Secretário de Estado prescreve tratamento com choques

      No final do Plenário dos Oficiais de Justiça em Santarém, o secretário de Estado e adjunto da Justiça, Mário Belo Morgado, escrevia na sua página do Facebook e também no Twitter o seguinte:


      «Mesmo nos países mais ricos do Mundo os meios nunca são ideais/ilimitados.»


      Com esta afirmação, o secretário de Estado cola os meios “ideais” aos meios “ilimitados”, como se fossem semelhantes ou tivessem alguma correspondência.


      Certamente teria em mente as afirmações do Ministério Público desse dia, relativamente ao lamento de não dispor de meios necessários para agilizar as investigações, como a que nesse dia foi muito difundida nos meios de comunicação social com detenções e buscas à mistura.


      Prosseguindo o seu comentário político, o secretário de Estado, depois da fase do ensinamento passa à fase da alfinetada e diz assim:


      «Uma constante dos verdadeiros líderes e gestores: discurso positivo e inconformista, racionalização de procedimentos e eliminação de estruturas redundantes e de níveis de chefia desnecessários, por forma a otimizar recursos por definição escassos.»


      Ou seja, lemos isto: há na magistratura do Ministério Público quem não tenha correspondência com os “verdadeiros líderes e gestores”, porque, desde logo, não têm um “discurso positivo” e etc. para, conclui, “otimizar recursos por definição escassos”.


      Recursos escassos que nunca serão ideais nem ilimitados, mesmo nos países ricos. Fica percebido.


      Aborda ainda a hierarquia do Ministério Público, considerando que há níveis de chefia desnecessários e estruturas redundantes e termina a publicação da seguinte forma:


      «Estamos, de facto, a precisar de uns choques de gestão.»


      Em tão curta publicação, o secretário de Estado e adjunto da Justiça consegue identificar a enfermidade, diagnosticando-a em toda a sua moléstia, acabando por prescrever de imediato o tratamento que deve ser de impacto.


CerebroPincasEletricas.jpg


      O Ministério Público deve tomar boa nota desta prescrição, embora o seu estatuto esteja já há muito aprovado mas, como contributo ao tratamento, Mário Belo Morgado, tratou já de eliminar a carreira própria do Ministério Público dos Oficiais de Justiça.


      Especialização? Não! Choque de gestão! Porque os meios nunca têm que ser os ideais, nem aqui nem nos países ricos.


Facebook-MBM-20210629.jpg


      Fontes: “Facebook MBM” e “Twitter MBM”.

Comentários

  1. Anónimo1/7/21 08:27

    Exatamente. Por isso esse estatuto!!

    Lol

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  2. Anónimo1/7/21 09:49

    Bom dia Colegas.

    Então já puseram o serviço em dia depois de terem faltado no dia do plenário?!


    Já recuperaram os atrasos?!



    Óptima quinta feira para todos

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    1. Anónimo1/7/21 10:38

      ainda bem que vivemos em liberdade e os néscios como tu podem comentar livremente.

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  3. Anónimo1/7/21 10:04

    O Srº. Secretario de Estado Adjunto do maior governo da democracia portuguesa devia fazer análises filosóficas era da promiscuidade entre politica e justiça...andou a vida toda em cargos políticos sem nunca sequer ter sido eleito...nos intervalos foi sendo Juiz...um verdadeiro exemplo para os países desenvolvidos !!

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    1. Anónimo1/7/21 10:23

      Verdade! tanta pequenez e promiscuidade e a quererem dar lições! triste mesmo

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  4. donzilia santos1/7/21 13:56

    "Choques" precisa a maioria dos Oficiais de Justiça que se encontra desinteressada do que lhe diz respeito, sem ser trabalhar, não tendo comparecido no Plenário mesmo com meios ao dispôr.Parece haver falta de comunicaçāo empática dos sindicatos.
    Depois, há muitos que não acreditam nessa do grau 3 para todos ser possível (e esses serão a maioria dos escrivães aux. e adjuntos) que nāo sentem que a "luta" lhes traga benefícios, mas sim a outros já nas categorias superiores.
    Quais foram as reacções em concreto dos sindicatos, aquando da Portaria 372/2019, de 15/10, que procedeu à eliminação de 111 lugares de Escrivão Adjunto ? V. tb. este blog em 16/10/2019.

    Relendo a Lei O. Estado/2021, nada aí se escreve sobre nivel 3 para todos.O que se diz é que na revisāo do Estatuto será equacionado mecanismo que compense a disponibilidade permanente: regime de aposentaçāo diferenciado.
    Lendo a proposta publicada no BTE, nāo vejo lá nada disto.
    Entāo, tal como muitos aqui têm dito, mais valia pedir algumas atualizações ao Estatuto em vigor, vendo ali incluido como consta da Lei, o regime de aposentaçāo diferenciado, a integração do suplemento dos 10% . Pedir ainda mais, é talvez vir a ter pouco ou nada.
    Aos colegas exige-se mais intervençāo e apoio nas ações dos sindicatos.Ainda pago quotas!

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    1. Anónimo1/7/21 14:54

      Subscrevo

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    2. Anónimo1/7/21 23:14

      Boa Noite Colega,
      Em primeiro lugar deixe-me cumprimentá-la por ser a única a ter a coragem, -(coisa rara nestes dias) - a assinar comentários com o seu nome.
      Concordando com o seu comentário, no entanto sempre direi sem qualquer dúvidas que a classe já há muito foi "vendida" em prol de outros interesses obscuros, nomeadamente do "Sindicato do Fernando Jorge", desde o tempo que este 1º ministro foi ministro da justiça. Um dia provavelmente saberemos.
      No mais digo que estrangular uma classe altamente sabedora daquilo faz, para alguns, com o nivel 3 serem Dr's sem estudarem, é no minimo castrador para quem trabalha.
      Cumprimentos,
      João Nabais

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  5. Anónimo1/7/21 14:55

    E quanto a promoções a adjunto???? sindicatos pressionam o quê?? há falta deles, não há congelamento no orçamento e porque não pressionam???? está tudo bem de vida é???

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  6. Jota Man1/7/21 16:49

    Espero que todos o que querem e continuam a falar no nível 3, o tenham, com os vencimentos correspondentes à Lei Geral, subidas de nível com avaliações pelo SIADAP. Quero mesmo que consigam.
    Mas eu quero continuar a ser carreira especial com escalões, avaliações pelo sistema atual, e com categorias. Como todos aqueles que já olharam para os vencimentos do respetivo nível 3, fizeram contas, que sabem a diferença entre nível e escalão, e o que são categorias diferentes, e que sabem que podem subir de categoria. Esses sem congelamentos, sobem a um nível remuneratório mais alto em 10 anos que os outros em 20.

    Só uma explicação simples sobe-se de escalão automaticamente ao fim de x tempo, sobe se de nível dependendo de pontos, que podem ser dados ou não, e por escolha, com limitação de numero de Muito Bom, e Bom..... .
    Uns podem subir de escalão e de categoria, sendo incluído no escalão correspondente na categoria para que sobem.
    O nível é sempre linear e progressivo, dependendo dos ditos pontos.

    Para os inteligentes do nível 3 que lhes aconteça a eles o que pedem, mas que todos os outros sejam minimamente felizes.

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    1. Anónimo1/7/21 20:09

      Ainda bem que há quem concorde comigo. Já disse palavras como essas cá muitas vezes. Obrigado por partilhar uma perspetiva inteligente.

      Na verdade existem sindicatos que querem acabar com a carreira. Acho que estão de parabéns porque na verdade já o conseguiram. Essa e a verdade.

      Se o governo não conseguir negociar o estatuto com os sindicatos o estatuto sai na mesma. E bom lembrar isso.

      Se negociar com sindicatos que venham com propostas para satisfazer o governo, também estamos a perder.


      Mais digam lá de viva voz para que foi o plenário.?

      Na minha opinião foi apenas arreia para os olhos.

      Mais que uma vez já disseram que o projeto não foi o que negociaram ,mas ninguém sabe o que se negociou.
      Quem cala consente.

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    2. Anónimo1/7/21 22:11

      Onde anda o soj?

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  7. Anónimo1/7/21 17:00

    São 17:00 horas.

    Os que têm o serviço em dia podem começar a sair ...

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    1. Anónimo1/7/21 19:52

      .... em dia....

      Só mesmo à gargalhada.

      Quando é que percebem que é um poço sem fundo? Uma cenoura pendurada à frente do burro?

      Não sejam inocentes!

      Saibam à horinha.

      Que participem, que escrevam, que vão à nota, que vão para o diabo que os carregue.

      Trabalho não falta!

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  8. Anónimo1/7/21 19:48

    "... Mesmo nos países mais ricos do Mundo os meios nunca são ideais/ilimitados.»..."

    Mas melhor geridos, com mais competência funcional a que o cargo exige.

    Mas o Sr. Governante tem perfeita noção das suas incapacidades. Elas são patentes. Talvez fundamentadas num sofrível curriculum.

    Mas a agenda política relega o todo essencial para segundo plano.

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  9. Anónimo1/7/21 22:29

    «Mesmo nos países mais ricos do Mundo os meios nunca são ideais/ilimitados.»

    Mas nos países mais ricos do mundo, mas democráticos, onde os meios nunca são ideais/ilimitados, não são esquecidos os principios da igualdade, proporcionalidade e da Justiça tributária!...

    O Senhor Secretario de Estado, preocupado com choques de gestão, próprio de um capitalismo sem regras, puro e duro!

    Nem Donald Trump se atreveu a tanto!...

    Quando os recursos são escassos, num estado de direito verdadeiramente democrático, na distribuição dos recursos imperam os princípios da igualdade, da proporcionalidade e da Justiça tributária.

    Não vi essa preocupação do Senhor Secretário de Estado aquando da aprovação dos Estatutos das duas Magistraturas!..

    Também não o vejo preocupado com o facto de existirem Secretários de Estado e Ministros do governo a que pertence a auferirem vencimentos inferiores ao seu!...

    Com recursos escassos também não o vejo preocupado pelo facto de existirem sub-diretores gerais a auferirem 1/3 de outros e de existirem Diretores-Gerais a auferirem mais do que Secretários de Estado.

    Não o vejo preocupado com o subsídio de 875,00 por mês isentos de IRS, 14 meses por ano, quando os recursos são ilimitados!

    Mesmo no país mais rico do mundo o presidente da reserva federal norte americana aufere menos que o nosso governador do Banco de Portugal!...

    Senhor Secretário de Estado num estado assim "eles comem tudo e não deixam nada".

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  10. Anónimo1/7/21 23:41

    Está, de facto, a precisar de choques, da ética republicana, da justiça democrática e dos princípios dum Estado de Direito Democrático, para que não seja decretada a morte da decência.

    Senhor Primeiro Ministro, com Secretários de Estado assim, num país democrático, não há eleições que resistam. Veja-se o último resultado das eleições para o CSM.


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  11. Anónimo2/7/21 08:03

    A diferença de opinião não pode ser entendido como uma oposição, mas antes uma forma diferente e igualmente válida de ver e sentir o momento em que nos encontramos. Porque não usar toda esta disponibilidade no terreno, nos locais de trabalho, organizando debates, analisar as propostas, apresentar, a quem nos vai representar na revisão estatutária, as diversas necessidades, sensibilidades e expectativas para o nosso futuro profissional? Aos oficiais de justiça falta proatividade. Este é o momento para fazer a diferença e não ficar á espera que outros a façam por nós, porque, independentemente da diferença de opinião é mais aquilo que nos une do que o que nos separa.

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