A oportunidade irrepetível amanhã para uma greve de todo o dia com impacto e sem serviços mínimos

      Tivemos notícia de que ao longo da semana passada houve Oficiais de Justiça que, um pouco por todo o país, aderiram às greves ativas, especialmente no período da tarde, mas, na quarta e a sexta-feira passada, também aderindo à greve clássica das manhãs.


      Portanto, às quartas e às sextas-feiras, os Oficiais de Justiça podem fazer greve durante todo o dia, sem quaisquer serviços mínimos, aderindo às duas greves, à da manhã do SFJ e à da tarde do SOJ.


      Muitas dessas adesões fazem-se, por esta altura, por meras conveniências pessoais, e muito bem, não há problema nenhum com o facto dos Oficiais de Justiça poderem usufruir dessa liberdade, mas não só. Soubemos de greves em que não foi apenas este ou aquele a aderir, mas secções inteiras combinadas, muitas vezes em reação a questiúnculas locais e, claro está, em completo desânimo e revolta com o estado geral da profissão.


      Neste sentido, temos também notícia de que no dia de amanhã, 03JAN, quarta-feira, estão preparadas adesões de manhã e também à tarde. O primeiro dia laboral, após este período festivo e a tolerância de ponto de hoje é o dia 03JAN que coincide com uma greve para toda a manhã e outra para toda a tarde, ambas sem serviços mínimos.


      Quer isto dizer que todos os detidos que o tenham sido durante a tarde e noite de ontem, o feriado de 01JAN, deverão ser libertados por se esgotarem as 48 horas no dia 03JAN, caso haja uma greve de todo o dia nessa quarta-feira. E é isto que foi conversado em algumas secções, especialmente as afetas à área criminal.


      Ainda há dias era notícia nacional a libertação de um detido devido à greve dos Oficiais de Justiça. Constava assim da notícia difundida:


      «Condenado por tráfico de droga e proibido de ficar em Portugal acabou em liberdade devido a greve. A greve dos Oficiais de Justiça, ofereceu um bónus a um homem procurado pelas autoridades portuguesas. Tinha sido condenado por tráfico de droga e proibido de permanecer em Portugal, mas devido à greve dos Oficiais de Justiça, a juíza não teve como interrogar o suspeito e mandou-o em liberdade.»


      Antigamente, quando havia governos responsáveis, isto era inadmissível e tudo se fazia para que situações destas não ocorressem, mas hoje, com governos de costas voltadas para a justiça, tudo é possível, designadamente, que os próprios Oficiais de Justiça voltem as costas aos governos, mas também à justiça, desligando-se da função e da responsabilidade que antes sentiam.


      O pensamento atualmente prevalecente nos Oficiais de Justiça é simplesmente o de sabotar o sistema, no sentido de lhe virar as costas, pagando na mesma moeda as costas voltadas dos sucessivos governos.


      E os detidos vão em liberdade por causa das greves dos Oficiais de Justiça? Sim! Quem se importa? Ninguém! Que impacto têm notícias destas nos cidadãos? Nenhum!


      Aquela notícia de, por causa da greve dos Oficiais de Justiça, haver detidos libertados, tem de ser replicada e outra oportunidade como esta para que tal suceda não haverá tão cedo ou mesmo nunca.


      É por isso que o dia de amanhã é tão especial em termos de oportunidade e os Oficiais de Justiça, abandonados pelos governos, têm de ter este sentido de oportunidade e esta estratégia, para que a atenção possa recair sobre si próprios e sobre a sua causa.


      As greves oportunísticas são essenciais, o dia de amanhã é uma dessas greves, tal como serão, no final de janeiro, as greves a realizar nos dias-chave do processo eleitoral das legislativas, uma vez que será nessa altura que os Oficiais de Justiça serão chamados a ações especiais no âmbito do processo eleitoral.


      É uma pena que os sindicatos representativos dos Oficiais de Justiça não abordem estes assuntos e não esclareçam os Oficiais de Justiça das oportunidades de ação, preferindo manter uma postura tão institucional, tão perfeitamente certinha, séria e alinhada com a Administração, mantendo um espírito combativo circunscrito aos comunicados e às notas sindicais.


OportunidadeSinaisMarasmo.jpg


      Fonte da notícia da libertação do detido: “TVI” e extrato do artigo aqui publicado no passado dia 30-12-2023 intitulado: “Governos de costas voltadas para a justiça”.

Comentários

  1. Anónimo2/1/24 10:36

    Em 2023 fiz tantas greves e infelizmente o que resultou foi em corte substancial dos rendimentos que muita falta me fez. Este ano já não farei. Faço greve de zelo, o que se verifica com milhares de arquivados e dezenas de pendentes por tratar. Bom Ano a todos.

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  2. Anónimo2/1/24 13:06

    " É uma pena que os sindicatos representativos dos Oficiais de Justiça não abordem estes assuntos e não esclareçam os Oficiais de Justiça das oportunidades de ação, preferindo manter uma postura tão institucional, tão perfeitamente certinha, séria e alinhada com a Administração, mantendo um espírito combativo circunscrito aos comunicados e às notas sindicais."

    MAIS QUE UMA PENA, É A EXTINÇÃO DA CARREIRA!

    Sem adjectivos...


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  3. Anónimo2/1/24 14:50

    Amanhã é mesmo um dia especial para os Oficiais de Justiça aderirem, sem reserva, as greves do período da manhã e da tarde, sem serviços mínimos.

    E se os detidos forem em liberdade por causa das greves dos Oficiais de Justiça, a responsabilidade é da Ministra da Justiça e das responsáveis da DGAJ.

    O dia "D" para manifestarmos a nossa indignação.

    Não podemos desperdiçar esta oportunidade.

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  4. Anónimo2/1/24 14:54

    Só há uma solução, a mudança, estamos velhos e fartos destes protagonistas, destes enganadores, pessoas que não se dão bem com a verdade, com pouco virtuosismo mas que sabem levar a vida á sua maneira e quem se lixa é o mexilhão.

    Volvidos mais dois anos e olhem o estado da justiça ... E falo de todo o setor, seja na área dos registos, seja nos tribunais, com serviços em risco de fechar e outros a meio gás, com uma senhora ministra que tem tanto de altura como de incompetência, e um SEAJ que faz um bom par com a mesma.

    E ainda há quem acredite nas mesmas pessoas, somos mesmo uns otários...

    Precisamos que os protagonistas mudem , nomeadamente nos sindicatos, e se isso não acontecer vai ser o mesmo de sempre, promessas e mais promessas até acontecer um evento catastrófico que ponha em causa tida a estrutura judiciária - uma espécie de política de terra queimada - para a partir daí reconstruir uma estrutura ao serviço de determinados ideais como alguém já veio á praça alumiar.

    Continuem a acreditar na história da carochinha e a deixar que nos carreguem a albarda ainda mais até as pernas fraquejarem e batermos com os queixos no chão.

    Não faço greve, antes tomo a verdadeira atitude de me convencer a mudar e convencer os outros a fazer o mesmo e se cada um de nós tivermos a mesma atitude vamos conseguir a mudança e sem temer o futuro, sem enveredar em radicalismos há sempre uma alternativa válida.

    Fico á espera da reforma ... mas a aproveitar a vida ...

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  5. Anónimo2/1/24 15:01

    Solicito que alguém esclareça qual a luta dos oficiais de justiça??? Quais as exigências??

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  6. Anónimo2/1/24 15:13

    O que lamento profundamente é que aqueles que apresentaram os pré-avisos de greve para as quartas-feiras sem serviços mínimos, Carlos Almeida e Antonio Marçal, não se tenham empenhado em sensibilizar todos os Oficiais de Justiça para a importância do dia da amanhã, pedido a todos para aderirem a greve.

    Ainda estão a tempo de o fazerem, e de mobilizarem piquetes para convencerem os Oficiais de Justiça a aderirem a greve no dia de amanhã.

    Se a adesão for maciça, cabe a Ministra da Justiça e a Diretora-Geral da Administração da Justiça assumirem as suas responsabilidades e demitirem-se.

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  7. Basta ver, como sempre e como é óbvio, os respetivos avisos prévios das greves.

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  8. Anónimo2/1/24 15:38

    "massiva"! Quanto ao demais, continuamos iludidos.

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  9. Anónimo2/1/24 15:42

    Como sempre e como é óbvio, tudo aquilo que de há vários anos andamos a pedir. Ninguém nos liga, como é óbvio, e como sempre, queremos mais um bocadinho de dinheiro e nada de mudanças. Umas esmolas mas desde que tudo fique na mesma.

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  10. Anónimo2/1/24 18:47

    Ambas as formas estão corretas.

    Contudo não parece que haja necessidade de usarmos o adjectivo massivo, talvez por cópia do inglês massive e/ou do francês massif, porque o nosso adjectivo maciço, além de o compreendermos melhor por ser da nossa língua, traduz perfeitamente os sentidos originais dos termos estrangeiros massive e massif.

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  11. Anónimo2/1/24 19:17

    Já fiz greves de, actos, de minutos, de horas, de meios dias, de dias, de semanas .
    Agora só faço se for de um mês .
    Á pois é, sempre a subir, ou vai ou racha.

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  12. Anónimo2/1/24 19:48


    Comunicado do SOJ

    GREVE: DIA 3 DE JANEIRO

    O ano judicial, nos termos legais, corresponde ao ano civil. Contudo, a reabertura dos tribunais, iniciado o ano, ocorre depois de concluída a suspensão dos prazos judiciais, isto é, no dia 4 de janeiro.

    Acontece que os Oficiais de Justiça trabalham durante o período das “férias judiciais” e este ano, no dia 3 de janeiro, se encontram a decorrer duas greves em simultâneo, ambas sem serviços mínimos: uma, convocada pelo SFJ, para o período da manhã; e outra, que vem decorrendo desde o dia 10 de janeiro de 2023 (afirmando a resiliência e coerência de quem não cede nem titubeia), que decorre das 13h30 às 24h00, convocada pelo Sindicato dos Oficiais de Justiça, SOJ.

    Consequentemente, estão criadas as condições para que os Oficiais de Justiça possam, amanhã, afirmar a sua força e manter encerrados os tribunais, adiando de facto a sua “reabertura”.

    De salientar aos colegas que os partidos políticos, pese embora um aparente alheamento, têm acompanhado a nossa luta.

    Por outro lado, importa convocar a atenção de alguns colegas para o seguinte: recentemente, em Israel, depois de meses de luta, o poder judicial venceu a guerra que travou, durante meses, contra uma reforma que condicionada o sistema judicial. Foram meses de luta, mas a população, com o país em guerra, não desistiu de exercer cidadania e venceram. Na Ucrânia, e muitos de nós andamos com as bandeiras da Ucrânia, ninguém questiona se a luta já vai longa, nem ninguém desmobiliza por não ver os objetivos realizados no dia seguinte.

    Todos sabem que para vencer têm de lutar e sabem, todos, sem necessidade de apelos, que a luta é diária, até se alcançar a vitória.

    Assim, decorrido um ano de luta, contra um Governo que apostou em destruir os tribunais, destratando de forma ignóbil a carreira dos Oficiais de Justiça, a nossa resposta ao Governo e aos partidos políticos só pode ser uma: continuar a luta e AMANHÃ, dia 3 de janeiro, ENCERRAR OS TRIBUNAIS, pois a nossa luta é JUSTA e VAMOS VENCER."

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  13. Anónimo2/1/24 20:23

    Vou fazer uma pergunta, espero que não levem a mal, mas é só para eu reflectir e estar informado; as reinvindicações, nomeadamente a integração do subsídio, novas admissões, promoções, ainda é possível serem satisfeitas com o governo de gestão?

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  14. Anónimo2/1/24 20:42

    Ainda não recuperou do Natal e da passagem de ano? Deve ter sido brutal...

    Claro que era possível continuar a negociação e arrepiar caminho mas não foi o querido, nem pela tutela nem pelos sindicatos, pois a uns interessava dizer que fizeram um projeto - uma falácia - e a outros interessava convencer que não servia a ninguém. Isto porque era o querido por uns e outros - manter tudo como estava ...

    O situacionismo é o pior defeito e típico de quem se afasta do advir, do evoluir dos tempos, apenas porque não quer enfrentar a realidade.

    Como não consegue intervir sobre ela, a realidade atropela sem dó nem piedade e deixará marcas profundas.

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  15. Anónimo2/1/24 20:45

    Não. Nenhuma das reinvindicações será satisfeita.

    O governo está em gestão e se nem em efectividade de funções resolveu alguma coisa, não será agora que o vai fazer.

    Pura ilusão.

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  16. Anónimo2/1/24 20:45

    Claro que sim

    Existe um acórdão do Tribunal Constitucional de 2002 que explica as limitações dos governos em gestão.

    Diz que este tipo de Executivo não tem nenhuma limitação nos atos que pratica, desde que justifique a sua necessidade, como sendo algo inadiável.

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  17. Anónimo2/1/24 20:47

    Obrigado pel resposta. Mas o primeiro parágrafo era escusado.

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  18. Anónimo2/1/24 20:49

    Acórdão do Tribunal Constitucional 65/2002.

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  19. Tudo é possível e nada é possível, dependendo das vontades.
    Claro que se não se concretizar em letra de lei, é possível concretizar, pelo menos, em compromisso escrito com os sindicatos, em programa eleitoral, etc. Seja qual for a possibilidade, algo é sempre mais do que nada.

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  20. Anónimo2/1/24 23:39

    266 milhões para a justiça que visam melhorar e facilitar a vida dos juízes, procuradores, mandatários e cidadãos em geral.

    Nem uma palavra para os Oficiais de Justiça.

    Pota que os pariu.

    Ignoram-nos por completo.

    Filhos de uma grande pota.

    Sinto ódio e nojo destes gajos.

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  21. Anónimo3/1/24 12:34

    É verdade! Também vi e ouvi. Um jovem governante , pela aparência, a "cantar de galo" com uns mihões de euros que não custaram a receber/ ganhar, e assim nem sabem bem onde os gastar. Têm de os gastar, é o que se sabe!
    A "botar faladura" sobre vários investimentos, mas falar em mais recursos humanos oficiais de justiça bem formados, devo andar a ouvir mal, pois que nāo lembro.
    Falou em todos mas esqueceu aqueles milhares que, parecendo a esse governante indignos de mençāo pública, talvez por achar que são o elo mais fraco, lhe podem fazer frente se todos se unirem.
    Vê-se que pouco sabe do funcionamento dos tribunais e m. Público pois que fez questão de mencionar ao entrevistador vários operadores que vāo usufruir de tanta benesse com milhões de investimento, esquecendo os OFICIAIS De JUSTIçA!
    Por mim estava demitido!


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