Do Sonho das Prisões ao Pesadelo dos Oficiais de Justiça

      A ministra da Justiça participou no passado dia 10FEV naquele que considerou ser o seu "último ato oficial".


      Nesse “último ato oficial” falou no sonho de fazer um plano a 10 anos de recuperação do parque prisional, admitindo sair agora deste cargo com "esperança" no futuro das prisões.


      A ministra da Justiça não foi inaugurar um estabelecimento prisional, nem sequer uma requalificação de um estabelecimento prisional; nada disso, foi inaugurar a primeira fase da requalificação do Estabelecimento Prisional de Viseu e não se pense que esta primeira fase é uma primeira fase de duas ou a primeira fase que antecede a última fase; nada disso, esta requalificação está prevista para 5 (cinco) fases, o que daria (e poderá dar) para mais quatro inaugurações.


      Ainda me lembro do tempo em que se inauguravam coisas novas e completas, agora basta caiar umas paredes e lavar o chão e já é motivo de festa e, claro, de placa aparafusada na parede para a posteridade.


      A esperança que disse ter na concretização do sonho de recuperar o parque prisional do país fica registado neste último ato oficial. Seis anos depois fica o sonho e não a obra, a não ser as caiadelas das paredes.


      “Vou acabar como comecei (…). Comecei em Tires e acabo seguramente também aqui, será o meu último ato oficial, seguramente, num estabelecimento prisional com características muito especiais e que corresponde, numa certa medida, naquilo que foi o grande sonho que tive quando iniciei estas funções”, admitiu Francisca van Dunem.


      E se este foi o “grande sonho” que teve, estamos conversados.


      Francisca van Dunem lembrou que o primeiro ato enquanto ministra foi em 2015, no Natal, a partilhar a consoada no Estabelecimento Prisional de Tires e, no discurso da cerimónia que marcou a inauguração da primeira fase, de um total de cinco, de requalificação do Estabelecimento Prisional de Viseu a governante lembrou o seu sonho.


      “Foi o ter condições para requalificar espaços prisionais, não requalificar por requalificar, mas por entender que o Estado priva cidadãos de liberdade, mas que não os priva de dignidade e que é obrigação deste Estado de criar todas as condições para que, em espaço penitenciário, aberto ou não, eles possam readquirir competências”, contou.


      Competências que, no seu entender, passam por o “comportamento do ponto de vista jurídico ou penal e ético”, como também profissionais que lhes permitam, uma vez no exterior, encontrarem uma atividade que lhes permita garantir o seu sustento”.


      “Temos, atualmente, uma população prisional idosa à qual precisamos de dar cuidados especiais e temos um parque penitenciário muito envelhecido e foi por isso que tive um sonho de fazer um plano a 10 anos de recuperação do parque prisional”, justificou.


      Admitiu que o plano “é, provavelmente, muito ambicioso e dele pouco foi feito ainda” e esta requalificação em Viseu, “será, provavelmente, uma das primeiras realizações grandes desse plano”.


      “E isto é só uma parte do que é necessário fazer para termos este estabelecimento em todas as suas valências”, disse a ministra que pediu para ser convidada para a inauguração final, mesmo já não estando em funções governamentais.


      A obra dividida em cinco fases está, atualmente, em execução, a segunda fase e “daquilo que falta não é, do ponto de vista do Estado, uma quantia extraordinária”, já que em causa, disse a ministra, está um valor “na ordem dos oito milhões” de euros.


    “Saio daqui com a esperança de que esta obra se vai concluir a curto prazo e que teremos aqui um equipamento excelente, com condições de albergar com total dignidade as 80 pessoas para que tem capacidade e que seja um sítio não só agradável de estar como um sítio que se possa mostrar, quer ao Comité Europeu para a Prevenção da Tortura, quer a qualquer outro órgão de controlo que tenha por função monitorizar a forma como se vive e como se tratam as pessoas nas prisões”, disse.


      Ou seja, o que a ainda ministra da Justiça pretende é dar melhores condições às pessoas ali presas mas também ter uma montra para os exibir. Note bem no que disse: «um sítio que se possa mostrar, quer ao Comité Europeu para a Prevenção da Tortura, quer a qualquer outro órgão de controlo que tenha por função monitorizar a forma como se vive e como se tratam as pessoas nas prisões.» Claro que essa exibição seria excelente se fosse comum a todos os estabelecimentos prisionais.


      Francisca van Dunem acrescentou que “qualquer nível civilizacional de um povo afere-se também muito pela forma como trata os seus reclusos” e, por isso, pediu para se “procurar dignificar essa dimensão, a dimensão humana, a dimensão do respeito da pessoa humana que há em cada um dos reclusos que está em cada um dos múltiplos estabelecimentos prisionais” do país.


      “Depois de feita esta parte da obra e de inaugurada esta área teremos condições para ter a capacidade financeira para avançar com o resto do projeto. (…) Estou convencida que daqui a algum tempo teremos esta obra a prosseguir e esta obra a terminar completamente”, estimou.


      A ministra não poupou elogios à requalificação realizada, sobretudo, com a mão-de-obra dos reclusos o que para a governante “é uma dimensão muito importante a da reabilitação estar associada ao trabalho prisional”.


      “Temos aqui um sistema prisional com duas grandes valências. Uma delas é a segurança e é imprescindível, mas outra é a reinserção e sem a reinserção o trabalho prisional do Estado não fica completo”, defendeu.


      E pronto, a ministra não precisa de mais nenhum ato oficial porque tudo o mais ficou resolvido, designadamente, nos tribunais e com os Oficiais de Justiça, com os quais não tinha nenhum sonho mas um pesadelo.


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      Fonte: “CNN Portugal”.

Comentários

  1. Tivesse o Estado Português relativamente às vítimas um décimo da consideração que tem pelos reclusos e seríamos uma nação muito mais justa.
    É verdade que a forma como tratamos os reclusos também é importante e de certa maneira é uma questão de dimensão humana e civilizacional mas caramba, as vítimas deste país não contam para nada.
    De resto, mais uma intervenção da ministra para a atmosfera.
    Deve ser extraordinário viver na realidade da senhora, é tudo cor de rosa e azul bebé.....

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  2. só empurrou com a barriga e desprezo pelos OJ´s! já devia ter desaparecido há muito bem como a equipa toda. Mas se calhar ainda vem pior. É a sina que temos

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    1. O senhor articulista, do alto da sua vetusta experiência pessoal e profissional, "...a ministra não precisa de mais nenhum ato oficial porque tudo o mais ficou resolvido, designadamente, nos tribunais e com os Oficiais de Justiça, com os quais não tinha nenhum sonho mas um pesadelo..."; bom, desde logo seria de bom tom, mesmo que não tenhamos admiração e apreço pela senhora Ministra, mas que se tratasse por "senhora ministra", é verdade que sou do tempo em que os ministros, todos eles, eram tratados por "senhor (a) Ministro(a), mas, enfim, cada qual sabe como tratar e como ser correto, mesmo que não concordemos com ele (a). Já agora, o articulista sabe o que é mundo prisional? Conhece-o suficientemente bem para mandar bitaites como os que mandou? É que quando se fala em pesadelo dos OJ, então e o que será o "pesadelo" dos reclusos encerrados em prisões durante anos, á guarda e cuidado do Estado, sem qualquer garantia de segurança da integridade física dos reclusos? E das vítimas que se vêm sem os entes queridos ou sem os bens devidamente protegidos? Por isso tenha um bocado de tento na língua quando fala de pesadelo dos OJ...já agora, se está à espera que o PS ou o PSD ou outro qualquer que seja trate os OJ espere sentado, não é uma questão de simpatia, mas de disponibilidade orçamental, percebe? Ou como se vai justificar gastar dinheiro com os OJ quando há tanto, sobretudo agora, com tantas mortes provocadas diretamente ou indiretamente pela pandemia?

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    2. O senhor comentador exala um hálito fétido que já nem a máscara consegue conter. Tem fígados maus com ligação direta a órgãos relevantes e alucina ao final de cada dia rebolando-se nas fezes que já não consegue conter.

      A falta de uso dos superlativos estúpidos dos séculos passados denotam ainda o avanço senil.

      Pensa que só se pode falar daquilo que se conhece porque se viveu, por isso gosta de falar do respeitinho pidesco do antes do 25 de Abril e acredita que referir factos são bitaites como quem afirma que a Terra é plana, sem nunca a ter visto.

      Prossegue ainda com mais disparates diversos porque decidiu deixar de tomar Prozac de um dia para o outro e isso está a provocar-lhe um sofrimento escusado.
      Volte ao comprimido e deixe de frequentar esta página; zele pela sua frágil saúde!

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    3. Senhora ministra?¿
      Deve ser daqueles que tem que ser tratado por sor doutor, ou vossa excelência ou sua majestade.
      Deve ser ainda do outro tempo, até aposto que tem saudades, não é??
      Os tempos estão a mudar, anda desatento, a malta já não tem tempo nem paciência para senhores doutores porque sim.
      Sabe, no mundo real, pode ter um curso, pode ter estatuto, pode ter poder, mas será sempre um burro vestido.
      Modernices....
      Já agora, parece ter um conhecimento profundo sobre o nosso sistema prisional, espero sinceramente que nunca tenha tido essa experiência desagradável principalmente na hora do duche não sei o que poderia acontecer a alguém tão sensível...
      FF

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    4. GENIAL.

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    5. É só bons filmes, este realizador comentador.

      Orçamento, peu, peu, peu, orçamento, peu, peu, peu, não cumpro a lei do orçamento do Estado, peu, peu, peu, volto a não cumprir a lei do orçamento do Estado, peu, peu, peu, sou um prevaricador ou defendo os prevaricadores, peu, peu, peu, mas...... Sra. Ministra é Sra. Ministra.

      Demagogo, hipócrita e com laivos de incompetência oportunista é o seu discurso.

      Os OJ sabem cumprir o horário.
      E sabem também, os OJ, do seu direito a conciliar o trabalho com a sua vida familiar. Do seu direito a não trabalhar gratuitamente, a contrário de uma interpretação imbecil de um estatuto que existe como inconstitucional limitador do gozo de férias e justificador de trabalho gratuito obrigatório.

      Meu caro realizador comentador, prepare-se para o novo paradigma do OJ.

      Trabalha-se por dinheiro, não por prazer.

      E tempo é dinheiro.

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    6. Caro senhor articulista, agora investido do papel de caluniador, o senhor não me conhece de lado nenhum, nem eu a si, embora desconfie que o conheço e que você tem grandes aspirações sindicais, embora não o queira assumir, mas para além de discordar frontalmente de mim ainda tratou de me invetivar com frases e expressões ("...estou ligado a órgãos relevantes...estou ligado ao mundo pidesco...tomador de prozac...rebolo-me nas fezes...enfim, que dizer?). Pensei que dar uma opinião, totalmente diferente das demais, enriquecia a sua página diária, mas já vi que, se eu estou ligado ao antes do 25 de abril (!), então a sua forma de atuar está ligada a práticas estalinistas de tão má memória, até em Portugal com um certo partido que agora se apresenta democrata (para lhe lembrar só alguns nomes Carlos Brito e João Amaral) quem sabe, ainda vai ser recrutado pelo Putin para dirigir com mão de ferro algum órgão de comunicação social da mãe Rússia!
      Sabe, é por essas e por outras, o politicamente correto, como é neste caso o deste blogue, a preocupação em desancar em quem manda e enaltecer acriticamente os OF.
      Fique bem e, garanto-lhe, não mais me verá por estas bandas.

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    7. Com gente como vª exª, que só sabe caluniar de forma reles, ordinária e boçal, quem pensa o contrário começa a pensar que já não posso fazer parte deste mundo dos OF que mistura opinião com malcriadez que até chega ao ponto de insinuar que já estive preso, e tão sensível sou e estou, que, enfim, poderia ser arregimentado, a bem ou a mal, na hora...sinceramente, sinceramente, caro colega, isso é mais que liberdade de expressão, não sabia?

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    8. Nota-se que de manhã tem um pensamento um pouco menos turvo, não claro, mas menos turvo.
      Ficamos muito felizes por saber da matutina decisão de que "garanto-lhe que não mais me verá por estas bandas". Boa decisão. Muito obrigado.

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    9. trate-se! e como se justifica o dinheiro que vai para a corrupção politica??

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    10. Será que não é possível bloquear os comentários desta criatura que se intitula Oficial de Justiça (mas que não parece ser um de nós, pelo menos daqueles que trabalham dia e noite, ao capricho da magistratura e da advocacia, longe de casa, por um ordenado que pouco mais é do que o salário mínimo)?!? É que ler estes comentários de cocós como este lambe-rabinhos profissional arrasa com a pouca boa disposição de qualquer um!

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    11. E, já agora, aproveito para dizer: coitadinhos dos bandidos, assassinos, violadores, ladrões, traficantes, mafiosos, corruptos e demais corja que estão privados da sua liberdade em hotéis que nem três estrelas têm!...😭🤬🤮

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  3. Oh....
    Acabou a maledicência??
    E eu que estava aqui a comer pipocas....
    Tenham juízo.

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    1. Cuidado com a palavra "comer", ainda surge uma acusação de assédio sexual!

      Tamanha a imaginação do cineasta comentador!



      Mas Sra. Ministra. Ok?

      É que a Sra., "é" Ministra.

      Sra. Ministra.

      Sim, Sra. Ministra.

      Moral da história, os cargos são efémeros, as ações, principalmente as que demonstram incompetência, perduram e fazem moça nos tempos.

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    2. MOÇA não sei.
      Mas mossa, fazem !!

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