“Uma maioria absoluta que vem negando direitos, liberdades e garantias aos Oficiais de Justiça”

      Os Oficiais de Justiça já sabem, mas têm que saber muito bem, mais ainda, da postura dos partidos com assento na Assembleia da República quanto ao interesse da defesa dos interesses dos Oficiais de Justiça.


      No âmbito da discussão do Orçamento de Estado para 2023, foram apresentadas várias propostas para melhorar a carreira dos Oficiais de Justiça.


      Todas as propostas foram reprovadas pelo PS e algumas foram acompanhadas do voto contra ou da abstenção de outros partidos.


      O Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ) divulgou as propostas e o sentido de voto dos vários grupos parlamentares.


      Diz assim o SOJ:


      «No âmbito da ação desenvolvida pelo SOJ, e após reuniões com os Grupos Parlamentares, foram apresentadas diversas propostas de aditamento ao Orçamento de Estado para 2023.


      As propostas não foram, antes, apresentadas à carreira, por se entender mais ajustado que se evitasse criar expectativas, perante uma maioria absoluta que vem negando direitos, liberdades e garantias aos Oficiais de Justiça.


      Contudo, concluído esse processo, é nosso dever, enquanto Sindicato que assume responsabilidades, apresentar à carreira as propostas de aditamento mais relevantes e os resultados das votações, para que os Oficiais de Justiça possam apreciar também o trabalho dos diversos Partidos com assento parlamentar.»


      Vejamos então as propostas e a respetiva votação.


      – Proposta 636C (Admissão de funcionários de justiça) – rejeitada na especialidade com os votos contra do PS e abstenção da IL. Votaram a favor: PSD, CH, PCP, BE, PAN e L.


      – Proposta 646C (Alteração ao Decreto-Lei n.º 485/99, de 10 de novembro - Suplemento) – rejeitada na especialidade com os votos contra do PS e IL. Votaram a favor: PSD, CH, PCP, BE, PAN e L.


      – Proposta 667C (Alteração ao Decreto-Lei n.º 4/2017, de 6 de janeiro – Aposentação) – rejeitada na especialidade com os votos contra do PS, BE e a abstenção da IL. Votaram a favor: PSD, CH, PCP, PAN e L.


      – Proposta 309C (Alteração ao Decreto-Lei n.º 485/99, de 10 de novembro – Suplemento) – rejeitada na especialidade com os votos contra do PS e IL. Votaram a favor: PSD, CH, PCP, BE, PAN e L.


      – Proposta 312C (contratação de funcionários judiciais) – rejeitada na especialidade com os votos contra do PS. Votaram a favor: PSD, CH, IL, PCP, BE, PAN e L.


      – Proposta 322C (Revisão da carreira de Oficial de Justiça) – rejeitada na especialidade com os votos contra do PS, abstenção da IL e do PCP. Votaram a favor: PSD, CH, BE, PAN e L.


      E repetimos novamente as palavras do SOJ que constam da sua informação sindical e também dão título ao artigo de hoje, que define a maioria governativa do PS assim:


      «Uma maioria absoluta que vem negando direitos, liberdades e garantias aos Oficiais de Justiça.»


      A informação sindical do SOJ conclui reivindicando nos seguintes termos:


      «Aprovado o Orçamento de Estado, cumpre ao Ministério da Justiça, sem mais delongas, abrir concurso para promoções e ingressos e os processos negociais respeitantes à integração do suplemento e ao regime de aposentação. Matéria diferente, e que consta de acordo com o Governo, é a revisão estatutária que terá de se iniciar em janeiro de 2023.


      Assim, exige-se ao Ministério da Justiça que, ainda este ano, inicie esses processos. Este Sindicato, SOJ, não se desinveste de apresentar, caso a carreira continue sem respostas, novas ações de luta, ainda que possam coincidir com o período de “suspensão dos prazos judiciais” – 22 de dezembro a 3 de janeiro de 2023.»


MaoAberta3.jpg


      Fonte: “SOJ-Info”.

Comentários

  1. Não foi surpresa.

    Para os mais curiosos, leiam as medidas (ponto por ponto, das nove propostas pela tutela) previstas no programa do OE para 2023, disponíveis em:

    https://www.portugal.gov.pt/pt/gc23/comunicacao/noticia?i=proposta-de-oe2023-reserva-17-mil-milhoes-para-a-area-da-justica

    Não foi a despropósito que a senhora Ministra da Justiça iniciou funções com um périplo pelos estabelecimentos prisionais e DGRSP, situação alumiada pela sua antecessora como sendo uma das reformas que não conseguiu concretizar e que certamente englobou os dossiers aquando da transferência de pastas, da proposta consta a valorização e dignificação das carreiras dos trabalhadores do sistema prisional e de reinserção social e a promoção de penas alternativas ao cumprimento da pena de prisão.

    Quando aos tribunais, fala-se num reforço de meios humanos (não se sabe se de juízes ou funcionários, talvez de ambos), para a justiça administrativa e na modernização e requalificação do sistema judicial, investindo em tecnologias que permitam tornar o trabalho mais eficaz.

    Ou seja, no estabelecimento de prioridades, parece-me que fomos preteridos e como assim foi permaneceremos mais um ano nesta situação.

    ResponderEliminar
  2. Que ninguém se esqueça! Foi muito fácil não negociar a partir do estatuto proposto e agora como estamos?

    ResponderEliminar
  3. Não fosse eu um dos prejudicados e só me apetecia dizer "É muito bem feito e devia ser pior". Só alguém (e infelizmente foram muitos) que desconheça a história recente do nosso país poderia dar uma maioria absoluta a tal partido, com um passado recheado de corrupção, compadrios, favores, escandalos sexuais abjectos, prepotência e falta de honra e de palavra! O tal partido do "palavra dada é palavra honrada" que só fala (e mal) e nunca honra nada!!!
    Repito: É MUITO BEM FEITO e DEVIA SER MUITO PIOR...

    ResponderEliminar
  4. Reforço de meios humanos nos tribunais? Não está nos planos desta ministra.

    Um exemplo: na secção onde estou a media de idade do pessoal é 60 anos, para 5 funcionarios incluindo o chefe. Eu sou o rapaz mais novo, com 58.
    Uns a arrastar a asa, mas cá vamos aguentando.

    Na sua ignorancia, lá na DGAJ, estão convencidos que a informática compensa e resolve a falta de pessoal. Então que venha mais informática. Pois os tribunais tem pessoas com 60 anos de idade, cheios de genica e agilidade mental para aprender novos programas e componentes informaticos para aplicar no seu dia a dia de trabalho.
    Um exemplo dessas novas funcionalidades é o novo cronus, com esta idade e ao fim de mais de 30 anos de serviço, em vez de estar a pensar em cumprir os despachos e andar com o serviço temos de estar atentos às horas e tentar não passar um segundo que seja depois da hora.
    Enfim, temos de acompanhar os tempos e mais esta coisa ridicula do cronus.
    E tudo que mais vier daquelas cabeças.

    ResponderEliminar

  5. GREVE ÀS DILIGÊNCIAS POR TEMPO INDETERMINADO...

    ... e...

    tudo se resolve numa semana ou duas...


    ResponderEliminar
  6. Escolhemos mal o governo? Talvez. Porém, tenho a certeza absoluta que o maior tiro no pé foi a eleição para o SFJ. Este foi o maior erro. Estivessem outras pessoas na direção, menos miupes e com mais tempo para a causa sindical, pelo menos 7hotas por dia, e a realidade seria outra certamente.
    Porém, para além de miupes, não gostam de trabalhar e perdem muito tempo em causas próprias ao invés das causas colectivas, e, dá no que dá,
    nada .

    ResponderEliminar
  7. E os dirigentes do SFJ e do PS não nos dizem nada?!...

    Lutas duras e longas?!...

    Façam um favor ao SFJ, demitam-se!...

    Digam qualquer coisinha porque o sindicalismo atrelado não tem lugar numa verdadeira democracia.

    Já não conseguem esconder mais nada, demitam-se!....?

    ResponderEliminar
  8. "Traição não é erro, é uma escolha"!...

    ResponderEliminar
  9. No Diário da República de ontem ficámos a saber que mais 2 Oficias de Justiça abandonam a carreira por exoneração a pedido, no Diário da República de hoje, foram mais 4 !...

    ResponderEliminar
  10. Eu serei um dos próximos!!!

    Adeus, até sempre!

    Tribunais?! Nunca mais na vida!!!!!

    Como dizia o outro: "jamé"!!!

    ResponderEliminar

Enviar um comentário