Marçal senta-se à espera de um pedido de desculpa

      O candidato a juiz no Tribunal Constitucional, António Almeida Costa, não foi eleito para a única vaga para a qual era o único candidato que tinha sido indicado.


      Uma boa notícia!


      Esta situação inédita de rejeição do candidato indicado tem uma explicação singela: o destaque dado pelos jornalistas, precisamente aqueles que Almeida Costa gostava que tivessem uma atuação mais delimitada, contida; enfim: censurada.


      Muito se tem escrito sobre o candidato, desde as suas ideias antiaborto baseadas em conhecimentos próprios e exclusivos que detém sobre os campos de concentração nazis e as mulheres, até ao preço de venda de um qualquer Escrivão de um Tribunal, que disse ser de 3 mil euros, porque, também disse, esse Escrivão aufere uma miséria.


      A este propósito, o presidente do Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ), António Marçal, na sua habitual coluna de opinião no Correio da Manhã, na edição de ontem, subscrevia um artigo intitulado “Enxovalho”, no qual aborda a referência do candidato ao tal Escrivão de um qualquer tribunal.


      Consta assim:


      «António Almeida Costa, candidato a magistrado do mais alto tribunal da nação, o Tribunal Constitucional, o garante da constituição e, por consequência, o garante da democracia, das liberdades e garantias do cidadão, atacou sem dó, nem piedade, pessoas honradas, defensoras intransigentes do estado de direito democrático, os que são os guardiões do segredo de justiça e estão sujeitos ao mais elevado escrutínio público e institucional para além de terem estatuto profissional completamente castrador no que à divulgação de informação diz respeito.


      Nós, os Oficiais de Justiça, não temos necessidade de referências pejorativas à nossa atuação enquanto profissionais altamente qualificados, mas muito mal remunerados, sujeitos às maiores injustiças sociais e opiniões malformadas de quem deveria conhecer em profundidade a nossa importância, nomeadamente porque é candidato a uma das profissões que connosco convive diariamente.


      Somos quem melhor conhece em profundidade todas as "coisas boas e menos boas" do mundo judiciário e para-judiciário... E até por esse conhecimento, recusamos a ligação linear entre ser mal pago e a propensão a ser corrompido.


      Esperamos, com toda a sinceridade, que não seja eleito, porque ainda resta uma leve réstia de esperança que este país não é uma república das bananas.


      Aguardamos que, refletindo, peça desculpa pelo que disse.»


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      Fonte: “Correio da Manhã”.

Comentários

  1. Politiquices... Numa altura em que andam outros sindicatos mobilizados com a actual situação, preocupam-se com as declarações de um CANDIDATO VENCIDO. E a falta de promoções? E a falta de admissões? E a falta da integração do suplemento? E a falta de vencimentos dignos? Em vez de exigir desculpas de uma mera personalidade anónima, não será tempo de fazer exigências à tutela? Ou o sindicato dos funcionários de justiça agora é uma mera coluna do Correio da Manhã? Ah já agora em vez de batalharem pelo que é vital e prioritário, não se esqueçam de batalhar por um novo estatuto inconstitucional que nada mais é do que a oportunidade de destruir a nossa carreira!!

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    1. Anónimo1/6/22 09:17

      Fiquem todos em casa.

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    2. Anónimo1/6/22 09:17

      nem mais! e a aposentação diferenciada?

      fodddddddddddd

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    3. Anónimo1/6/22 11:32

      E os nossos sindicatos sabem fazer outra coisa -com pão e bolos se enganam os tolos - nós

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  2. Anónimo1/6/22 09:51

    MOVIMENTO EXTRAORDINÁRIO JÁ

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  3. Anónimo1/6/22 14:33

    Não sei por que razão, na transmissão da referida notícia, foi sempre omitida a parte referente a que os escrivães ganham muito mal. Apenas nas palavras do dito cujo juíz.
    Quanto à coluna jornalística do CM, pergunto o que quer dizer funcionários altamente qualificados. São os que têm muito tempo de serviço? O que é um enfermeiro, um professor, um engenheiro? São estratosféricos? Não! Têm licenciaturas, mestrados e doutoramentos. Nunca se vai conseguir o nível 3 sem um estatuto em que fiquem consignadas o "estatuto" de cada OJ. É errado pensar que a classe fica dividida em duas. Agora, trabalhamos num pântano do qual, está mais do que visto, ninguém sai. Não temos quem nos defenda, o governo não nos respeita. Há uma vasta maioria que contribui para isso (inclusive os sindicatos), porque têm medo de dar o passo aceitando( com alguns acertos) o estatuto que foi apresentado pela anterior ministra. Viver na eterna estagnação é muito pior!

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    1. Anónimo1/6/22 16:25

      Alguns acertos no que foi apresentado?? essa é boa! cheio de normas inconstitucionais e vem-me com pequenos acertos??

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  4. Donzilia Santos1/6/22 18:04

    "Quem não se sente nāo é filho de boa gente" e o Sr. Magistrado que fez a afirmação, deve ter conhecimento de causa, pelo que deve "chamar os bois pelos nomes" , sob pena de todos os Oficiais de Justiça ficarem sob desconfiança dos cidadãos, sentindo-se difamados!
    Não basta dizer que é auferido um salário de miséria, para logo fazer a ligação com corrupção.
    Temos todos direito a saber quem são os que envergonham a classe e esses, têm sido julgados nos tribunais, condenados ou absolvidos e identificados na praça pública.Que diga então quem é o dos 3.000 euros que nós não sabemos e se já ocorreu o julgamento.
    Salários de miséria é o que mais temos no País e os casos de corrupção pelo que sabemos não ocorrem assim tanto com pessoas que os auferem.
    A Polícia Judiciária se encarrega e muito bem de investigar.Não omitam.Façam as denúncias, com factos, de tudo o que souberem e assim separamos o trigo do joio! Nāo podem meter as pessoas todas no mesmo saco.
    Finalmente, não foi muito referida na com.social a parte da afirmação que reportava "o salário de miséria" : é o poder que têm de selecionar a informaçāo que pretendem que o público saiba.Faz parte do 4°poder.






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    1. Anónimo1/6/22 21:05

      Colega, apesar da afirmação do Senhor candidato a Juiz do Tribunal Constitucional ter sido infeliz, a mesma não pode ser interpretada da forma como a faz.

      A ser assim, como interpreta o n 2 do art 22 do Estatuto da Magistratura Judicial.

      "A remuneração dos magistrados judiciais deve ser ajustada à dignidade das suas funções de soberania e à responsabilidade de quem as exerce, de modo a garantir as condições de independência do poder judicial."

      Significaria que se a remuneração não fosse ajustada à dignidade das suas funções, as condições de independência do poder judicial não estariam garantidas?!...

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    2. Anónimo2/6/22 09:14

      Independência e/ou dependência! pois é!

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  5. Anónimo2/6/22 09:18

    Continuem a fazer horas e dar corda aos sapatos, com a contagem de atos pelo meio, até vos dar um enfarto ou irem para a reforma (se lá chegarem vivos), com ordenado de miséria a encher a pança
    desses que auferem os ordenados de quem come tudo à vampiro!

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