A apresentação em Gondomar da “Finitude dos dias imperfeitos”
Neste próximo sábado, 20ABR, decorrerá uma sessão de apresentação do romance – do qual já aqui demos notícia – em que se relatam, entre outros, as vivências e os conflitos de uma personagem Oficial de Justiça.
A apresentação será em Gondomar (Porto) e os Oficiais de Justiça que queiram ir poderão, não só conversar com a autora da obra, como até adquiri-la autografada.
Todas as pessoas que se debruçam sobre a vida e a problemática dos Oficiais de Justiça, merecem a nossa atenção e reconhecimento, pelo que este sábado, pelas 16H00, todos os que puderem comparecer na Biblioteca Municipal de Gondomar estarão a apoiar esta atenção que Angela lopez teve para com os, tantas vezes, invisíveis Oficiais de Justiça.
A “Finitude dos dias imperfeitos” tem trechos como os que seguem, sobre a personagem Alice, a Oficial de Justiça que, afinal, todos conhecem, ou melhor: que todos nela se reconhecem.
«Horas sem fim a planear, preparar e executar atividades nos processos. Meses, anos a fio, a aplicar procedimentos, automatismos, ferramentas sempre a serem revistos, fazer ofícios, abrir processos, agendar e acompanhar diligências, reproduzir atas, organizar documentos que se acumulavam de forma obstinada, matando a esperança da tarefa concluída.
Ao fim de tantos anos, continuava desinquieta com a urgência dos prazos, de despachos, de diligências, dos caprichos enfatuados de muitos magistrados e advogados, e sobretudo com os fragmentos de vidas e de dramas que atravessavam os seus dias. Havia dias que aquele tribunal parecia destilar séries monocórdias de um presente insustentável sem opções e sem esperança.»
Na obra, Ângela Maria Lopez, pretende mergulhar os leitores no complexo mundo da justiça, onde a autora tem experiência de trabalho há mais de 30 anos, essencialmente na área da Família e Menores.
Nas funções que a autora exerce, reconhece como primeiros interlocutores com o sistema judicial os Oficiais de Justiça e, por isso, a sua personagem da Alice surge natural e necessariamente.
A autora avisa-nos que apesar de Alice ser uma personagem fictícia, no entanto ela existe mesmo. Diz assim a autora: “A Alice existe, cruzei-me com muitas Alice. Ainda esta semana estive com ela, eficiente, atenta, solícita, angustiada com as inúmeras tarefas a cumprir, pressionada por telefonemas, injunções, diligências, interpelações, chamadas…”
No cartaz da apresentação (imagem que ilustra este artigo), consta a seguinte sinopse:
“No romance as personagens encontram-se, com suas histórias únicas, nos labirintos de um tribunal, com seus conflitos internos e externos, suas incongruências entre o que aspiram, o que dizem e o que fazem.
Enquanto Oficial de Justiça, advogada, juiz, psicólogo, utente, transportam a sua visão do Mundo, na perceção do outro, da justiça, presos entre tensões, conflitos, dramas pessoais.
Todos eles heróis das suas vidas na busca de sentido da sua existência.”
A autora pretende divulgar as dificuldades do sistema judicial, mas também a sua dimensão mais humana. Alice é uma das personagens principais, uma Oficial de Justiça que interroga a complexidade do mundo em que trabalha.
Tal como a outra Alice do romance de Lewis Carroll, a sua própria identidade é posta em causa pelas estranhas lógicas de uma teia relacional que a ligam a outras personagens através da função que exerce, numa procura de sentido às tarefas repetitivas, sempre inacabadas, pouco reconhecidas em que, tal como na sua vida pessoal, acaba por se tornar o que não quer ser.
Num dia imperfeito, a lógica absurda dos procedimentos que tem de cumprir confronta-a com a violência do sistema na sua normalidade para quem nele trabalha e para a quem ele recorre.
Tal como a pequena Alice do País das Maravilhas, esta personagem adulta para além dos questionamentos sobre o “O que é o normal e anómalo”, “o justo e o injusto” também se interroga sobre o que pode continuar a fazer sentido no lugar basilar e pouco visível que lhe é atribuído neste universo opaco, pouco eficiente pela sua complexidade e pelos seus formalismos. Um sistema em que o tempo nas suas lógicas funcionais, instrumentais se perde, escapa, esmaga as pessoas que a ele recorrem, mas também a quem nele trabalha.
Face às lógicas e limites daquele espaço-tempo do judiciário face a um mundo em constantes transformações, Alice, em busca de sentido aos dilemas pessoais e profissionais, constrói um espaço próprio para além das injunções formais, dos desentendimentos, dos desencontros, da violência, das dimensões trágicas da existência humana.
Pode saber mais sobre a autora e sobre o romance, podendo mesmo adquiri-lo, através das seguintes hiperligações:
https://angelalopez185907333.wordpress.com/
https://entreagente-comunicoergosum.blogspot.com/
https://www.bertrand.pt/livro/a-finitude-dos-dias-imperfeitos-angela-lopez/29156145
https://www.wook.pt/livro/a-finitude-dos-dias-imperfeitos-angela-lopez/29156145
«Havia dias assim. Dias imperfeitos como este fim de tarde de domingo de março ensombrado desde a manhã por uma chuva miudinha e persistente. Tinha chegado aos cinquenta anos. Já começavam a ser muitos e cada ano parecia mais acelerado na sua vertiginosa irreversibilidade. Seria o tempo a passar ou a Alice que não se tinha apercebido da passagem do tempo?»

Muito bem!!
ResponderEliminarEis algo e alguém de quem nos devemos orgulhar de ser nosso colega.
Um artigo para descomprimir!
ResponderEliminarTambém é bom!
É hoje o grande dia!!
ResponderEliminarVamos lá ver o que sai da reunião...
Se sair, pelo menor, nova data, já é muito bom.
ResponderEliminarEsta reunião vai servir apenas para agendar a data da próxima.
ResponderEliminarNão esperemos mais do que isso.
Já terminou a reunião?
ResponderEliminarTambém com outros foi assim!
ResponderEliminarNovo executivo - Ouvem-se os sindicatos e as suas pretensões e marca-se uma nova data para continuação das conversações.
Entretanto, pondera-se sobre as pretensões dos trabalhadores e do próprio governo, calculam-se os custos financeiros, e volta-se a reunir!
É sempre assim, e não vejo como poderia ser de outra forma!
Mas pronto, o sapo gosta de se rir!...
Cuidado com a armadilha das horas extra !! 2/3 ou mais dos OJ´s não precisam, de as fazer pois ou têm o seu trabalho em dia ou controlado e/ou não trabalham numa seção criminal ou em julgamentos (cujo prolongar da hora nem se justifica, na maioria das vezes). Muito cuidado !!
ResponderEliminarÉ que se querem mesmo ir por aí, a tutela faz o favor de retirar os 10% a todos e paga apenas aos que, justificadamente, façam as referidas horas.
Haaa...disponibilidade total e em férias e tal...sim, pois. Acabem é com isso.
Uma pessoa nem se sente verdadeiramente livre ou desligado como qualquer outro cidadão, atentos esses constrangimentos e obrigações.Falo por mim, mas é mesmo isso que sinto.
Isso não faz de nós melhores cidadãos ou mais cumpridores da lei. Apenas verga, corrói o espírito e não se compadece com ideais de verdadeira liberdade.
A análise da relação vencimentos/trabalho efetuado, deve basear-se na responsabilidade da função, na necessidade de a valorizar e dignificar, face ao peso que a justiça tem ou deveria ter numa sociedade.
E quando um mero caixa de hipermercado (com todo o respeito pessoal pelo mesmo, mas todos sabemos que na maioria dos casos, é uma profissão transitória ne vida de alguém, contrariamente à nossa), leva para casa mais do que um OJ, então estamos a dar claro sinal a todos de que não se dignifica a carreira nem o local onde é exercida.
Oo seja, esqueçam lá a história das horas extra, porque acabaremos por cair em cima da própria espada !!
O que tem mesmo de acontecer, é dar à sociedade um claro sinal de que esta carreira não acabou nem tem como acabar, mas que tem de ser dignificada, respeitada e valorizada !
E isso começa pelos salários, obviamente, mas não pode nem deve acabar por aqui !!
É só medo, medo, medo!!!
ResponderEliminarTirarem os 10%, quando até já foi aprovado na AR a sua integração ?!!!
Tenha juízo!
Até dizia o que podiam fazer á integração mas não quero ser mal educado.
ResponderEliminarSanta estupidez
ResponderEliminarApenas cumprimentos...
A reunião já acabou o k conseguiram nada...
ResponderEliminarSe assim for está na altura de tomarmos medidas mais sérias e substituição dos líderes sindicais... Só depende de nós....
ResponderEliminarJá chega desta m...
A reunião não deu em nada.
ResponderEliminarEm vez de anunciar a bomba atómica, o senhor Marçal saiu apenas aborrecido.
Porque não anunciam já uma greve às diligências lá para Junho/Julho.
Nós sabemos que a PGR/DGAJ e afins entendem que é ilegal.
Nós sabemos que eles sabem.
Mas anunciem, porra.
Até lá, muita água corre debaixo da ponte.
Digam que vamos desobedecer às ordens.
Digam que não temos medo dos processos crimes e disciplinares.
Digam qualquer coisa.
Não podem é perder o momentum....
Pressionem, ameacem, gritem......
Não fiquem com os cornos em baixo...
Vivemos numa sociedade que não interessa se fazemos ou não, interessa e parecer que fazemos.
É como no nosso local de serviço.
Não interessa se o Tribunal faz Justiça, interessa é fazer parecer que está a fazer Justiça.
Façam qualquer coisa, caramba.
Vem aí uma sexta feira com greves de manhã e à tarde.
Quinta feira é feriado.
Quarta feira também se pode fazer greve.
Anunciem já que vai haver presos serem libertados.
Anunciem o caos.
Isto só lá vai com a política da terra queimada.
Acordem caramba.
FF
Os policias ja falam em manifestações no 25 abril.
ResponderEliminarNos tribunais os mesmos cagarolas de sempre.
Estes sindicatos da treta ... Estou farto e vou entregar o cartão, não pago nem mais um cêntimo para estes gajos, se não anunciarem desde já uma greve que paralise os tribunais de norte a sul.
ResponderEliminarSe isto está a bater no fundo, então agora é que vai ficar.
Antigamente chamava-te um lírico, hoje és uma artista...
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