A linha vermelha para o abandono da carreira
«Estou de licença até quase ao final do ano, sou do norte e tenho toda a família aqui, mas fui colocada no sul do país. Aceitei a colocação já há quase 5 anos, porque não fazia ideia de como iria ser difícil voltar para perto.
Esperava que acontecesse neste Movimento, mas não aconteceu. Tenho dois filhos muito pequenos, abaixo dos três anos, e só tenho uma certeza: não volto a deslocar-me.
Não posso deixar aqui os meus filhos, nem posso levá-los comigo, pois só eu a ir, já é uma despesa muito difícil de suportar, então com duas crianças é impossível.
Entre perder tempo a reclamar do Movimento, que não serve para nada, ou perder tempo a procurar outro trabalho para quando a licença terminar, é este o meu atual dilema e é muito desanimador.»
De entre as várias comunicações sobre o Movimento divulgado (ainda em forma de projeto), quisemos destacar esta que hoje aqui reproduzimos porque ilustra muito bem o estado de espírito e a vida de muitos dos Oficiais de Justiça deslocados.
Ao contrário dos Oficiais de Justiça mais antigos na carreira, que suportavam estar deslocados, e estiveram deslocados tantos anos, porque a carreira era compensatória e perspetivavam um futuro melhor, hoje, os Oficiais de Justiça mais novos na carreira, com um vencimento pouco acima do salário mínimo nacional e sem quaisquer perspetivas de futuro, já não suportam, e bem, este estado insuportável a que a carreira chegou, ponderando uns abandonar a profissão, enquanto outros já a abandonaram ou nem sequer chegaram a tomar posse.
Temos conhecimento de muitos casos em que este Movimento se tornou a linha vermelha para o abandono da carreira, pelo que a contagem dos atos praticados no Citius como critério, entre outros, para as colocações neste Movimento, acabaram de determinar não as colocações, mas as saídas; a desistência desta sofrível situação.
A Administração da Justiça está distraída com outros assuntos e não presta, há anos, a devida atenção à carreira dos Oficiais de Justiça nem às pessoas que a compõem. Ultimamente, entretêm-se com a contagem dos atos, o novo Santo Graal bebido do Citius e com outras informatizações, descurando, ao que tudo leva a crer, propositadamente, as pessoas.

Estou na mesma situação que a colega, tenho um bebé e já não posso esperar mais para regressar a casa. Neste momento a perioridade é a minha filha. Entre as despesas e a distância já não consigo suportar mais esta situação.
ResponderEliminarVá vendo as permutas neste blog e ligando para as telefonistas dos tribunais pretendidos. Por vezes o pessoal comunica-lhes para o caso de alguém interessado ligar!
EliminarAcho que esta situação, e tantas outras iguais, davam uma boa reportagem num telejornal credível. Afinal, fazem sobre os professores deslocados e outros, porque não sobre os OJ. Temos de nos dar a conhecer, dar a conhecer a nossa realidade, nos mais diversos aspectos.
EliminarAbraço a todos.
É arrepiante!
EliminarHaja decência quando se propagandeia um agenda para o trabalho digno?!..
Os sindicatos, de uma vez por todas, têm que denunciar estas situações, junto dos médias, da Provedora de Justiça, grupos parlamentares.
Peçam com carácter de urgência uma audiência ao Senhor Presidente da República.
Acho que tem de ser mesmo junto da comunicação social. De uma vez por todas temos de nos mostrar, com dignidade mostrar as condições a que estamos todos sujeitos no dia a dia, seja o estar longe de casa, seja o começar a ganhar pouco mais do que o salário mínimo, numa profissão altamente stressante (prazos, conhecimentos diversos, atendimento público), seja o trabalhar além do horário, seja a pressão dos presidentes de comarca, tudo isso temos que passar para a comunicação social, para a opinião pública. Há muito mais a dar a conhecer, mas é preciso, mesmo.
Eliminar... Num modelo arcaico de gestão, mas desestruturante, preterindo o moderno sistema finlandês de gestão por objetivos.
ResponderEliminarDe facto, é anular na DGAJ o pagamento da quota sindical e continuar a procurar melhor para saltar fora.
(É dinheiro mais bem empregue para a boneca da da filha e séries em família, já que esta OJ não tem orçamento para ir a um "cinema", há muito tempo!)
Até lá, serviços mínimos a roçar o" suficiente" e dentro do horário laboral, já que a "excelência" não é reconhecida pela tutela.
ResponderEliminarSem dúvida, ou pagam como deve ser ou a tutela não vai ter gente
(funcionários) para os tribunais.
Mais vale receber o rendimento minimo (RSI), e estar em casa.
ResponderEliminarPagam melhor na "Mercadona" e estão a recrutar em várias áreas do país...
Triste...
Eliminarcomo dizem
RSI paga melhor sem despesas de deslocação e alimentação
É triste que colegas OJ tenham de sacrificar as suas vidas pessoais em prol desta merda de profissão.
ResponderEliminarNunca vi um magistrado aborrecido por estar deslocado da sua casa e familia. Com os 900€ de subsidio renda que recebem, indevidamente, nada os impedem de irem para longe.
Além disso já são várias as comarcas em que os magistrados, gozam 35 a 40 dias úteis de férias ao ano.
Fiscalização disso é ZERO.
Foddddddd.
serviço minimo de horas das 09:00 as 17:00.--
Poucos são os oficiais de justiça com eles no lugar para falar dos magistrados e dar a cara.. Muita coragem nas redes sociais... bastava ver os "amigos" do anteriir secretario de estado nas suas redes sociais para se perceber a coragem dos valentes oficiais de justiça.
EliminarCom o registo eletrónico de assiduidade que aí vem tudo vai mudar.
EliminarA preocupação é informar que as horas extra não são contabilizadas e que a tolerância para entrada é de "15 minutos".
Já estou a ver o pessoal dos criminais já....
Peço ao senhor bloguista que mande estes testemunhos para o Ministério da Justiça! Os sindicatos não fazem nada de relevante, não mostram as injustiças que reinam entre os OJ. Faça-o, por favor!
ResponderEliminarO ilustre faz este pedido porque os próprios não têm coragem? Ou quer este espaço como um muro das lamentações? Será que os que enviam estes relatos não pedem depois confidencialidade? Pense nisso...
EliminarSim, há confidencialidade total. Não nos compete essa comunicação, compete-nos apenas informar e criar opinião, de resto, cada um, individualmente ou através dos sindicatos, agirá conforme melhor entender.
EliminarJá agora, quem quiser contar o seu caso e a sua situação, com toda a confidencialidade e anonimização, use o e-mail geral: OJ@sapo.pt
Mas a "caravana" do SFJ não recolheu estes relatos?!...
ResponderEliminarOu preocupou-se mais com os edifícios?!...