Os lugares reservados e a irrasistência (irra+resistência)

      Em 31 de março passado, véspera da abertura do prazo para a apresentação das candidaturas ao Movimento deste ano, a diretora-geral da Administração da Justiça, apresentava aos Oficiais de Justiça as regras que seriam observadas na realização do Movimento. Desta forma, todos ficaram a saber com o que contar e, perante tais regras, se deviam, ou não, candidatar-se neste Movimento, tendo em conta o que ficava estabelecido.


      Dizia assim o despacho da DGAJ:


      «Considerando ainda que os oficiais de justiça são em número inferior aos lugares previstos nas referidas portarias o que impede que se possa proceder ao total preenchimento dos lugares vagos existentes, determino que na realização do movimento ordinário dos oficiais de justiça de 2022 seja observado o seguinte:»


      E passava a elencar os vários parâmetros que condicionariam o Movimento, entre eles constava o seguinte, a observar:


      «Não serão autorizadas transferências/transições com manutenção da comissão de serviço.»


      Muitos Oficiais de Justiça que na altura pensavam candidatar-se a um lugar, estando numa comissão de serviço, perante a determinação, que antes não acontecia, de que cessaria a comissão de serviço, hesitaram na candidatura e acabaram optando por não se candidatar ao Movimento, para não ver cessada a sua comissão de serviço.


      Ainda assim, constatamos que no Movimento há três Oficiais de Justiça que se candidataram a lugares, tendo cessado a comissão de serviço.


      Tudo bem até aqui e tudo bem (por assim dizer…) no projeto apresentado para análise dos Oficiais de Justiça. Tudo mal, no entanto, desde há dias, com a apresentação de uma lista denominada de "definitiva" onde constam colocados novos Oficiais de Justiça, que não estavam no projeto antes apresentado e, de entre eles, brotaram agora Oficiais de Justiça que não cessam as comissões de serviço, mas que explicitamente as mantêm, mantendo também, em simultâneo, o lugar que pretenderam para quando acabarem as comissões de serviço.


      Trata-se, pois, de uma reserva para o futuro, como quem vai jantar a um restaurante e está ali a mesa reservada, para quem a reservou, e mais ninguém a pode ocupar, reservada pela gerência do restaurante enquanto que o cliente pasmado pergunta: "então estão ali três mesas reservadas e quando eu quis também reservar disseram-me que não faziam reservas e afinal fazem?" O cliente, indignado pela discriminação, pede, de imediato e perentoriamente, o livro de reclamações.


      As mesas reservadas e os lugares reservados não são, portanto, para todos, pelo que há uma nítida discriminação e, ainda, um repugnante atropelo da lealdade devida, incumprindo as normas estabelecidas, ainda por cima, as normas próprias, tão incisivas quanto isto: “Não serão autorizadas…”; “determino que na realização do movimento seja observado o seguinte”; algo que não deixa dúvidas nem espaço para interpretações secundárias.


      Como se não bastasse a criação de novas normas, após a realização do ato, o que é simplesmente inconcebível, ainda aparecem normas infringidas, aplicadas discretamente, num momento em que se apresenta a listagem apelidando-a de "definitiva", isto é, sobre a qual já não é admissível qualquer pronúncia ou sobre a qual já não vale a pena apresentar qualquer pronúncia, ou sobre a qual o escrutínio dos Oficiais de Justiça não é tão apurado como o da primeira lista.


      Será isto um truque? Uma desfaçatez? Uma incrível arrogância prepotente? Certamente que não, certamente que há uma boa e bondosa justificação, como uma espécie de "ação especial" de "libertação", de "desnazificação", como dizem os russos de Putin, portanto, são boas intenções.


      Os Oficiais de Justiça sentem o seu território invadido, não se sentem libertos de coisa alguma, sentem-se, antes, aprisionados e cada vez mais sem chão, sem espaço vital, representados por elementos eleitos para a sua defesa, mas que não conseguem concretizá-la, desarmados que estão, mesmo tendo pedido ajuda externa, e que lhes foi concedida pontualmente, ainda assim, também essa se mostrou incapaz de deter a invasão e a destruição.


      Perante esta situação de guerra, com tão grande diferença de poderes, pergunta-se: que fazer: desistir, conceder, ou resistir e combater?


      Ora, conforme nos alerta o SFJ na sua última informação: «Na esteira do que nos vem habituando, nem os Tribunais conseguem travar a DGAJ, no seu ímpeto de estar acima da lei.» concluindo que «Estes procedimentos são inaceitáveis e constituem um vil ataque ao Estado de Direito.».


      Portanto, irra! Há que resistir! Ou seja: irrasistência; palavra nova a utilizar, porque também novas e também impensáveis e estranhas são as hodiernas ações utilizadas.


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      Fonte citada: “SFJ-Info”.

Comentários

  1. Nem mais, aqui está tudo dito, e eu que pensava que trabalhar na justiça era tudo limpo e sério, agora vejo que não, só os funcionários que nela trabalham e nem todos. A DGAJ está de "tanga", é uma "catequese", dizem-se muitas missas.
    O belo que era feio, final virou belo.
    Vamos Irraresistir e lutar, pois isto tem de acabar!!

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  2. Os sindicatos continuem a fazer guerrinhas de alecrim a manjerona como têm andado a fazer nos últimos 20 anos. Continuem a cancelar greves e manifestações só porque lhes acenam com uma reunião que acaba por nada trazer de novo e concreto, continuem a achar que foi um erro termos pedido a demissão e virado as costas à anterior ministra da justiça no único momento em que estes governantes déspotas realmente tremeram, continuem a querer manter a relação com o ministério com respeitinho e lealdade, porque eles... eles cada vez mais demonstram respeito e lealdade para connosco. Estamos em tempo de guerra aberta e declarada, e nesta guerra só conseguiremos alcançar algum objetivo com atos que realmente atinjam o inimigo onde mais lhes doi... custe a quem custar, doa a quem doer.
    Só pode ser respeitado quem se dá ao respeito.

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  3. Estou perplexa queres ver que só agora se lembraram de olhar para os movimentos, até este último correu tudo bem, ou já não tem mais para onde olhar, deixei o movimento e os sindicatos que se deixe de floreado, a maioria dos OJ estou preocupados com questões que pelo menos a 20 anos esperam e desesperam. Vou trabalhar pois penso que esta gente não sabe o que é trabalho, só se vê blá, bla...

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  4. Donzilia Santos18/8/22 14:06

    Estou perplexa! Alguém parece andar noutra dimensão, talvez porque trabalha muito. Já são 2 os movimentos anuais alvos de processos em tribunal, sendo que a decisão que julgou e anulou o de 2021, aguarda trânsito em julgado.
    Há regras que têm de ser cumpridas porque isto não é, como "soi" dizer-se : " o da Joana".
    É desejável, recomendável, exigível que seja feito um esforço para as coisas serem feitas de acordo com o que se encontra estipulado, regulado, regulamentado.
    Só assim há confiança dos cidadãos, sejam eles oficiais de justiça ou não.
    Força sindicatos!

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  5. Obrigado a este blogue pela denuncia que faz diária!

    DGAJ NÃO NOS MERECE RESPSITO NENHUM! HAJA ALGUM JUIZ QUE SEJA JUIZ DE VERDADE E PONHA A DGAJ NO SITIO

    SINDICATOS, processos em tribunal SEMPRE!

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  6. Mais do que isso, denúncia pública: meios de comunicação social! Porque têm tanto medo?

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  7. Concordo. Continuo a achar que esta é a melhor via. Quanto mais não seja, o senhor do sindicato que gosta de escrever, ele que escreva ao senhor Marques Mendes a expor a situação, que de certeza ele abordará isso no seu espaço semanal, quer se goste ou não.

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  8. Ninguém anda distraído a trabalhar sim, pois há muitos que não sabem o que é trabalhar, quanto à sentença do movimento de 2021, só foi parcial se a querem executar, que o façam mas chega de conversa e espera-se mais ação.

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  9. Apoiadíssimo!

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  10. Bem acho que os sindicatos tem o rabo preso, também devem favores a Dgaj. Por isso os que trabalham é que se lixam. Alguns dirigentes escrevem palavras caras, mas não fazem nada por nós. Por isso a Dgaj faz o que quer. Acham que algum dirigente sindical tem coragem de denunciar na comunicação social, deseganem se, muitos deles beneficiam ou já beneficiaram de favores da Dgaj em determinados destacamento ect. se fosse para o fazerem já o tinham feito. Existe algo que os impede que ainda não percebi.

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  11. Pois acho que o colega deve estar cheio de razão! Infelizmente, é o que temos, só que isto não pode durar para sempre! Os OJ têm de tomar uma iniciativa concertada!

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  12. O SOJ foi legitimado, em plenário de trabalhadores, a desenvolver todas as ações necessárias, ao cumprimento das reivindicações aprovadas nesse plenário.

    Os prazos aí fixados, 1 e 15 de setembro não vão ser cumpridos.

    A DGAJ persiste e insiste em administrar os recursos humanos (Oficiais de Justiça) com regras similares ao do direito das coisas!

    O dever de permanência e de disponibilidade permanente, transformaram-nos em mobília!...




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  13. Queres lá ver que esse idiota do Marques Mendes, e seu inenarrável espaço semanal, que há muito deixei de ver, pois tenho voz e pensamento estruturado e autónomo para pensar pela minha cabeça e não pelos interessezinhos do senhor "eme-eme", que incluíram noutros tempos, mas não muito distantes, de prestar vassalagem no camarote presidencial ao senhor Vieira que, entretanto, passou a tóxico, agora resolve, como o Worten Resolve!
    São sinais dos tempos, o sindicalismo perdeu espaço, pelo menos em Portugal, não vêm o que fizeram aos nosso irmãos dos oficiais de registo? Novo estatuto mas que, todavia, não foi implementado e ali, há um mau estar latente, muito mais grave que nos tribunais, que tem a ver com funcionários da base provenientes dos notários que ganham mais que um ajudante que fez carreira unicamente nas conservatórias.
    Precisam-se de ações pensadas, refletidas e eficazes que possam fazer mossa na administração; agora dispensam-se certos tiques dos sindicatos como é aquele de dois ex-dirigentes do sindicato perto da aposentação praticamente ofereceram-lhe um lugar em exclusividade como vogal no COJ para não terem que aturar o difícil mundo dos tribunais ou então aquele caso que alguém aqui relatou de contratação de OJ para, pasme-se, assessoram os advogados do sindicato!

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  14. E quem foi movimentado? Os amigalhaços? Os do tacho? Poderemos acreditar em movimentos. Haja seriedade.

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