O Abaixo-assinado dos Oficiais de Justiça

      Esta semana, cerca de três dezenas de guardas prisionais juntaram-se no Terreiro do Paço, em Lisboa, numa ação que tinha como objetivo a entrega de um abaixo-assinado subscrito por mais de quatro mil guardas.


      O Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional (SNCGP) considerou "inadmissível" que guardas que entraram na profissão em 2000 se encontrem "estagnados" na sua progressão e entregou à nova ministra da Justiça um abaixo-assinado de protesto.


      "Temos guardas prisionais há 22 anos na profissão sem evoluírem na carreira", criticou o presidente do SNCGP, considerando tal facto "inadmissível".


      Carlos Sousa falava à agência Lusa diante do Ministério da Justiça, onde, na companhia de outros membros da direção do SNCGP, entregou o abaixo-assinado dirigido à nova ministra da Justiça, Catarina Sarmento e Castro, a manifestar o "desagrado de milhares de profissionais do SNCGP" entrados na carreira em 2000 e que, desde então, não progrediram na carreira.


      No abaixo-assinado, o SNCGP alerta que "são profissionais desmotivados, resultado de anos e anos de abandono das sucessivas tutelas" e que ao fim de mais de duas décadas de serviço prestado ao Estado "não veem compensados e reconhecidos os seus esforços, como seria expectável, com uma justa promoção na carreira, com promoção a guardas prisionais".


      "Toda a nossa carreira precisa, e muito, de ser revista", disse Carlos Sousa à Lusa, referindo que apesar de o Estatuto profissional estar em vigor desde 2014 alguns dos regulamentos que devem ser apensos a esse diploma ainda não foram publicados.


      No abaixo-assinado, a direção do SNCGP realça que estes profissionais "nunca tiveram sequer uma oportunidade de progressão, devido à inexistência de concursos que abrangessem estes guardas".


      Carlos Sousa mencionou que em causa estão guardas prisionais que, de base, ganham apenas mais 90 euros que o ordenado mínimo nacional, vincando que isso é "muito pouco para a responsabilidade que lhes é exigida" no serviço diário nas cadeias.


      O abaixo-assinado, subscrito por mais de 4.000 guardas, sublinha que "em nenhuma outra força de segurança existe tal desconsideração pelos seus elementos, principalmente no que toca à progressão na carreira e nas promoções necessárias para o devido preenchimento do quadro de pessoal do Corpo da Guarda Prisional e para a motivação dos seus profissionais".


      "Os guardas abaixo-assinados exigem uma rápida resolução para as suas legítimas aspirações, com a promoção dos guardas do ano de 2000 e o início do processo de desbloqueio de vagas com vista à promoção dos guardas com mais de 15 anos de serviço", lê-se no abaixo-assinado entregue a um membro do gabinete da ministra Catarina Sarmento e Castro.


      Segundo Carlos Sousa, o SNCGP convidou a ministra da Justiça a visitar alguns dos estabelecimentos prisionais para se inteirar "in loco" da falta de condições para os reclusos, situação que dificulta o trabalho dos guardas e leva a que Portugal seja com frequência punido e sancionado internacionalmente por "tratamento desumano" para com os presos.


      "O trabalho do guarda prisional é do mais eclético e multidisciplinar que existe. Somos tudo dentro da prisão", enfatizou o presidente do SNCGP, que frisou pretender privilegiar o "diálogo" com o Ministério da Justiça para resolução dos problemas da classe, sem descartar a opção por formas de luta sindicais caso os assuntos não sejam devidamente debatidos e resolvidos.


      Carlos Sousa alertou ainda que atualmente o défice de guardas prisionais é de cerca de 300 efetivos face ao quadro ou mapa de pessoal previsto para as prisões.


      Cerca de três dezenas de guardas prisionais acompanharam o presidente do SNCGP nesta iniciativa no Terreiro do Paço, Lisboa, que culminou com a entrega do abaixo-assinado.


      Esta notícia que relata a ação dos Guardas Prisionais é, sem dúvida alguma, bem compreendida pelos Oficiais de Justiça, uma vez que a situação relatada é muito semelhante à dos Oficiais de Justiça, senão mesmo idêntica.


      Também a carreira dos Oficiais de Justiça detém elementos que aguardam conseguir ser promovidos desde 2000, mas, pior ainda, desde antes desse ano.


      Também na carreira dos Oficiais de Justiça falta pessoal, mas não são trezentos, são mais de mil.


      Também na carreira dos Oficiais de Justiça há uma grande desmotivação.


      Em termos de abaixo-assinados detêm os Oficiais de Justiça a ação encetada por esta iniciativa informativa, a que um dos Sindicatos [o SOJ] deu público destaque, mas que não alcançou ainda a meta das mesmas quatro mil assinaturas como na ação dos Guardas Prisionais. Trata-se da declaração individual de exclusão de responsabilidade a que acede por “AQUI”, podendo ver mais esclarecimentos “AQUI” e também “AQUI”.


      Esta declaração é, também, um abaixo-assinado, em tudo idêntico ao dos Guardas Prisionais, apenas com a diferença que os nomes e assinaturas não vão todos juntos e cada um envia o seu.


      Esta iniciativa de cada um enviar a sua declaração constitui uma ação que mostra o estado de descontentamento dos Oficiais de Justiça e não está presa a condições como marcações de reunião ou qualquer vicissitude alegada pelo Ministério da Justiça, bem pelo contrário, é só enviar, a qualquer altura, mas já, para que o efeito pretendido possa sustentar as posturas dos sindicatos junto das entidades governamentais.


      O apoio dos Oficiais de Justiça às reivindicações apresentadas, ou a apresentar – mais uma vez –, ao Ministério da Justiça, devem estar sustentadas por esta ação de “abaixo-assinado” onde todos subscrevem a mesma declaração.


      Neste momento, os envios contam-se na casa das dezenas mas, para realmente se poder ter algum impacto, é necessário, chegar a números, pelo menos semelhantes àquele dos Guardas Prisionais (cerca de quatro mil).


      Embora em todos os aspetos haja semelhanças na desmotivação das carreiras, no que toca à ação, os Oficiais de Justiça ficam muito aquém dos Guardas Prisionais, por serem demasiado temerosos e não serem capazes de assumir formalmente aquilo que diariamente dizem e afirmam em todos os tribunais e em todos os serviços do Ministério Público do país. Esta é a grande diferença das carreiras. Há os que atuam e apoiam e há os que, simplesmente, ficam à espera com fé.


Abaixo-Assinado2.jpg


      Fonte: “RR - Rádio Renascença”.

Comentários

  1. A análise feita não poderia ser mais correta.

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  2. Não não é a mesma coisa um abaixo assinado lançado por um sindicato e uma exclusão de responsabilidade sem valor legal/jurídico lançado por um blog em quem lança essa iniciativa não mostra a cara. Podem vir com as considerações que quiserem mas as coisas são o que são. Este blog tem feito um excelente trabalho de informação e é de louvar existir um espaço ainda que infelizmente virtual e sem rostos que julgo que consegue convergir algumas ideias contrárias à tutela e ao sindicalismo que espelham os sentimentos dos of. justiça que não estão vinculados ao disco riscado e demagogo dos que se dizem representantes dos of. justiça, aliás até acho que essa convergência de ideias tem permitido a mudança de algumas atitudes dos sindicatos. No entanto as coisas são os que são, e esperar que a exclusão tenha muitas assinaturas e que a mesma tenha utilidade ainda que mínima de criar alguma pressão parece-me utópico. Infelizmente as coisas são o que são, ainda assim é de louvar esta iniciativa mesmo que falhe redondamente, pois julgo que no séc XXI são as ações espontâneas dos trabalhadores à margem do sindicalismo que fazem alguma diferença, nem o Ronaldo acerta sempre e importa continuar a lutar, que venham mais iniciativas...

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    1. Mas sim, é a mesma coisa. O valor legal de um abaixo-assinado, seja por iniciativa de um cidadão, grupo de cidadãos ou entidades, tem tanto valor quanto esta declaração e serve os mesmos propósitos, tal como a caravana da justiça com a recolha do SFJ.
      O valor legal? O valor legal está escarrapachado em duas Leis do OE, nunca cumpridas.

      Quanto às caras, elas são dadas, constam na página na secção dos dados editoriais e até já responderam em processos disciplinares instaurados pelo COJ ao criador desta iniciativa.
      Enquanto que outros gostam de se autopromover, aqui só gostamos de promover a carreira, não nos interessa mais nada e é esse o propósito inicial que hoje se mantém.
      Independentemente disso, as ideias e opiniões não precisam de cara, precisam é de ser expressas e, por isso mesmo, o comentador anónimo tem esta resposta, porque expõe a sua opinião e não a cara, e bem, porque o que aqui nos interessa não é quem colocou o comentário, mas o comentário em si.

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    2. Tudo dito.
      No entanto, o que sinto quando falo com colegas sobre a declaração de ex. de responsabilidade, é que há medo sobre assinar ou não.
      Até olham para mim de lado e respondem baixinho, não vá alguém ouvir o que não deva.
      Voltámos a tempos idos, ao medo da censura e ao medo do que isso possa significar a cada um na sua própria situação profissional.
      É triste.

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    3. Acaba de revelar o que todos temos vergonha de assumir: a maioria dos oficiais de justiça são uns heróis, valentes atrás do monitor, mas uns cobardes quando se trata de defender posições. Muitos falam da Ucrânia, mas se o seu povo fosse constituído por covardes a guerra já estava perdida...

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    4. Verdade. Com muita pena minha.
      E é por estas que somos uma classe fraca, sem espinha dorsal.

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    5. Donzilia Santos18/4/22 11:44

      O último parágrafo contém uma afirmaçāo conclusiva, baseada apenas no "sinto" do comentador, no "olham para mim de lado", no "respondem baixinho".
      E porque não deduzir disso que têm muito que fazer, não têm tempo para coisas que não têm utilidade prática ou até que não confiam em tal mensageiro?
      Nāo dava exercer funções de Juíz, julgar pessoas.Ai delas!

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    6. FORÇA A ESTE BLOGUE! OBRIGADO PELO TRABALAHO QUE REALIZA!!

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    7. Donzília, está a perder qualidades. Já não consegue falar mal de um artigo inteiro, mas só de um parágrafo?

      De todos modos está redondamente enganada. O escrito relata o sentir dos OJ e a correspondente ação, numa perspetiva geral e não particular ou individualizada.

      Quanto à falta de tempo por terem muito que fazer... Enfim... É um bom esforço crítico, mas ignóbil. Relativamente ao efeito prático, já foi debatido e ficou esclarecido que existe, se ainda não o vê, paciência. Quanto à falta de confiança no "mensageiro", é um disparate, porque cada um é o seu próprio mensageiro, se quiser. Por fim, diz que não dava para juiz, fazendo um disparatado juízo de valor como se aqui alguém quisesse ser juiz a não ser a esmerada julgadora, a meretíssima Donzília Santos.

      O referido último parágrafo, por ser o último, é conclusivo, porque encerra o que se vem descrevendo. Julgar qualquer parágrafo de forma isolada e descontextualuzada, é uma aberração.

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    8. Donzilia Santos23/4/22 17:54

      Ó Sr.(@) deste "oficialdejustica" :
      Só hoje me deparo com sua resposta e deduzi que se enganou.O meu comentário não foi para o "artigo" daquele dia mas sim para o que escreveu a seguir o anónimo de 17/04/2022, 13:48. Transcrevi o que tal anónimo escreveu.
      É aquele colega que escreveu que os colegas olham para ele de lado, que respondem baixinho, deduzindo logo que há medo sobre assinar ou nāo a tal declaração, que voltámos ao medo da censura.Enfim!Escrevi que o mesmo não dava para exercer as funções de Juiz, pois julga pelas aparências, pensou que....logo decidiu!
      Olharem para esse(a) tal colega de lado, responderem baixinho, pode ter muitos outros significados, e nada a ver com a declaraçāo em causa, foi o que eu disse.Por exemplo, tratar-se de um(a) colega que não colhe muita simpatia dos restantes, vá lá saber-se porquê!
      Espero ter esclarecido e que assim deixe de se sentir melindrado,pois nāo era o alvo do comentário.

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    9. Ó Sra. Donzília Santos, como se referiu ao "último parágrafo" e não ao "último comentário", ou ao "último parágrafo do comentário", foi interpretado como sendo o último parágrafo do artigo e como estamos habituados à sua acutilante crítica, a interpretação foi a que resultou.

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  3. É a senhora do zelo e brio

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