“Não importam os sindicatos, não importam categorias, não importa o medo ou umbigos…”

      O Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ), escreveu uma “Carta aos Colegas” e diz assim:


      «Colega, Bom dia!


      O Sindicato dos Oficiais de Justiça, como é do conhecimento público, entregou Aviso Prévio de Greve para os dias 12 a 16 de abril.


      A greve, ao contrário do que é por vezes comentado, é a mais forte e impactante forma de luta dos trabalhadores e, importa recordar, nem sempre foi legal. Para que possa ser hoje exercida, legalmente, foi percorrido um longo caminho de exigências, sofrimento e vidas humanas. Até por essa razão, não pode ser banalizada e muito menos desvalorizada como, por vezes, se tenta fazer.


      Mas o que está em causa, nesta greve, não é lutar somente pelo presente e o futuro da carreira, e de todos os que a constituem, com tudo o que isso representa. É também lutar contra o incumprimento da lei, contra a desconsideração e o desprezo a que tem sido submetida a carreira.


      Alguns de nós deram, e continuam a dar, “os melhores anos da sua vida” a esta carreira. Outros, iniciando-a agora, trabalhando dia e noite, continuam a “viver vidas adiadas”.


      Continuam na dependência, até económica, das famílias. O seu esforço, o trabalho realizado, dia e noite, a sua total disponibilidade não tem como contrapartida a realização pessoal, nem profissional.


      Há, entre nós, colegas a quem as famílias pagam para que estejam a trabalhar. Como seria possível, a colegas deslocalizados, pagar quartos em Lisboa, Sintra, Cascais, Oeiras, Albufeira e tantas outras cidades, na ordem dos 400/500 euros mensais, com salários a rondar os 700 euros, se não contassem com o apoio financeiro das famílias? Como seria possível a esses colegas comer uma refeição por dia – alguns nem isso –, sem o apoio das famílias? Como seria possível visitar a família, de vez em quando, sem esse apoio?


      A verdade é que há entre nós diferentes vivências, problemas diversos e nem sempre estivemos unidos, pois que os problemas de uns, não são vivenciados de igual forma pelos outros. A forma como a carreira se constitui também não tem potenciado a unidade e coesão, antes o contrário…


      Mas, até por isso, este é o momento de estarmos todos unidos a lutar pela carreira para juntos, alcançar o que nos é devido. Todos, e cada um, sabem o que queremos para a carreira, o que ambicionamos para atingir a realização pessoal e profissional.


      Por isso estaremos em Greve, nos dias 12 a 16 de abril. Uma ação de luta (greve) que é a mais forte e impactante, no quadro legal/constitucional vigente.


      A adesão tem de representar a firmeza e coesão da carreira, pois haverá quem procure encontrar fraquezas nas nossas lutas, para as explorar e se afirmar, continuando dessa forma a adiar o que nos é devido. Uma menor participação dará força a uma “tutela”, sempre pronta a desconsiderar-nos…


      Colega, de 12 a 16 de abril é fundamental a unidade e firmeza. Não importam os sindicatos, não importam categorias, não importa o medo ou umbigos… estamos conscientes do esforço, mas de 12 a 16 de abril importa o coletivo, lutar juntos, pois Unidos Somos Mais Fortes! Vamos Vencer! Adere, não deixes que outros lutem por ti, juntos vamos conseguir!»


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      Fonte: “Info.SOJ”.

Comentários

  1. E os oficiais de justiça são obrigados a fazer o trabalho (processos que não são de serviços mínimos garantidos) dos colegas em greve?

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    1. Claro, quem não está de greve está a trabalhar normalmente a tudo o que fizer falta.

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    2. Foram decretados serviços mínimos garantidos para x processos, não é para garantir tudo.

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    3. 'e só nesses, para garantir, exclusivamente', por isso também não acho correcto colega.

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    4. Na próxima semana vamos também exigir serviços mínimos ao Ministério da Justiça.

      Desenvolver a politica do Ministerio, no respeito do principio da legalidade e sem práticas discriminatórias.

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    5. Os serviços mínimos são para quem, querendo fazer greve, é obrigado a cumprir os serviços mínimos. Agora quem não faz greve, nem está ali para cumprir serviços mínimos, tem de fazer tudo, seja processo urgente ou não. É simples.

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    6. Ninguém vai fazer greve.

      Mas vão andar todos à boleia do sacrifício alheio.

      As desculpas, essas, são diversas. Desde as paternalistas às de necessidade, as de princípio e por aí fora.

      P. s.

      Numa sociedade justa os beneficios deveriam ser distribuidos na proporção do compromisso do seu beneficiario para com as causas.

      Moral da história, 12 a 16 de Abril, vou trabalhar. Estou farto de encostas e de mamões e ainda mais de incompetentes. Contudo, se aceitar, doi menos.

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    7. As desculpas para não fazer greve são muitas e ao longo do tempo foram-se somando mais, de forma a que os efeitos das greves sejam hoje cada vez mais miseráveis.
      A desculpa apresentada no comentário anónimo de 10-04-2021 às 00:44, constitui um bom exemplo da estapafúrdia a que assistimos, pois aquilo que diz desprezar nos outros é aquilo que diz que vai fazer.
      É por estas e por outras que ninguém obtém o ganho que é devido mas apenas a manutenção ou intensificação do prejuízo já existente.

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    8. Enfiando a carapuça vendida pelo comentário das 02.16h,

      Olhe que não, olhe que não.

      Leia uma "Moral da história", num "post scriptum".

      Portanto, não esplanaria melhor o sentimento geral, como o fez, quanto a greves e mais greves e mais greves, para, até agora, nada! Para além do dinheiro fora do bolso, esse sim, em Julho lá não vai estar.


      Greve, já.




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    9. Boa Noite,
      Em 1º lugar agradecer o papel importante desta página e dos seus autores em prol dos Oficiais de Justiça, (e não só)... .
      Por outro lado entristece-me a quantidade de anónimos que por aqui comentam, (sem desconsiderar, acredito que sejam OJ), mas não será essa uma forma de dar força à outra parte ?
      Não sou sindicalizado. Não creio esta seja a forma de luta seja a adequada, agora que somos a presidência da UE. Ontem, no famigerado plenário, não se viu um cartaz com a famosa alocução "Lei é Lei". Porquê ?
      Custe a quem custar, um OJ, muito menos um OJ com responsabilidades sindicais NÃO pode constar de listas para eleições para as autarquias, ou outras.
      Prezemos uma (boa) carreira técnica, com um bom estatuto.
      Quem quer ser Doutor, que estude. Nívei 3 ???
      Alguém o vai pagar caro.
      Cumprimentos,
      João Nabais

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