Do Ridículo à Vitória, o penoso caminho dos Oficiais de Justiça
O próximo dia 01SET é dia de greve geral nacional de todos os Oficiais de Justiça e demais Funcionários Judiciais.
Para esta greve não estão marcados quaisquer serviços mínimos.
Os Oficiais de Justiça estão habituados a que haja sempre alguma obrigação de permanência ou de ausência mas não é o caso.
Mesmo que haja diligências marcadas com caráter urgente, mesmo que entrem papéis urgentes ou haja presos, etc. Nada tem que ser feito por quem esteja em greve mas apenas e tão-só por aqueles que não aderirem à greve.
Quem pode aderir à greve? Todos. Independentemente de estarem ou não sindicalizados ou num ou noutro sindicato; isso não interessa para nada, a greve abrange todos os profissionais.
O dia 01SET é ainda considerado e sentido por muitos como o arranque de um novo ano judicial, pelo que a greve neste dia ganha um significado e uma relevância especial.
Claro que há quem já esteja cansado de greves e até com a carteira vazia por causa delas mas, mesmo assim, a luta por um futuro digno passa por este esforço enorme em face da ridícula postura do Governo para com os Oficiais de Justiça.
O dinheiro faz falta a toda a gente e todos os Oficiais de Justiça precisam do seu vencimento sem cortes, pelo que é necessário abordar o prejuízo pessoal que as greves causam a cada um. Neste caso, a greve de 01SET será descontada no vencimento de novembro e, nessa altura, será recebida mais uma prestação do vencimento, o chamado subsídio de Natal ou 13º mês. Desta forma, a perda no vencimento por greve acaba de ser compensada pelo recebimento desta prestação, a 13ª do ano, pelo que há uma atenuação do orçamento disponível de cada um.
Posto isto, vejamos agora o ridículo argumento da DGAJ para que fossem decretados serviços mínimos, para que “dúvidas não restem que para a DGAJ todos os argumentos, mesmo que infundados, podem ser utilizados para postergar direitos fundamentais dos trabalhadores”, conforme se lê na informação sindical do SFJ.
Segue extrato do acórdão do colégio arbitral:
«O facto de o dia da greve programada ser o do primeiro dia após as férias judiciais do versão de 2021 e se verificar, então, acumulação de serviço resultante dessas mesmas férias, aliado à perturbação adveniente de também coincidir com o início de funções de oficiais de justiça resultante do respetivo movimento anual, que alega a DGAJ/MJ, não vemos como isso possa ser considerada circunstância excecional para, no caso, se fixarem serviços mínimos, quando a situação em causa é idêntica à verificada após as outras férias judiciais do Natal e Páscoa, no primeiro caso, e de todos os anos no segundo, e todos os prazos e serviços são cumpridos a partir do dia seguinte ou dias seguintes sem que também daí resulte qualquer prejuízo irreparável, seja para o serviço, seja para a sociedade e, ou, cidadãos.»
Como se vê, qualquer desculpa serve para justificar o ataque a qualquer reivindicação dos Oficiais de Justiça, e qualquer desculpa mesmo, já mesmo sem sequer se deter a noção do ridículo.
Na informação sindical, o SFJ, refere que a decisão do colégio arbitral constitui uma “vitória perante a prepotência e a arrogância da DGAJ/Ministério da Justiça” mas aquilo a que assistimos, para além de prepotência e arrogância, como classifica o SFJ, é também o ridículo dessa mesma prepotência e dessa mesma arrogância.
E o SFJ termina a informação sindical assim:
«O Ministério da Justiça tem vindo a desrespeitar continuadamente os Oficiais de Justiça. Perante a postura arrogante da DGAJ daremos uma resposta à altura. Não nos vencem pelo cansaço. Desenganem-se.»
E é precisamente pelo desgaste e cansaço que o Governo acaba muitas vezes por vencer os trabalhadores, que não aguentam tanto desgaste nem tanto esforço, mas também é por tal motivo que, todos bem o conhecendo, devem realizar mais este esforço suplementar para que em todos os edifícios, judiciais e judiciários, não esteja, no próximo dia 01SET, ninguém ao serviço.

Fonte: “SFJ-Info”.
A decisão do colégio arbitral passa a ser enaltecida quando é favorável, mas o "colégio" não é independente quando as decisões são desfavoráveis. Há que ter sentido de responsabilidade... A postura de calimeros, apresentada sindicalmente, tem servido para esconder incompetência e prejudica todos.
ResponderEliminarAcabei com os 120% de produtividade!
ResponderEliminarTá - se bem nos 80%/90%.
Em pico lá abro a exceção de ir aos 100%.
Querem mais, metam pessoal!
Atrasou? Está atrasado.
Eu é que não faço horas extra para tapar buracos que a incompetência dos recursos humanos abrem!
Assim fizessem todos!
Pois em hipótese, se entrarem 300 papeis à 2a e na terça 500 e por aí fora, o OJ não vai para casa. Dorme no tribunal?
O bom senso também se ensina, e não é nos bancos da faculdade!
Aos Senhores do COJ que não parecendo, também são humanos OJ, deve-se explanar precisamente o mesmo! Com respeito e educação pela tarefa de cada um.
EliminarOJ, uma (des) carreira!
De que adiantam os Muito Bons e as distinções atualmente?
Servem para permitir que se deixe criar mau ambiente laboral entre os elementos das secções!
Tantos deveres, tantas obrigações e um OJ provisório vai ganhar o ordenado mínimo nacional!!!
Pela minha parte, quando retornarem a um modelo de carreira digno, volto a preocupar-me com notas. Sempre com muito respeito pela tarefa do COJ. Mas como não sou medíocre, para já suficiente basta!
Não temos sindicatos, mas sindicatozinhos, miupes, preguiçosos, vaidosos, não sabendo e querendo ouvir, querendo "despachar a coisa".
ResponderEliminarSó assim entendo está greve de um dia, a 1 de setembro.
O que deveria ser apresentado a 1 de setembro era um plano estruturado de ações de luta, que, por si só, marcasse o e antecipasse o calendário negocial, não o deixando adiar-se e perpetuar-se.
Greve às minhas, na, obrigado.
Queria terminar dizendo:
EliminarGreve às mijinhas, não, obrigado
Arquitetos e pedreiros corrigem decisões aprovadas em duas Leis do Orçamento de Estado!...
ResponderEliminarAs Leis do Orçamento de Estado não são para cumprir!...
São apenas estados de alma dos Senhores Deputados, que estão sujeitos ao escrutínio de "um lápis rosa" de alguém com dificuldades em se afirmar em atos eleitorais procura um sucedâneo da democracia representativa para edificar o tecido social.
Questionem os partidos políticos que aprovaram as últimas duas Leis do Orcamento de Estado, no que se refere à integração do suplemento no vencimento e no regime diferenciado da aposentação e se sentem confortáveis com o mandato que exercem em nome do povo, quando os responsáveis do Ministério da Justiça fazem tábua rasa das decisões que aprovam?!...
Aproximam-se as negociações do próximo Orçamento de Estado. Será para levar a sério ou SEAJ dirá mais uma vez que uma Lei de valor reforçado não é para cumprir?!...