O mau uso dos dinheiros públicos

      Está previsto que o Tribunal Administrativo e Fiscal de Leiria venha a partilhar o edifício do Seminário Diocesano de Leiria, ali ocupando cerca de 1700 metros quadrados.


      As obras de adaptação do Seminário de Leiria para tribunal vão custar cerca de dois milhões de euros.


      O valor da renda mensal não foi divulgado.


      O Ministério da Justiça informou que está na “fase final” o estudo prévio para as obras de adaptação de parte do edifício do Seminário, prevendo-se que o prazo de execução da empreitada seja de “15 meses”.


      Não está ainda definida a data para o início dos trabalhos.


      O reitor do Seminário Diocesano, José Augusto Rodrigues, limitou-se a dizer que as partes continuam “a trabalhar para que o acordo aconteça logo que possível”.


      Atualmente o TAF de Leiria encontra-se instalado num rés-do-chão de um prédio, também sob arrendamento.


      Ou seja, troca-se um arrendamento por outro e gastam-se dois milhões de euros num edifício que não pertence ao Estado.


      Um bom negócio para o Seminário que rentabiliza o espaço disponível sem uso e um mau negócio para todos os portugueses, que veem como se gasta o dinheiro público sem que se detenha propriedade alguma.


      Será que com os cerca de dois milhões de euros não se construía ou se comprava um espaço definitivo e próprio para o TAF de Leiria, mesmo sem contabilizar o valor das rendas?


      A utilização dos dinheiros públicos, em grandes valores, que beneficiam entidades privadas com ligações de polvo a decisores públicos, não vê obstáculos. Já a utilização desses mesmos dinheiros públicos, ainda que em valores menores, mas com efeitos na vida das pessoas Oficiais de Justiça, estes sem as devidas conexões em entidades secretas, nem em trocas de favores, só encontra obstáculos.


TAF-Leiria=PrevistoParaSeminario.jpg


      Fonte: “Jornal de Leiria”.

Comentários

  1. Para quando em Leiria, como em tantas outras cidades, um palácio da justiça como deve de ser, ao invés de andar com remendos atrás de remendos?

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Como alguém dizia há tempos, e com piada, Leiria é a cidade dos sete tribunais 🙂

      Eliminar

  2. Não dá, nunca deu, para entender estes negócios ruinosos...


    ResponderEliminar
  3. Há sempre muito dinheiro para tudo, menos para aqueles que mantêm a máquina a funcionar ...

    ResponderEliminar
  4. Em Loulé temos dois tribunais: o judicial que é propriedade do estado com o rés do chão com espaço para meter lá uma sala de cinema mas que se encontra vazio e o TAF que se encontra num edifício propriedade do clube de futebol local e ao qual "oferecem" 10000 euros ao mês!! Depois vem o ministério da justiça e o governo dizer que o país não tem condições para oferecer um salário digno aos funcionários judiciais... COMO É QUE HAVERIA DE HAVER SE ANDA A AJUDAR CLUBES DO CAMPEONATO DE PORTUGAL A SOBREVIVER...

    ResponderEliminar
  5. SERÁ QUE GERIR ASSIM DINHEIRO PÚBLICO NÃO É CRIMINOSO AO MAIS ALTO NÍVEL?
    SERÁ QUE MESMO COMPRANDO COM EMPRÉSTIMO BANCÁRIO FICANDO OS IMÓVEIS DEPOIS NA POSSE DO ESTADO NÃO FICA MAIS BARATO QUE ANDAR A PAGAR ALTAS RENDAS QUE SÓ BENEFICIAM OS PROPRIETÁRIOS ACTUAIS?? QUALQUER MERCEEIRO SABE DISSO!
    MAS OS GOVERNANTES NÃO SÃO CRIMINALIZADOS POR GERIR ASSIM MAL O DINHEIRO DOS NOSSOS IMPOSTOS PORQUÊ???

    ResponderEliminar
  6. O articulista de um certo ponto de vista, racional, diga-se, tem toda a razão e os comentadores a seu modo também; porém, não sei se sabem mas as regras da UE são mesmo assim, impõem aos países regras muito rígidas e dizem, por exemplo, construção de instalações cresce ao défice o que significa que nos torna mais vulneráveis. O povo diz que não se pode ter sol na eira e chuva no nabal, e não é possível termos juros baixos, baixa inflação e uma moeda estável e forte e não obedecermos aos critérios dos nosso parceiros da UE.
    É a vida, como dizia o engenheiro, é claro que sempre se pode ver isto por teorias especulativas, à boa maneira da Catarina e da Mortágua, onde tudo é especulação e favorece o grande capital, mas há limites e os OJ têm que ver mais além do que um simples pestanejar!
    Saudações

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Etan Cohen, a ser assim, como diz, como explica, então, a opção de, por exemplo, em Beja, se ir construir um palácio da justiça novo por quase 6 milhões de euros? E já está em fase de adjudicação a um dos 11 concorrentes no concurso internacional lançado para o efeito. Ou seja, há teorias especulativas, pois há, mas quais são?

      Eliminar
    2. Caríssimo
      Pergunte aos senhores das Finanças (a propósito, conhece alguma Repartição de Finanças que seja construída de raiz pela administração?) o que "passou-se", como diria um ex presidente de um clube...e conheço muito bem Beja e acho que há cidades, por exemplo Coimbra, dada a sua dimensão, que merecem há muito umas novas instalações para albergar a Justiça, abandonando, de vez, aquela mistela que é o Palácio da Justiça situada na Rua Sofia!
      Saudações senho articulista!

      Eliminar

Enviar um comentário