O emburramento das clivagens
Um grupo de seis Oficiais de Justiça, até já conhecidos da carreira por terem encetado outras iniciativas, subscreveram comunicações dirigidas aos dois sindicatos (SFJ e SOJ) apelando a um entendimento comum, com pontos de convergência entre ambos, de forma a enfrentarem as negociações com o Governo de forma mais sólida, tendo em vista “a efetiva valorização e dignificação profissional de todos os Oficiais de Justiça, as quais tardam em chegar”, lê-se nos e-mails enviados.
Considerando que este é um “momento tão crítico para a classe” e sendo este “um anseio transversal à maioria dos Oficiais de Justiça”, o grupo refere que as “classes profissionais que têm conquistado muitas das suas reivindicações têm todas um denominador comum: os seus sindicatos estão em sintonia, até unidos em plataformas sindicais (forças de segurança, guardas prisionais e enfermeiros, são apenas um pequeno exemplo).”
Apresentada a justificação para a necessidade de entendimento em pontos de convergência, resta sugerir alguns, e é isso mesmo que fizeram.
O grupo aponta para umas “linhas vermelhas inegociáveis” que constituirão uma “base de convergência para a defesa da classe”. E passam de seguida a indicar os seis pontos que consideram básicos e inegociáveis, e que são os que seguem:
– “Caracterização da carreira dos Oficiais de Justiça com o grau de complexidade funcional 3 para toda a classe, sem qualquer clivagem; para todos os atualmente em funções e para todos os futuros ingressantes na carreira;
– Carreira pluricategorial;
– Regra de cargos de chefia como categoria e não comissões de serviço;
– Integração no vencimento do suplemento d0e recuperação processual;
– Regime específico de avaliação, prosseguindo o Conselho dos Oficiais de Justiça como órgão que aprecia o mérito profissional e com poder de exercício do poder disciplinar sobre os Oficiais de Justiça, tendo como inspetores Oficiais de Justiça (artº. 98º do EFJ) e
– Estrutura salarial por índices de escalões remuneratórios inspirados nas carreiras já revistas do Ministério da Justiça, designadamente, a carreira de investigação criminal da Polícia Judiciária e a dos Oficiais de Registos e Notariado.”
Finda a lista dos aspetos básicos inegociáveis, ou linhas vermelhas, o autointitulado “Movimento espontâneo para a defesa dos Oficiais de Justiça” termina com a seguinte afirmação: “Colegas, é mais forte o que nos une do que o que nos separa”.
De facto, não só é mais forte aquilo que une todos os Oficiais de Justiça, como a base de união é muito maior.
A existência de uns quantos energúmenos que defendem clivagens, diferenciações, exclusões, a retirada de direitos a uns para dar a outros, e tantas outras considerações, em linha, aliás, com a atual tendência do pensamento que embebeda a sociedade e, também, alguns dirigentes sindicais – que até se dão ao trabalho de inventar e propor métodos para a imposição de tal clivagem, ao mesmo tempo que, convencendo-se e querendo convencer meio-mundo de que é mesmo necessário e que só esse é o caminho –, perdem-se na anomalia e na estupidez das propostas, plenas de ideias utópicas de um sonho de que serão no futuro algo que acabarão por não alcançar, colocando em perigo e fazendo com que todos se distraiam no disparate, deixando de se focar naquilo que é importante ou, como diz o tal grupo de Oficiais de Justiça, a tal base inegociável.
Uma das maiores palermices a que assistimos diariamente com grande fulgor é a de quem acha que o grau 3 só se deve conceder a licenciados e, ultimamente, depois da porca proposta do Ministério da Justiça, até já se atrevem a alargar um pouco mais. Não compreendem que o grau 3 não se concede a pessoas, mas a uma carreira e que há carreiras, como a dos Oficiais de Registo, que recentemente passou à categoria de grau 3 sem quaisquer palermices de cursos, provas, ou seja lá o que for.
Quem chegou recentemente à carreira e pretende subidas de salto-à-vara, porque tem uma licenciatura qualquer, desconhece que há avaliações de desempenho periódicas de todos os Oficiais de Justiça e que estes, para ocuparem determinados cargos, para serem promovidos, devem, todos, submeter-se a provas que, necessariamente, excluem os menos bem preparados. Não há favorecimentos pelo currículo, mas pelas provas, que são iguais para todos.
O facto do sistema do atual Estatuto estar a ser sistematicamente corrompido na atualidade, designadamente, pelo abuso que se criou nos regimes de substituição, não significa que seja esta a previsão estatutária para a normalidade da carreira.
Os dirigentes sindicais não podem embarcar no analfabetismo reinante e contribuírem para a desgraça de toda a carreira, apresentando propostas estapafúrdias que levem à divisão da carreira, ainda que digam defender que todos os atuais passam para a nova carreira e no futuro, porque consideram que há Oficiais de Justiça que desempenham funções que não são tão elevadas quanto as suas, possa haver outra carreira.
A estupidez de que o meu trabalho é melhor e maior do que o do outro, que nada faz, ou pouco faz, e que o faz não tem nada que saber, é das maiores cegueiras e grosserias que podem existir e isso acontece entre uns e outros, todos se acusando mutuamente de que os “outros” nada fazem.
Se é grave que entre colegas tais opiniões sejam acefalamente alimentadas, pior é quando os sindicatos se deixam levar por tais emburramentos e começam a propor mais e maiores clivagens.

Fonte: podem aceder aos e-mails enviados e aqui transcritos através da seguinte hiperligação: “eMails enviados ao SFJ e ao SOJ”.
O Soj está a enviar a todos os sócios , uma pequena garrafa de vinho do porto, e um bolo rei e um postal de boas festas.
ResponderEliminarEu já recebi a minha muito obrigado.
O SFJ em 25 anos nem uma sardinha oferece aos seus ...vergonha.
Eu tbm já recebi o meu muito obrigado ao SOJ.
ResponderEliminarO grau 3 vai ser atribuído á carreira e a todos os que, neste momento lá estão.
ResponderEliminarAs categorias vão ser duas, unicategoriais.
A transição para as duas categorias vai ser feita como a tutela já comunicou para os graus 2 e 3, só que, todos de grau 3.
Os cargos de chefia serão por comissões de serviço.
A avaliação será Siadap
.A tutela vai dar a vitória do grau 3 para todos . Porém o resto que nos interessa, valorização salarial, idade de reforma, integração do subsídio no vencimento, vai ficar tudo igual.
Ira ser criada uma nova carreira de grau 2, com novas e abundantes entradas, que será o maior numero de profissionais a médio prazo.
Os sindicatos, designadamente o SFJ cantara vitória, com o slogan, ninguém ficou para trás.
Estás são as minhas previsões para 2025.
Mas o mais bonito é que a garrafa de vinho do porto e o bolo rei trazem o símbolo do SFJ. Realmente o desnorte continua a reinar dentro do sfj e os comentários acima, ridículos, são bem prova disso.
ResponderEliminarAgora tu és as baba vanga dos oficiais de justiça????
ResponderEliminarEssa está boa...
Já que fazes previsões porquê não jogas no Euromilhões???
De certeza que acerta as...
Não estejas mal disposto, diverte-te, ri. Entra no espírito.
ResponderEliminarNada de fumos. Pura ironia, que temos, seja a realidade. Eu não quero que assim seja, quanto ao que não vamos conseguir, mas ...... .... . Os sinais não enganam.........
ResponderEliminarE ao Natal e Ano Novo o mesmo se aplica.
Bom comentário. No geral é isso. Força para continuar.
ResponderEliminarA seguir assim, em breve nem dinheiro para pagar a renda vão ter, continuem a desfiliar!
ResponderEliminarEu ainda não recebi o bolo rei nem o postal de boas festas do SOJ..mais.alguém já recebeu?
ResponderEliminarOu do SFJ?
Sei de colegas que já receberam do SOJ.
ResponderEliminarEles estão a enviar por fases.
O do SFJ acho que não está a enviar nada...
FINALMENTE PESSOAS PENSANTES (Vejam o artigo ao lado "Emburramento das clivagens"). Esperamos que a linha vermelha não seja como as do Marçal...
ResponderEliminarParabéns a estes colrgas que demonstram e resumem inteligência sem divisões e com justica!
ResponderEliminarEspero que sejam ouvidos e levados a sério por todos!
Sindicstis acordem
Na minha família há pessoas associadas em ambos os sindicatos, e todas dispensam prendas de Natal dos respetivos.
ResponderEliminarO que unanimemente esperam e desejam é que os dois pugnem por e lhes/nos proporcionem uma carreira condignamente valorizada ao nível de muitas outras da função pública.
No mais, não nos andamos aqui por casa a digladiar nem a medir os tamanhos dos nossos órgãos sindicais.
Não só no Natal mas também durante o resto de todo o ano.
Colrgas? Que raio é isto?
ResponderEliminarQueria dizer cólera???
Sindicstis??
Que é isto??
Tenha vergonha, eles têm milhares de euros , os últimos balanços rondou verbas de 700 mil euros .. o mínimo que podem fazer nesta época é umas prendas aos associados....
ResponderEliminarÉ uma questão de educação...
Em vez de andarem para aí a gastarem o dinheiro em advogados que não resolvem nada .
Eu não estou mal disposto só questionei se tem.os poderes da baba vanga.
ResponderEliminarEu não dispenso prenda nenhuma se uns recebem outros também tem direito...
ResponderEliminarQuero lá saber de revindicações nesta altura do ano.
Não tem ouvido as notícias recentes sobre os colapsos da inteligência artificial?
ResponderEliminarOra aí está!
O que eu mais vou invejar aos oficiais de justiça do futuro é que quando acontecerem sistemáticos ciberataques eles já não terão nada físico para trabalharam e poderão entreter-se a matar o tempo como quiserem até que a normalidade seja reposta.
Pois, mas há quem não tenha tido qualquer benefício resultante de ações do seu sindicato, mas contentam-se com bolos e álcool.
ResponderEliminarBebam, bebam....
Com bolos se enganam os tolos.
ResponderEliminarBom proveito.
Vocês são mesmo uns tristes.
Achas mesmo que vou na tua cantiga?
Somos +/- 6900 almas... Com o dinheiro do PRR façam favor de ser justos. GRAU 3 E TABELA SALARIAL CONDIGNA PARA TODOS OS OJS!
ResponderEliminarPara o Anonimo das 13:44 se tás com inveja problema é teu...
ResponderEliminarEu cá vou comer e beber..
Um gesto bonito e é criticável...agora criticam por tudo e por nada...
Peaners??? K é isso?
ResponderEliminarSe a tutela a ministra teimar em avançar para a divisão dos oficiais de justiça em classes grau 2 e 3 vai armar um imbróglio que nem faz ideia.
ResponderEliminarTera de definir bem os conteúdos funcionais e aí alguém me explique como é que o serviço à sala, quero dizer julgamentos, que é um serviço de responsabilidade e de grande stress, feito por escrivães auxiliares, pois os adjuntos fogem dos julgamentos como o diabo da cruz, vão estes auxiliares ser bafejados com grau 2 e uma boa parte dos adjuntos com grau 3.
Ou seja, os mouros de trabalho levam o grau 2 e nem adianta serem licenciados, vão amolar na mesma com as audiências.
Isto vai ser uma guerra constante nas secções entre funcionários.
É isto a pacificação que a ministra quer?
Tornar os tribunais num ambiente ainda mais envenenado do que já está?
ResponderEliminar"
Pode este blogue tentar ofender quem pensa diferente, mas volto a afirmar as vezes que forem necessárias: o ingresso na carreira grau 3 de trabalhadores não licenciados, não tem sustentabilidade legal.
ResponderEliminarSe Esc dto e Secretários, foram submetidos a provas, constituindo estas, a par da experiência em cargo de chefia, pressupostos de atribuição de equivalencia a licenciatura, o mesmo não se pode dizer dos auxiliares e adjuntos não licenciados.
Se não queriam divisões, exigissem simplesmente valorização salarial, todos em grau 2.
ResponderEliminar"
Obvio que cada um de nós terá que intentar a respectiva ação judicial....isso é limpinho..
ResponderEliminarE porque não colectivamente?!!
ResponderEliminarAMIGOS JUNTOS SOMOS MAIS FORTES! E para quando uma declaração conjunta dos 2 Sindicatos unidosss?!?... Vejam o artigo de opinião de hoje (29.12.2024). Ou o SFJ tem medo?
ResponderEliminarSó licenciados em grau 3?
ResponderEliminarEntão no novo estatuto que ponham a exigencia de licenciatura para ingresso na carreira.
Simples.
Salvaguardando os que ja cá estão com o grau 3. Licenciados ou não.
É como deveriam ter feito aquando da mudança da idade para aposentação, apenas veria a sua idade de aposentação alterada quem estivesse a entrar nos tribunais a partir dessa mudança, não quem já tinha anos de serviço e com as expectativas de quando assinou o termo de posse.
Mas, já estamos habituados a constantes rasteiradas da tutela e de sindicatos a dormir na forma.
Acho vergonhosa a terminologia usada pelo OJ de hoje! NÃO deve tratar assim quem pensa de forma diferente!
ResponderEliminarVocês aqui a chatearem-se todos com o estatuto e a sra. Ministra na praia a curtir os últimos dias do ano ...
ResponderEliminarSlaves
Obvio que um litisconsórcio voluntário seria melhor...ou seja em conjunto... aliás isso deveria ser o sindicato... contudo estaremos perante diversas situações distintas...umas mais ou menos válidas que outros..
ResponderEliminarPor exemplo o caso dos auxiliares licenciados.
Depois, o caso dos adjuntos com menos de 15 anos.
Depois a proibição regressão ,das funções dos auxiliares aí implíca toda a gente...
Não pedimos sessões de massagens como aquelas que o CSM proporcionou aos Senhores Magistrados!
ResponderEliminarApenas exigimos o grau 3 de complexidade para todos os Oficiais de Justiça á imagem do que sucedeu com os Oficiais de Registo e Notariado.
Sauna e massagens para combater o burnaut!
Que o digam os Oficiais de Justiça?!...
Os sacos de boxe, que aparam tudo e repito, mesmo tudo, apenas reivindicam o Grau 3 de complexidade para todos.
Atenção colegas dos DIAP's!!!
ResponderEliminarEsta semana o número de inquéritos de violência doméstica vai aumentar!!!
Trabalhem slaves!!!
ResponderEliminarPede a demissão MARÇAL! RUA JÁ! Foste comido que nem cebolada
ResponderEliminarBem melhor seria se usassem o dinheiro em ações de luta pelos nossos interesses.
ResponderEliminarEXCELENTE TEXTO...transparente, claro e assertivo !
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