A cada quarta-feira os Oficiais de Justiça podem assombrar-se com os artigos de opinião no Correio da Manhã

      A presidente do Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ) veio esta semana refletir no Correio da Manhã sobre a “muito falada crise dos sindicatos”, afirmando que o enfraquecimento dos sindicatos resulta na fragilização dos trabalhadores.


      Ou seja, refletindo, o que Regina Soares nos transmite parecem ser duas mensagens: a primeira é que os trabalhadores perdem por terem sindicatos fracos e a outra é que os sindicatos são fracos por culpa dos trabalhadores.


      Concretamente diz assim:


      «Fala-se muito da crise dos sindicatos, mas os números mostram sobretudo que onde eles enfraquecem, os trabalhadores ficam mais frágeis. Em Portugal, a sindicalização caiu de 60,8 % em 1978 para apenas 7,6% hoje, e essa quebra ajuda a explicar a precariedade que enfrentamos.»


      A leitura comparativa com 1978 não é uma leitura possível de fazer dessa forma tão linear, desde logo porque em 1978 estávamos a tão-só 4 anos da efervescência da Revolução de 1974 e ainda porque não é uma verdade absoluta que os trabalhadores tenham perdido condições e direitos no trabalho, considerando-se que estão piores hoje do que em 1978. No entanto, ainda que isso fosse verdade, isto é, que hoje os trabalhadores estão piores do que em 1978, a responsabilidade nunca poderia ser assacada aos trabalhadores, pois estes até tinham um alto nível de sindicalização.


      A descida do número dos trabalhadores sindicalizados não tem uma correspondência direta com o seu prejuízo laboral. Um exemplo relevante é a perda de associados Oficiais de Justiça que existiu após o acordo dos dois sindicatos com o Governo ainda este ano.


      A perda de sindicalizados não enfraqueceu os sindicatos, o que aconteceu foi precisamente ao contrário; a perda de foco dos sindicatos e o virar de costas para os seus representados é que enfraqueceu os trabalhadores.


      É perfeitamente compreensível que os trabalhadores, depois de verem que os seus sindicatos lhes viram as costas, acabem por lhas virar também.


      A leitura da presidente do SFJ vai mais longe e diz que o índice de sindicalização nos países nórdicos é maior e por isso os salários são mais elevados nesses países. Mas, na realidade, não se podem misturar realidades sociais completamente diferentes. Desde logo porque há países nórdicos onde a inscrição em associações laborais é obrigatória, tal como, até, a contribuição para uma religião à escolha do trabalhador, sendo-lhe descontada a contribuição respetiva.


      Por outro lado, é exagerado considerar-se que as condições de vida das sociedades nórdicas não resultam das suas políticas económicas e sociais, mas do nível de sindicalização.


      E, por fim, sempre se diria que a ser verdade o alegado, tal nível de adesão sindical só poderia advir da existência de sindicatos que desenvolvem a sua atividade num nível de excelência tal que satisfaz de forma esmagadora os seus trabalhadores.


      Ora, nada disso sucede em Portugal, onde os trabalhadores não estão nada satisfeitos com os seus sindicatos, salvo raríssimas exceções, o que justifica o baixo nível de sindicalização.


      No caso dos Oficiais de Justiça, o nível de sindicalização só não é menor, ou mesmo nulo, porque as ofertas secundárias os vão mantendo sindicalizados, como o cartão de saúde extensivo a familiares, ou a possibilidade do apoio jurídico, pelo medo que têm dos processos que possam vir a ter ou das reclamações que possam ter de fazer. Não fossem tais serviços complementares, a adesão seria praticamente nula, porquanto a atividade sindical propriamente dita, deixa tantos tão descontentes, ou melhor, tão desiludidos.


      Diz Regina:


      «Logo, onde a sindicalização é forte, há justiça social; onde enfraquece, há desproteção.»


      Este silogismo é tão simplório quanto aquele da piada de que a rã com as patas cortadas não salta quando lhe dizem para saltar porque deixou de ouvir e podia ser traduzido assim:


      “Logo, onde a corrente do rio é forte, há ondulação, mas onde não há corrente, a água está parada.”


      Não se pode ignorar a orografia do leito do rio, as suas margens, a nascente, a foz, o caudal e as represas ou barragens, até mesmo as fases da lua, porque há muitos fatores que contribuem para a força ou para a fraqueza com que um rio corre para a sua desembocadura.


      E conclui o artigo assim:


      «Onde há sindicatos fortes, há progresso; onde não, instala-se a precariedade. E não esqueçamos: sem sindicatos fortes não há conquistas.»


      E a questão que se impõe deve colocar-se nos seguintes termos: como é, e como são, os sindicatos fortes?


      E a questão levanta imediatamente um leque de respostas que são novas questões:


      São fortes por terem muitos pagadores de quotas? São fortes por terem muitos apoiantes fervorosos sem opinião própria, que apoiam tudo quanto emana do seu clube?


      Ou serão fortes por imporem a sua opinião em cima da vontade dos seus representados? Não seguindo as decisões tomadas pelos trabalhadores, mesmo quando decididas em plenários nacionais?


      Serão fortes por decidirem matéria relevante sem auscultação dos seus representados, firmando alterações cruciais para a carreira sem dizer nada a ninguém?


      Cada um saberá responder a cada questão.


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      Fonte: “artigo citado do CM, reproduzido em página do SFJ”.

Comentários

  1. Tirem-me deste filme!!!4/10/25 09:08

    Líder sindical que herdou a posição do anterior presidente. Não tem prestígio nem historial para desempenhar tais funções. Não nos podemos esquecer que esta personalidade esteve sempre ao lado do presidente sindical que "vendeu" o nosso presente e futuro profissional aos nossos algozes de sempre. Esta figura não tem dimensão nem capacidade para defender os interesses dos OJ, nem junto do governo nem junto dos seus representados. Como os OJ não se interessam pela qualidade da sua representação sindical, qualquer um serve. A direção recentemente eleita é uma excrescência da anterior e tem como missão dar o golpe final naquilo que outrora foi uma carreira profissional. Enquanto os OJ não se mobilizarem tudo vai piorar ainda mais do que já está.

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  2. De mim nem mais  um tostão. 
    Sindicalizei fora do sfj e soj  que destruiram a carreira. 

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  3. Os nossos antepassados hoje teriam vergonha de nós.  O povo atual já  nada tem a ver com o espirito combativo que os nossos  pais e avós  tiveram.
    Por isso  a descida e descrença  traduzida nas percentagens.
    Sindicatos vendidos,  logo enfraquecidos.
    Não  lutam, querem é  tachos e o seu bem estar.


    Fodddd

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  4. O busilis da questão é simplesmente esta:




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  5. Ao sindicato(s) se deve a extinção da nossa carreira.


    Acordo desastroso. 
    Um acordo que nivela todos por baixo.
    Uma carreira que nos deixa sem perspectivas de futuro, sem ambições.


    Assim como entramos, assim ficamos até ao fim dos nossos dias nos tribunais. 
    Vai ser deixar correr o tempo até ao dia da reforma.
    Vai-se o brio e a produtividade no geral vai baixar.
    Foi assim que quiseram, é assim que vão ter.

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  6. O artigo de hoje faz uma excelente análise relativamente ao que são os "nossos" sindicatos nos dias de hoje.


    Transcreve exactamente aquilo que eu penso .


    Excelente.
    Muito bem 👏

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  7. A Regina, demonstra ser ainda pior presidente do que o Marçal. Muito fraquinha... Mas a culpa não é dela ! Porque foi a única que avançou para se candidatar a presidente do SFJ... 
    BOM DIA , e feliz fim de semana . 
    A 'doutorite" reina no SFJ... 

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  8. Excelente análise ao artigo da senhora Regina. Já está na altura de parar com esses artigos que, tenho a certeza que a maioria dos associados nem os lê. Há outras formas de comunicar, de trabalhar e mostrar serviço feito. A questão é que é o comportamento e desempenho dos sindicatos que atrai ou afasta os trabalhadores e não o se contrário. 

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  9. Suspiro pelo dia da chegada da aposentação ! Já chega 45 anos de trabalho e descontos ! Vejo um futuro muito mau nos Tribunais para os jovens ,os poucos  que têm ingressado … fujam fujam enquanto podem ! Aquilo é para JP Gabinetes de Gestão e afins 

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  10. Não é um problema de capacidade intelectual!
    Não é um problema de postura institucional!


    É um problema de habituação dos sucessivos governos à inação do SFJ, nomeadamente durante dos reinados de D. Fernando e D. António!... e também, em menor medida, do SOJ.


    Existe um processo negocial que requer que não se parta desde já para a luta!


    Tem de se espremer o que de positivo de puder, para depois reivindicar todo o restante.


    Não é fácil, mas também não pode durar para sempre, sob pena de alguns dos prejuízos (recuperação do tempo "congelado" e contagem do tempo desde a última subida na antiguidade) poderem vir a ser superiores ao que se vai negociando.


    É exactamente no equilibrio entre estas questões que está a virtude!


    Eu não sei se Regina ou C. Almeida procuram o resultado mais vantajoso de forma mais eficiente. Todos aspiram ao melhor, o que não quer dizer que utilizem o melhor caminho,  ou que consigam lá chegar!


    Não há nenhum motivo para, como já foi feito no passado recente, não se façam reuniões bi-semanais.


    Temos de discutir, dentro do estatuto, a aposentanção e os emolumentos, entre outras, e, fora deste (estatuto), coisas como a equiparação ao professores no tempo recuperado.


    Não se pode demorar anos a discutir a revisão do estatuto de uma carreira.


    Se o MJ (o Governo) tiver boa fé, há um conjunto de matérias que são de simples resolução (abandonar a actual posição sobre o tempo dos eventuais, a contagem de tempo na categoria e a recuperação do tempo congelado). Apenas estas máterias podem resultar em variações de indemnizações de dezenas de milhar a variações mensais maiores que a centena de euros.


    Não se pode continuar num processo sem fim, que acarreta prejuízo significativo para todos os OJ.


    Srª. Regina, Sr. C. Almeida, confrontem o MJ, estabeleçam uma data limite para o fim das negociações!


    Se correr tudo bem, com a justiça que nos é devida, ficamos agradecidos a V. Exªs, mas se as coisas correrem mal e tivermos de ir para a greve, também não há problema! Sempre assim foi na vida sindical!


    Queremos o que é nosso por direito, o dinheiro que nos devem, e queremos o respeito que há muitos anos nos foi retirado!


    Abraço a todos os colegas, e desejo de boa sorte aos nossos sindicatos e às pessoas que os encabeçam.

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  11. Só pergunto uma coisa: o SFJ quando assinou o acordo não se apercebeu das injustiças da nova tabela remuneratória?
    Dizem que sim, então deve perguntar-se...porque assinou?
    Agora que alterar o que não vai acontecer.
    É por causa de coisas como esta que se perde toda a credibilidade.

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  12. Quanto ao exercício mas atividade sindical, há uma coisa que me intriga.
    Será que a quantidade considerável de fascistas que trabalham nos tribunais, tb andam por aqui a reclamar alguma coisa dos sindicatos, sabendo que o regime Chegano que defendem acabava com a liberdade sindical em pouco tempo?

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  13. Nem mais


    Assim que vão  ter

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  14. Certeiro. 
    Antepassados morrem de vergonha desta sociedade. 

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  15. Triste  realidade.
    Eu fujo mesmo.

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  16. Mj de boa fé??


    Em 30 anos não  aprendeu nada??


    O ultimo  despacho revertido dos roubados de 2001 a 2005 não  lhe diz nada?
    Tal como  as outras negociações???


    Anda a acteditar em que??

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  17. "Faltam oficiais de justiça e:
    7 anos, 2 meses e 26 dias; 2021; ADSE 14 meses x 3,5%; trabalho eventual e probatório; juros compensatórios, há décadas, concurso estranho...

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  18. Por isso  tem o numero de sindicalizados  com tem

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  19. Muda a cassete, imbecil.

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  20. Telejornal de hoje


    Professores continuam na luta


    Nós,


    Vou ali à capital da Áustria e já venho


    E para cúmulo dos cúmulos, pessoas que todos, repito, todos meses estão a ganhar menos um escalão e não são assim tão poucos ainda acreditam nestes sindicatos

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  21. Olá colega das ,
    Também me desvinculei à pouco tempo, é uma vergonha. 
    Se não for indiscrição, que sindicato fora desses aderiu?  

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  22. O colega o estado da carreira deve-se ao socialismo e ao socialismo democrático!!!! Abra os olhos!!!!! Deixe-se dos facistas!!!! Esquece-se dos quase 10 da esquerda no poder.....

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