E ainda não se demitiu

      Espantosamente mas sem surpresa, a ministra da Justiça não se demite. Trata-se de uma clara falta de ética republicana e isso mesmo foi dito esta semana pela anterior ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz.


      Paula Teixeira da Cruz foi ministra da Justiça entre 2011 e 2015, no Governo liderado por Pedro Passos Coelho.


      A ex-ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, deixou esta quarta-feira duras críticas à atual ministra, Francisca van Dunem, a propósito da controvérsia em torno da nomeação do procurador europeu, salientando que é impossível que a governante não soubesse das falsidades contidas no documento que foi enviado às instituições europeias para justificar a nomeação de um procurador que não aquele que havia sido proposto pelo comité independente.


      A polémica já levou à demissão do diretor-geral da Direção Geral da Política de Justiça, mas a ex-ministra social-democrata diz que isso não chega: é a ministra van Dunem quem tem a responsabilidade última sobre este caso.


      Num artigo de opinião, na edição desta quarta-feira do jornal Público, Paula Teixeira da Cruz classifica a polémica à volta do procurador europeu como um “exemplo claro da falta de ética republicana” que o Governo devia impulsionar.


      “Por muito que a senhora ministra da Justiça desvalorize, há factos muito graves que não podem ser desmentidos“, escreveu Paula Teixeira da Cruz, resumindo o caso: depois de discordar da opção proposta por um comité independente para o nome do procurador que deveria representar Portugal na Procuradoria Europeia, o Governo português enviou uma carta para as instituições europeias propondo um novo nome, o de José Guerra, mas com um currículo e uma carta de fundamentação que continham vários erros.


      O Governo tem desvalorizado a controvérsia, destacando que os erros contidos no currículo de José Guerra eram “lapsos sem relevância” para o processo de seleção. Porém, a ex-ministra atribui maior importância aos erros, que incluem o posicionamento na hierarquia do Ministério Público, as funções e os processos em que interveio.


      “Que os elementos tenham seguido via serviços para a Reper [Representação Permanente de Portugal junto da UE] até poderá ter acontecido, mas não sem o conhecimento da ministra“, diz Paula Teixeira da Cruz. “É que nenhum documento desta importância e com aquele intuito poderia deixar de passar pelo gabinete ministerial. A escolha de um procurador europeu é assunto demasiado grave para se cingir aos serviços.”


      “Se a senhora ministra não efetiva a análise deste tipo de documentos, pergunto-me o que fará”, questiona.


      “Nem a demissão do diretor-geral da Política de Justiça exonera a ministra de responsabilidades, ao contrário: aquele diminuiu-a e desmascarou-a, em termos inusitados pela sua crueza”, acrescenta Paula Teixeira da Cruz, lembrando que aquele organismo assegurou “que a ministra conhecia o conteúdo integral dos elementos enviados para a União Europeia e que a carta foi preparada na sequência de instruções recebidas”.


      “É óbvio que o diretor-geral não teve responsabilidade, ao contrário da ministra“, sublinha Paula Teixeira da Cruz.


      A ex-ministra deixa no ar que ainda deverão vir a ser conhecidos mais detalhes que ajudem a explicar os contornos do caso: “Veremos porquê os nomes de José Guerra e Ana Mendes de Almeida. Muito haverá a saber, mas separadamente”.


      Ainda assim, Paula Teixeira da Cruz afirma que “Portugal inicia mal a presidência da União Europeia em 2021”, o que “não é um bom sinal”.


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      Fonte: “Observador”.

Comentários

  1. Amanhã é que é. Ou terça feira é que será. Ou será quarta? Ou quinta, ou sexta?
    O SFJ é que sabe, ou talvez não.

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  2. Ainda sou do tempo em que este era o último dia para concorrer ao movimento de Fevereiro ... Bons tempos!

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  3. "Em fase adiantada" ?!...

    O Senhor Secretario de Estado Adjunto e da Justiça no dia 25 de fevereiro de 2020, publicou na sua página do Twitter a seguinte informação: «No Ministério da Justiça estão em curso e em fase adiantada os trabalhos internos tendentes à revisão do estatuto dos oficiais de justiça. Seguir-se-á de imediato a negociação com as estruturas sindicais.»

    Se os trabalhos estavam em fase adiantada, a negociação que se seguia de imediato é que está a demorar uma eternidade!...

    O Senhor Secretário de Estado ainda não deu qualquer explicação para esta contradição insanável.

    Vicissitudes!...


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