“É caricato: Governo pede celeridade à justiça, mas não dá meios para tal”

      Na passada sexta-feira, na concentração no Campus da Justiça em Lisboa, o presidente do Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ), António Marçal, declarou à SIC Notícias assim:


      «A carreira de Oficial de Justiça é a única que ainda não foi revista, que mantém salários de ingresso na ordem dos 800 euros. O que levou a que o último procedimento de ingresso de 200 oficiais de justiça acabasse por ficar quase deserto. As pessoas vieram, foram colocadas em Lisboa e desistiram. Quem é que consegue sobreviver em Lisboa com 800 euros? Ninguém!»


      «É fundamental que o Governo, mesmo em gestão – e ao contrário do que disse ainda ontem a ministra da Presidência – tome medidas para evitar o descalabro que está a assolar todos os tribunais e serviços do Ministério Público.», considerou também António Marçal.


      Como exemplo, Marçal referiu o caso da Comarca de Beja, onde os serviços do Ministério Público estão a funcionar de porta fechada porque não há Oficiais de Justiça suficientes para garantir o atendimento ao público, mencionando também as dificuldades enfrentadas pela Comarca de Bragança.


      «Anteontem, a Comarca de Bragança teve de começar a distribuir os inquéritos do Ministério Público pelos tribunais, pela secção judicial, o que é uma situação de ilegalidade, porque não há funcionários no Ministério Público», acrescentou Marçal.


      O caso que Marçal relata de Bragança é, no entanto, já comum a todo o país, desde a distribuição de inquéritos a Oficiais de Justiça que estão nas secções judiciais, à colocação desses mesmos Oficiais de Justiça da carreira judicial nos serviços do Ministério Público.


      «Não deixa de ser caricato que um Governo que pede celeridade em alguns processos não dê meios à justiça para que ela seja célere e eficaz.», considera Marçal, acrescentando que a situação se tem “agravado”, desde logo com a aposentação de cerca de 300 profissionais no ano passado e que até dezembro deste ano a falta de Oficiais de Justiça pode atingir um “défice de dois mil Oficiais de Justiça”. “Ou seja, cerca de 40% dos tribunais, estarão abaixo do mínimo de funcionamento, como já acontece na Comarca de Lisboa Oeste, que muitas vezes está a funcionar apenas com 30% das pessoas com que devia estar.”


      A falta de Oficiais de Justiça é transversal a todo o país, rara será a secção, judicial ou do Ministério Público, que, hoje, detenha todos os Oficiais de Justiça necessários ao seu normal funcionamento.


      António Marçal referiu ainda que na base das greves e dos protestos da classe está o “reconhecimento e valorização do trabalho realizado fora das horas de serviço, garantindo, assim, um regime de aposentação justo”, bem como o “reconhecimento dos riscos, em termos de saúde, para uma carreira que todos os dias trabalha com portadores de doenças infetocontagiosas, nomeadamente na realização de inquirições e primeiros interrogatórios de arguidos detidos, sem quaisquer condições”.


      Nas televisões, assistimos diariamente a comentadores políticos e a políticos comentadores, reivindicando celeridade à justiça, especialmente nalguns processos, designadamente, naqueles em que estão envolvidos elementos de partidos políticos, da alta finança ou personagens mediáticas.


      Mas não é só pedir, porque não é por pedir que a celeridade acontece. A sangria de Oficiais de Justiça não permite mais celeridade e, por muito que peçam, não haverá celeridade nenhuma, nem nesses processos nem em nenhum outro processo de pessoas comuns e anónimas.


      O descalabro da justiça e os problemas dos Oficiais de Justiça são muito semelhantes aos problemas constatados na saúde, na educação, nas polícias… isto é, uma ação geral e comum de perdimento de qualidade de todos os serviços públicos, fruto das opções governativas que permitem mostrar bons números macroeconómicos à comunicação social, à custa do prejuízo dos profissionais dos serviços públicos e, com isso, dos cidadãos em geral.


      É, pois, fundamental, que os Oficiais de Justiça continuem a chamar a atenção para esta situação, designadamente, aproveitando este período de euforia eleitoral.


      Convém recordar que esta semana serão entregues praticamente todas as listas dos candidatos dos partidos políticos às eleições legislativas e os Oficiais de Justiça têm em mão uma geringonça de greves que pode servir para chamar a atenção para a essencialidade da função.


      A recordar, em síntese, o que interessa é só isto:


Segundas-feiras:
      Manhã: início à hora da primeira diligência e termo às 12H30 – com serviços mínimos.
      Hora de almoço (das 12H30 às 13H30) – sem serviços mínimos.
      Tarde e noite: desde as 13H30 até às 24H00 – sem serviços mínimos.


Terças-feiras:
      Manhã: início à hora da primeira diligência e termo às 12H30 – com serviços mínimos.
      Hora de almoço (das 12H30 às 13H30) – sem serviços mínimos.
      Tarde e noite: desde as 13H30 até às 24H00 – sem serviços mínimos.


Quartas-feiras:
      Manhã: início às 09H00 e termo às 12H30 – sem serviços mínimos.
      Hora de almoço (das 12H30 às 13H30) – sem serviços mínimos.
      Tarde e noite: desde as 13H30 até às 24H00 – sem serviços mínimos.


Quintas-feiras:
      Manhã: início à hora da primeira diligência e termo às 12H30 – com serviços mínimos.
      Hora de almoço (das 12H30 às 13H30) – sem serviços mínimos.
      Tarde e noite: desde as 13H30 até às 24H00 – sem serviços mínimos.


Sextas-feiras:
      Manhã: início às 09H00 e termo às 12H30 – sem serviços mínimos.
      Hora de almoço (das 12H30 às 13H30) – sem serviços mínimos.
      Tarde e noite: desde as 13H30 até às 24H00 – sem serviços mínimos.


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      Fonte: “Notícias ao Minuto”.

Comentários

  1. Bem podem pedir celeridade, com uma média de 300 aposentações nos próximos anos e entrada de novos funcionarios às pinginhas a situação vai ficar insustentável.
    Um novo estatuto e valorização salarial podiam ajudar mas não há vontade de resolver por parte do poder político. Pelo mwnos deste PS.

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  2. Governantes a rebentar com tudo . A justiça também . Quando toca ao cidadão normal nada fazem ou exigem, mas quando toca aos politicos já se queixam.
    Governantes canalhas.

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  3. Este Marçal só diz o óbvio.

    Vai-te Embora Marçal

    Pede a demissão

    Não percebes nada da profissão.

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  4. Aqui há uns anitos atrás o SOF fez uma queija na OIT sobre a obrigatoriedade de trabalhar após o horário "normal" e o não recebimento de qualquer compensação monetária.

    Já houve algum desenvolvimento, ou até as organizações internacionais não querem saber de nós?

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  5. Por muitas queixas que o doente apresente não há cura para a doença - que é apenas e só a esquerdite aguda que nos há de levar à falência de todas as instituições.

    Na saúde recorre-se a seguros privados, na justiça aos meios alternativos (quem pode) e na segurança qualquer dia estamos como no Brasil é ao privado que temos de nos socorrer.

    Que miséria de vida a nossa.

    Vejam uma súmula do que se passou com a a Bulgária nos anos 80/90 e ao estado a que chegaram.

    Vejam ou escutem o "podcast" de um dos fundadores do PS, Jaime Gama, e o risco que se correu de sair-se de uma ditadura, do Salazarismo, para uma autocracia Comunista, do Cunhal.

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  6. Cunhal ao menos nunca roubou coomo a maioria dos politicos fêz. E abdicou de uma vida que podia ter folgada de filhinho de papá para lutar por este país.
    Seria bom tentarem conhecer o percurso de Homem com Honra que o Cunhal foi.

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  7. OK, gostei dos comentários, mas qual é a resposta à questão da queixa feita à OIT?

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  8. Não se sabe do "andamento" ou vicissitudes da queixa na OIT.

    Também não se sabe o que a PGR entende da nossa disponibilidade permanente. Não estará na altura de fazer umas horas extra sem remuneração?!!!

    Dass!

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  9. Hoje foram publicadas no DR, mais duas listas de candidatos excluídos do processo de admissão para ingresso nas carreiras de oficial de justiça, que haviam sido colocados oficiosamente.

    Num total de 33!....

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  10. Há neste espaço um comentador obcecado por filhos do papá....

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  11. Se vamos por aí, o Salazar também morreu pobre e enterrado numa comum sepultura.

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  12. Sim, sim, muitos que não passam disso mesmo, filhinhos de papá que de dureza nada sabem.
    Mas esta profissão vai ensinar-vos.

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  13. Paguem o que nos devem.

    Mais de 6000€ em dívida e já sentenciada a DGAJ a pagar.

    Querem horas extra? Paguem-nas.

    Dever de residência, de permanência e de disponibilidade 24 H/dia, por 800€/mês?

    Naaaa.

    Daqui é horário de secretária.

    Se me sair em sorte serviços mínimos, simplesmente passo a sentir-me mal dos intestinos e hospital .

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  14. Com simpatia lho digo, a profissão não tem de ensinar nada disso nem deveria ser um calvário se tudo andasse nos eixos e se fosse cumprido o "contrato social".

    A DGAJ não é pessoa de bem e transparente.

    É aqui a questão.

    Só colocaram pedras na engrenagem.

    É a moda da mula. Ela carrega? Carrega. Carrega? Carrega. Carrega? E a mula arreia.

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  15. Há neste espaço um comentador benjamim da DGAJ!...

    Os filhos do papá são pessoas que lutam por um trabalho digno, por aquela agenda/slogan que o governo, com pompa e circunstância, prometeu!


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  16. O socialismo de "caviar" tem que acabar.

    Um governo que aceita, por uma mensagem no WhatsApp, atribuir uma indemnização de 500 000 euros a uma administradora.

    Um governo que atribui um suplemento a PJ na ordem de 700 euros mensais e ignora os restantes OPC.

    Um governo que integra todos os funcionários de registo, sem exceção, em Oficiais de Registo no grau 3 de complexidade e que ignora os Oficiais de Justiça.

    Um governo que atribui suplementos a algumas classes profissionais, superiores ao vencimento de um OJ em início de carreira, mesmo que execute trabalho extraordinário, só existe uma expressão para o definir - discriminação social.

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  17. Muito bem!

    💪

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  18. Soube há pouco que há colegas que, colocados longe das suas residências, obtiveram autorização para estar em trabalho!

    E ao que parece, não é um nem dois. São muitos!

    Então mas que mrd é esta?!
    Uns podem e outros não?!
    Isto é assim?

    Se é assim para uns também quero!







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  19. Ha ganda Benjamin

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  20. E vão dois! É que essa dor não aguento mesmo

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  21. Quem puder fuja dos trinunais,enquanto tem saúde

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  22. CNN

    Dezembro de 2022

    Balanço da IGAI: 2.064 elementos da PSP e 1.026 militares da GNR foram feridos em serviço desde 2019.
    Mais de 3.000 elementos da PSP e da GNR ficaram feridos e quatro morreram em serviço nos últimos três anos, revelam dados da Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI).

    Segundo a IGAI, que considera o trabalho dos agentes de autoridade “duro, difícil e que merece ser valorizado e reconhecido”, 2.064 elementos da PSP e 1.026 militares da GNR foram feridos em serviço desde 2019.

    Subsídio de risco para a PJ?!...

    Com retroativos a 1 de janeiro de 2023!...

    Mas o que é isto Senhora Ministra da Justiça?!...

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  23. Mas há alguma ministra da justiça??

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