Diz que há condições

      «A ministra da Justiça garantiu esta terça-feira que, caso a situação pandémica piore consideravelmente e seja necessário, o sistema de justiça tem "condições para continuar a trabalhar dentro dos moldes em que trabalhou" durante o estado de emergência.


      "Temos condições para, se for necessário, continuar a trabalhar dentro dos moldes em que trabalhámos", esclareceu Francisca van Dunem ao ser questionada sobre se, na eventualidade de surgir uma situação de emergência pandémica, os tribunais e o restante sistema de justiça poderiam rapidamente regressar ao modelo de trabalho e funcionamento que vigorou durante o estado de emergência, em que se privilegiou o trabalho remoto e os meios tecnológicos à distância.


      Francisca van Dunem falava num encontro com jornalistas, no Ministério da Justiça, a propósito do Relatório Justiça 2015-2020, cujos dados e resultados, segundo a ministra, evidenciam globalmente uma evolução favorável, contrariando a imagem negativa do setor que frequentemente é transmitida às pessoas.


      Um dos dados mais significativos do relatório apontado pela ministra refere que o número de processos pendentes nos tribunais judiciais de 1.ª instância apresenta uma tendência acentuadamente decrescente, com uma quebra entre 2015 e 2020 de 47%.


      Neste período – diz o relatório – o número de processos findos foi superior ao número de processos entrados, tendo este saldo permitido o decréscimo da pendência.


      "Este resultado evidencia também o aumento da capacidade de resposta demonstrada pelo sistema de justiça, mesmo com o aumento de processos verificado em 2019", lê-se no documento.


      Quanto à duração média dos processos findos, verificou-se em 2020 uma estabilização na justiça penal, a par de um aumento nos segmentos da justiça cível, laboral e tutelar, por comparação com o ano de 2019.


      Relativamente às pendências dos processos cíveis, o relatório indica que "o número de pendências reduziu significativamente entre 2015 e 2020, tendo-se registado uma diminuição global de mais de 580 mil processos, o que corresponde a uma quebra de 49%".


      No que se refere especificamente às execuções (cobrança coerciva), as pendências foram também consideravelmente reduzidas no período em análise, registando uma quebra de 51%, com uma diminuição de mais de 481 mil processos.


      Outra redução significativa das pendências verificou-se nos processos de falência, insolvências e recuperação de empresas, onde se registaram entre 2015 e 2020 uma redução de 51%.


      Em contrapartida, nos processos de inquérito do Ministério Público, verificou-se um aumento nas pendências, tendo-se registado um aumento de cerca de 60 mil processos entre 2015 e 2020, sendo que a grande maioria dos processos de inquérito do MP refere-se a processos-crime.


      "As pendências de inquérito-crime do Ministério Público registaram um aumento de cerca de 32% entre 2015 e 2020", nota o relatório.


      Em relação à finalização dos processos de inquérito-crime, cerca de 70% dos processos termina por arquivamento, desistência ou dispensa da pena e cerca de 13% termina com acusação em processo comum ou processo abreviado, processo sumaríssimo e suspensão provisória do processo. Nas restantes situações inclui-se, nomeadamente, a remessa do processo a outra entidade e a incorporação, apensação ou devolução do processo.


      Da totalidade de processos de inquérito-crime findos, é deduzida acusação em cerca de 10%.


      O relatório indica porém que o número de processos-crime pendentes na fase de julgamento reduziu em 25% entre 2015 e 2020, apesar de um ligeiro aumento em 2020.»


      Em síntese:


      De acordo com a ministra da Justiça está tudo pronto nos tribunais para uma nova vaga de Covid19 e, se é bem verdade que atualmente existem muitos meios de proteção individual, que não existiam no início da pandemia, é também verdade que essas condições se referem apenas aos meios e não às pessoas. No que se refere às pessoas, designadamente aos Oficiais de Justiça, ainda no artigo aqui ontem publicado ficava bem ilustrado o estado em que essas pessoas exercem as suas funções.


      No que se refere à redução da pendência, designadamente na jurisdição judicial cível, é necessário contextualizar que tal redução sucede pela abrupta redução de entradas de novos processos. Em termos gerais podemos afirmar que as entradas caíram cerca de 50%, isto é, um grande número de portugueses e entidades coletivas fogem cada vez mais dos tribunais, preferindo outros meios ou mesmo nenhuns na resolução dos seus problemas e na realização de Justiça.


      A alegria tão manifestadamente repetida dos números dos dados estatísticos esconde a tristeza da inconstitucionalidade do afastamento dos cidadãos da Justiça.


      Sabemos que este atual governo cai mas duvidamos que esta atual mentalidade caia também.


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      Fonte: “Jornal de Notícias”.

Comentários

  1. Fod......mas o que é que este ministério fêz alçém de empurrar com a barriga? tanta mentira que é por isso que o CHEGA sobe e vai continuar a subir! sim refiro-me ao Partido CHEGA! as pessoas estão fartas de aldrabões e aldrabões por aldrabões vão mudar, não tenho dúvidas!

    A culpa do CHEGA trepar é dos aldrabões e temos tido!

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    1. Entao quando for votar nao se esqueça: É o quadradinho que poderá ter o simbolo nazi á frente, com a foto de um retardado mental ao lado, que se identifica como ultraliberal e que concerteza ira dar melhor tratamento e atenção às funções e funcionários do estado.
      Mas atenção, desde que nao sejam pretos, mulatos, ciganos, gays, trangenero, comunistas, e amarelos de risco ao meio.
      Enfim....

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    2. ASSIM POR ASSIM TEMOS SIDO GOVERNADOS POR NAZIS ENCAPOTADOS, MEU CARO

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    3. Ocasionalmente faz-se aqui a apologia do Chega.
      Nao sei se é sempre o mesmo a faze-lo ou nao, mas presumindo que o faz com pleno conhecimento do programa do partido, da sua estrutura enquanto "organização", e nao apenas em reação a sound bites televisivos, gostava de saber uma coisa:
      O que seria o Chega se o miserável do seu presidente se calasse ou resolvesse sair?
      Existe um programa politico, social e econômico que sobreviveria àquela figura fabricada, ou confirma-se a flatulência a desaparecer como o metano?

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    4. Todos os partidos s~so como diz "organizações" e MÁFIAS! SEJAM CHEGAS OS NÃO CHEGAS! só quem não quer ver o que têm feito a este país

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    5. Ok. Não se esforce mais senão ainda queima.
      Ja percebi porque vota nessa coisa.
      Agora é só esperar pacientemente que vocês tb percebam porque o fazem.

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  2. A surdez em alguns casos é uma grande valia. Poupa-se o trabalho de se ficar à espera de coisa nenhuma. Em suma, vicissitudes da "Chica".

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  3. Nos Tribunais está tudo à espera que esta ministra e o "artista" que é quem realmente põe e dispõe se ponham a andar.
    O problema, o Grande Problema é que não há na nossa classe política pessoas com a qualidade suficiente para ocupar um cargo como o de ministra(o) da Justiça que não vivam em realidades paralelas e que vejam os problemas que afetam esta área que todos dizem ser tão importante mas que no fundo ninguém está interessado em que funcione.
    A conversa do Estado de direito é muito bonita mas depois olhamos para estes números e devia ser motivo de vergonha.
    Uma ministra da justiça que ainda por cima é magistrada do Ministério Público estar toda excitada com o facto de 70% das queixas apresentadas pelos cidadãos portugueses serem arquivadas quer dizer o que??
    Que os portugueses são atrasados mentais e inventam furtos, burlas, danos, que levam porrada imaginária??
    Não será o Estado a admitir que não tem meios para exercer a ação penal?
    10% de acusações, há algum país na UE/OCDE com uma taxa destas??
    Nem vamos falar das suspensões provisórias dos processos, se as pessoas soubessem o que se passa para aí...
    Qualquer dia há suspensões dos processos nos homicídios.
    E nós, funcionários, Oficiais de Justiça, somos o que?
    Somos aqueles badamecos que trabalham num sistema forte com os fracos e fraco com os fortes, que trabalham muito para além do horário normal sem a devida compensação, em tribunais velhos, sem condições nenhumas, sem vencimentos de acordo com a importância do trabalho realizado, sem perspetivas de carreira, sem progressões, sem animo, sem motivação, sem nada.
    Percebemos agora que o Estado até valoriza mais funcionários do mesmo ministério que muitas vezes o acto mais complexo que fazem é passar uma certidão de nascimento.
    Isto é uma espécie de fim de linha para os colegas.
    Quem tiver oportunidade, fuja....

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    1. Excelente !!!

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    2. Melhor descrição não podia ser feita! é isso mesmo! quem tiver alternativa que fuja ou não pense em ingressar nestas condições

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    3. "Na muche"

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    4. Tem toda a razão no que diz, uma vergonha autêntica a forma como estas estatísticas são apresentadas. Infelizmente e tem razão outra vez, a própria oposição política não consegue sequer dissertar sobre estes resultados, porque é feita de pessoas da mesma tarimba. A política afastou de si própria os cidadãos de valor que não sabem, ou não querem, participar em ambientes nauseabundos.

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    5. nauseabundos mesmo!!!!

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    6. Ora aqui está a mais pura das verdades, porque não se faz um debate publico, nos meios de comunicação social, para discutir e pôr a nu todas estas questões, para que o publico em geral saiba o que se passa na justiça, sendo que os moderadores não poderiam ser os sindicatos, porque ainda corríamos o risco de os ver a dar razão aos sucessivos governos que nos vem maltratando ..

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  4. Não me falem em por ou não a cruzinha nestas eleições. Não me esqueci, como muito boa gente neste fórum, o que aconteceu na altura do PSD, CDS. Foram os subsídios de férias foi diminuir o vencimento, entre outras coisas! Já este governo, mentiu, mentiu a todo mundo, mentiu aos Oficiais de Justiça e, continua a mentir!! Vêm com números estatísticos a dizer que a justiça está bem, até pendências baixou e, nos cúmplices deixamos que mais uma vez nos mintam pois o povo lá fora das instituições acreditam nestes aldrabões. Quem é o tolo que vai votar PS, PSD, CDS (estes só coligados) depois vêm para aqui dizer, no partido Chega, ui nesses não. Pois talvez não, mas então é que vão votar?! Este país vive numa ditadura incapucada há mais de 40 anos, não é agora que vai mudar!!! Gozam connosco, roubam-nos, a corrupção não podia ser mais visível, em todos os ministérios, onde a mediocridade predomina, lugares para os Boys, bancos falidos, dívida pública cada vez maior enfim mais havia a dizer mas estou farto desta merda e paciência não se compra ali nos multibanco!

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  5. Na, na, na, na......então e o balcão mais.!?

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