As Greves Cirúrgicas de 04 e 06OUT

      Amanhã de manhã ocorre o primeiro período da greve cirúrgica voltada para os locais onde há mais diligências agendadas: os núcleos de Porto, Lisboa e Ponta Delgada. A greve decorre entre as 09H00 e as 12H30.


      Todos os Oficiais de Justiça (nesses núcleos) podem aderir a esta greve e, ainda que não seja logo às 09H00, porque se esqueceram que a greve estava marcada, pode ser a qualquer hora: às 09H30, às 10H15, às 11H10, etc.


      O Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ) publicou alguns esclarecimentos, em forma de perguntas e respostas, relativamente à greve que vão a seguir reproduzidos.


      «As greves vão realizar-se quando e em que períodos?


      Dia 4 de outubro, das 09h00 às 12h30 e dia 6 de outubro, das 13h30 às 17h00.


      Estas duas greves vão abranger todos os Oficiais de Justiça?


      Nestas duas não, mas no modelo todos serão “convocados”, pois o esforço deve ser de todos. Nestas duas greves, até por se tratar de greves cirúrgicas, que implicam maior precisão e complexidade, só são “convocados”, no dia 4 de outubro – pela dimensão dos núcleos envolvidos, houve necessidade de maior precisão –, todos os colegas colocados nos tribunais judiciais do Porto, Lisboa e Ponta Delgada (estão agendadas, para esse dia e nesses tribunais, dezenas de diligências nas áreas de família e menores, criminal, cível e trabalho, perfazendo um total de quase 300 processos e abrangendo mais de mil pessoas – individuais e coletivas).


      A segunda greve, dia 6 de outubro, compreendidas as razões da greve, afastou-se alguma minúcia e, assim, abrange os núcleos de Coimbra, Funchal e Almada.


      Os DIAP, por exemplo, por não constarem da plataforma CITIUS ficam de fora?


      Não, ninguém vai ficar de fora de um esforço que é de todos. Aliás, esses colegas participam nesta fase inicial. As agendas nesses serviços, como todos sabemos, não são públicas. Contudo, é possível conhecer o número de diligências que não se realizaram, por força da paralisação dos colegas aí colocados. Diligências que, pese embora não tenham um nome associado publicamente, representam pessoas e são pessoas que, reiteramos, têm as suas vidas adiadas por força da paralisação, que nos é imposta pelo Governo.


      Por outro lado, com greves cirúrgicas, “convocando” os colegas todos, em rotatividade, é possível estabelecer uma agenda de luta que poderá durar meses, com menos esforço, em termos financeiros, para cada um de nós.


      Por que razão se optou por este modelo de greves, cirúrgicas, depois da forte adesão a uma greve de 2 dias?


      Uma greve de 2 dias, como a que ocorreu recentemente, tem um impacto muito grande no orçamento familiar de cada um de nós e isso tem de ser, sempre, considerado. Igualmente relevante, é que nas últimas greves o foco tem sido colocado nos números da adesão. Os Oficiais de Justiça, até internamente, têm vindo a discutir mais os números da adesão do que os efeitos que a paralisação causa na sociedade. Temos desviar esse “foco”, para outro, que são os efeitos das paralisações na vida das pessoas.


      Este modelo de greves pode mudar esse “foco”, captar a atenção para os efeitos da greve?


      Sim. Reparemos no seguinte: quando o SOJ informa a comunicação social de que a paralisação dos Oficiais de Justiça não terá a dimensão de anteriores paralisações, por estratégia, e que a ação está circunscrita a 3 tribunais ou núcleos por dia, determinados em função dos agendamentos que constam da plataforma Citius, está a “conduzir” a atenção da comunicação social para essa plataforma.


      Nessa plataforma não constam só os números dos processos, mas também o nome das partes, o nome dos diversos intervenientes. São pessoas e empresas, com maior ou menor notoriedade e que têm as suas vidas adiadas, porque o Governo não nos dá condições.


      A perceção pública de que as paralisações impactam com a vida das pessoas, poderá levar o Governo mudar a sua atuação?


      Sim, as pessoas ao percecionarem esta nova realidade, pois têm de deixar de ver a justiça de forma abstrata, passam a pressionar também o Governo, colocando-se ao nosso lado, numa busca pelas condições necessárias à realização da justiça.


      É importante, para todos, que os colegas que agora estão a ser chamados a este esforço, entendam as razões destas greves e assumam, como têm assumido, as suas responsabilidades.


      Dia 4 de outubro, das 09h30 às 12h30, há que paralisar = Núcleos: Porto, Lisboa e Ponta Delgada.


      Dia 6 de outubro, das 13h30 às 17h00, há que paralisar = Núcleos: Coimbra, Funchal e Almada.»


      Por fim, referir ainda que para estas greves não há nenhum tipo de serviço mínimo, pelo que não há nenhuma diligência, por mais urgente que seja, que deva ser realizada.


MurroNaMesa2Punhos.jpg


      Fontes: "SOJ-Info", “Aviso Prévio de Greve para a manhã de 04OUT” e “Aviso Prévio de Greve para a tarde de 06OUT”.

Comentários

  1. SFJ

    "NOTA – BALANÇO DA GREVE
    02/09/2022 | Destaques, Informação Sindical

    Como é de conhecimento público, os dois Sindicatos que representam os Trabalhadores da Justiça (SFJ e SOJ) marcaram uma greve inédita, para os dias 1 e 2 de setembro, que decorreu, chegando o momento para refletir sobre os dados da mesma.

    Infelizmente, o balanço da greve é demonstrativo do clima vivenciado nos Tribunais, destapando as suas fragilidades e as suas entropias.

    O dia 1 de setembro, mesmo com serviços mínimos, paralisou alguns serviços, apenas ficando a funcionar os juízos que estavam incumbidos do serviço urgente, tendo os números da greve revelado uma adesão que se cifra 90%.

    No dia 2 de setembro, os números são ainda mais avassaladores. A não imposição ou indicação dos serviços mínimos desencadeou o encerramento de muitos tribunais em todo o território nacional e ilhas.

    Os números são massivos, demonstrando de forma inequívoca o descontentamento de uma classe profissional que se sente indignada e desprezada pela tutela.

    Este clima de crispação entre o MJ, Administração e os trabalhadores da justiça tem vindo a agudizar-se provocando situações de rutura em alguns juízos, quando os nossos decisores obsessivamente focados no deficit, não apostam na valorização dos nossos profissionais, nomeadamente promovendo a abertura de novos ingressos bem como dignificar e motivar os que já cá estão, permitindo que progridam nesta carreira.

    Esta retoma dos Tribunais pós-férias judiciais provou, mais uma vez, que o sistema judiciário está doente, maleita que, neste momento, só pode ser tratada passando pelo cumprimento do caderno reivindicativo que passará pelo preenchimento dos lugares vagos, abertura de concursos para as categorias de escrivão adjunto e técnico de justiça adjunto, escrivão de direito, técnicos de justiça principal e secretários de justiça, regulamentação do regime de pré-aposentação, um regime diferenciado de aposentação e a integração do famigerado subsídio de recuperação processual que nos foi prometido no ano de 1999, quando o nosso atual primeiro ministro detinha a pasta da Justiça.

    Esta paralisação reflete o estado dos nossos serviços: uma falta gritante de profissionais, remunerações baixas, falta de formação ou inadequação da mesma e a falta de apresentação de um estatuto sócio profissional que reflita e recoloque estes profissionais no patamar que merecem.

    A justiça para funcionar não é com medidas paliativas sendo que esta greve demonstra uma vontade inequívoca dos trabalhadores de verem cumpridas as promessas votadas na AR, razão que impele o Sindicato dos Funcionários Judiciais em apresentar UM CADERNO REINVIDICATIVO à Ministra da Justiça, com conhecimento às seguintes entidades:

    – ao Presidente da República,

    – ao Presidente da Assembleia da República

    – aos Grupos Parlamentares

    – ao Conselho Superior da Magistratura

    – ao Conselho Superior do Ministério Público

    – ao Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais

    – à Procuradoria Geral da República

    – à Provedora da justiça.

    O Presidente do SFJ

    António Marçal "

    CONTINUAMOS A ESPERA!..

    Prometeram apresentar um caderno reivindicativo ao MJ com conhecimento às entidades acima referidas e, surpreendentemente, o que nos apresentaram foi mais um inquérito para preencher!...




    ResponderEliminar

Enviar um comentário