Exige-se resposta urgente perante a rutura iminente

      O Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ) solicitou uma audiência à ministra da Justiça para “resolução de graves problemas que necessitam de resposta rápida”, face ao “cenário de rutura” nos tribunais e serviços do Ministério Público; lê-se em artigo publicado no Eco que aqui vamos a seguir reproduzir.


      O presidente do SFJ, António Marçal, disse à Lusa que há “necessidade premente e urgente de admissão de novos funcionários judiciais, necessidade de um subsídio para fixação nas grandes áreas metropolitanas de Oficiais de Justiça e da integração do suplemento de recuperação processual e seu pagamento em 14 meses, uma promessa com 20 anos que tem andado de Orçamento de Estado (OE) em OE sem qualquer resolução”.


      Há ainda, de acordo com o presidente do SFJ, necessidade de promover os funcionários para as categorias reais, e de um regime de aposentação diferenciado que permita a aposentação sem penalizações com 60 anos de idade e 40 anos de serviço, “para compensar o existente dever de permanência com horas extraordinárias não remuneradas”.


      António Marçal adiantou que devido “à demora do estatuto profissional, existe assim a necessidade imediata de integração no regime da pré-aposentação da função pública”.


      O presidente do SFJ assinalou ainda que a “falência do acesso à carreira do grupo de pessoal Oficial de Justiça originou a disrupção completa do quadro de pessoal, constituindo um dos principais problemas, com graves consequências na garantia do regular funcionamento dos tribunais”.


      Segundo António Marçal, nos últimos 10 anos o quadro de Funcionários Judiciais perdeu mais de 2.500 pessoas e “não fosse a batalha e empenho diário dos que estão em exercício de funções, os prejuízos seriam desmedidos”. O dirigente sindical denunciou que “aumentam os quadros dos juízes e procuradores e o quadro dos Oficiais de Justiça vai diminuindo, existindo unidades orgânicas com maior número de magistrados do que Oficiais de Justiça, criando um grande desequilíbrio nas secretarias judiciais”.


      Esta rutura no quadro pessoal dos Funcionários Judiciais tem na base, precisou, “não só a falta de abertura de concursos à carreira, como uma tabela remuneratória desajustada da realidade, originando a falta de candidatos, ou a não permanência destes, nos tribunais, principalmente nas áreas metropolitanas, onde a necessidade de funcionários é superior, uma vez que custo de vida nestas áreas da capital é muito alto”.


      O retrato financeiro destes profissionais da justiça caracteriza-se, na descrição feita por António Marçal, por “escassez crónica de recursos monetários, não lhes sobrando capacidade para a sua segurança própria e/ou familiar, sendo a grande maioria deslocados geograficamente das suas residências”.


      Observou igualmente que a grande maioria dos Oficiais de Justiça estão em categorias inferiores e a exercer funções de categorias superiores, em substituição, sem remuneração adequada.


      O SFJ aponta ainda a existência de um quadro funcional envelhecido, na medida em que mais de 50% dos oficiais de justiça têm mais de 50 anos e 25% mais de 60 anos, originando um alto índice de absentismo por motivos de doença, física ou mental.


      Quanto ao estatuto profissional dos Funcionários Judiciais, António Marçal considerou que “não faz sentido absolutamente nenhum, que se tenha resolvido o problema de outros corpos da justiça e a atualização dos seus estatutos profissionais e não tenha havido, até ao presente, vontade política de solucionar o problema dos Oficiais de Justiça”.


      “Foram resolvidos os problemas do estatuto das magistraturas, guardas prisionais, Polícia Judiciária, dos Oficiais de Registo e Notariado e do Instituto Nacional de Medicina Legal (INML), ficando de fora a revisão do estatuto dos Oficiais de Justiça, e fazendo estes últimos parte do um sistema do qual são indispensáveis”, frisou.


       O SFJ realça que é preciso ter em conta que os Oficiais de Justiça funcionam “muitas vezes muito para além daquele que é o seu horário de trabalho normal”, sendo-lhes “exigida uma disponibilidade muito grande e não existindo qualquer compensação para tal facto”, nem a nível remuneratório, nem a nível da idade da aposentação. Desta forma, insistiu António Marçal, é também necessário que, “de uma vez por todas, o Governo encare de frente” a resolução do estatuto dos Funcionários Judiciais.


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      Fonte: Reprodução de artigo da publicação “Eco”, reproduzindo notícia da Lusa.

Comentários

  1. Nitidamente, o pior inimigo da classe.
    Reforma aos 60 com 40 anos de serviço? A que titulo, onde o discutiu? com quem falou? quem o aconselhou? quem o mandatou para tal? onde foi apresentada tal solução?.
    Mais uma vez, ASSIM NÃO?

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    1. Já agora gostaria de saber a opinião da colega ou colega sobre essa matéria?...

      Não basta dizer não porque sim!...

      Prefere a reforma aos 66 e 7 meses de idade?

      Prefere trabalhar até ao limite legal de idade, aos 70 anos?

      Se sim, um regime diferenciado da aposentação não o impede de poder trabalhar até aos 66 anos e 7 meses ou até aos 70 anos.

      Um regime diferenciado da aposentação, apesar de justo, é acima de tudo um regime de liberdade de escolha individual de cada um.

      Se desejar continuar a trabalhar para além dessa idade nada o impede!...

      Dizer não, porque não, sem acrecentar mais nada, não contribui para o debate e reflexão que é urgente para esta classe profissional esquecida por sucessivos governos.

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    2. O que se prespectiva e foi escrito em diversos documentos, tendo por base ESTUDOS feitos por entidades externas, não era 60 anos de idade e 36 de serviço?

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  2. Armando guedes11/4/22 10:04

    Também desconheço que os oficiais de justiça temham aprovado que a nossa reforma fosse 60 anos 40 de serviço..
    Nunca li , nem ouvi nada disso, da parte dos sindicatos.
    Estou a tomar conhecimento agora ao ler este artigo.

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  3. 60 anos de idade E 40 de serviço. Pior seria impossível, mas como a insistência é com a pré aposentação, está entendido...

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  4. Blá Blá Blá sempre do mesmo. Continuem a descontar todos os meses para o sindicatozinho....

    Então associados!!! é para isso que vocês existem, para alimentar a máquina politica dos sindicatos.

    Deixem-se de tretas e sejam corajosos. Neste Blog e em frente a um teclado todos afrontam os sindicatos, mas na prática continuam ao dia 21 do mês a fazer o desconto da quota do sindicato.

    Haja paciência!!!!

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  5. Bolas, esta classe tem gente "muito estranha"...então o homem fala da reforma antecipada e as reações são de crítica??!! tomáramos nós conseguir a reforma aos 60/40.

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    1. Concordo, mas para isso são necessárias ações em concreto.
      Emitir apenas notas à imprensa é muito poucochinho!...

      A cerimónia de aberura do novo ano judicial é já dia 20 deste mês e deviamos estar lá presentes, com uma convocatória de plenário para esse dia!...

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    2. Eh eh!
      Realmente é uma reacao absurda.
      Com a esperança media de vida a aumentar, não sei qual seria a alternativa em mente.
      E se nao me engano a solucao 60 / 40 , até foi restrita e de aplicação temporária.
      Por isso, disse bem. Tomaramos nós.

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    3. Talvez por ser referido 60 e 40, o que sendo cumulativo afasta quase todos. Aliás 60 e 40 não é novidade na administração publica e não serviu a ninguém antes. Tentemos ser, pelo menos, competentes e estar um pouco informados: 60 e 40, sendo cumulativo, nao serve a ninguém, mas é forma de enganar muitos.

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    4. ENGANAR! muito bem dito colega

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  6. E porque não 54 anos e 40 anos de serviço? E porque não 57 anos e 40 anos de serviço? Seria capaz de servir alguns, nomeadamente dos que estão nos sindicatos, só que nesta classe profissional há os que têm um curso superior! Se ainda não há um estatuto, é porque só pensam na reforma e encravam todo o processo negocial ou já se esqueceram do que aconteceu o ano passado? Continuamos na mesma!

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    1. Os que têm curso superior à custa dos demais, sempre baldados para exames que se repetem ou a fugir da sala de audiências, para ir às aulas ou os que entraram com curso superior, violando o estatuto? Talvez fosse bom de perceber...

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  7. Comparativamente ao anunciado como proposta para a idade de reforma e tempo de serviço, relativamente aos 10ª, porque não a integração de apenas uma terça parte e abdicarmos do resto?
    Não concordam, pois não? Eu também não.
    Apenas para relembrar que as propostas feitas em nome dos outros sem haver consulta é uma enorme infantilidade. Aliás, uma como as várias atordoadas que quem nos representa tem cometido apo longo dos anos.
    Tanto soninho.

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  8. O projeto de Orçamento de Estado vai ser apresentado no Parlamento na proxima quarta-feira, e a cerimónia de abertura do ano judicial está agendada para o próximo dia 20 de abril. Onde estão os nossos representantes sindicais?!...
    Nem umas palavrinhas do SOJ ou do SFJ!...

    A caravana chegou atrasada aquando da entrega da proposta do orçamento de estado que foi chumbada pelo Parlamento, mas agora não tem desculpa!...

    Apresentem agora, ao novo Presidente da Assembleia da República, todo o material recolhido pela "caravana", e não cheguem, mais uma vez, atrasados!....

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