Os Oficiais de Justiça estão revoltados contra si próprios

      Assistimos diariamente – nas redes sociais e também aqui, nos comentários aos artigos –, a uma elevada expressão de desagrado para com os sindicatos que representam os Oficiais de Justiça.


      De ataque em ataque, cada um vai tentando desmotivar todos aqueles que pretende atingir, cavando trincheiras, de um lado e do outro, para guerrear uns contra os outros, como se fossem inimigos mútuos.


      A loucura chegou a tal ponto que os Oficiais de Justiça atacam-se mutuamente, erguendo todo o tipo de argumentos para responsabilizar os sindicatos, isto é, os seus colegas, pelos infortúnios da vida da carreira e, consequentemente, das suas próprias vidas.


      Ao mesmo tempo, apelam à união.


      E ao mesmo tempo atacam também todos os outros, mas seus colegas de profissão, apelidando-os de tudo e mais alguma coisa. Se se destacam, são lambe-botas, se não se destacam, são burros e malandros.


      O “outro” – aquele que está para além do “eu” – é sempre alvo de ataque, seja porque faz sol, seja porque não faz, por estar nublado.


      Mais de sete mil e quinhentos indivíduos e todos se dão – genericamente – mal, apesar das aparentes e hipócritas relações mútuas.


     Como é que se chegou a este estado de sítio?


      Com a carreira destruída, a culpa é de uns e de outros, menos própria, mas especialmente daqueles que não fazem greve ou daqueles que só fazem greves, de um ou de outro sindicato, ou de ambos ao mesmo tempo. Mas minha é que não é (diz cada um deles).


      Na verdade, o inimigo comum é o Governo – atual e do passado; de todos os passados. Mesmo quando os sindicatos conseguiram fazer inscrever normas nas leis da Assembleia da República, designadamente, nos orçamentos de Estado, para valorizar e resolver velhos problemas da carreira, sempre boicotou o Governo essas normas legais.


      Não há dúvida nenhuma que do outro lado da trincheira está o Governo e não o colega nem os colegas dos sindicatos.


      Passar o tempo todo a responsabilizar os sindicatos é insano.


      Os sindicatos que representam os Oficiais de Justiça são compostos por Oficiais de Justiça e não por extraterrestres. Passar o tempo todo a atribuir culpas aos elementos dos sindicatos é, para além de desgastante, errado.


      Já todos viram como ao longo dos últimos anos, especialmente desde quando os discursos de ódio passaram a inflamar as redes sociais, como foram surgindo fissuras na carreira.


      Tais fissuras são um perfeito prenúncio de desmoronamento.


      E o Governo aproveita-se dessas fissuras para ir dizendo que, de facto, o edifício tem que ir abaixo e tem que se construir algo novo, mas nem se dá ao trabalho de iniciar os trabalhos de demolição, porque são os próprios Oficiais de Justiça que se vão encarregando, cada vez mais, da sua auto demolição.


      Estas revoltas e estas lutas fratricidas, entre pares, são muito convenientes ao Governo.


      A carreira desmorona-se por vontade do Governo, é certo, mas também por falta de uma verdadeira união e solidariedade entre todos os mais de 7500 profissionais deste pais e de Macau.


      A carreira foi levada a um ponto de rutura; a um beco sem saída, que, tal como tantas outras empresas públicas que se destruíram para poderem ser vendidas à iniciativa privada e tornarem-se fonte de enormes lucros; esta carreira dos Oficiais de Justiça vem sendo destruída com a mesma tática. E a estratégia passa também pelo guerrear interno.


      Quer isto dizer que os Oficiais de Justiça, inadvertidamente, estão a trabalhar bem na contribuição da destruição da sua carreira, fazendo um bom jeito ao Governo, e preparando todos para a sensação de que qualquer tipo de proposta que seja apresentada, designadamente para o Estatuto, será bem-vinda, porque só deverá ser melhor do que tudo isto.


      A crença de que uma proposta boa para o Estatuto, será a panaceia para todos os males, é o engodo do Governo e, mais recentemente, o engodo dos próprios Oficiais de Justiça.


      Não há dúvida alguma de que os sindicatos – pontualmente – cometem alguns erros, lapsos e omissões (como toa a gente), mas isso não significa que devam ser cruxificados e apedrejados, significa apenas que precisam de ajuda; de toda a ajuda possível para poderem melhorar.


      As críticas têm que ser construtivas – não há problema nenhum que sejam negativas, bem pelo contrário, pois com elas se aprende sempre mais –, mas têm que ser construtivas, isto é, têm que apontar o dedo e, e simultâneo, aportar a justificação e a alternativa.


      Só com o fim da guerra interna é que poderá ser possível realizar uma operação especial de conquista, detendo uma verdadeira união e não a atual desunião.


      Repetimos: o inimigo dos Oficiais de Justiça não está no colega do lado, nem nos sindicatos, mas – claramente – no Governo e, portanto, é este o foco que deve ser prosseguido e mais nenhum; sob pena de se dar continuidade ao antijogo que vem sendo feito pelo Governo e seus colaboracionistas.


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Comentários

  1. Anónimo9/9/22 08:21

    Partilho com todos a última vergonha que aconteceu no Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa - Tribunal de Execução de Penas de Lisboa e Juízo Central Criminal de Lisboa:

    Ora, como todos sabem a Grande Comarca de Lisboa é actualmente gerida por um Meritíssimo Juiz Presidente que não tem ( ou à data do início destas funções não tinha o curso de Juiz Presidente ) e por uma Senhora Administradora que é Escrivã de Direito ( ou seja, nem Secretária de Justiça, nem Funcionária Judicial com curso de Administradora Judiciária.

    Acontece que recentemente, ou seja, nesta semana, estas duas pessoas que gerem o Grande Tribunal da Comarca de Lisboa, decidiram não colocar funcionários novos ( do movimento publicado no D.R. ) no T.E.P. de Lisboa e no J. Central Criminal de Lisboa.

    O que decidiram afinal ???

    Reorganizar as secções de processos, de modo a que conseguiram criar na presente semana uma enorme confusão, quer nos Senhores Juízes de Direito quer nos Senhores Funcionários, pois actualmente ninguém sabe para onde vai ninguém...

    Para não falar da secção de recuperação que esta gestão de comarca quer criar, e por mais bizarro que pareça, quer criar tal secção com os funcionários mais novos, ou seja, está o caos montado por completo.

    Em vez de dar oportunidade de escolha, sondarem as pessoas para ver se se oferecem a prestar tal serviço ( de recuperação ), por exemplo os funcionários mais antigos que devem ser os mais desgastados, não, qual quê ... são os funcionários mais novos, que por sinal são os que estão mais aptos a realizar Audiências de Julgamento, por exemplo, entre outras tarefas ( sem desvalorizar ninguém, atenção ) que irão para tal secção de recuperação...

    Contudo, vão desfazer secções ( algumas que actualmente até funcionam bem ) reduzir o número de funcionários por secção, não dar opção de escolha às pessoas, nem apresentar os devidos fundamentos, e o mais grave de tudo, mudar pessoas de sítios ( que não são objectos ! ) sem a vontade ou o consentimento destas.

    Como pode ser tal Comarca governada deste jeito ?

    Como é que o Senhor Juiz Presidente pode dar-se ao luxo de dar entrevistas na comunicação social a dizer que a Comarca de Lisboa não tem funcionários, para depois reduzir secções e " gastar funcionários " a criar secções de recuperação ( que por vezes não recuperam é nada, como casos já acontecidos ) ?

    Por isso, partilho a recente história da Grande Comarca de Lisboa e a grande indignação de grande parte dos Funcionários Judiciais dos Tribunais identificados.

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  2. Anónimo9/9/22 09:03

    Oh colega do primeiro comentário. Todos os tribunais já estão a passar por isso. Revolta obrigarem nos a trabalharmos mais do que já fazemos. Existem secções com com dois juízes e um procurador e apenas existe um auxiliar. O auxiliar tem de se desdobrar para fazer as diligências que são marcadas, não se importam quem faz e ainda nos pedem para ficarmos mais um pouco para acabar umas alegações que podem demorar mais de uma hora, ou um depoimento de uma testemunha. A realidade é esta falta sempre senhores juízes.oficiais de justiça nem se fala neles. Apenas servem para clicar em botões, foi esta imagem que deu a anterior ministra. Quanto ao assunto de hoje tenho a dizer que os sindicatos nao são partidos políticos e os seus dirigentes não devem só pensar em andar a caça de associados e se atropelarem uns aos outros. O Governo está a espera que um dos sindicatos passe a perna ao outro. É de salientar que nós somos culpados, fomos brandos durante anos.

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  3. Anónimo9/9/22 09:03

    Bom dia, Tem toda a razão o autor do artigo de hoje. E por isso peço uma reflexão a todos...
    É inegável que o presente blogue tem-se pautado ao longo dos anos por uma atuação muito cuidadosa na escolha dos temas, procurando elucidar os oficiais de justiça sobre as várias problemáticas que interessam à classe, mas sem retirar o mérito ao papel importantíssimo dos sindicatos, os quais têm tutela própria na CRP, apresentando, tanto quanto possível, as versões dos dois sindicatos, mas sem deixar de dar a sua própria interpretação sobre as várias problemáticas que interessam à classe.
    No entanto, e não se trata dos oficiais de justiça que frequentam o blogue, mas sim daqueles infatigáveis colegas que todos os dias comentam a propósito de tudo e de todos e que insultam gratuitamente a DGAJ, os sindicatos, os magistrados, os advogados, esse chato do público que não é solidário com a velha luta dos oficiais de justiça e até dos colegas que têm visões diferentes e que, por exemplo, decidiram não aderir à greve. E é particularmente confrangedor ver o espírito do insultante, do canalha, enfim, de um certo calimero que acha que todas as classes conseguem tudo e, coitaditos dos oficiais de justiça, são vítimas das maiores injustiças por parte da administração que não quer saber das suas reivindicações. Ora, pergunto a esses e a todos os outros, que classe profissional teve algum ganho nos tempos nos últimos anos com greves ou ações de luta similares? Por exemplo, os guardas prisionais que andam com uma greve há anos, e anuncia-se mais uma para os próximos dias, o que têm conseguido? E os Oficiais do Registo das Conservatórias idem; os professores igual; perguntem aos trabalhadores da administração pública o que têm conseguido com as inenarráveis greves de um certo sindicato partidário que todos os anos se decide pela greve com deslocações para a manifestação na capital? Donde, o que é preciso é inventar um novo sindicalismo, pois as formas de luta que os sindicatos lançam mão estão eivadas de métodos caducos que, sim, pararam no tempo, são estéreis e nada eficazes e, colegas, se pensam que é com mais greves que fazem dobrar a administração estão muito enganados, ou então, a greve destina-se apenas a poderem faltar justificadamente!
    A continuar assim, o blogue vai continuar a ser sério e competente, mas aquilo que provavelmente lhe esteve na génese, contar com o contributo dos colegas, vai-se transformando num depositário das queixas e queixinhas dos colegas (há uns anos participei em ação sindical e para perceberem como é difícil o sindicalismo, um colega que estava próximo da aposentação dirigiu-se a nós e questionou-nos porque é o sindicato não defendia que os oficiais de justiças deviam continuar a ter, por inerência, o manifesto de uso e porte de arma gratuito? Conhecem certamente aquela aforisma popular que diz “Cada cabeça sua sentença”) uma espécie de mural da descarga emocional.
    Já sei que levar pancada dos insultantes, dos canalhas; mas amigos, a mim não me ofende quem quer, mas quem eu quero!

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  4. Anónimo9/9/22 09:08

    Resumindo:
    Muitos parabéns aos dois sindicatos (quando se dava na cabeça só de um ainda vá lá) pelo brilhante trabalho que têm vindo a desenvolver, cujo frutos nos tem melhorado em muito a vida e a maneira como a tutela nos tem tratado.
    Sem mais, não vale mesmo a pena.

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  5. Anónimo9/9/22 10:10

    Afinal está tudo bem na justiça e estas coisas que nos acontecem são normais porque acontecem com os outros também e assim por assim contentemo-nos com o que temos que já não está mal!?
    Mas então, se é assim, para que serve a atividade sindical se é inócua. Porque se refletirmos bem, quando outras carreiras virem satisfeitas as suas pretensões as nossas também o serão por arrastamento, nesta lógica de pensamento.
    Não me parece que seja assim, mas compreendo e obviamente aceito que se pense desta forma em que os sindicatos são apenas um figurante e já não uma forma de pressão e de controlo.
    Há coisas na nossa luta que não contendem apenas com mais dinheiro no bolso. Veja-se a questão do trabalho fora de horas que, por exemplo, são e foram pagas noutras carreiras. Lembro o caso atual da saúde, mas também recentemente, já no último período de Covid, nas Lojas de Cidadão compensando monetariamente os funcionários para recuperação do serviço atrasado, na informatização das inscrições nas Finanças há alguns anos, e por aí fora.
    Quando se diz que outras carreiras lutam e não têm nada é simplesmente inverdade, veja-se o caso dos funcionários das finanças no que respeita à carreira remuneratória e até o caso da CP que no passado recente negociou melhorias salariais na ordem dos 90/100 euros e desde maio anuncia greves três dias por semana.
    Dizer que a luta nas Conservatórias acontece também por causa das diferenças salarias entre pessoas que fazem a mesma coisa e é na ordem do(s) milhar(es) de euros.
    Mas até nestes serviços foi reconhecida a importância da qualificação dos quadros exigindo-se agora licenciatura no ingresso.

    Compreendo que quem tenha dado tudo se si fique frustrado com as críticas que lhe são feitas, muitas se calhar injustamente e aqui também me penitencio por o ter feito também, mas há que assumir o que foi feito e também o que não foi feito.
    Bem sei que as lutas nos tribunais são constantes, com inúmeras ações propostas, mas até nisto a atuação é inócua nos seus resultados.

    É preciso convencer quem nos governa e esse exercício de convencimento, começa primeiro por chamar a atenção e depois por sugerir a resolução dos problemas. E se alguém não se levantar do lugar para os ir resolver e fica sentado à espera que sejam resolvidos por si então isto só pode correr mal.

    Não temos de ter visibilidade pública nos noticiários para vermos satisfeitas as nossas reivindicações, apenas temos de convencer a tutela de que elas são legítimas e justas, influenciar positivamente quem tem o poder de decidir.

    É imperioso pedir honestidade intelectual a quem nos superentende e exigir verdade na resposta às nossas satisfações.

    É imperioso resolver o imbróglio criado com o concurso a secretários e aprovar o nosso estatuto para que possa acontecer promoções e novos ingressos, pois sem isso temo que que ficará tudo na mesma por mais algum tempo e o tempo é a nossa medida da vida, não se recupera.












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  6. Anónimo9/9/22 10:35

    Onde é que anda o fundo da greve do SFJ??
    Tinha um nome engraçado, salvo erro era o FISGA.
    Durante anos, vários colegas falaram nisso.

    Já estava a ser criado, ia ser criado, era a próxima bomba atómica etc, etc.

    Ficou na gaveta.

    Primeiro, o problema era sermos chamados de mercenários.
    Cheguei a ver colegas a defenderem que era preciso mostrar à administração que o dinheiro nos saia do bolso mas que quando se acredita na luta não faz diferença.

    Depois, era a parte logística, como é que se pagava e como se controlava quem tinha direito a receber.
    Quem é que ia controlar a coisa e tal e tal.

    Mas... havia dinheiro??
    Parece que sim, um milhão e tal de euros em depósitos bancários.

    Então quer dizer que se podia fazer greve durante uma semana.
    Sim, mas parecia mal e depois eramos a classe que andava a mamar do sindicato para fazer greves.

    É melhor sermos assim, fofinhos e entalados.


    Já estava a ser criado, ia ser criado, era a próxima bomba atómica etc, etc.

    Paciência, pelo menos há dinheiro para as próximas 300 festas de Natal...

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  7. Anónimo9/9/22 10:38



    Perguntem ao SR. Fernando Jorge o que fêz pela carreira ao longo de 20 ou 30 anos

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  8. Anónimo9/9/22 10:42



    Pelos vistos ficou ofendido!

    e, já agora, dê alternativas para formas de luta, quando a tutela

    não dialoga! vá lá dê alternativas e não fique ofendido!

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  9. Anónimo9/9/22 10:48



    E como se pede a honestidade intelectual a quem nos superentende e exigir verdade, como refere?

    Pedir a quem não tem palavra? a quem é ditador?

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  10. Anónimo9/9/22 10:50




    LUTA DURA! CONTRA QUEM NÃO QUER OUVIR NINGUÉM!

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  11. Anónimo9/9/22 11:06

    Faz muito bem em partilhar e sinalizar a situação. Este espaço pode servir, também, para isso, para chamar os bois pelos nomes.

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  12. Anónimo9/9/22 11:10

    Colegas: É costume dizer-se que o desenvolvimento de um povo se vê pela forma como trata os seus animais. Penso que no caso do nosso país, felizmente e de uma maneira geral, os animais já têm o tratamento e os direitos que merecem.
    Outra forma de ver o desenvolvimento de um povo, será, na minha opinião, a forma como os cidadãos exigem justiça, e que a mesma funcione efectivamente, de forma rápida, acessível, independente e humana. Ora, sejamos realistas, para a maioria dos cidadãos, e consequentemente para os politicos que nos governam e por nós escolhidos, a justiça, não interessa RIGOROSAMENTE NADA, NADA! Os cidadãos sabem ou assim lhes querem fazer crer que quando interpõem um processo em Tribunal, vão ter despesas, incómodos e sobretudo aguardar anos e anos até terem uma decisão, isto além de desconfiarem, naturalmente, da justeza das decisões, depois de ouvirem os casos de juizes que se vendem por uns bilhetes para a bola, ou uns desembargadores que dão acordãos a pedido, além daqueles magistrados que vivem numa realidade muito própria, paralela à nossa, isolados do povo e dos seus reais problemas e que se limitam cegamente a aplicar os códigos, sempre criados por uns iluminados cuja vida se desenrolou no aconchego e protecção das universidades e que sempre foram tratados por e como doutores, sem nunca terem sequer posto os pés num Tribunal (sendo a actual Ministra da Justiça, um exemplo paradigmático). Posto isto, colegas, por muitas greves que sejam marcadas e feitas, NADA, mas NADA mesmo vai mudar, para melhor, obviamente! O que interessa a um cidadão que o seu processo pare por 2 dias, uma semana ou um mês se ele já está convencido à partida que o mesmo vai durar anos? O que é que interessa a justiça,quando o povo está intoxicado com dezenas de programas sobre futebol, com a guerra na Ucrânia, com o covid, com a troika, com a falta de médicos e urgências encerradas(sempre, sempre, sempre nos hospitais do sul) e hoje e nos próximos meses com a morte da rainha de Inglaterra ? Não interessa para nada e por isso e enquanto não formos civilizados o suficiente para nos preocuparmos e exigirmos a justiça própria de um país realmente evoluído, nunca nada irá mudar (pelo menos para melhor). Lamento dizer e sobretudo pensar isto, mas se hoje fosse jovem e no inicio da minha vida profissional, e por muito que ame realmente o meu país (e amo mesmo) teria emigrado para um país realmente civilizado, talvez para a Islândia ou outro país nórdico) e lamento muito que a minha filha não o faça, com imenso desgosto meu...Estou farto dos Costas, das selfies e beijinhos dos Marcelos, da petulância das manas Mortáguas, do extremista falhado Ventura, da cassete riscada e anacronismo do camarada Jerónimo, do ar belfo do Montenegro...sempre, sempre, sempre os mesmos, seja na politica seja como administradores não executivos ( o que é isso???) na TAP, na EDP, na CGD, na Petrogal...
    E chega! Desculpem o desabafo!

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  13. Anónimo9/9/22 11:36


    "a classe que andava a mamar do sindicato"

    Como assim? O sindicato tem algum rendimento para além das quotas dos sócios?


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  14. Anónimo9/9/22 11:54



    Olhem com olhos de ver para a greve dos Guardas Prisionais:

    GREVE AO SERVIÇO DE DILIGÊNCIAS

    Parece-me a solução ideal...



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  15. Anónimo9/9/22 12:29

    De acordo com o artigo, pois os O.J. estando a responsabilizar os sindicatos, só estāo a tentar desresponsabilizar-se cada um por si, pelos mais variados motivos, muitos porque preferem ficar quietinhos, no seu cantinho, do tipo " deixem-me trabalhar ", tenho muitas atas para fazer, ficam fora do horário, não tendo força de decisão para saír à hora.
    Os tais que dizem às pessoas que a decisão aguarda o "trânsito".
    Os Sindicatos nāo terão alcançado nos tempos que correm o que se pretende mas imagine-se, se fossem extintos, aquilo que se teria conseguido!
    Muitos (não os que entraram mais recentemente) dos que falam contra, estāo apenas a "cuspir no prato onde comeram".
    Haja noção!

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  16. Anónimo9/9/22 13:10

    Digam-me o que a dama fazer ou o que está a ser feito na sequência da greve e da falta de qualquer resposta. Será que a greve foi mesmo para determinadas pessoas prolongarem as férias e não foi séria nos seus propósitos? Temo que seja essa a msg que passa! De facto deveria ter sido anunciada uma nova greve mas talvez lá para outubro para a altura das "pontes" assim não se vai a lado algum.
    Oxalá me engane mas no próximo OE2024, se é que importa, nada vai constar.
    Então se assim for não haverá solução para este marasmo? Claro que sim, é paralisar os serviços até que percebam que existimos e temos direitos.

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  17. Anónimo9/9/22 13:37

    Não acho que seja assim, repare que "todos berram" e os que o fazem melhor são os que são considerados.

    Por isso nem todos os líderes são como caracteriza, apenas precisam, por vezes, de lhes ser lembrado o lugar que ocupam para não caírem abruptamente da cadeira como já aconteceu por cá há cerca de 50 anos.

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  18. Anónimo9/9/22 13:44



    então para si, luta dura, não vale a pena?

    deixe-se ficar como está que está bem

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  19. Anónimo9/9/22 13:46



    Luta dura! até governantes perceberem que OJ´s são precisos!

    CONTRA OS DITADORES QUE TEMOS

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  20. Anónimo9/9/22 13:47

    Compreendo as suas palavras que me parecem sentidas e isso significa que efetivamente luta por todos.
    Mas repare e atente a que os melhores amigos são os que os dizem as verdades e aquilo que pensam, por vezes magoa é certo, mas só assim crescemos na vida.
    Não se deixe iludir por falsas amizades e bajulações despropositadas, pois a realidade dos factos é triste e dá razão à crítica.
    Aceitar as criticas não quer dizer que lhes dê razão, mas apenas que o caminho a seguir poderá não ser aquele que se perfilhava e então "mudarmos de vida".
    Ocupar-se um lugar nobre (como o que ocupará) e tão digno, exige também que sejamos dignos dele o que implica aceitar as suas adversidades (tudo o que tem de bom e de mau) e seguir em frente.

    A vida exige-nos responsabilidade e isso implica também decisões conscientes a cada momento.

    Resumindo os verdadeiros amigos são os que nos dizer e falam com verdade e sem palavrinhas mansas, estas são usadas quando nos querem ... tramar.

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  21. Anónimo9/9/22 13:56

    Não disse para não lutarmos, disse exatamente o seu contrário, nas suas palavras que que percebi resignação, mas estava errado vejo agora.
    Claro que concordo e comungo com a indignação do colega, e é precisamente a luta que defendo.
    E pode ver/ ler tal coisa noutros comentários que fiz a esta e outras publicações.

    No comentário que fiz e a que respondeu alerto para o facto de muito do que se passa atualmente (falta de promoções e novos ingressos) deve-se ao facto dos sindicatos contentarem-se com a desistência do projeto de estatuto anteriormente apresentado - e bem, porque era muito mau - mas não exigirem outro que correspondesse as expetativas de todos.

    Foi criado um imbróglio que só está a atravancar ula solução que a acontecer já não será do agrado de todos tal é o imbróglio...

    Agradeço a sinceridade das suas palavras.

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  22. Anónimo9/9/22 14:05

    Compreendo as suas palavras e concordo que os sindicatos são precisos são até essenciais.
    Mas isso não quer dizer que a sua atuação esteja imune a crítica.
    Vamos lá a perceber as frustrações de todos e com sensatez aceitar que nem tudo correu bem, aliás tudo correu mal. Nenhuma das promessas aventadas foi conseguida.

    Quando mudou o governo há uns anos atrás, vi nos corredores dos tribunais contentamento, e eu não me excluo do grupo, porque pensava-se que mais tarde ou mais cedo iriam olhar para os problemas da justiça.
    Acontece que os responsáveis eram magistrados e olharam precisamente para os seus problemas confundindo-os com os da justiça, que eram bem maiores.

    Todos nós nos enganamos e isso não é vergonha nenhuma, vergonha é não assumir o erro ou o engano.

    Não nos podemos voltar a enganar ou mantermo-nos em erro, é preciso mudar de atitude.

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  23. Anónimo9/9/22 14:11

    Deixemo-nos de preocupar tanto por quem não faz greve, independentemente dos motivos, e foquemo-nos naqueles que sentem diariamente na pele o estado dos serviços e a precariedade no trabalho lutando contra as adversidades e ainda têm força para lutar pelos direitos de todos!

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  24. Anónimo9/9/22 14:35

    Consulte os milhões de euros, a fundo perdido, para formação, inexistente. Basta consultar os apoios concedidos. Mas será que conhecer a realidade interessa a todos? Interessará a quem mama
    centenas ou milhares de euros, todos os meses? Unidos somos mais fortes. Lol

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  25. Anónimo9/9/22 17:44

    Diz o ditado popular que "até ao lavar dos cestos é vindima".
    Ora a acreditar que assim é e o povo é sábio, estando em cogitação o novo estatuto e o OE para 2023, ambos já em elaboração segundo noticiado (tendo sido já iniciada a concertação social), é altura de nos afirmarmos, nas nossas reivindicações, e não ficar simplesmente à espera do que vier a ser decidido.
    Com este Governo está visto que quando decide fica assente o decidido sem inversão das suas políticas seguidas mesmo que estejam comprovadamente erradas.
    Para evitar mais ações judiciais e mais imbróglios jurídicos que só nos dão má fama (como é que na casa da justiça os protagonistas da mesma - na sua gestão - não se entendem).
    Sejamos nós também honestos - muitos de nós acha que o Estado vai continuar com as progressões automáticas de escalão sem criar um tampão para as mesmas.
    Para o Estado/MJ/DGAJ o novo Estatuto impõe-se como tamponamento da despesas, não tenhamos ilusões.
    Se assim não fosse a questão já estaria maturada o suficiente para fazer brotar uma solução de agrado a todos - a tutela e os OJ.
    É que o novo EFJ resolverá tudo: a questão dos concursos a escrivão e secretários; os novos ingressos, as promoções e até possibilitará colocar um "tampão" nas progressões automáticas.

    Daí que para muitos de nós, talvez os mais velhos e se calhar também os mais ociosos, prefiram que tudo fique como está pois estão perto da reforma e sempre são melhorados os seus vencimentos de 3 em 3 anos.

    É tudo uma falácia - até a rainha de Inglaterra soube adaptar-se aos novos tempos e foram muitas as modas de época a que sobreviveu, apenas porque se atualizou!

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  26. Anónimo9/9/22 19:47

    Plenário de trabalhadores dia 4 de maio e greve dias 6 e 7 de outubro.

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  27. Anónimo9/9/22 20:10

    Comunicado do SFJ de 2 de setembro:

    "....A justiça para funcionar não é com medidas paliativas sendo que esta greve demonstra uma vontade inequívoca dos trabalhadores de verem cumpridas as promessas votadas na AR, razão que impele o Sindicato dos Funcionários Judiciais em apresentar UM CADERNO REINVIDICATIVO à Ministra da Justiça, com conhecimento às seguintes entidades:

    – ao Presidente da República,

    – ao Presidente da Assembleia da República

    – aos Grupos Parlamentares

    – ao Conselho Superior da Magistratura

    – ao Conselho Superior do Ministério Público

    – ao Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais

    – à Procuradoria Geral da República

    – à Provedora da justiça.

    O Presidente do SFJ

    António Marçal"


    Alguém me sabe dizer se o caderno reivindicativo já é conhecido ou se já foi apresentado?...

    É que esta matéria é muito urgente, pois aproxima-se o prazo para o governo apresentar no Parlamento o projecto da Lei do Orçamento para o ano de 2023.

    Falta pouco mais de um mês!..

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  28. Anónimo9/9/22 20:47

    Tanta sapiência carrega o burro mal amanhado. Os tais colegas mais antigos estão, com raras excepções, no ultimo escalão e não beneficiam desta regra. Abra os olhos, seja sério, e alivie um pouco a canga. Vai ver que melhora...

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  29. Anónimo9/9/22 21:11

    Concentremo-nos no essencial.

    A proposta de lei do Orçamento do Estado para o ano económico seguinte deve ser apresentada à Assembleia da República, até 10 de outubro de cada ano.

    A ação reivindicativa e o processo de luta têm que ser ampliados nos próximos dias para que sejam objeto de discussão pública e política no âmbito da discussão parlamentar para aprovação da Lei do Orçamento de Estado para 2023.

    Andamos todos distraídos a "colocar papelinhos no muro das lamentações" enquanto que o calendário político/legislativo não pára!

    "A caravana" não pode, mais uma vez, chegar atrasada!...

    O SOJ e SFJ estão legitimados pela classe profissional que representam para intensificarem as ações de luta e desta vez não podem falhar!...

    Plenário conjunto de trabalhadores dia 4 de outubro e greve dias 6 e 7 de outubro.

    O relógio não pára e 10 de outubro está aí!.....

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  30. D.Santos9/9/22 21:54

    Além das entidades que constam do comunicado do SFJ de 2 de setembro, também o gabinete do 1° Ministro devia ser informado de tudo o que as M.J. bem como o M. Finanças, têm negado aos O.J. apesar de a A.R. ter aprovado recomendações ao Governo .
    Costa não deve estar a par de tudo o que se vai passando no M.Justiça, dado "não poder estar em todas" .
    E tal como no caso dos 2 aeroportos anunciados pelo Ministro, quando nem 1 estava decidido, também aqui o nosso Primeiro Ministro tem uma palavra.
    É que, sendo ambas as Ministras da casa, sabendo os seus problemas, mantém a casa com os mesmos problemas de há muitos anos, que já cansam até os mais pacientes!

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  31. Anónimo9/9/22 22:10

    ASFIC - Polícia Judiciária:

    "....Se algum dia os poucos benefícios que temos na PJ acabarem, ficaremos bem. Deixamos de interromper fins de semana ou as férias com a família e deixamos de trabalhar fora de horas em processos importantes. Teremos mais tempo para aproveitar o sol de fim de tarde numa esplanada com os nossos amigos. Bem vistas as coisas, ficaremos sempre bem! "

    Os Oficiais de Justiça, apesar de não disporem desses poucos benefícios, não estão bem!...


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  32. Anónimo9/9/22 23:26

    A ladainha da greve e plenário já cansa, deve ter marcado viagem de férias e quer justificação... mete atestado que fazes as férias na mesma.

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  33. Das duas uma ou é já velho na idade ou é solidário com os ociosos de que falei. O colega juntou os dois na mesma pessoa coisa que eu não fiz. Na verdade quem está pertinho da aposentação está cansado disto e o assunto pouco lhe interessa. Os ociosos de que falo beneficiaram de promoções só por terem tido essa oportunidade,coisa que agora não temos, e a maioria contenta-se com a referida progressão por escalões e espera pela aposentação. Isto é o que vejo nos tribunais. Desculpe se o colega vive outra realidade e acredito que seja o caso mas eu convivo com outra.

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  34. Dizer também que a ociosidade a que me refiro é a da luta sindical e não outra como,parece-me, terá compreendido.
    Também não é preciso destratar o burro que não têm culpa dos idiotas que o carregam. Fique-se por si ... Vá á bola propalar impropérios se isso lhe faz bem.

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  35. Um comentário "acéfalo" desprovido de um qualquer pensamento crítico!..

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