E o Movimento que movimento trará?

      Termina hoje o prazo de entrega dos requerimentos de transferência para o primeiro Movimento da era da nova carreira simplificada dos Oficiais de Justiça.


      O Movimento Extraordinário de Outubro de 2025 destina-se à transferência possível dos Oficiais de Justiça, dentro da enorme limitação que é o facto de não ser possível satisfazer todos os pedidos, todas as vontades dos Oficiais de Justiça, especialmente daqueles que estão deslocados das suas áreas de residência, alguns já há muitos anos, tantos que chegam mesmo a hesitar se devem continuar na carreira.


      Neste Movimento já não é possível concorrer para a carreira Judicial ou do Ministério Público, porque tais carreiras já não existem, mas não existem para os Oficiais de Justiça, embora existam para as demais carreiras das magistraturas, que não perderam estas especializações.


      Quem concorrer neste Movimento já nem pode concorrer para o mesmo núcleo em que se encontra colocado, como antes era possível, desde que mudasse de carreira, porque já não há carreiras. Agora, se não gostar das funções, por exemplo, na área judicial, e quiser mudar para o Ministério Público, ou vice-versa, tem de ir implorar e por uma vela do seu tamanho a arder para que o milagre ocorra.


      Na mão e na discricionariedade da administração local, os Oficiais de Justiça deixaram de ser tratados pela anonimização do seu caráter pessoal, levando-se em conta apenas as suas categorias, as avaliações inspetivas ou a antiguidade, para serem tratados por outros aspetos, como o conhecimento pessoal, pelo diz-que-disse, ou pelos arranjinhos de outros.


      A precarização dos lugares dos Oficiais de Justiça é algo que não se conquistou, mas algo que lhes caiu em cima com esta nova carreira especial ou especialíssima.


      A movimentação pela imparcialidade e pela justiça possível que um Movimento aporta já está coartado, não só pela grande falta de pessoal que permita uma verdadeira movimentação, como pela discricionariedade das recolocações transitórias dos Administradores Judiciários ou mesmo da transmigração para Oficial de Justiça saltimbanco, ora aqui, ora ali e depois acolá, onde acorre para tapar buraco ou apagar fogo.


      É fundamental levar à mesa das negociações do próximo Estatuto, um mecanismo que preserve os Oficiais de Justiça destas arbitrariedades e aportem uma possibilidade de movimentação dentro do mesmo núcleo, mudando de juízo, de secção ou de carreira, sem necessidade de rastejar pelo pedido.


      Bem sabemos como há Oficiais de Justiça que não se adaptam a determinadas funções em determinados locais, seja pelas funções em si, seja pela conflitualidade com os seus colegas ou outros profissionais, pretendendo afastar-se sem que seja necessário ir para as baixas médicas de longa duração que mais prejuízo causam a todos.


      Por isso, é essencial que os Movimentos se transformem em algo novo, adaptado ao novo conceito de carreira especial simplificada, ou simples, como a que ora existe.


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Comentários

  1. Tirem-me deste filme!!!15/10/25 08:27

    Hoje, muitos colegas apostam mais em ganhar as boas graças de quem manda no "burgo" do que na formação ou qualquer outra forma de aquisição de saber. Hoje a avaliação não vale nada, mas os "conhecimentos" valem muito. Serão aqueles representantes sindicais que colaboraram para isto capazes de inverter mais esta situação entre muitas outras? Creio que com esta gente nunca iremos conseguir um estatuto e uma carreira minimamente digna. E ainda falta tanto para a reforma.....

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  2. Quem puder que fuja

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  3. Os coveiros mataram a carreira.
    Pergumtem aos coveiros e continuem a pagar-lhes.

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  4. NOJO
    Por tudo o que fizeram a dita carreira.
    Msis poderes para A gestão  comarca  ser mais uma ditadura.


    Venderem a carreira.

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  5. MP e Tribunais.
    A legislação foi no sentido que a especialização era o melhor caminho: dentro do judicial as especificidades e especialidades; dentro do MP o mesmo.
    Escolhiamos para onde queriamos ir de acordo com os nossos conhecimentos e havia trabalho consistente. A maior parte estava integrado.
    Com a nova organização os candidatos candidatavam-se a um determinado nucleo sem saberem a materia com a qual iam trabalhar: uma escrivã que sempre trabalhou com o crime vê-se agora ao escolher o território sem ter em conta a matéria a possibilidade de dar um tiro na sua carreira.
    Todos sabemos o que é um "chefe" que não percebe nada da matéria da secção que chefia e o que ele/ela vai sofrer.
    Ou seja a especialização, o conhecimento, o savoir faire do funcionário vai todo para a fossa.
    A partir de aqui acabou a divisão do trabalho pela especialização e agora ao misturar e poderemos ter de sair do Judicial para o MP ou vice-versa pode ser uma condenação a ter que meter atestados, ter problemas psicológicos, etc.
    As direções do sindicatos não fazem nada.
    Mesmo que queiramos ir para a Provedoria de Justiça para alegar a inconstitucionalidade das normas da alteração do estatuto: não há Provedor de Justiça.
    Onde chegamos....

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  6. Penso o mesmo.
    Tenho quase 28 anos disto.
    Passei alguns anos no Judicial, num juízo genérico, onde fiz de tudo um pouco e muita, muita sala.
    Mas a grande maioria do meu tempo de serviço é no MP, onde me sinto melhor e onde tenho maior rendimento.
    E mesmo com todos estes anos de serviço, todos os dias aparecem coisas novas e não fosse a experiência "de saber", de tramitar inquéritos, de ter passado já por muitas situações, de já ter ouvido em inquirições, interrogatórios, centenas e centenas de pessoas, não teria a capacidade nem o rendimento que tenho.
    Agora, vejo à minha volta colegas que passaram uma vida no cível a cumprirem despachos do JIC, arguidos presos, violências domésticas, a meterem os pés à grande e a levarem recados do juiz que não quer saber se tem muita ou pouca experiência.
    Vejo colegas ao meu lado a perguntarem o que se pergunta numa inquirição, num interrogatório.
    Vejo colegas uma vida inteira no crime a serem largados a chefiarem seções cíveis, onde certamente devem ser umas "barras".
    Vejo os lambe cús que estão sempre disponíveis para tudo e correm seções diferentes, tapam os buracos, com promessas da administração da comarca, cumprem metade dos despachos e seguem a sua vida.
    É tudo mau demais.

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  7. Acho que deviamos optar pela falência técnica. 
    Não há recursos humanos, os que existem não devem ser alocados a outros serviços por impedimento funcional. 
    Fecham os serviços! 

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  8. Volta Marçal que estás perdoado.

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  9. Em alguns sitios com o quadro que está é mesmo para meter baixa e fechar.


    tristeza
    como dizem mataram a carreira

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  10. Ponham venda nisso.
    e va-se lá saber porquê

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  11. E grandes coveiros mesmo.


    Isto  já deixou de dar pica.
    é sobreviver.
    serviço e ambiente de adoecer.

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  12. Estamos nesta situação porque os oficiais de justiça, são individualistas, egocêntricos e egoístas, mas os sindicatos e a entidade patronal também não ajudam.  
    É uma carreira em vias de extinção!!!
    È pena que a nobre área da justiça cada vez caminha mais para uma maior degradação.
    JUSTIÇA pilar básico das civilizações, modernas, desenvolvidas e prósperas.  

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  13. Volta Marçal que a Regina não é melhor do que tu!

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