a sra ministra nos presenteou na assembleia da república.

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  2. Foi só uma plaquinha. Coisa diferente seria se fosse uma placa das grandes...

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    1. Aí até haveria fanfarra e foguetes. Sem esquecer que o motorista levaria o necessário kit de verniz made by Cristina!

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  3. Um dos grandes problemas dos Sindicatos, começa logo na escolha dos representantes locais. Em vez de defenderem os interesses para que foram eleitos, estão mais interessados em Congressos…!!!

    Aos sócios dos SFJ e SOJ de LEIRIA, acordem…e…exigam intervenção é para isso que pagam as quotas.

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    1. Venha é o graveto ao dia 21, pois certo certo é que as horas extra não serão auferidas.

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  4. Vejam bem que não há gaivotas em terra...

    E a pensar que era só no Porto, em Santa Catarina, que se andava atrás de Rui Rio de bandeirinha na mão (durante o expediente? Naaa...)

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  5. Acho mal que não punha nesses novos edificios a estátua da Temis...

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  6. O SFJ escolheu há muito o outro lado da trincheira!

    A prometida "bomba atómica" foi lançada há já alguns meses mas contra os Oficiais de Justiça.

    No próximo Orçamento de Estado já não vai ser reconhecido aos Oficiais de Justiça um regime de aposentação diferenciado nem a integração do suplemento no vencimento.

    Nem uma palavra do ainda presidente do SFJ!...

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