Processos a parar, não por greve, mas por falta de papel

      A carência de papel nos tribunais e nos serviços do Ministério Público é uma realidade com que se deparam todos os dias os Oficiais de Justiça deste país.


      Em alguns casos, o tratamento dos processos está a parar devido à falta de papel e, quando não para, isso deve-se às resmas compradas pelos Oficiais de Justiça, do seu próprio bolso, que o fazem para poder ter o seu serviço em dia.


      Há ainda notícia de advogados a oferecer resmas de papel para que as secretarias possam movimentar os seus processos, o que pressupõem que aqueles que não oferecem o papel, param.


      Na Comarca de Braga os processos vão parando, documentando-se tal paragem nos processos como se pode ver nas imagens que seguem.


Cota-FaltaPapelBraga1.jpg


      A escassez de papel tem sido um problema “em crescendo”, que se começou a fazer sentir ainda antes das férias de verão, no entanto, só desde há cerca de duas semanas é que os processos começaram mesmo a parar e a aguardar a chegada de papel.


      Se é certo que os processos são eletrónicos, e assim vêm sendo tramitados, é também verdade que o papel é determinante para todos aqueles atos dirigidos para o exterior, seja para chamar alguém ao processo, seja mesmo para entregar às polícias uns mandados de detenção ou de busca, enfim, para além da tramitação interna, que já é digital, há sempre necessidade de imprimir cartas, mandados, autos de inquirição ou de interrogatório, etc.


      O juiz que preside à Comarca de Braga, João Paulo Pereira, explicava na semana passada À comunicação social que tinham suspendido a citação de 20 réus em processos cíveis, esclarecendo que o problema se deve a dificuldades no fornecimento pelos fornecedores, dificuldades extensivas às outras comarcas.


      De todos modos, ainda há papel, mas o pouco que há fica reservado para os processos urgentes que não estão a ser afetados.


      «Segundo o levantamento que foi feito no início desta semana, [o Tribunal de Braga] contava com 31 caixas de papel, e estamos a reservar grande parte para os processos de natureza mais urgente, como processos-crime com arguidos presos que, esses sim, a sua tramitação não pode ser suspensa», salienta o presidente do Tribunal de Braga.


      João Paulo Pereira explica que a contratação do fornecimento de papel é “centralizada” e que a Direção Geral da Administração da Justiça (DGAJ) está “a envidar todos os esforços” no sentido de o assegurar.


      «Estamos em contacto direto e diário com a DGAJ. Penso que a situação está perto de ser debelada, mas só os próximos dias é que nos poderão trazer mais informações. Têm sido feitos alguns fornecimentos pontuais, mas penso que na próxima semana haverá um fornecimento maior. É essa a informação que temos da DGAJ.»


      «As medidas de gestão que foram tomadas por mim e pelo órgão de gestão da Comarca de Braga foram nesse sentido: que não ocorresse nenhuma situação de rutura em relação a processos urgentes, tendo sido decidido, por alguns dias, não proceder à citação em alguns processos cíveis», explica o juiz presidente.


      O juiz presidente sublinhou ainda que os processos cíveis parados são os que têm um “grande número de réus”, uma vez que o tribunal tem que imprimir uma cópia do requerimento inicial para a citação de cada um dos réus.


Cota-FaltaPapelBraga.jpg


      «Consigna-se que, de momento, não é possível efetuar a citação da Ré, uma vez que os serviços atravessam grandes problemas derivados da escassez de papel de cópia, por dificuldades dos respetivos fornecedores em garantirem a sua entrega e o (pouco) papel ainda disponível tem, por isso, que ser canalizado para acorrer a situações de absoluta urgência», lê-se na cota lavrada no processo.


      A citação é, normalmente, o primeiro ato num processo cível, que serve para dar a conhecer a uma pessoa que foi proposta contra ela uma ação, assim a chamando, pela primeira vez, ao processo, permitindo-lhe contestar aquilo que o autor apresentou em tribunal.


      Relativamente a este problema, naturalmente, levantam-se dúvidas e põe-se mesmo em causa a capacidade de gestão dos tribunais atribuída à Direção-Geral da Administração da Justiça.


      Claro que a compra descentralizada, deixando cada comarca por sua conta, poderia resolver o problema, podendo comprar algumas resmas na papelaria ou no supermercado da esquina, mas tal opção teria que ser uma medida de recurso para este momento de especial necessidade, uma vez que a compra centralizada permite melhores preços e fornecimentos, aliás, como até aqui tem permitido.


      No vídeo abaixo pode ver a reação do presidente da Associação Sindical dos Juízes (ASJP).



      Fontes: “O Minho”, “Polígrafo”, “Porto Canal”, “CNN Portugal” e “SIC Notícias”.

Comentários

  1. Vergonha.
    Assim se apresentam resultados positivos nas contas. Cativações atrás de cativações...e o país parado.

    ResponderEliminar
  2. Onde pára o SFJ?
    Esta semana já saiu a publicação do BTE e da separata e, estatuto nada.
    Até quando estarão á espera. Um ano? 10 anos? Parece-me que o
    irão esperar eternamente.

    ResponderEliminar
  3. Expresso:

    "...Com o peso da inflação, quem recebe o salário mínimo de 705 euros por mês vê agora esse rendimento encolhido para €639. Não fica muito distante do limiar de pobreza (€554) e é bastante escasso para pagar as despesas básicas, como uma renda, água, luz e gás, além de alimentação e transportes, mostram os dados partilhados pela Pordata esta segunda-feira, quando se assinala o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza..."

    Fazendo a respectiva proporção para os Oficiais de Justiça:

    Oficiais de Justiça Provisórios com um salário de 802 euros vêem o seu rendimento reduzido para 726 euros.

    Verdadeiramente assustador. Uma carreira envelhecida, sem futuro, e que vai definhar por falta de candidatos!...

    Ninguém sonha por um trabalho escravo!....

    ResponderEliminar
  4. É só para alertar os colegas OJ que se encontram deslocados a exercer funções em Lisboa e arredores, que os procedimentos concursais que se encontram na página da DGAJ prevêem um suplemento de fixação a acrescer ao vencimento no valor de duzentos e poucos euros!!!


    DUZENTOS E TAL euros!!

    Vale a pena pensar nisto ...

    ResponderEliminar

  5. BTE e Separata desta semana?

    Links, s.f.f.

    ResponderEliminar
  6. Escreva boletim do trabalho e emprego e o Google logo o direciona para a pagina

    ResponderEliminar
  7. Comunicado do SOJ:

    "...Por outro lado, com greves cirúrgicas, “convocando” os colegas todos, em rotatividade, é possível estabelecer uma agenda de luta que poderá durar meses, com menos esforço, em termos financeiros, para cada um de nós..."

    Do SFJ já não esperamos nada.

    Do SOJ, continuamos a espera!...

    ResponderEliminar
  8. DN:

    "...Portugal desviou-se da trajetória de redução da pobreza que vinha a fazer desde 2014 . Em 2020 houve um agravamento. Sem os apoios sociais, 4, 4 milhões são pobres ou têm rendimentos abaixo do limiar da pobreza [554 euros mensais], o que passa para 1,9 milhões após as transferências sociais", explica Luísa Loura, diretora da Pordata. O país está mais longe da meta a atingir até 2030 - menos 765 mil pobres..."

    ResponderEliminar

  9. Sei... mas o último Boletim que vejo é de dia OITO e a última Separata é de SETEMBRO...

    ResponderEliminar

Enviar um comentário