"O que aqui está não chega"

      Decorreu hoje uma reunião da negociação suplementar do processo negocial antes encerrado, conforme já aqui havíamos anunciado, nada sendo alcançado nesta reunião, designadamente, para a carreira especial que aqui nos interessa.


      No final da reunião, com a ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva, e com a secretária de Estado da Administração Publica, Inês Ramires, realizada em Lisboa, ao abrigo da negociação suplementar pedida pelos sindicatos da função pública, o secretário-geral da Federação de Sindicatos da Administração Pública (FESAP), José Abraão – acompanhado do presidente do Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ), Carlos Almeida, voltou a considerar insuficiente a proposta do Governo de valorização salarial, mas manifestou expectativa de que possa ainda haver melhorias.


      "Os aumentos salariais [propostos] são insuficientes", disse o dirigente sindical, salientando que não considera que a negociação esteja ainda fechada e que até à aprovação da proposta do Orçamento do Estado para 2023 (OE2023) vão "insistir e negociar seja nesta sede [com o Governo] seja junto dos partidos políticos na expectativa de que se possa melhorar".


      Para a FESAP, os aumentos salariais (entre 8% e 2% com a garantia de um mínimo de 52 euros) para 2023 não estão, assim, ainda fechados até porque, sublinhou o dirigente sindical, "não se percebe" o motivo dos 2% (para salários brutos acima dos 2.700 euros), tendo em conta a inflação prevista para este ano e para o próximo.


      A proposta do Governo para a atualização salarial aponta para uma lógica plurianual, prevendo ainda uma valorização das carreiras gerais de técnico superior, assistente técnico e assistente operacional, nomeadamente a atribuição de um “bónus” de 52 euros aos técnicos superiores até ao final da legislatura, além dos aumentos salariais anuais previstos.


      No final da reunião de hoje, a ministra da Presidência adiantou que o Governo propôs aos sindicatos que esta valorização de 52 euros pudesse ser feita em dois anos em vez dos quatro inicialmente propostos, afirmando que o novo desenho será ainda negociado com os sindicatos.


      Recorde-se que, na semana passada, o Governo já tinha admitido antecipar para janeiro de 2023 estes bónus, no caso dos técnicos superiores das 3.ª e 4.ª posições remuneratórias.


      Sobre a nova proposta, José Abraão afirmou que os sindicatos vão agora "refletir" sobre ela, prometendo uma tomada de posição para a próxima semana, mas deixando já o aviso: "O que aqui está não chega".


      Além da vertente remuneratória, a FESAP salienta haver no "chapéu" da negociação um conjunto de matérias relevantes, nomeadamente a revisão do sistema de avaliação de desempenho (SIADAP) ou a revisão das carreiras especiais.


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      Fonte: "RTP".

Comentários

  1. Não consigo perceber como é que a espuma dos dias se esvai sem que ninguém se preocupe com o que acontece nos tribunais. Estão a acontecer participações por atrasos processuais decorrentes da escassez de recursos humanos, como se fôssemos obrigados a compensa-los.
    O projeto está aí, matizado pelo do MP no que respeita a carreira plana - diz-se - e ultrapassados pelos novos cargos/carreira criada.

    Não consigo perceber muito sinceramente quando os técnicos da DGRSP estão num processo de revisão da carreira há cerca de um ano e vão, conforme anunciado no OE 2023, ver valorizada a carreira.

    Porque é que não nos deixamos de tretas e discutimos com seriedade tratando dos assuntos que nos dizem respeito?

    Ponham os olhos nos STI

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  2. E eu não consigo perceber como é que sendo esta uma carreira especial não negociamos diretamente com as entidades tutelares para assim zelarmos melhor pelos nossos interesses! Temos de estar sempre debaixo do chapéu da função pública em geral?

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