O Desafio Muito (Des)Favorável

      Esta terça-feira foi divulgado o 2º Relatório Anual sobre o Estado de Direito, elaborado pela Comissão Europeia.


      Este relatório sintetiza o estado geral da União Europeia, avaliando os 27 estados membros.


      A ministra da Justiça de Portugal apresentou o relatório, concluindo que "Portugal teve uma avaliação muito favorável".


      Esta visão de uma “avaliação muito favorável” que é tida pela ministra da Justiça contrasta com outras visões, desde logo a visão dos Oficiais de Justiça que clamam há anos pela falta de recursos humanos e pela colocação das categorias certas nos lugares certos, isto é, para além da quantidade também pela qualificação dos recursos humanos e é essa mesma visão que vem espelhada no tal mesmo relatório que, na realidade, não avalia nada de forma “muito favorável” como refere a ministra da Justiça.


      Claro que há uma evolução positiva na área da justiça mas também há muitos outros aspetos que estão congelados no tempo, propositadamente e prejudicialmente congelados, como é o caso da resolução dos problemas dos Oficiais de Justiça que, pura e simplesmente, não são ouvidos.


      Quanto à apreciação do relatório, desde um ponto de vista contrastante, fica a seguir notícia de apreciação do mesmo relatório pela agência de notícias Lusa, difundido na comunicação social. Diz assim:


      «A eficiência do sistema judicial português “continua a ser um desafio”, especialmente para os tribunais administrativos e ficais, considera a Comissão Europeia, que sublinha os esforços em curso para fazer face à escassez de recursos humanos.


      As observações constam do capítulo dedicado a Portugal no relatório anual de 2021 sobre o Estado de direito na União Europeia, elaborado pela Comissão Europeia e esta terça-feira divulgado, que avalia os desenvolvimentos ocorridos desde setembro do ano passado, aprofundando a análise das questões identificadas no relatório anterior (o primeiro de sempre produzido pelo executivo comunitário), e levando em linha de conta o impacto da pandemia.


      Começando precisamente por apontar que “a eficiência do sistema judicial português continua a ser um desafio”, tal como já considerara no relatório anual de 2020, o executivo comunitário nota que “o Governo está a tomar medidas para responder a este desafio, em particular reforçando os centros de arbitragem administrativa e criando equipas de reação rápida”, estando ainda em curso “medidas para resolver o défice de recursos humanos e para investir na digitalização”.


      Também a nível do combate à corrupção, o relatório nota que o Governo aprovou a Estratégia Anti-Corrupção para 2020-2024, que está a aguardar votação na Assembleia da República, e “propôs medidas para assegurar um tratamento mais eficiente de casos complexos de corrupção”, mas, também neste caso, observa que, “embora os esforços para melhorar o historial das investigações e processos de corrupção prossigam, as autoridades judiciais consideram a falta de recursos para a polícia e para a acusação uma preocupação”.


      O relatório indica também que, “na sequência de repetidas preocupações relativas à atribuição de processos nos tribunais, o Conselho de Magistratura está a tomar medidas para melhorar a gestão dos processos, através de uma maior transparência no sistema de atribuição”, estando em curso iniciativas para reforçar a integridade no sistema judicial, “em particular através da preparação de códigos de conduta para magistrados”.


      “As relações hierárquicas no seio do Ministério Público continuam a ser objeto de discussão, e a questão está a ser analisada no Supremo Tribunal Administrativo. As reformas do processo penal estão em discussão para permitir um tratamento mais atempado de casos complexos. É importante que estas questões sejam abordadas em consulta com todos os intervenientes relevantes e tenham em conta as normas europeias”, argumenta a Comissão Europeia.


      Relativamente à comunicação social, e notando que “o Governo pôs em prática medidas de apoio específicas aos meios de comunicação social para mitigar as dificuldades” provocadas pela pandemia, o relatório indica que “o quadro legislativo assegura a proteção dos jornalistas” mas, ainda assim, “houve casos de ameaças e limitações às atividades profissionais dos jornalistas, incluindo um caso de vigilância procurando identificar as fontes dos jornalistas, no qual a Procuradoria-Geral da República lançou uma investigação a ser examinada pelo Conselho Superior do Ministério Público”, numa alusão ao caso “e-toupeira”.


      “As partes interessadas apontam igualmente para a falta de qualquer recolha sistémica de dados relacionados com ameaças ou violência contra jornalistas, em particular online”, acrescenta. O capítulo dedicado a Portugal neste relatório anual sobre o Estado de direito termina com a observação de que, “embora o espaço da sociedade civil seja considerado aberto, estão a surgir novos desafios, em particular devido a casos de hostilidade e pressão contra organizações da sociedade civil e defensores dos direitos humanos”.»


      Em conclusão: o estado da justiça em Portugal é um desafio, é esta a palavra mais utilizada para descrever o estado: “desafio”.


      Desafio porque estando as coisas como estão, há a perspetiva de vierem a melhorar e isso é a versão oficial que é transmitida, portanto há esse desafio. Desafio em que de facto se solucione o problema dos recursos humanos insuficientes, portanto, uma esperança.


      Para a Comissão Europeia, a justiça em Portugal é um desafio, uma expectação, isto é, que existe uma expectativa do Governo vir a agir em consonância com aquilo que promete e afirma e reafirma.


      Os Oficiais de Justiça riem-se desta expectativa desafiante vinda da Comissão Europeia, porque já passaram por igual espera há muito; há muitos anos mas lá em Bruxelas ainda não passaram pelas vicissitudes dos desafios, pelos circuitos legislativos dos desafios, nem tiveram o azar de andar de reuniões em reuniões para nada, enfim, ainda não conhecem este Governo.


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      Fontes: "Ministério da Justiça Tweeter", "Ministério da Justiça Youtube" e “Lusa/Observador”.

Comentários

  1. é isso mesmo, em Bruxelas ainda não conhecem o desgoverno! e a falta de palavra ou conhecem, mas são iguais!

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  2. Já remeti via email o Parecer do CSMP.
    É a destruição total do projecto de estatuto, ponto por ponto.
    Por que raio é que ninguém fala dele.....

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    1. Porque em tudo que à Justiça diz respeito já não existe democracia!

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  3. Diversas dúvidas tem surgido em conversas entre colegas relativamente ao Acórdão proferido no processo 350/12.3BELSB , nomeadamente à forma de contagem de tempo.
    Sugeria a este fórum o esclarecimento cabal de como é que se deve contar o tempo de forma aos muitos colegas terem a certeza que não estão abrangidos por aquela decisão, até porque já é público que a lista divulgada pela DGAJ não está correcta.
    E já que os sindicatos pouco ou nada disseram sobre isso fazia-se aqui o devido esclarecimento.
    Entre promoções, eventualidades, tempo de provisório e subidas de escalão vai para ai muita cabecinha a deitar fumo....

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    1. É simples, quem iniciou a contagem em 1.1.2008 deve estar incluído, quem tinha até 3 meses de contagem no escalão em 2005 também.

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  4. Ontem, no debate parlamentar sobre o Estado da Nação, mais uma vez, os nossos representantes sindicais estiveram ausentes!

    Levamos mais uma lição dos representantes das associações sindicais da PSP e da GNR!

    Pela sua ação, conseguiram levar ao debate Parlamentar as suas reivindicações e foram tema em todos os Órgãos da Comunicação Social!...

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  5. Eu sei é que enquanto Oficiais de Justiça é constante a tramitação de processos laborais por abuso dos empregadores para com os trabalhadores. As penas de indemnização são pesadas assim como as multas do ACT.

    No ministério da Justiça português, o mesmo, é considerado como favorável a auditorias tendenciosas e arbitrárias e motivo de gáudio!


    Consequência?

    Nenhuma, pois tão incompetentes governantes agem a coberto do mandato que lhes foi conferido pelo povo português.


    E ainda por cima políticos não são funcionários públicos!

    Enfim, greve, greve, greve.

    12.30h/13.30h e a partir das 17h.

    (NÃO HÁ LUGAR A PERDA DE ORDENADO OU A PROCESSO DISCIPLINAR)

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