“A mediocridade e insolência de alguns (ir)responsáveis”
E foi mesmo publicado, outra vez, o mesmo projeto de Estatuto.
Já aqui vínhamos anunciando que assim se processaria mas, como era uma boa oportunidade do Ministério da Justiça corrigir o profundo erro em que lavra, ainda tínhamos a parva esperança que tal pudesse acontecer e que o mesmo projeto não fosse novamente publicado.
É a tragicomédia sem fim.
“Foi publicado na separata do BTE n.º 28, datada de 15 de setembro, o despacho do Secretário de Estado Adjunto e da Justiça que fixa em 30 dias o prazo para apreciação pública do projeto legislativo respeitante à revisão do Estatuto dos Funcionários de Justiça”, diz o Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ) na sua página.
Mas diz mais, diz o seguinte:
«O Ministério da Justiça ao insistir no mesmo projeto de diploma, reconhecidamente pejado de normas inconstitucionais, revela a mediocridade e insolência de alguns dos seus (ir)responsáveis.»
O SOJ, de uma penada só, classifica “alguns” responsáveis do Ministério da Justiça como “irresponsáveis”, ao mesmo tempo que afirma que a atuação revela “mediocridade” desses elementos, mas não só isso como também “insolência”; características que, aliás, costumam andar de mãos dadas: a mediocridade e a insolência.
Ao mesmo tempo, o Sindicato dos Funcionários de Justiça, divulga a mesma republicação do mesmo projeto, dizendo o seguinte:
«A Justiça necessita de serenidade e paz social para prosseguir os seus fins, pelo que não se compreende que o SEAJ insista num projeto que já foi analisado por todos os quadrantes do judiciário, que verificaram, entre outras coisas, estar pejado de inconstitucionalidades, ao invés de aproveitar a decisão do TACL e corrigir, desde já, o seu projeto de estatuto.»
Trata-se de mais uma oportunidade perdida dentro do mundo do perdimento.
E continua o SOJ:
«Mas, perante mais esse “número circense”, cabe ao Parlamento, como temos vindo a defender, assumir as suas responsabilidades e “realizar” a República Portuguesa. Parlamento que, através dos Grupos Parlamentares do BE, PCP e PEV, assumiu, em parte, as suas responsabilidades. Outros, estamos convictos, saberão também assumir as suas, votando favoravelmente esses diplomas.»
E acrescenta o SOJ:
«Todavia, e é importante que cada um assuma as suas responsabilidades, a carreira não acompanhou devidamente o trabalho que estava a ser realizado no parlamento. A ter acompanhado, ao invés de seguir a estratégia do Ministério da Justiça, como fomos denunciando, talvez estivéssemos em situação diferente»
Quer isto dizer que, como aquele projeto ora republicado, é absurdo e nunca será implementado, os Oficiais de Justiça têm que se virar apenas para o Parlamento e podem perfeitamente virar as costas ao secretário de Estado e adjunto da Justiça.
Diz o SOJ que «A aprovação dos Projetos de Lei n.º 819/XIV/2.ª, n.º 820/XIV/2.ª, n.º 823/XIV/2.ª e n.º 834/XIV/2.ª, será um pequeno passo, mas importante, para se alcançar a justiça que temos perseguido.
Aprovação que será mais fácil de alcançar se o foco da carreira, nesta fase, se direcionar nesse sentido. Assim entendamos todos…»
O mesmo transmite o SFJ, isto é, que o foco agora é a Assembleia da República, porque está claro que de do Governo nada virá para já nem tão cedo.
«O SFJ tem mantido contacto junto de todos os partidos com assento parlamentar, incluindo o partido do Governo, de forma a que sejam viabilizados os Projetos de Lei que estão na Assembleia da República, nomeadamente a integração do suplemento de recuperação processual e a pré-aposentação.»
Os Projetos de Lei que a Assembleia da República votará destinam-se a isso mesmo: à integração do suplemento (Proj.820,823,834) – atualmente pago em 11 prestações anuais e pretendendo-se que seja pago nas 14 prestações anuais do vencimento – e a criação de um regime de pré-aposentação (Proj.819).

E que tal umas faixas bem grandes afixadas nas paredes exteriores de cada Tribunal, com cor preta e com os 'dizeres' apropriados?
ResponderEliminarDe 8mX2m ou algo próximo.
Esta ideia ouvi-a a uma colega há uns meses e que, com toda a razão, se queixava da total e repetida desconsideração pelos Oficiais de Justiça.
Eu não me importava de contribuir para as faixas, o que dividido por todos ficariam baratissimas.
Sobre a eficácia das mesmas...creio que poderia ser relevante q.b.
E se acaso vissem que era excessivo, então que se fizesse somente de forma cirúrgica, nos dias de grandes e mediáticos julgamentos, com as TV's nacionais à porta.
Os sindicatos que possam ler isto que o equacionem. Eu contribuo...
....
Já agora o meu sincero obrigado ao(s) autor(es) deste blog.
Um bem hajam por dizerem tudo, sem receios e com grande sentido crítico e conhecimento profundo das matérias.
Isso nao faz qualquer sentido e revela fraca perceção sobre a natureza do órgão em que se trabalha.
EliminarA par de uma justiça célere e eficaz, os edifícios dos tribunais e o estado em que os mesmos se encontram, o seu cuidado e apresentação, sao parte integrante da relação de confiança que deve existir entre o órgão que administra a justiça e o povo.
Qualquer ação desse tipo deve ser da iniciativa dos sindicatos, designadamente com outdoors junto aos tribunais, tendo o governo como alvo mas sem instrumentalizar o tribunal propriamente dito.
Tem razão.
EliminarPerdoe-me por ter por aqui reduzido a escrito a ideia que escutei a uma colega.
Um outdoor (ou mais que um) concordo que seria o mais correcto.
Continuação de uma boa semana.
Sublime a sua resposta! Faço-lhe uma vénia!
EliminarReceio que a apregoada verdade de ser o nosso um estado democrático e de direito não o seja, bem, talvez o seja quando convenha a alguns e então o pareça. Nós oficiais de justiça, claramente somos considerados servos, e para alguns, quem sabe, até cervos, com chifres e tudo e para servir de caça.
ResponderEliminarALGUÉM SABE DIZER PARA QUANDO SERÃO VOTADOS ESSES PROJECTOS LEI? NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA?
ResponderEliminarCONCORDO QUE ESSE DEVE SER O CAMINHO DOS SINDICATOS, SIM! ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA!
Acho que é para a próxima semana
EliminarNão, disseram-me que é no final do mês mas há outros colegas que dizem que ouviram dizer que é noutra altura.
EliminarRegisto que o SOJ trata os bois pelos nomes.
ResponderEliminarO SFJ continua com aquele vocabulário de grande indignação mas fofinho ao mesmo tempo.
Não queremos ferir suscetibilidades não é SFJ ??
Será que esta suposta indignação do SFJ não é fogo de vista para tapar os olhos a alguém e no fundo, bem lá no fundo, alguns dos seus reputados associados não estão já a esfregar as mãos.
Afinal, muitos deles já se estão a fazer aos lugares de nível 1....
Mas pode ser que não e peço desde já desculpa pela insinuação, provavelmente são apenas uns 'moles'......
👍
EliminarO SOJ trata "os bois pelos nomes" quando lhe convém. Aquando da última rejeição da proposta de inclusão dos 14 meses, foi o PSD que "virou o bico ao prego". Aí não houve alusão a animais! Quanto ao vocabulário, considero que nos indignemos mas com elevação. Se assim não for, perdemos a razão. E são "Eles" que têm o poder! Por último, aguardemos pela votação das propostas e, se tudo correr bem, assistiremos a elogios em boca própria, que dizem, são vitupérios...mas "sobrevivências" a quanto obrigas...
EliminarCalado este comentador era sério, falar sobre uma votação que nunca existiu é que estraga tudo. Palavras para quê, os projetos são públicos basta consultar para se perceber algumas coisas.
EliminarO comunicado do soj crítica o ministério da justiça, salienta o trabalho do BE, PCP e PEV. Dito isto a que propósito surge o PSD? Só se for para confundir alguns colegas.
EliminarOlhe, para "confundir" ainda mais, porque é que o dito comunicado não fala, nem vincula o PSD? Estranho, não?! Alguém que faz parte dos "TSD" mais do que ninguém poderia/deveria fazer publicitar a disponibilidade e a solidariedade do principal partido da oposição. Melhor, obrigado se deveria mostrar/demonstrar que o partido de que faz parte está com a nossas reivindicações. Nomeadamente no momento das votações.
EliminarSão conhecidas as datas das votações??
ResponderEliminarEles vão mandar publicar as datas no site da DGAJ
EliminarHá algumas poucas pessoas que não tem sabedoria nem vergonha na cara! Pior, ainda, é quando têm incompetência continuada e reafirmada; e ainda pior é quando são dirigentes politicos ou de instituições públicas.
ResponderEliminarHaverá destes exemplos no Ministério da Justiça??
Uma iniciativa que os sindicatos deviam implementar já, até em defesa da legalidade democrática (uma vez que sucessivamente as Leis do Orçamento de Estado não são cumpridas e porque nos é apresentado um documento para negociação infestado de varias inconstitucionalidades) era organizarem uma vigília, na proxima sexta-feira em Coimbra, na antevespera das eleições, até pelo simbolismo do momento e local, no momento em que se discute na Assembleia da República a possibilidade da cidade de Coimbra vir a acolher o Tribunal Constitucional.
EliminarPensem rápidamente nesta possibilidade de iniciativa e, se concordarem, comecem a convidar os Oficiais de Justiça, seus familiares e amigos a estarem presentes.
Juntos seremos mais fortes!...
Com uma iniciativa desta o atual Presidente e candidato à Câmara Municipal de Coimbra iria juntar-se a nós e considerar o SEAJ "persona non grata".
EliminarNão. Não "cabe ao parlamento".
ResponderEliminarCabe aos sindicatos.
Cabe aos sindicatos, antes das eleições, processar os agentes responsáveis, e o próprio Estado, de tais "atuardas" jurídicas.
Agora, que não queiram, não lhes dê jeito ou até mesmo que se sintam entalados, isso já são "outros quinhentos".
Pois 750000€/ano em quotas dão para muito mais do que até hoje, em mais de 20 anos, foi (des)feito por incompetência.