As Malas Entregues e a Desfocalização Reivindicativa

      Faz hoje uma semana que as malas foram entregues na assembleia da República.


      Diz assim o Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ):


      «Terminou na passada sexta-feira, 15-10-2021, a “Caravana da Justiça” sob o lema “O SFJ, vai onde os seus estão”, com a entrega na Assembleia da República, em cerimónia protocolar, de todos os formulários recolhidos, tanto a nível de condições de trabalho, como dos recursos humanos e testemunhos de vida.


      Os originais foram entregues em duas malas antigas, simbolizando quer a discrepância entre o discurso da modernidade digital feito pelo Governo e a realidade quotidiana, bem como simbolizando a situação de alguns milhares de funcionários que se encontram deslocados centenas de quilómetros das suas terras e das suas famílias, sem perspetiva de regressarem a breve trecho… »


      O Sindicato SFJ ficou com cópia de todos os formulários e, juntamente com outros dados que está a angariar, pretende divulgar e usar esses dados no futuro.


      «Os elementos recolhidos estão agora a ser coligidos e tratados e em breve será feito um relatório conclusivo que será enviado à Presidência da AR para divulgação por todos os deputados e também ao MJ, bem como a outras entidades da área da justiça.»


      A nota informativa do SFJ refere ainda que a inivciativa teve uma boa cobertura noticiosa.


      «De realçar o facto de a “Caravana da Justiça” ter logrado obter uma boa cobertura por parte da comunicação social local, regional e nacional. Aquando da divulgação aos associados do relatório suprarreferido, faremos também um pequeno vídeo com excertos das reportagens saídas.»


      Na mesma informação sindical, reitera o SFJ as reivindicações mais relevantes que «todos já sabíamos e que esta iniciativa comprovou»: «O ingresso de novos funcionários; a realização das necessárias, e devidas, promoções e a melhoria das condições de trabalho.»


      E são referidas ainda as reivindicações principais da carreira:


      «O SFJ centra a sua atuação, e de forma concertada em termos de objetivos, com outras estruturas sindicais, para que na Assembleia da República sejam votadas favoravelmente duas propostas de vital importância para uma carreira tão maltratada, desprezada e cansada: Integração do Suplemento no vencimento em 14 vezes e integração no regime de pré-aposentação da função pública.»


      Faltou referir o SFJ o mecanismo de compensação pelas horas suplementares e a disponibilidade permanente, designadamente, através de um regime diferenciado de aposentação. Por que motivo o SFJ se vem esquecendo desta reivindicação? Não sendo esta nota informativa a primeira? Certamente porque tem conhecimento de que não será implementado tal regime, pois caso o Governo aceitasse um regime diferenciado de aposentação, com alguma antecipação da idade ou de supressão de cortes, a debandada de Oficiais de Justiça seria imediata.


      Assim, debate-se o SFJ pela “pré-reforma”, um regime que poderá levar à saída de uma mera meia-dúzia de Oficiais de Justiça, uma vez que os cortes são significativos. De todos modos, é também uma causa perdia, uma vez que o Governo já determinou no passado a quem se aplica este regime e que o mesmo não se aplicaria aos Oficiais de Justiça.


      Portanto, aquilo que verdadeiramente interessa aos Oficiais de Justiça é manter o foco nos dois aspetos mais essenciais: a integração do suplemento e o regime diferenciado de aposentação. Depois a revisão do Estatuto – processo negocial a (re)iniciar para a semana – e as promoções. Por fim, e apenas por fim, a “pré-reforma”, porque, como se disse, não interessa à generalidade da carreira mas apenas a muito poucos.


MalasAR20211015.jpg


      Fonte: “SFJ-Info”.

Comentários

  1. Os governantes que tratem de dar algo aos OJs para os motivar, porque neste caminho a desmotivação é tal, designadamente porque mal pagos, que cada vez produzem apenas o minimo

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  2. E assim continuamos!!!! sem nada que nos acrescente cada vez mais desgastados e desrespeitados, até pelos sindicados que nos representam.
    Andaram pelo pais inteiro a recolher questionários, mas quando chegam aos tribunais e os colegas tinham coisas para dizer não tiveram tempo para ouvir, tal e qual os políticos...
    Agora vai ser mais do mesmo, esta recolha não vai servir para nada, não fosse o facto do sindicato ter gasto dinheiro que seria uma mais valia para criar um fundo, por exemplo para a greve, o que levaria a que muitos funcionários a fizessem. Os tempo não estão para líricos " malas velhas ... e tudo o mais..." isso é para quê?
    Os sindicatos também deveriam ter o cuidado de informar os associados do evoluir das questões que vão estando em discussão, mas nada ou quase nada.
    O certo é que já fizemos todas as greves, todos os tipos de greves, e no final nada mudou para melhor na vida dos funcionários judiciais, muito pelo contrário.
    Algo está mal, talvez nem sejam precisos sindicatos já que não não tem sido de grande valia.

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  3. De mal a pior...
    Pré-aposentação???


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  4. Pré- forma...integração do suplemento... que migalhas, para quem tem tanta responsabilidade.

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  5. Quando vim para os tribunais, ninguém almoçava no Tribunal, hoje ninguém almoça fora do tribunal....porque será?

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  6. Todos nos lembramos desta formula produzida pelos matemáticos do SFJ em 2018!....

    IAOJ
    Idade mínima para a Aposentação dos Oficiais de Justiça
    Factor – 1 DISPONIBILIDADE
    HE= Horas extra por dia
    D = Média de dias úteis por mês
    M = 11 meses por ano
    HTD = 7 horas por dia (35 horas semanais)
    D = Disponibilidade = (HE1*D18,5*M11)/HTD7
    D = Disponibilidade (HE1(média de horas extra por dia)*D18,5(Média de dias úteis
    por mês )*M11 (11 meses por ano))/HTD7 (= 7 horas por dia (35 horas semanais)

    Um ziguezaguear constante.

    Já não há pachorra!



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    Respostas
    1. Transtorno bipolar sindical
      (mudança repentina de comportamento e de estratégia)!

      Será?!...

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