01SET: Greve Geral Sem Serviços Mínimos

      Imperou o bom senso. Sim, é raro, mas também é muito difícil em face das forças de bloqueio que permanentemente são postas no caminho dos Oficiais de Justiça, designadamente pela DGAJ.


      Imperou o bom senso, desta vez. Desta vez imperou o bom senso.


      O Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ) acaba de divulgar que a próxima jornada de luta contra a arrogância e prepotência, com um dia de greve marcada para o arranque após as férias judiciais: o dia 01SET, está liberto de serviços mínimos.


      Apesar da DGAJ considerar – como sempre considera – que os serviços mínimos devem ser sempre impostos e que não pode haver greve que não os detenha, mesmo ao arrepio de decisões judiciais que contrariam tal postura, eis que o atual Colégio Arbitral que apreciou a greve do próximo dia 01SET decidiu, desta vez, optar pelo bom senso, concordando com os argumentos do SFJ.


      Diz assim o Sindicato convocante:


      «O Sindicato dos Funcionários Judiciais obteve mais uma vitória perante a prepotência e a arrogância da DGAJ/Ministério da Justiça.»


      Mais uma vitória… Talvez não seja para tanto, nomeadamente depois da derrota da greve do dia 02 e 03 de agosto e da pesada derrota da greve de 1999.


      Aliás, nem sequer estamos perante uma vitória ou uma derrota, estamos perante casos de bom ou mau senso por parte dos elementos que compõem o Colégio Arbitral, uma vez que a postura do Sindicato é sempre a mesma e a DGAJ também.


      O facto de se alardear vitória por decisão alheia, para ser coerente, o SFJ deveria comunicar também as derrotas, pelos mesmos motivos das decisões de terceiros.


      Talvez a expressão correta não seja propriamente a “vitória”, ou a de ter obtido “mais uma vitória”, uma vez que os mesmos argumentos já foram usados noutras ocasiões, e sem ir mais longe, na última greve de 02 e 03 de agosto, não se obtendo a dita idêntica “vitória”, bem pelo contrário. Será, portanto, excessivo o uso desta expressão, embora seja muitas vezes usada, o que poderá iludir alguns, no sentido de que se somam vitórias, apagando-lhes o espírito crítico, quando, na realidade, não se somam vitórias nenhumas, apenas há um vangloriar próprio de algo que lhe é alheio, que está apenas na disponibilidade de terceiros.


      De todos modos, independentemente desta auto-glorificação já habitual, é uma sorte que, desta vez, os elementos que compõem o Colégio Arbitral tenham decidido da forma que o fizeram.


      Esta sorte, desta vez, não limpa o escarro decisório sobre a greve dos dias 02 e 03 de agosto e da greve de 1999, greves estas que não podem ser esquecidas nem branqueadas.


      Esta sorte, desta vez, vai permitir aos Oficiais de Justiça fazer do dia 01SET, dia de arranque do serviço nos tribunais e nos serviços do Ministério Público; dia que é apelidado de início do ano judicial (e assim foi durante muito tempo), um dia importantíssimo de manifestação do desagrado generalizado.


      É importantíssimo que todos os Oficiais de Justiça saibam desta greve, quer estejam em férias ou já a trabalhar, para que a adesão a esta greve seja algo verdadeiramente nacional.


      Aqueles que estão de férias, não deverão regressar ao trabalho no dia 01SET e aqueles que já se encontram a trabalhar devem interromper o trabalho nesse dia.


      Não há serviços mínimos nesse dia tão importante no calendário judicial, que é também objeto de atenção por parte dos meios de comunicação social. Trata-se de uma relevante oportunidade que os Oficiais de Justiça, embora cansados de tantas greves, a esta, têm que aderir massivamente.


      Desde já – e como habitualmente – esta greve conta também com o nosso apoio total e vamos noticiá-la constantemente, apelando a uma adesão de 100%, porque não podemos esperar menos do que isso.


      Assim, apelamos hoje e apelaremos nos próximos dias a uma adesão massiva a este dia de greve no dia 01SET para o qual não há serviços mínimos decretados.


      Todos os Oficiais de Justiça, sindicalizados num ou noutro sindicato, ou em nenhum, bem como os demais Funcionários Judiciais, todos podem – e devem – aderir a esta greve geral e nacional, mantendo encerrados todos os tribunais e serviços do Ministério Público.


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      Fonte: “SFJ-Info”.

Comentários

  1. E quanto a processar os seus agentes e o Estado enquanto responsáveis, de forma civil, pelas ilegalidades praticadas?

    Greves, greves, greves, que levam, que como se tem vindo a verificar, e são os factos que o dizem, não é este comentador, não levam a nada ao longo de vastos anos!

    Avancem, evoluam nas formas de luta!!!

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    1. Não esquecer de divulgar tais processos nos media.

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    2. Este seria o momento para mostrar à opinião pública a verdadeira injustiça para quem nela trabalha.

      As eleições estão aí!!!


      Mas, de certo, aos Sindicatos não lhes convém. Tais os interesses difusos em jogo!

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  2. Percebes que escolheste a profissão errada quando:

    Te esquivas de rever amigos e familiares para não andar em jantaradas que o teu salário não permite.

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    1. Tens primos que emigraram quando tu vieste para os tribunais e já têm a estabilidade económica que tu nunca terás.

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    2. Tens o mesmo chaço velho há mais de vinte anos e rezas para que não te dê problemas.

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    3. Continuas a comer sandes ao almoço por que o teu salariozito de m*#€a não te permite ir ao restaurante comer um mini prato ...

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    4. Tens os pais doentes e velhos, mas não os podes ir ver frequentemente porque o dinheiro para o gasóleo e portagens não chega e cada vez que os visitas, andas meses para te recompores na carteira.

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    5. Comentas com amigos qual o teu salário e o aumento que tiveste desde que entraste para os tribunais e eles simplesmente não acreditam !!!

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    6. Falta-nos qualidade de vida!

      É de facto se o dizemos, ainda passamos por tolos.

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    7. Um casal amigo, conheceram-se e casaram nos "registos e notariado", e que têm a amabilidade de me convidar e aos miúdos, tendo-nos nós conhecido em Santarém, quando iniciamos e fomos todos lá colocados vindos do norte, onde eles já vão em ordenado!!!

      E o espanto que é quando eu e a mulher dizemos que trabalhando 8h ou trabalhando10h por dia, o ordenado é sempre o mesmo e que as horas extra são impostas por juízes de fraca agenda e nós somos obrigados, por estranha lei, a permanecer.


      Então quando contamos que a escola da mais velha queria chamar a CPCJ quando um dia, pelas 19.33horas ainda não a tínhamos ido buscar, até pararam de engolir.

      Tive de apresentar o estatuto à direção de turma, que com muita empatia e urbanidade ficou de boca aberta para a falta de saber estar social dos magistrados em questão e que foram indicados como testemunhas.

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    8. E este é o apregoado respeito da tutela pelos Oficiais de Justiça!


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  3. Os danos causados as Oficiais de Justiça durante décadas, com a violação dos mais elementares direitos liberdades e garantias, têm que ser ressarcidos, pelos responsáveis do Ministério da Justiça.

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  4. Este sentimento tartufo da Senhora Ministra da Justiça expresso publicamente, por diversas vezes, de que tem muito respeito pelos Oficiais de Justiça, não tem qualquer correspondência com a realidade.

    Demitiu-se das suas promessas e compromissos para com os Oficiais de Justiça.

    Os servos ainda acreditaram que a Senhora Ministra honra-se os compromissos que tinha assumido.

    Seriamos os últimos, como sempre, mas mesmo assim tivemos esperança.

    Já decorreram quase dois mandatos da Senhora Ministra da Justiça e a situação não para de se agravar com ataques sucessivos a esta classe profissional.

    Para quem, em resposta a um político da oposição, ficou muito indignada e invocou "a morte da decência", não devia perder alguns minutos e refletir sob esta temática.

    De servos a escravos?!...




    Por tudo o que se passou

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  5. Irei fazer greve!

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    1. E ficar ainda mais teso(a)!!!

      Sem qualquer resultado alcançado.

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