A toxicidade tripla: no acórdão, no alerta e na transcrição

      Devem estar bem recordados daquela comunicação da Direção-Geral da Administração da Justiça (DGAJ), de 20 de dezembro de 2023, relativamente à greve das manhãs do Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ), na qual essa entidade administrativa fez questão de repetir e de fazer constar a infeliz e absurda opinião do colégio arbitral, vertida no acórdão 39/2023, na parte em que afirmava que as greves do SFJ e do SOJ só poderiam ter aderentes dos respetivos filiados em cada sindicato, ou seja, que ninguém poderia aderir a uma greve de um sindicato do qual não pagasse quotas, porque as greves se destinariam apenas aos filiados dos respetivos sindicatos convocantes, excluindo os demais não filiados.


      Claro que logo no primeiro segundo alertamos para o disparate e tentativa de engano dos Oficiais de Justiça, ao mesmo tempo que nos espantávamos com tamanha barbaridade vinda de entidade que deveria ter uma atitude responsável e séria, sem truques.


      Concretamente, a comunicação da DGAJ destacava o assunto assim:


      «Alerta-se, ainda, para o teor do segmento do referido acórdão, que se transcreve:»


      Note-se bem que se tratava de um “Alerta” e que o descabelado teor foi mesmo transcrito, com o intuito de o considerar válido e eficaz, assim levando ao engano alguns (não todos) Oficiais de Justiça.


      A DGAJ não transcreveu o tal segmento do acórdão com a intenção de o considerar um disparate a ignorar, mas como um alerta a considerar.


      E das duas uma: ou fez tal alerta e transcrição por pura ignorância do direito à greve, ignorância essa que é grave, para uma entidade que “faz a gestão” dos recursos humanos dos tribunais e dos serviços do Ministério Público, ou então, não se tratando de ignorância, isto é, de erro, só pode tratar-se de uma tentativa de enganar os Oficiais de Justiça.


      Ficamos na dúvida sobre a motivação do alerta e da transcrição, cujo segmento é o seguinte:


      «Porém, é nosso entender que a greve decretada pelo SOJ apenas se circunscreve aos funcionários judiciais filiados no sindicato em questão e já não nos restantes, nomeadamente, nos funcionários judiciais filiados no SFJ, e vice-versa, tal como previsto no princípio da filiação previsto no artº. 496º do Código do Trabalho e artº. 370º da LTFP, pelo que, naturalmente, caso se decida pela posição manifestada por este último sindicato em sede de alegações, nunca os Tribunais ficarão sem funcionários num prazo que exceda as 48 horas.


      Ou, dito de outra forma, os funcionários judiciais filiados no SFJ, estarão em serviço nas horas e nos dias não contidos no seu aviso de greve e isto independentemente de nesse mesmo período estar em curso uma outra greve, decretada pelo SOJ, a qual abrangerá, necessariamente, outros funcionários judiciais, filiados neste outro sindicato.»


      Não vamos novamente aqui apreciar a insinuação de que a extravagante ideia tenha partido do próprio sindicato, como ali consta, tal é muito pouco provável, ou melhor: impensável mesmo, que tal ideia possa ter origem num qualquer sindicato. Aliás, e mesmo que tal ideia partisse do próprio sindicato, seria irresponsável reproduzir essa ideia como sendo verdadeira ou sequer plausível.


      Pode aceder à comunicação da DGAJ aqui mencionada acedendo ao documento através da seguinte hiperligação: “e-mail DGAJ 20-12-2023”.


      Ora, perante este disparatado alerta, que se constituiu como uma advertência ou mesmo uma instrução aos Oficiais de Justiça, o grupo parlamentar do Bloco de Esquerda (BE) colocou um par de três questões à ministra da Justiça, a 05-01-2024, pela via legal, questionando concretamente o seguinte:


    «-1- Tem a senhora ministra conhecimento desta situação?
      -2- Que medidas pretende tomar para garantir o direito à greve constitucionalmente consagrado?
      -3- Quais as consequências que sofrerão os funcionários não sindicalizados ou filiados em outros sindicatos caso decidam aderir à greve convocada pelo SFJ?»


      Em resposta, dirigida ao Deputado Pedro Filipe Soares, do BE, relativamente à “Ameaça ao Direito à Greve dos Oficiais de Justiça”, o Gabinete do Secretário de Estado Adjunto e da Justiça, com data de 15 de fevereiro último, não respondeu a nenhuma das três questões. Nada mesmo!


      Respondeu o Gabinete esquivando-se às questões, mas dizendo o óbvio: que a competência do colégio arbitral se limita “à definição ou não definição de serviços mínimos” e que a decisão do colégio arbitral, “que vincula quer o empregador público quer os trabalhadores, tem como objeto e produz os seus efeitos no âmbito da necessidade ou não de definição de serviços mínimos – que, aliás, não foram considerados necessários”.


      Ou seja, o que interessava (e interessa sempre) é definir, ou não, os serviços mínimos, sem mais nenhuma consideração.


      A resposta agora dada pelo Gabinete do Secretário de Estado Adjunto e da Justiça (SEAJ) é a correta, mas não responde, nem explica o disparate da comunicação da entidade administrativa que superintende. Parece que se trata de ministérios diferentes ou que a entidade é de tal forma autónoma que até não carece de observar qualquer preceito legal.


      Pode aceder à resposta ora dada, após cerca de dois meses do tal e-mail da DGAJ, acedendo à seguinte hiperligação: “Resposta Gabinete SEAJ de 15-02-2024”.


      Claro que todos (ou quase todos) perceberam aquela comunicação de dezembro como um abuso, no entanto, ainda assim, houve uns poucos que ficaram intoxicados e baralhados com a insinuação do alerta e da extravagante transcrição.


      Ontem, o SFJ divulgou na sua página essa resposta do Gabinete do SEAJ que, embora não seja resposta a nenhuma das três questões colocadas pelo BE, só por si, conforme está, acaba por transmitir a ideia de que aquilo que causou a necessidade das questões é de tal forma disparatado que nem sequer merece a atenção e o trabalho de perder tempo a responder a tal asneira. De igual forma o SFJ também não teceu qualquer comentário, não perdendo tempo com a tontaria – nascida no colégio arbitral e reproduzida pela DGAJ – limitando-se a colocar a informação, nua e crua, na sua página.


Sinaletica-CuidadoToxico.jpg


      Fonte: “SFJ Info 20FEV2024”.

Comentários

  1. Preparem-se para o mesmo projeto ou ainda pior se o partido do governo se mantiver...

    As afrontas pagam -se caro.

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  2. Enquanto isso ..
    mais de três milhões de euros em salários aos órgãos sociais, dirigentes e colaboradores, licenciamentos caducados e sem qualquer obra que tenha dado arranque até ao momento dos quatro fundos imobiliários constituídos sob a tutela de Pedro Nuno Santos, revela a ‘CNN...

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  3. Adolfo Dias21/2/24 09:23

    Mas qual é a estranheza deste comportamento?
    Desde 2015 que tem sido assim e bem tolerado pelos funcionários e respetivos sindicatos.
    Consequências?
    Nenhumas, quero dizer, vamos votar nos mesmos que somos masoquistas.
    Enfim, 9 anos disto e vamos levar com mais outros 8 anos desta gente e deste tipo de atitudes.

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  4. Para quem é socialista é inacreditável que se invista numa personagem que se intitula de fazedor mas que na realidade se revelou um mau decisor - veja-se o caso do aeroporto, da TAP que não era para privatizar e agora depois de mais de três mil milhões de euros já o é, das medidas do setor da habitação que não saíram do papel mas onde se gastaram milhões que davam para nos pagar a incorporação no vencimento quiçá dos vinte porcento durante uma década (294.000.000 euros=7.000 funcionários x14 meses x300 euros (média)x10 anos).


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  5. Ou seja, se vir um alerta da dgaj... ignore!


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  6. Votaram neles , aguentem!

    E continuem a votar neles!
    Qualquer dia vai tudo corrido a rendimento mínimo e continuam a
    votar

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  7. Neles quem? no PS? no PSD? na geringonça? na geringonça Chega + IL? Vai o Livre o PAN salvar isto?
    Neles quem?

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  8. Penúltimo parágrafo do texto: " ... houve uns poucos que ficaram intoxicados e baralhados...". e digo eu por tão pouco, por nada de jeito! Tanta conversa para algo, uma decisão administrativa, que nāo merecia tal interesse. Ora, só se deixa intoxicar e baralhar quem quer. Somos todos informados e sabedores da lei e também isso é ser oficial de justiça.
    O BE só perdeu tempo com algo que não merecia tal empenho e veja-se a resposta, quanto a mim à medida ( por mais que critique muitas ações da DGAJ). Resposta curta, elucidativa, não dando "muito tempo de antena" esquecendo o próprio alerta da altura, em que, se calhar na dúvida, transcreveram o tal parágrafo desfazado da legalidade.
    Com tantas greves necessárias a obter algo mais, quem é que não sabe ainda que todos, todos, todos: sócios, não sócios, deste ou daquele sindicato, e do outro, e do outro, são livres na sua adesão a uma greve. decretada? Sabem todos.

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  9. Estatuto da Raça Mansa!

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  10. São os chamados "fait divers", assuntos menos importantes que muitos outros.

    Porque é que não endereçaram pedido de esclarecimento sobre tudo o mais que nos aflige, designadamente:
    - revisão da carreira - progressões, promoções e conteúdos funcionais (especialização e divisão de carreiras);
    - melhoria do vencimento (revisão da carreira remuneratória) com a eventual incorporação dos 20 porcento propostos e mais até, em 14 meses;
    - revisitação do regime de aposentação com a criação de um regime transitório em que gradualmente se requalificasse os serviços com novos ingressos ao mesmo tempo que permitiam a reforma daqueles que contam com uma longa carreira retributiva e mais de 62 anos de idade;
    - revisitação dos modelos de organização dos serviços e quadros das secretarias;

    O jornal "Eco" referia, citando pessoas autorizadas na matéria, que não havia gente nova e qualificada, mormente licenciados, que quisesse ingressar em quadros dos serviços onde as chefias não têm qualificação e ascenderam pela antiguidade (numa palavra não querem ser mandados por incompetentes, antes querem e reconhecem a autoridade reconhecida pelo mérito e não imposta pelos cabelos brancos ...)

    É preciso rever muita coisa e com a "nova" geringonça - a Mariana quer ser Ministra ... como o Ventura o quis ser tempo do Rio - não vai ficar tudo na mesma, parece-me que vai ficar muito pior!

    Já se fala em centenas de milhões para reprivatizações (a REN, CTT, etc.), onde, diz-nos a experiência, logo de seguida ali se colocam Gestores, Administradores e Dirigentes a quem pagam depois milhões nas rescisões ...

    Tudo com o nosso patrocínio ... de uns tostões de cada um de nós para financiar a ideologia do calhambeque que aí vem.

    Somos otários ...

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  11. Nesse dia ou no dia a seguir toda a minha seção fez greve não pertencendo ao sindicato.

    As chefias alertaram e nós deixámos recado: "participem...".

    Relativamente ao comportamento da DGAJ e de quem manda naquela quinta...

    Por bem menos já se participou criminalmente de muita gente.

    Já agora, gostava de saber como está a queixa crime que se fez contra a ilustre diretora geral, nunca mais se falou nisso..

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  12. Senhores articulistas

    Quanto à questão dos eventuais de 2001 a 2005,

    Não podem apelar aqui a quem esteja interessado em se associar

    para tentarmos meter ação coletiva em tribunal para reavermos um o tempo (1º escalão) relativo a esse periodo que não contou?

    Para o efeito deixando o vosso mail para enviarem os dados?

    já que os sindicatos nada dizem?






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  13. Comunicação tóxica a da formação, propalada, para Oficiais de Justiça, no I.N.A. Instituto Nacional de Administração!

    Power point, Excel e por aí fora, formação digna de Assistente Operacional.

    Portanto, a ver pelo SEF, encerramento a saca rolhas, é preparar para escolher um organismo da administração publica perto de casa.

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  14. Nos últimos 25 anos o PS governou 18 anos!..

    Continuem a votar neles!...

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  15. Vamos tratar disso.
    Entretanto, para quem não saiba, o nosso e-mail geral é o que segue:

    OJ@sapo.pt

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  16. O Lider dos Folhetos Sindicais21/2/24 19:24

    Ainda numa mensagem alguem reclamou pelos panfletos mal feitos...

    A resposta foi que se calhar não sabiam fazer melhor
    .
    Ora aqui esta uma boa oportunidade de aprender.

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  17. Somos mesmo pequeninos e não nos importamos. Aqui em coimbra realizou-se um debate sobre o rumo da justiça na cidade. Houve debates com vários intervenientes mas os funcionários judiciais não tiveram direito a qualquer lugar no painel. Nem sequer sentados em primeira ou segunda fila. Ninguém nos liga.

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  18. O PSD, se ganhar vai com certeza aumentar os O J em 500%, + horas extra e reforma aos 44... Toda a gente sabe vai tirar aos patrões e dar aos pequenos... O normal dos liberais de direita.... Acordem para a vida PS ou PSD só muda o cheiro....
    Receio que PSD seja ainda pior....
    Como não voto nos partidos do centro desde Passos Coelho ( jurei nunca mais) ... Não me iludo com Os ou PSD mas tenho para mim que se for PSD ainda vamos ter saudades da miserável proposta que nos fizeram...

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  19. Eu alinho.

    Obrigado.
    Farto de ser roubado.


    1 escalão desee 2005 é muito e muito roubo.

    Obrigado blogue.

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  20. a Senhora Diretora-Geral da Administração da Justiça não tem nada para nos dizer?!...

    Nem um pedido de desculpa por aquele alerta do comunicado?!...

    Continuem a votar neles.

    E a Ministra da Justiça, com a casa a arder, hibernou!...

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  21. Deve ter sido Passos Coelho que conduziu país á bancarrota.
    O inútil do Teixeira dos Santos ainda aí com visibilidade e antena, e não se passa nada.
    O ministro das Finanças com mais tempo no lugar, a seguir a Salazar.
    E ainda falam.
    A troika chamada por este ilustre, foi há dez anos,... e ainda falam no Coelho.
    Inúteis.
    Cumprimentos.

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  22. JN
    "Os guardas prisionais vão realizar, nesta quinta-feira, uma marcha fúnebre, à qual não faltará um caixão, entre o Estabelecimento Prisional de Lisboa e o Terreiro do Paço. Em frente às instalações do Ministério da Justiça será ainda efetuado um velório para assinalar a “morte do sistema prisional..."

    Estará alguém na "agência funerária" para os receber?

    Parece-me que não. A Senhora Ministra da Justiça também faz greve, mas sem serviços mínimos!...

    E haja algum colégio arbitral que se atreva!...

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  23. Há tempos houve um idêntico (não me lembro onde) e aconteceu precisamente o mesmo.

    Juristas de renome, juízes, magistrados do MP e outras figuras que tal e nem UM oficial de justiça.

    Pelo menos, por mera simpatia, podiam ter convidado os líderes dos sindicatos para assistir. Mas nem isso ...

    Somos muito importantes mas apenas quando lhes interessa.

    De resto ninguém nos liga e aos olhos dessa gente seremos sempre uma espécie de casta inferior.


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  24. Resumamo-nos à nossa insignificância!

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  25. Bom dia.
    Para alertar que o PS não teve mais votos que a AD e a coligação PPD/PSD/CDS-PP.
    Consultando os resultados oficiais provisórios constantes do site da CNE, pode ver-se que estas forças políticas elegeram 76 + 3 = 79 deputados à assembleia da república.

    Obrigado.

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  26. É precisamente isso que consta do artigo. Apesar do PS deter mais votos e deputados do que a coligação AD, não detém mais votos nem deputados do que as duas coligações juntas.
    De todos modos, em termos formais, o PS é, de facto, o partido mais votado e em segundo lugar está a coligação AD. A outra coligação não possui votos para encabeçar a lista dos mais votados.
    Quer isto dizer que, formalmente, o Presidente da Republica terá de começar pelo PS, embora já saibamos qual vai ser a resposta.

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