SOJ discorda mas rende-se à opinião da maioria
Ainda no seguimento das recentes declarações da ministra da Justiça no Parlamento, afirmando que não cumpriria o que vem determinado no artigo 38º da Lei 2/2020 de 31MAR (LOE2020), designadamente a revisão estatutária e alegando desconcerto nos sindicatos quanto à integração do suplemento e regime diferenciado de aposentação, como aqui já abundantemente divulgamos, apresentou ontem o Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ) a informação que a seguir vamos reproduzir. Nesta informação, apresenta o SOJ o seu ponto de vista, que ia no sentido de se negociar já e em separado a integração do suplemento e do regime de aposentação, deixando a revisão estatutária para depois mas, diz também, que não sendo esta a opinião da maioria dos Oficiais de Justiça, que pretendem uma negociação única global, postergada, então assumem tal estratégia e nesse sentido será a sua atuação.
Ou seja, em resumo, depois das declarações da ministra da Justiça no Parlamento, afirmando que não cumpriria o disposto no artigo 38º da Lei 2/2020 de 31MAR, tivemos uma reação de retificação relativamente a um dos três aspetos por parte do Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ) e um recuo naquilo que acreditava e defendia por parte do Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ).
Assim, fica a Lei por cumprir, por iniciativa do Governo e com a anuência e a rendição dos sindicatos representativos dos Oficiais de Justiça.
Quais as consequências pelo incumprimento da Lei? Nenhumas; ou melhor: uma; a manutenção do atual desatino na carreira dos Oficiais de Justiça; carreira sempre adiada.
Passemos à elaborada declaração de rendição do SOJ que diz assim:
«Muito se tem falado – e com toda a legitimidade – na existência de um silêncio bafiento, quiçá ensurdecedor, sobre a matéria da revisão estatutária. Porém, importa também dizer, com total frontalidade, que esta matéria passa mais pelos/as colegas, do que propriamente pelos seus representantes (Sindicatos).
.1) Desde logo, o SOJ não irá alimentar, de forma pública ou privada, discussões sobre eventuais propostas de divisão da carreira, como diversos/as colegas procuram.
Essa proposta foi colocada na anterior legislatura e criou celeuma suficiente, porquanto o SOJ não só a denunciou, como a rejeitou, liminarmente. Lembrar-se-ão todos/as aqueles/as, a quem a honestidade intelectual não seja falha, ter havido colegas que se insurgiram, pela denúncia que o SOJ fez dessa situação. Talvez tivessem preferido que se avançasse e, mais tarde, surgissem os sindicatos com comunicados, afirmando terem sido enganados, por desconhecimento do que estava verdadeiramente em causa. Não contem com o SOJ para números circenses. Aos circos, o que é do Circo!
.2) É importante que os/as colegas entendam que o facto de existirem duas estratégias, ainda que diferentes, não significa que uma esteja totalmente certa e a outra totalmente errada. Errado será tentar criar “cortinas de fumo”, evitando a sua discussão, insinuando-se que a Senhora Ministra da Justiça faltou à verdade, por referir, de forma clara, o que se extraiu das posições assumidas, em reunião conjunta, com os Sindicatos.
O que temos a criticar não é ter tornado público o que é factual, mas sim ter invocado razões instrumentais para o não cumprimento da Lei. Isso sim, é fortemente criticável e deveria merecer um claro repúdio, por parte de todos/as os/as Oficiais de Justiça. O resto serão meros fait divers que o SOJ, responsavelmente, não cria, não alimenta e nem usa.
De registar ainda, por factual, que na anterior legislatura, o SOJ, por diversas vezes colocou em causa a política para a justiça, pedindo mesmo a demissão da Senhora Ministra da Justiça, criticando a sua (in)ação, mas fê-lo sempre com enorme sentido de responsabilidade, de forma séria e honesta, na objetividade de razões coletivas, pelo que não existem, nem nunca existiram, razões para que se retratasse ou desculpabilizasse, por defender os interesses da Classe profissional que representa.
O SOJ tem, desde a sua constituição, uma estratégia muito bem definida, procurando cumpri-la com zelo, rigor e seriedade, valores que se inscrevem na sua missão, exercendo o sindicalismo, com responsabilidade e respeito por todos os stakeholders.
Assim, feito este esclarecimento, o fundamental é saber qual a estratégia que melhor defende a carreira dos Oficiais de Justiça. Como é do conhecimento de todos/as, o Estatuto pode ser discutido na sua globalidade, embora essa opção comporte, entre outros e no nosso entendimento, dois aspetos negativos:
1) não só não cumpre a Lei do Orçamento de Estado para 2020 – não há tempo para discutir tudo num mês –, como
2) ainda arrastará a negociação para momento posterior à discussão do Orçamento de Estado para 2021.
Ora, se esse Orçamento de Estado, for mais favorável aos trabalhadores, o que nos parece inviável, até por força da conjuntura que o país atravessa, é evidente que a estratégia do SOJ estará errada, o que assumiremos na íntegra.
No entanto, a estratégia do SOJ, até pelo trabalho que desenvolveu junto da Assembleia da República para alcançar a inscrição do artigo 38.º na Lei n.º 2/2020, de 31 de março, é que da negociação geral sejam destacadas as matérias da integração do suplemento e da aposentação, para que se cumpra a Lei e que o processo negocial seja bastante participado e maturado, para que possa representar a valorização e dignificação da carreira.
Em conclusão, e uma vez que a carreira não discute as estratégias em causa, permitindo que se infira, interna e externamente, que a maioria defende um processo negocial global, que se arrastará ao longo de meses, então compete ao SOJ, até por não ter ainda o apoio dessa maioria dos/as colegas, desenvolver a sua ação, de forma firme, mas discreta, consentânea com os interesses dos/as Oficiais de Justiça, evitando caminhos “minados” e retrocessos que a todos/as penalizariam.»

Fonte: “SOJ”.
Este comentário do SOJ e a seguir o do SFJ são mais do mesmo. Blá, blá, blá + inércia = nada. E é o que temos, textos bonitos e uma mão cheia de nada com zero de perspectivas. Assim se vai passando o tempo, brincando ao sindicalismo.
ResponderEliminarMais conversa a discutir quem disse o quê, quem falou primeiro ou segundo. Parecem duas vizinhas a cacarejar, quem nem deixam dormir a vizinhança, mas de papo cheio de milho, que alguém, nós, pagou com o suor do trabalho.
ResponderEliminarVamos acabar com estas tangas?
Simples, basta fazer uma carta aberta conjunta dirigida aos Presidente da República, Presidente da Assembleia da República, Grupos Parlamentares, comunicação social, com apenas isto:
1-Exigência de cumprimento da Lei do Orçamento de 2020;
2- Postura conjunta sobre a questão de se é tudo decidido num bolo ou as questões do suplemento e reforma são á parte;
3 - Projeto de estatuto dos dois sindicatos (se existe e não é só conversa);
4 - Exigência de apresentação do projeto junto da Assembleia da República por parte do ministério, em 10 dias (se têm algum);
5 - Datas para reuniões propostas pelo Ministério da Justiça, pelo menos uma até ao fim do mês de Julho;
6- Solicitando que a ministra na primeira semana após a reabertura do Parlamento, vá á Assembleia da República explicar aos deputados se há documento final, e e caso negativo das diligências efetuadas e o porquê do incumprimento da Lei Orçamental nesta parte, com a correspondente resposta escrita das respostas e motivos a ambos os sindicatos.
7 - Que se até 15 de Outubro de 2020, não houvesse Estatuto (a integração do suplemento faz parte do Mapa de vencimentos e a reforma pode ser um artigo do estatuto), os três projetos do Ministério e Sindicatos, baixassem à Assembleia da República para discussão e aprovação de Lei pelos deputados que aprovaram o orçamento.
Será que os Sindicatos têm coragem de o fazer assumir-se por escrito e deixar de andar a dizer conversa de pé de orelha e fazendo pressão verdadeira sobre o governo e assembleia.
Custa menos que fazer comunicados a não dizer nada.
Eu estou a pensar cortar no milho querem cacarejar comprem-no, eu tenho família para sustentar e aqueles tostões da quota para o Sindicato, se não os pagar é o maior aumento dos últimos anos, e SEM SINDICATOS.
ENTENDERAM, são homenzinhos ou galinhas?
Completamente de acordo.
EliminarUma simples opinião: (entre uma digitalização)
EliminarQue tal os sindicatos, a partir de 1 de Setembro, promoverem os 2, o luto nas secretarias. Explico, irmos todos vestidos de preto, todos os dias, até os nossos assuntos pendentes terem resposta. Aposto que teria-mos grande visibilidade na comunicação social e, consequentemente, resultados.
Lanço a ideia, quem pode e deve que a aproveite em prol da classe.
A verdade é que se O SFJ tivesse ido atrás do SOJ (ou não tivesse cortado a proposta) já tínhamos neste momento dois assuntos que têm muitos anos por resolver - a integração do suplemento e do regime de aposentação - resolvidos. Depois só tínhamos de negociar o estatuto.
EliminarPode ser que numa próxima oportunidade ambos os sindicatos tenham a perspicácia de agir em prol dos Oficiais de Justiça e não manter a cassete porque sim.
Não tenho roupa preta.
EliminarEsta malta dos sindicatos deveria dar lugar a outros.E voltar a trabalhar no duro como os demais colegas.
ResponderEliminarEm vez de se andarem a divertir a trocar galhardetes e a medir pilinhas em comunicados e contra-comunicados.
São uma vergonha para toda a classe.
Às 12:15 a fazer comentários, chega aqui o cheiro a suor...
EliminarEspero sinceramente que o estatuto fique como está durante muito tempo. O que aí vem, se algum dia vier, só nos vai prejudicar e trazer divisões. Se alguém pensa que o novo estatuto nos vai trazer mais dinheiro ou (mais) prestígio, desengane-se!
ResponderEliminarColega, essa foi a postura que permitiu permanência do Estado Novo durante décadas. Uma vidinha sem direitos e sem dignidade.
EliminarSente-se confortável com um estatuto que lhe impõe um regime de exclusividade e de disponibilidade permanente sem qualquer compensação!?...
Aceita ver diáriamente, nos Juízos de Trabalho, decisões a condenarem entidades patronais por violação de direitos laborais, designadamente por trabalho extraordinário não remunerado ou por privação do direito ao descanso.
A mim faz-me confusão, designadamente o facto das Magistraturas da Jurisdição Laboral, que proferem diariamente e bem, este tipo de decisões, não olharem para o lado e verificarem que os Oficiais de Justiça, que lhes dão apoio e que deles dependem funcionalmente, estão na maioria das vezes nas mesmas condições daqueles trabalhadores.
Em casa de ferreiro espeto de pau!
Nem uma palavra solidária para com os Oficiais de Justiça?!...
Aceita que no inicio de carreira um Oficial de Justiça receba menos, em termos liquidos, do que recebem os Magistrados de subsídio de compensação para habitação!?...
Aceita que os Magistrados se possam aposentar aos 65 anos, apesar de na maioria dos casos, iniciarem funções depois dos Oficiais de Justiça, e nos seja exigido quase 67 anos de idade.
Qual a razão da existência do movimento sindical?
Antigos colegas que exerceram durante o Estado Novo, sempre falaram de uma carreira digna e com direitos. É curioso que muitos de nós quando entraram na carreira, o fizeram precisamente por isso. E é após o Estado Novo que a carreira perdeu e continua a perder alguns direitos (tendo ganho outros, é verdade), mas principalmente a sua dignidade. O que diz faz muito pouco sentido e não é só na alusão ao estado Novo.
EliminarLamento esta súbita e inesperada atitude do SOJ.
ResponderEliminarA leitura que faço é que a maioria dos Oficiais de Justiça defendem um processo negocial da integração do suplemento no vencimento e do regime diferenciado da aposentação separado da revisão dos estatutos.
O que já não é consensual é a revisão dos estatutos, designadamente a previsível divisão da carreira.
Não estão ainda em vigor as greves ao trabalho extraordinário decretadas pelo SOJ e pelo SFJ?!..
Não estão ainda pendentes as queixas apresentada pelo SOJ à OIT e à Provedoria de Justiça?
Não está ainda em vigor a Lei do Orçamento de Estado?
Venha lá a requalificação para assistente técnico. Depois, ála que se faz tarde para uma qualquer repartição pública perto de casa. Quem quiser que feche a porta.
ResponderEliminarNem mais, estou com as mesmas ideias.
Eliminar