Tribunais em rutura e Administração sem demissões

      Acaba de terminar o prazo das candidaturas aos destacamentos excecionais promovidos pela DGAJ para preencher 22 lugares de Oficiais de Justiça que evitem o colapso dos tribunais em Cascais e Sintra.


      Na sequência do nosso artigo aqui publicado no passado dia 01FEV, com o título: “DGAJ admite "rutura" e que não consegue “assegurar os serviços essenciais”, também o semanário O Novo, destacou este fim-de-semana, com chamada à primeira página, esta agonia na justiça perante a incapacidade do Ministério da Justiça em deter um corpo de Oficiais de Justiça efetivamente valorizado e com motivação bastante para que possa suprir todas as necessidades, designadamente, a gravíssima falta de pessoal Oficial de Justiça (em todo o país) com especial incidência  na área das Comarcas de Lisboa.


      Recordemos que o que estava em causa era uma mobilidade especial por – note-se bem a designação – “Destacamentos excecionais”. O Destacamento Excecional não é um Destacamento normal previsto no artigo 55º do Estatuto EFJ, mas previsto no artigo 56º do EFJ.


      A diferença está na duração, em que o destacamento excecional tem uma duração limitada a 6 meses, podendo ser prorrogado por uma vez, isto é, a duração máxima do destacamento é de 1 ano, já esticado, após o que regressará o Oficial de Justiça ao seu lugar de origem.


      Mas a diferença reside ainda no pagamento de ajudas de custo, isto é, o Oficial de Justiça destacado nesta modalidade excecional pode auferir ajudas de custo pela sua deslocação, o que não ocorre em mais nenhuma modalidade de todas as mobilidades existentes.


      Quer isto dizer que esta modalidade excecional é mesmo extraordinária e só é usada em último recurso, quando já não há outras que possam resolver o problema. A questão que se coloca é se com esta excecionalidade e promessa de pagamento de ajudas de custo se será possível resolver o problema.


      Já no ano passado a DGAJ levou a cabo um pedido de destacamento excecional também para estes mesmos núcleos, antes mesmo das infrutíferas colocações oficiosas do concurso dos 200 que decorreu no final do ano de 2023.


      Essa anterior mobilidade foi aqui amplamente noticiada e convém recordá-la porque é um pouco da história desta mobilidade atual e representa também a história dos Oficiais de Justiça nos últimos tempos, cuja gestão dos recursos humanos tem passado de má para péssima, sem que haja responsabilização de ninguém, apenas a penalização dos mesmos, dos Oficiais de Justiça.


      Atente-se bem na história:


      No final de agosto de 2022 a Gestão da Comarca de Lisboa Oeste dirigiu uma missiva ao Ministério da Justiça na qual era denunciado o estado de “desespero” e a “rutura” em que se encontravam os tribunais daquela Comarca, designadamente Sintra e Cascais. Na altura, perante a situação desesperada, a Comarca propunha a contratação de 80 tarefeiros por dois anos.


      Em reação, a DGAJ abriu a possibilidade dos destacamentos excecionais. Em vez dos dois anos, passou a um ano e em vez dos 80 passou a 26.


      O resultado destes destacamentos para 26 foi a colocação de apenas 1 Oficial de Justiça. Nem 80, nem 26, acabou por ser apenas 1.


      Isto até parece cómico, mas é profundamente triste.


      Um ano depois, vem a DGAJ insistir na mobilidade que no ano passado só teve um candidato interessado e, ao que apuramos, esse candidato detinha alojamento próprio na área, portanto sem custos, motivo pelo qual aceitou e motivo pelo qual não houve mais nenhum interessado.


      Para este ano, poderá candidatar-se o mesmo candidato a este novo Destacamento, havendo apostas entre os Oficiais de Justiça de que, para além desse, não haverá mais ninguém novamente.


      A gestão dos Oficiais de Justiça continua péssima e caótica, sem que haja uma mudança de rumo na gestão ou na governação da justiça. A DGAJ ao propor mais do mesmo, usando a mesma fórmula que já se provou ser inútil, está a tropeçar duas vezes na mesma pedra.


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      Este ano, no ofício circular, a DGAJ diz precisamente o mesmo que disse no ano passado para os destacamentos de então, embora este ano a situação seja ainda pior.


      No ano passado dizia assim a DGAJ:


      «Esta medida excecional visa dar uma resposta urgente a uma situação em que, esgotados todos os meios ao alcance dos órgãos de gestão daquela Comarca e desta Direção-Geral não é possível assegurar o funcionamento dos serviços dos núcleos de Sintra e de Cascais.»


      Realçamos as afirmações da DGAJ: “esgotados todos os meios ao alcance” e “não é possível assegurar o funcionamento dos serviços”.


      Agora diz assim a DGAJ:


      «Esta medida excecional visa dar uma resposta urgente a uma situação de rutura extremamente delicada naqueles núcleos em que, esgotados todos os meios ao alcance dos órgãos de gestão daquela Comarca e pese embora as diligências efetuadas por desta Direção-Geral para reforço dos recursos humanos naqueles núcleos, nomeadamente através de colocações oficiosas no âmbito dos movimentos dos oficiais de justiça, face à não aceitação das nomeações não foi possível assegurar os serviços essenciais dos núcleos de Sintra e de Cascais.»


      Realçamos este ano as seguintes expressões: “situação de rutura extremamente delicada”, “esgotados todos os meios”, “pese embora as diligências efetuadas”, “face à não aceitação das nomeações não foi possível assegurar os serviços essenciais”.


      Ora, a situação é nitidamente pior e é pior porque a carreira dos Oficiais de Justiça está pior e porque as pessoas, porque de pessoas se trata, não têm condições de poder aceitar estes lugares. Fossem os Oficiais de Justiça bem remunerados, e com isso não queremos dizer que devessem auferir bons salários, mas apenas salários justos, e, tal como antes sucedia, todo o país teria gente suficiente, ainda que em movimento, para todos os lugares, sem este estado diário de rutura.


      Esta situação tem culpados e essa culpa, como é óbvio, não é dos Oficiais de Justiça que se negam a ir trabalhar para esses locais, nem dos candidatos ao ingresso que veem a sua candidatura ser recusada e serem excluídos por dois anos de novos concursos, porque não aceitaram esses lugares em troca dos 800 euros de vencimento.


      Os culpados desta situação são muitos e arrastam-se desde há alguns anos, ocupando todos lugares governamentais de convite, sem que demonstrem ter a mais mínima noção da realidade e, portanto, incapazes de solucionar o que quer que seja, porque desconhecem a raiz do problema.


      No ano passado, perante esta mesma situação, embora atualmente seja bem pior, o Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ) pronunciava-se assim:


      «Perante a factualidade, fica a convicção, depois de anos de desinvestimento nos tribunais, que há um programa de governo, desconhecidos dos portugueses, que promove o mau funcionamento dos tribunais, não os dotando de meios e condições, para assim afastar a realização da justiça.


      Perante esta situação, em que está em causa o regular funcionamento do Órgão de Soberania “tribunais”, por falta de respostas do Governo, pois é ao Governo que cabe dotar os tribunais de condições, nada mais resta a este Sindicato, SOJ, do que apelar a Sua Excelência o Senhor Presidente da República para que convoque o Conselho de Estado e seja avaliada a matéria em apreço: está em causa, como reconhece o próprio CSM, o regular funcionamento, por inação do Governo, do Órgão de soberania “tribunais”.»


      É a isto que chegamos, porque é a isto que permitimos que a carreira chegasse e é a isto que também quiseram que a carreira chegasse, não havendo interesse em qualquer melhoria, uma vez que a reiterada apresentação de um Estatuto mau que mantém a esmagadora maioria dos Oficiais de Justiça na mesma situação de precaridade atual não indicia outra coisa senão o desejo de encravar a máquina da justiça, isto é, a vontade nítida de corroer o órgão de soberania.


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      Fontes:


      Notícia em destaque na página da DGAJ e o Ofício Circular 1/2024. Notícia difundida pela Lusa em vários órgãos de comunicação social, como no Correio da Manhã e ainda, a mais recente, no semanário “O Novo”.


      Destacamos também os artigos aqui publicados neste Diário Digital dos Oficiais de Justiça (DD-OJ), abaixo mencionados e, neles, também as fontes lá indicadas, bem como a edição do Público de 15JUN2023, com o título: “Nem com ajudas de custo funcionários querem ir para os tribunais de Cascais e Sintra” e também o “Observador” que fez igual menção a esta notícia.


      – 26DEZ2022: “Comarca considera ineficaz a ação da DGAJ/MJ e propõe contratos para ingresso de 80 tarefeiros”;
      – 29DEZ2022: “Querem 80? Levam 26, se os houver; para não dizerem que não fazemos nada”;
      – 30DEZ2022: “O Destacamento com pagamento extra e a nova Greve por tempo indeterminado”;
      – 02JAN2023: “SOJ pede a PR que convoque o Conselho de Estado”;
      – 16JUN2023: “Comarca queria 80, DGAJ concedia 26; foi colocado apenas 1”;
      – 01FEV2024: “DGAJ admite "rutura" e que não consegue “assegurar os serviços essenciais” e
      – 02FEV2024: “E responsáveis, não há?

Comentários

  1. PS a jogar ao jogo da Jenga sendo a torre o edifício da justiça... Está quase quase quase a ruir mas o problema é que depois não dá para reiniciar com a facilidade do jogo de.mesa que referi.

    Um dos pilares da democracia prestes a ser sabotado... Que país este...

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  2. Ao ponto que isto chegou acredito mesmo que são os próprios partidos politicos, que vivem da democracia, a querer enfraquecer a mesma pela via do órgão de soberania justiça.

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  3. Sniper da Sé12/2/24 09:18

    Quando temos resposta por parte de responsáveis da dgaj que se não estamos bem que nos mudemos ou que metamos baixa, acho que está tudo dito. Mais i problema desta situação ter chegado a este ponto é simples, quem é colocado no dgaj a mandar nunca é responsavel pelo bosta que faz, todos os anos existem oficiais de justiça que se reformam, trocam de organismo e renunciam e vão para outros trabalhos de menor responsabilidade e maior vencimento, sei de colegas que reneteram oficios desesperados á dgaj a pedir para resolverem a sua situação ou pediriam a renúncia e a resposta foi simplesmente, você é que sabe o que quer. Isto é alguma resposta, para quem está desesperado e sem dinheiro, sim porque a maioria dos oficiais de justiça trabalha e chega a meio mês já está teso, depois exigem que a justiça seja rápida. Quando não existe motivação e não existe humanidade de quem manda, está tudo dito. E por fim porque razão não colocaram a chefiar a dgaj um oficial de justiça, talvez fosse uma boa solução para solucionar muitos problemas de que sofremos diariamente.

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  4. A incompetência é tanta, que só uma pessoa que viva em saturno ou marte, pensa que seis meses ou um ano dá para recuperar/aliviar as comarcas em causa. Mesmo com a "cenoura" das ajudas de custo.
    Mas no resto das comarcas a situação está igual, a única diferença é que não teve noticia nos órgãos de comunicação social.

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  5. Informo de que quem "apostou" que haveria novamente um candidato para este destacamento... o mesmo do ano passado, que perdeu a aposta. O colega que no ano passado se candidatou, foi entretanto promovido a Escrivão Adjunto e como tal não poderá este ano regressar, uma vez que o destacamento é unicamente para auxiliares.

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  6. Só um desabafo público...Tive uma vaga esperança de uma pequena revolução no país, com novas pessoas, novas politicas e novas mensagens! Confesso que concordava e ainda concordo com algumas posições do Chega, sobretudo uma que, enquanto Funcionário Público e Oficial de Justiça, me tocava particularmente:o fortalecimento do Estado e das suas instituições e seus servidores, não por uma questão corporativista, mas sempre e só para melhor servir os Portugueses, com melhores condições de trabalho, de salário de respeito e reconhecimento...E eis que no Programa Eleitoral do Chega, Artº 67, sai esta pérola: "...67. Reconhecer aos membros das Forças de Segurança o direito à filiação partidária, bem como o direito à greve."
    Mas quem em seu juízo perfeito e com uma inteligência média pode pensar e pensar pôr em prática uma ideia desta??? O que seria do Estado, da segurança, da confiança dos cidadãos nas forças de segurança??? Quem teve esta ideia peregrina??? Por mim, a mini revolução vai ter de esperar e infelizmente, vou ter de votar nos mesmos do costume! Pelo menos não pensam em alarvidades destas!

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  7. Concordo.São mesmo os partidos politicos que assim querem: todos, todos, todos.

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  8. Os mesmos do costume que tanto nos prejudicaram e que mentem com todos os dentes que têm na boca?

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  9. Minha seção onde eram 6 estão 2!

    mas que é isto??

    estou prestes a abandonar.

    começarei por baixa medica e depois vejo.

    isto é terrorismo!
    vão brincar com os pais deles!
    governantes de merd-------------

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  10. Só existe "sessão" e "secção". Os "c" não caem todos indiscriminadamente.

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  11. Sniper da Sé12/2/24 10:17

    Tenha cuidado colega porque, o administrador faz logo uma reclamação e solicita uma junta médica, e você vai trabalhar nem que seja em cima de uma maca, os arguidos têm muitas mais regalias e direitos do que os oficiais de justiça, não temos direito a receber horas extras ou a tirar em dias, no privado têm essa regalia, e recebemos uma miséria para o trabalho e responsabilidade que temos as costas, talvez fosse uma boa ideia os oficiais de justiça meteram todos uma semana de baixa ao mesmo tempo.

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  12. É deixar cair!

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  13. Quer meter o quê? Isso mete-se onde? Não existe isso.Existem doenças e pessoas que adoecem verdadeiramente e infelizmente. Algumas doenças são tão graves que as pessoas acabam por falecer.
    Não se brinca com falsas alegações de doença: é gozar com quem está mesmo doente e sāo alguns os of.justiça.
    Quanto aos privados, é ver as poucas greves que fazem em comparação com os funcionários do Estado.
    Porque será? É só dizer a verdade, que é Carnaval e ninguém leva a mal.☺

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  14. A saúde de uma democracia mede-se pela eficiência das suas instituições.
    E estas são assim classificadas quando são aptas e capazes de garantira a todos os cidadãos a prestação de um serviço minimamente condigno.
    Por isso temo que o próximo governo vai ter perder imenso tempo e energia a restabelecer a normalidade do funcionamento dos serviços públicos - desde a saúde, segurança, ensino e até à justiça.

    Eu não sou filiado em nenhum partido, nem sequer nutro muita simpatia pela área, mas entristeceu-me profundamente ver o líder do partido que ainda está no governo apresentar um programa de "mudança" com duas fileiras à sua frente compostas pelas equipas ministeriais do governos caído, ou seja, a mudança vai, ao que tudo indica, ser levada a cabo pelos mesmos personagens que, na área da justiça e não só, são reputados pelo universo judiciário de "inadequados" - coo referiu Miguel Júdice.

    Como é que é possível que alguém acredite numa só palavra ou numa dessas pessoas que, tendo ocupado um lugar de tão grande responsabilidade e com poder para decidir, não prosseguiu ou tomou as medidas necessárias, apenas e só porque não o quiseram fazer.

    Vem anunciar a valorização das carreiras quando o que foi proposto aos oficiais de justiça, na minha opinião, foi um ultraje e por muitas promessas que façam e as inscrevam nos seus programas coloridos já não me convencem - não o fizeram nestes últimos 8 anos e não foi por falta de oportunidade, foi por não quererem mesmo.

    Talvez fosse a tal "reforma silenciosa" em curso que o PM referiu muitas vezes, mas o certo é que até 2026 os serviços no setor da justiça vão ficar caóticos.

    Só vejo uma solução, pois que agora, nos debates e entrevistas, o PAN, PC e o BE aparecem como companheiros do PS, numa espécie de coligação de família, de "primos", em que nenhum deles renega a ligação de "sangue" e até anuncia uma conjugação de forças para, continuar com um governo que, do que diz que faz, faz muito pouco e o mote é "temos de derrotar a direita".

    Pois bem, a partir de hoje o meu mote é "temos todos de derrotar quem está a criar o caos na justiça" seja ele qual for, e penalizar que não nos valoriza e desconsidera no discurso e nas decisões políticas.

    Mas apercebo-me que há sempre quem decida investir nas mesmíssimas pessoas, naquelas que se afastaram da verdade e do compromisso assumido (que diziam que o ano de 2023 era o ano dos OJ) e que querem fazer de todos nós parvos.

    Eu já não acredito nessa gente!

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  15. O MJ e a DGAJ quer lá saber da rutura.
    Parece que estamos nós mais preocupados.

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  16. Querem (plural)****

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  17. Desculpem mas esqueci-me de dizer que o mote dos referidos partidos, que se dizem de amigos, devia ser "governar para resolver os problemas das pessoas", fazer melhor pelas pessoas e não a criação de diabolizações, muitas delas propaladas como acontecimentos fatídicos e de cataclismo da democracia.

    Os demagogos e populistas, aqueles que dizem sempre o que nós gostamos de ouvir, mesmo quando não temos razão, geram sempre a minha desconfiança - são partidos de "paragens de autocarro" que nos vendem uma ideia ou uma solução conforme o local onde se encontram.

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  18. E eu que tanto criticava as autarquias e a promiscuidade que pensava encontrar-se por exemplo entre os lugares/empregos à medida e a caça ao voto do eleitor, vejo agora que, com o argumento da falta de funcionários nos tribunais, face à dificuldade de vida em determinados sítios deste país, querem suprir a escassez com o recrutamento de administrativos locais.

    É o início do caminho que alguns queriam há muito ver trilhado ...

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  19. E há a ainda o combate à zoófilia, crime muito praticado e a isençāo de IVA na transmissāo de imóveis que não pagam esse imposto, relatou ontem RAP, no "Isto e gozar com..." E se a equipa de produção lesse ainda com mais atençāo encontraria outras boas medidas.
    ......

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  20. Não nutre simpatia pela área política, mas sāo os políticos que governam e não, não são todos iguais.
    Entāo o homem ia apresentar o seu programa junto de quem? Os outros também apresentam junto dos seus.O governo está em gestão, mas está lá e dai a comparência. Não quer dizer que, se ganhar as eleições o líder vá buscar os mesmos de Costa.Não creio. É muito mais aguerrido, o que é importante vai ser feito, mas com outras pessoas. A acontecer, só se espera que tenham em conta as contas e nāo derrapem para ser acusados mais tarde por quem nāo governou, de que gastaram dinheiro a mais. Os mesmos que hoje exigem que se gaste tudo.
    Quim Barreiros diz sempre: ó minha filha nunca gastes tudo...

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  21. Realmente é capaz de ter razão quando deixa a ideia de que se não estivessem lá haveria comentário de outro tipo.

    Mas, repare que eu não sou comentador político ou sequer faço política de carreira - sou oficial de justiça - e fiquei entristecido (veja por aí a minha afinidade) quando vi as pessoas que na justiça - setor que me importa e interessa ao caso - nos desconsideraram, e nos estão a maltratar com a sobrecarga imensa de trabalho, onde, em muitos serviços, se vive com uma pressão incomensurável.

    E eu já não vou na cantiga de amigo, nem sequer da de escárnio e maldizer, deixei-me enfadar pelo triste fado, como sou diferente na opinião vou citar António Zambujo:

    «Senhora desconheço seus cuidados
    Mas vejo-lhe no rosto desamores
    Tão triste faz lembrar-me tristes fados
    Onde o amor só rima com a dor»


    Bem sei que o colega é mais do "pimba" e se calhar muitos de nós estão virados para aí, por isso o país está como está ... por sermos fiéis a um ideal político prosseguido por determinadas personagens e mesmo que esse ideal seja o mal de todas as coisas ou então as personagens não o sirvam não somos capazes de o reconhecer.

    E depois de lhes investirmos tamanho poder queremos que aconteça muitas vezes o inverso daquilo que eles denunciaram (revelado pelos seus atos).

    Na justiça não nos quiseram valorizar ponto!

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  22. Dizem agora uma coisa e mais à frente o seu contrário ... dizem o que for preciso para entrarmos na sua camioneta!

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  23. O mundo do trabalho está a atravessar, o que já vem sendo conhecido como uma “Quarta Revolução Industrial” cujo impulso reside na implementação da digitalização da informação.
    A digitalização e as Tecnologias de Informação e Comunicação a par da IA (inteligência artificial) estão a tornar-se cada vez mais num lugar comum.

    No setor da justiça esta situação trará um enorme impacto positivo, mas também negativo no que respeita à precariedade do trabalho como se viu no projeto de estatuto apresentado em que eramos desvalorizados e reconduzidos a assistentes administrativos com especiais obrigações.

    Com efeito, a par de todas estas mudanças somos confrontados com a realidade do costume - aceitar a mudança e evoluirmos ou rejeitá-la e atrasarmo-nos na preparação do futuro.

    Nos próximos cinco (5) anos vai existir uma autêntica revolução no trabalho, na forma como ele se desenvolverá - a semana de 4 dias, o teletrabalho, a sua flexibilização e a partilha de recursos, são alguns dos temas que, aliados à qualificação, se vão impor em todas as maiores discussões sobre o tema (do trabalho).

    Tudo isto impulsionará os resultados da divisão do trabalho e do aumento de produtividade o que com isso se pretende incrementar - a eficiência.

    Estaremos preparados com estas pessoas que nos são apresentadas? Não sei! Sei é que a equipa do MJ não foi capaz, foi lenta e não deu cabal resposta nem às nossas reivindicações nem às demandas do tempo e o tempo devora tudo!

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  24. É por isso que não voto no Chega.

    Confesso que o meu vizinho tem uma cadela labradora bem fofinha....

    Às vezes.....

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  25. para comentário das 12.02.2024 às 11:44

    não és tu que vens dar lições de oral.

    cheiras-me a chefia,

    vai-te catar, estás bem instalado na poltrona à custas dos outros , confessa lá

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  26. Pergunta ao pessoal do rendimento mínimo.

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  27. Líder dos licenciados12/2/24 18:30

    Venho ordenar todos os oficiais de justiça, que treinem a seguinte musica (inspirada na musica de leandro ) para cantar na próxima greve:

    Que mal te fiz eu, que me tratas-te assim como um farrapo, um vagabundo um pobre coitado, que não me pagas horas extraordinárias e violas a lei, com trabalho escravizado.

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  28. Conheço algumas investigações.

    Não escapa um.

    De Norte a Sul.

    Desde o "monte Maradona" à perspicaz economista que "arrumou com isto tudo".

    Um Oficial de Justiça, função de nível 2, veja-se, engana-se num "decaimento", obrigado que é a fazer contabilidade processual, e é logo suspenso de funções e sem remuneração ( pouco mais de 800€/mês!!!

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  29. Participe de quem assim lhe respondeu.

    Até salta.

    Destino da queixa, Inspeção Geral dos Serviços de Justiça.

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  30. Sniper da Sé12/2/24 21:17

    O colega acha que vale a pena, depois ainda apanhamos mais represálias, e então solução para o nosso problema nunca mais tem solução

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  31. Eu não alinho em mais greves nem manifestações.

    Cansei de sindicatos e paleios da treta.

    Há mais de 20 anos, nrm a integração dos 10% se conseguiu.

    Minha arma é 9h - 17h

    E nem mais um minuto.

    Se dgaj e ministério querem que isto afunde, então que afunde.

    Cansei e cag‐---

    Sim senhor admistrador judiciário e senhor juiz presidente, reunião de objectivos??

    Eheh

    Já foram.
    Ide para as secções bulir



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  32. Qual é o problema de ser um simples administrativo?? Desde que paguem mais até podem chamar cantoneiro que não tem mal nenhum...
    Trabalho, tal como a maioria, por€.... Recusamos um estatuto bem melhor que o atual...

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  33. Este de 12.2, 18, 30 diz ser licenciado mas ainda não sabe escrever. Com que então tratas-te em vez de trataste. Coitado do Leandro ou outro autor da letra.E essa de ordenar aos O.Justiça é forte: a mandar já há muitos, só falta quem trabalhe.

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  34. Serve para ponto de atualização. Não houve candidatos ao destacamento excecional!!! O que para nós (Oficiais de Justiça), não é surpresa alguma. Surpreendida foi a DGAJ e na pessoa da sua Subdiretora, pois acha estranho ninguém querer "beneficiar dos magníficos apoios" concedidos. Só alguém que viva noutro país que não Portugal, ou em Marte, ficaria surpreendido. Enfim...

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