Demita(m)-se, a bem da Justiça!

      No seguimento das nossas últimas publicações, em que se enumeraram os últimos erros, os lapsos, as mentiras ou as inverdades, os desleixos, etc., bem como o prejuízo causado aos milhares de Oficiais de Justiça, com tal atitude, ou falta dela, veio o Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ), em informação sindical ontem publicada, requerer a demissão, na ministra da Justiça em concreto mas “de quem tem o dever de liderar”, em forma de apelo dirigido “aos mais altos responsáveis pelo Ministério da Justiça para que apresentem a sua demissão, irrevogável, a Sua Excelência, o Senhor Primeiro-Ministro.”


      Em título, o SOJ não só apela à demissão dos altos cargos do Ministério da Justiça como apela ainda a que parem os casos e as trapalhadas do ministério: “Basta de casos e trapalhadas!”


      A informação sindical diz o seguinte:


      «O estado da Justiça, em Portugal, chegou a lamentável grau zero!


      O “caso do Senhor Procurador José Guerra”, mais do que um “desleixo lamentável”, reflete uma política de total desprezo pelo Estado de Direito Livre e Democrático e, se dúvidas houvesse, bastaria constatar a sucessão de casos e trapalhadas.


      Não está em causa, nem poderia estar, o Senhor Procurador José Guerra, como não estava em causa o Senhor Procurador Lopes da Mota ou a Senhora Procuradora Geral da República, Lucília Gago – nomeada perante a não recondução da, então, Senhora Procuradora Geral da República, Joana Marques Vidal –, como não estava em causa a própria Senhora Ministra da Justiça, Procuradora Distrital Dra. Francisca Van Dúnem, quando (por exemplo) foi promovida, tomando posse no CSM, como Juíza Conselheira, após posse no Governo.


      Não estão em causa as pessoas; o que está em causa e, por isso, o Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ) se pronuncia, é a atuação do Ministério da Justiça, no seu conjunto.


      O Ministério da Justiça vem revelando, desde há demasiado tempo, um desprezo total, pelas mais elementares regras do Estado de Direito, Livre e Democrático, como se constata, por exemplo, quando reconhece no Parlamento que não vai cumprir as leis da República ou quando – ainda no próprio Parlamento –, a mesma Ministra da Justiça assume compromissos que depois não cumpre, nem sente necessidade de justificar tais incumprimentos. O estado da Justiça, em Portugal, chegou a este lamentável grau zero!


      A falta de transparência, a qual se perceciona externamente, com os casos tornados públicos, é uma praxis, infelizmente, já normal e levou a que este Sindicato requeresse sindicâncias aos serviços. Criam-se, por exemplo, regulamentos para que alguns possam ocupar lugares de topo, contrariando as leis, disposições legais e deliberações de outros órgãos de soberania, tal a falta de pudor.


      A atuação do Ministério da Justiça não só parece estar acima da lei, como também do próprio Governo e quando os próprios documentos o comprovam, não sente a mínima necessidade de responder, sequer, aos ofícios do Gabinete de Sua Excelência o Senhor Primeiro-Ministro.


      De salientar, ainda, que a 08 de novembro de 2018, o SOJ, após enorme ponderação e sentido de responsabilidade, apelou a Sua Excelência, Senhora Ministra da Justiça, Dra. Francisca Van Dúnem, para que analisasse, seriamente, a sua continuidade no exercício de funções governativas e, em consciência, ponderasse se a sua saída não seria benéfica para que o Ministério pudesse desenvolver o trabalho que todos os portugueses anseiam. Em Democracia, tal é normal. Porém, Sua Excelência, a Senhora Ministra da Justiça, optou por minimizar ou aligeirar as suas falhas e permanecer à frente do Ministério. É um direito que lhe assiste, obviamente, contudo esperava-se maior sentido de Estado.


      Mais recentemente, em comunicado público, este Sindicato fazendo o balanço ao primeiro semestre da ação governativa, “mostrou-se apreensivo com a falta de liderança e cansaço que parecem abater-se sobre os altos responsáveis pelo Ministério da Justiça”. A recente entrevista da Senhora Ministra da Justiça, na RTP, dia 02 de janeiro 2021, se dúvidas houvesse, revelou isso mesmo: falta de liderança e um enorme cansaço.


      Assim, com sentido de responsabilidade, mas com desprazer, o Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ), na defesa intransigente dos interesses da Justiça e, desde logo, da sua imagem pública, apela aos mais altos responsáveis pelo Ministério da Justiça para que apresentem a sua demissão, irrevogável, a Sua Excelência, o Senhor Primeiro-Ministro.»


      Os Oficiais de Justiça aguardam agora uma posição do Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ).


      Recorde-se que não está apenas em causa o último caso mediático da nomeação, currículo e carta, mas os vários e muitos casos com os Oficiais de Justiça, designadamente, todas as ocorrências do ano passado, já elencadas nos nossos últimos artigos, designadamente, de 02 e de 04JAN.


CravoMao.jpg


      Fonte: “SOJ”.

Comentários

  1. Anónimo5/1/21 08:13

    Não esperem grande coisa do SFJ. Aliás, para que existe? Um vez que, de sindicato, pouco tem. Mais parece um grupo de fãs do ministério, tanto que veneram a ministra.

    ResponderEliminar
  2. Anónimo5/1/21 08:39

    Os sócios do STJ e SOJ que anulem a inscrição neles e verão os sindicatos a desaparecer. Só que os sócios a fazer isso serão uma dúzia. Nas redes sociais manifestam-se e fazem barulho mas depois...... só hipocrisia. Eu há muito tempo que deixei de ser sócio.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Anónimo5/1/21 09:12

      Parabéns amigo!

      Eliminar
    2. Anónimo5/1/21 14:34

      Referes-te ao STJ???
      Ao Supremo Tribunal de Justiça?

      Por outro lado...só faz falta quem está. Boa viagem !!

      Eliminar
  3. Anónimo5/1/21 09:35

    Faz bem o SOJ pois, nos termos legais e constitucionais, quem apresenta demissão ao primeiro ministro não são diretores gerais, mas sim ministros e secretários de estado. Os oficiais de justiça estão cansados da ministra e do secretário de estado Mário Morgado, pelo constante desrespeito por quem trabalha.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Anónimo6/1/21 06:13

      Continuemos a "almoçar e a jantar em cima dos processos"! Aqui temos a paga.

      P. s.
      Medalha de cortiça e o mesmo vencimento ao fim do mês.

      Eliminar
  4. Anónimo5/1/21 11:01

    O Ministério da Justiça agradece que todos se desistam dos sindicatos. É por isso que não vamos a lado nenhum.

    ResponderEliminar
  5. Anónimo5/1/21 12:54

    Está muito bem a posição do SOJ, mas teria sido verdadeiramente produtivo para a luta dos Oficiais de Justiça se tivesse convocado uma conferência de imprensa para anunciar esta sua posição. Todas as lutas, incluindo as sindicais e pelos direitos dos trabalhadores cada vez mais se fazem à custa do mediatismo, quer se goste ou não disso, acho que só os nossos sindicalistas é que ainda não compreenderam isso, por mais que sejam alertados para tal facto.
    Vir com um comunicado para os oficiais de justiça lerem, desculpem mas os dias de hoje é o mesmo que nada em termos de impacto na luta pelas nossas reivindicações laborais. Serve para manter as hostes animadas, mais nada.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Anónimo5/1/21 14:24

      Pelo menos na SIC eu vi a notícia.

      Eliminar
  6. Anónimo5/1/21 13:35

    Parabéns ao SOJ pela sua defesa da classe que representa.

    ResponderEliminar
  7. Anónimo5/1/21 20:40

    Informação sindical de 26-06-2020:

    "Audição da Ministra da Justiça na AR - 25.06.2020

    O SFJ solicitou a reposição da Verdade.

    No âmbito das negociações com o Ministério da Justiça (Tutelado pela Ministra da Justiça – Dra. Francisca Van Dunem – XXI e XXII Governo) e com os Grupos Parlamentares o SFJ sempre exigiu que a negociação da integração do suplemento fosse efetuada separadamente da negociação do Estatuto Profissional.

    Perante a desconformidade produzida pela Sra. Ministra da Justiça, nomeadamente quanto à integração do suplemento, em que a mesma refere que “As duas estruturas sindicais dividem-se em relação a uma coisa. Uma delas entende que estas questões, portanto, quer a integração do suplemento de recuperação processual, quer a questão do regime de aposentação, que devem ser tratadas no quadro da negociação do estatuto, pronto. Depois há o sindicato, o segundo sindicato, que acha que podíamos tratar agora dessas questões, retirá-las, e tratá-las separadamente. Mas o sindicato que penso que é maioritário tem uma posição contrária, contrária, a essa.” o SFJ, procedeu hoje mesmo, da parte da manhã, à entrega de uma missiva dirigida à Exma. Sra. Ministra da Justiça a solicitar que a mesma retifique a sua posição, em virtude de o SFJ ter defendido sempre que a integração do suplemento remuneratória não estava dependente da negociação do Estatuto Profissional.

    Com a intuito de esclarecer cabalmente a situação, enviámos idênticas missivas ao Sr. Presidente da Assembleia da República e aos Grupos Parlamentares.

    Para que não restem dúvidas inserimos aqui as posições que o SFJ... "

    As desconformidades começam a ser muitas, que o digam os Oficiais de Justiça, como se pode ver deste comunicado do SFJ.

    O que já não se compreende é a inacção deste sindicato perante a adjectivação de desconformidades produzidas pela Senhora Ministra da Justiça no Parlamento?! ...

    Incumprimentos, inverdades, desconformidades, Covid-19 vicissitudes, falhas dos serviços administrativos, etc...!

    ResponderEliminar
  8. Anónimo5/1/21 21:04

    Dia 5.1.2021, consultada a página do Facebook do SFJ, verifica-se que continuam em passagem de fim de ano.

    Será que os seus dirigentes continuam em festa, ou estarão todos confinados...!!!

    Se os virem por aí avisem...

    ResponderEliminar

Enviar um comentário