Há casos Covid nos tribunais. E quê?

      O semanário “Novo” publicou esta semana um artigo no qual conferia relevo alarmista a uma comunicação da Ordem dos Advogados na qual se denunciavam 21 casos de Covid19 nos tribunais.


      Num universo de mais de 12 mil trabalhadores, 21 casos dispersos pelo país, na atual situação, só pode ser considerada uma medida alarmista.


      Relata-se que os 21 infetados são magistrados e Oficiais de Justiça em vários tribunais do país, lamentando a Ordem dos Advogados que o Governo não tenha prorrogado as férias judiciais durante a semana de contenção, o que “poderia ter evitado grande parte dos contágios”.


      «A Ordem dos Advogados (OA) alerta que tem recebido, nos últimos dias, informações de vários tribunais que dão conta de sucessivos casos de infeção de magistrados, escrivães e funcionários de justiça com o vírus da Covid-19, num total de 21 situações reportadas.»


      E de seguida especifica:


      «Foram reportados sete casos positivos no Núcleo de Leiria: há uma magistrada judicial, uma técnica de justiça adjunta e duas escrivãs auxiliares no Juízo de Família e Menores, um técnico de justiça auxiliar do DIAP, uma escrivã auxiliar e um magistrado do Juízo de Comércio de Leiria.


      Na comarca de Setúbal foram igualmente denunciados sete casos de infeções: um escrivão adjunto no Juízo de Família e Menores, duas escrivãs auxiliares no Juízo Central Criminal, uma escrivã adjunta no Juízo de Família e Menores, uma escrivã de direito na Unidade Central e Serviço Externo e duas técnicas de justiça auxiliares no DIAP.


      No Juízo de Proximidade de Alcácer do Sal está infetado um escrivão adjunto.


      No DIAP de Santiago do Cacém foram reportados os casos positivos de uma técnica de justiça principal, um técnico de justiça adjunto e uma técnica de justiça adjunta.»


      E o comunicado da Ordem dos Advogados prossegue:


      «A Ordem dos Advogados lamenta que, contra o que atempadamente solicitou, o Governo não tenha sequer prorrogado as férias judiciais durante a semana de contenção, o que poderia ter evitado grande parte dos contágios que atualmente estão a ocorrer»


      Para a OA “foi incompreensível que mais uma vez o setor da Justiça tivesse sido excluído das medidas de controlo da pandemia”.


      Este tipo de comunicação da Ordem dos Advogados não é novo, é alarmista e passa o tempo todo a considerar que os tribunais são poços de infeção e que todos os trabalhadores que ali labutam todos os dias são inconscientes, irresponsáveis e não vivem no mesmo Mundo dos advogados deste país.


      Por um lado, as férias judiciais estão fixadas por Lei da Assembleia da República e o Governo não pode decidir sobre esse tema nem pode alterar leis que não são da sua competência. Por outro lado, estando nós no início de fevereiro, com picos altíssimos de contágios em todas as áreas do país, a ter-se fixado um prolongamento das ditas férias judiciais no início de janeiro, portanto, há um mês, não impediria a atual situação, a não ser com um confinamento total do país.


      Os tribunais e os serviços do Ministério Público deste país são compostos por trabalhadores responsáveis e que têm ao seu dispor meios de proteção suficientes. No entanto, todos estes profissionais não são monges que vivam fechados nos palácios da justiça, mas fora, na comunidade, como todos os demais, tendo filhos nas escolas, fazendo compras nos supermercados, viajando em transportes públicos; é gente normal e, tal normalidade social resulta no reflexo da sociedade neles próprios e na mesma forma proporcionada dos dados estatísticos conhecidos.


      Nos tribunais e nos serviços do Ministério Público deste país há casos de Covid19, tal como há casos em todo o lado, mas não há surtos.


      Desde o início de 2020 que os Oficiais de Justiça portugueses estão presentes nos tribunais e nunca deixaram de estar, ao contrário de outros profissionais, de entre eles os advogados. São Oficiais de Justiça maioritariamente de risco, com idades que se aproximam da idade da reforma e diversas patologias, mas extremamente responsáveis, para consigo, para com os demais colegas e profissionais bem como todos os utentes.


      O propósito deste tipo de comunicação periódica e catastrofista da Ordem dos Advogados terá algum propósito relacionado com algum tipo de prova de vida da entidade mas, no que diz respeito aos Oficiais de Justiça, é uma comunicação injusta e mesmo injuriosa.


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       Fonte: “Semanário O Novo”.

Comentários

  1. Anónimo4/2/22 08:58

    Nos dias que correm, com a infecao generalizada na maior parte dos lares e locais de trabalho, e a poucos dias dos infetados assintomáticos poderem ir trabalhar na mesma, é uma declaração completamente ridícula.

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  2. Meu caro articulista
    Hoje tenho o grato prazer, porque não tenho nada, mesmo nada a dizer, sobre o seu comentário de um putativo jornal de nove “Novo” (que não conheço nem em papel nem eletrónico, mas que, provavelmente, deve andar na senda de uma certa associação dos proprietários lisbonenses, do qual o atual bastonário é há longos anos seu presidente e que durante anos e anos deu a cara nas tv.s pelos direitos destes proprietários, os tais que são tão amigos da economia e do país que venderam os imóveis velhos aos chineses carregados de malas com massa!
    O meu amigo e distinto colega foi, deveras, assertivo e duro, o quanto baste, com o artigo do dito “Novo” (será uma nova corrente dos ventos do chega?) e deu respostas convincente ao senhor bastonário dos advogados e sua Ordem que anda em completo desnorte e, penso, que os senhores advogados quando se pronunciarem sobre o mandato atual, escolhendo alguém na órbitra da direita, para contrabalançar a gerigonça da esquerda que nos governou este 6 anos; espero, enfim, que os senhores advogados escolham alguém que melhor dignifique tão elevado cargo, pese embora o senhor bastonário seja um distinto académico!

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  3. Anónimo4/2/22 10:02

    A Ordem dos Advogados terá omitido propositadamente quantos Advogados por este país fora, no mesmo período de tempo, estiveram também infectados ?
    Ou será essa classe imune ?
    Ou ainda pior, omite a declaração da sua infecção ?

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  4. Anónimo5/2/22 01:53

    Bem, parece que temos de contar com a Sra. Dra. Alexandra Leitao.
    Algo me diz que os seus objetivos se enquadram bem nas linhas gerais da proposta de estatuto entretanto congelada.
    Veremos...

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  5. Anónimo7/2/22 20:14

    Vai ficar tudo resolvido com a bateria de testes que a DGAJ se lembrou agora! de realizar nos Tribunais.
    Ridículo!
    Depois da pior fase desta "tempestade", durante a qual Oficiais de Justiça passaram mal e alguns muito mal, vem agora a DGAJ dar a oportunidade aos gabinetes de "Segurança" no Trabalho mostrar algum "serviço"! Tenham Vergonha!

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