“A total ausência de sentido de Estado por parte da governante!”

      Esta manhã decorre uma nova reunião com os Sindicatos e o Ministério da Justiça, com o propósito de estes aceitarem a súbita nova, ou renovada, última proposta de Estatuto apresentada na anterior reunião da semana passada.


      A resposta dos dois sindicatos (SFJ e SOJ) será perentória: não aceitam esta última coisa.


      Relativamente a este assunto, o SOJ, na sua última informação sindical, realizou a seguinte descrição:


      «Após o enunciar das “linhas vermelhas” pelo SOJ, o Senhor SEAJ tirou uma “vaca voadora da cartola” e entregou aos Presidentes do SOJ e do SFJ um documento que apresentou, como sendo uma nova proposta melhorada. De imediato, sem que houvesse tempo para analisar o documento, foram os sindicatos informados de que essa mesma proposta caducaria muito em breve, pois teria de ser fechada numa reunião a ocorrer no dia 04 de novembro, durante a manhã.


      A reunião irá, caso ocorra, iniciar-se às 09.30 e, pelo que foi entendido pelo SOJ, teria de terminar ainda a tempo de Sua Excelência, o Senhor Primeiro Ministro, anunciar, ao final da reunião de Conselho de Ministros, a “boa nova” ao país: os Oficiais de Justiça estão realizados com a proposta do Governo e, prova disso, os seus sindicatos aceitaram tudo o que de nenhures lhes foi proposto e mais um par de botas!


      Perante este cenário panfletário de “corrida à maioria absoluta”, os sindicatos recusaram reunir no dia do ultimato, tendo o SOJ reforçado que se recusa a participar de uma negociação a “mata cavalos”, uma vez que, o que importa, não é aprovar um qualquer “estatutozinho”, apenas para salvar a face do Governo em funções.


      Assim, reafirmamos que pretendemos um Estatuto que valorize e dignifique a carreira dos Oficiais de Justiça, conforme é apanágio das democracias responsáveis. A Senhora Ministra informou, então, o SOJ que, caso a proposta não fosse aceite, ainda durante a reunião, iria retirá-la, pois que essa proposta é de sua autoria, do seu Governo e, consequentemente, não permitiria que outro Governo a usasse como base de trabalho. Perante isto, a estupefação foi geral, com a total ausência de sentido de Estado, por parte da governante!»


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       Fonte: "SOJ"

Comentários

  1. Tenho o maior apreço por quem aqui escreve diariamente e agradeço-lhe. Na correria do dia a dia, não tenho tempo de parar para reflectir, nem de procurar para me informar, aqui encontro um pouco (bastante) disso. Obrigado.

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    1. Sem dúvida. E reconheço que é alguém que se preocupa com a classe, com isenção.
      Os sindicatos não lhes chegam aos calcanhares.
      Obrigada mais uma vez ao blogue.

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  2. Um bem haja a quem se dedica diariamente a informar devidamente os Oficiais de Justiça.
    Muito obrigada.

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  3. A única atitude digna da parte dos sindicatos era comunicar via fax/email que não compareciam e desejar felicidades aos senhores doutores.
    Comunicavam também que a negociação continuava após as eleições com outra equipa ministerial.

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    1. Nem mais! já que andaram anos a enrolar e agora em 5 minutos vêm querer resolver ? é mesmo gente que não presta!

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  4. Não se esqueçam de votar na mãozinha...



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  5. JÁ FOMOS !!!!!

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  6. Espero mesmo que não tenham comparecido à dita reunião, com a menção de que essa porcaria não serve a classe.

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  7. Pela informação transmitida pelo soj está tarde, o governo quer mesmo aprovar o estatuto antes das eleições.

    Inacreditável a condução deste processo negocial. Nunca vi uma classe tão desrespeitada e humilhada.

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  8. Sempre foi assim, sou oficial de justiça á 30 anos e nunca entendi a mentalidade desta classe. Subserviente pouco revindicativa e alinhada com o governo que estivesse no poder. Os sindicatos muito contribuiram para o estado a que chegamos por tambem não quererem afrontar seja que governo for, alem do já conhecido individualismo e falta de unidade da classe, pois cada um pensa na sua vidinha e interesse. O resultado a que chegamos é este. Este governo trata os oficiais de justiça como sempre foram tratados pelos anteriores, completo desprezo. Mas a corda vai um dia rebentar, pela idade dos funcionários a chegar á aposentação e pela não renovação dos quadros. Quando precisarem de contratar gente nova, poucos vão estar interessados nesta area da função publica de tão pouco atrativa que vai ser a função de oficial de justiça.

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  9. Tenho para mim que o verdadeiro interesse deste Governo (e do que há de vir, seja ele qual for) é emperrar a máquina judicial através da desmotivação crescente do pessoal Oficial de Justiça.

    E vão consegui-lo, pois este novo estatuto apela precisamente ao desinteresse, à falta de brio, à falta de zelo e de cuidado que todos nós, de uma maneira geral, temos no nosso dia a dia.

    Quando os velhinhos se forem embora, ficarão aqueles que entrarão daqui em diante e que nada sabem, e aqueles que como eu se sentem desmotivados por a carreira ter terminado e não haver qualquer perspectiva de um futuro melhor. Serão tempos de total estagnação e desinteresse. Será o tempo de cumprir horário e esperar pelo dia 21.

    Se repararem, actualmente as coisas funcionam. Os juízes e procuradores trabalham muito e bem. E até mesmo na jurisdição administrativa e fiscal as coisas estão a melhorar bastante.

    Ora, como sabemos, sobre os magistrados o governo "não cheira" nada. E como tal, só mesmo através dos Oficiais de Justiça é que conseguirão criar formas de entorpecer a máquina. E uma delas é precisamente a aprovação deste novo estatuto.

    A título de exemplo, veja-se a falta de meios que assola aqueles departamentos do Estado que visam combater a corrupção e a criminalidade económica e financeira.

    É esta a minha opinião.

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  10. Não há forma jurídica de chutar esta negociação para canto?
    O governo está em gestão, não é possível meter uma ação contra esta tentativa do ministério de inventar um estatuto novo.
    Mesmo que a eventual decisão de um Tribunal não fosse a nosso favor só a notícia/publicidade da mesma deixava o SEAJ de mãos atadas.
    E uma greve a sério só para chamar a atenção da opinião pública.
    Seria a primeira vez em Portugal que alguém fazia uma greve em que o único objectivo era não querer negociar com os actuais governantes mas esperar pelos próximos.
    Alguma coisa temos que fazer antes que esta gente acabe com a carreira.

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    1. Esqueça. Até dia 17 vao chegar a acordo na negociação coletiva.
      E por um lado faz sentido, ja que a veia liberal do proximo governo de bloco central cai que nem uma luva nos princípios desta proposta de estatuto e nada iria alterar para melhor.
      O que se conseguir a nosso favor é agora.

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    2. Triste realidade! mas acho que não há interesse por parte dos sindicalistas que estão já no patamar de cima das suas carreirinhas e estão-se lixando para quem está cá em baixo. assim já fomos com a aprovação

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