Entre outras, mais uma injustiça para o Movimento
Ainda ontem aqui demos conta de duas situações injustas que irão ocorrer no Movimento Extraordinário que está em curso, por efeito da aplicação das novas condições e da nova lista de antiguidade da carreira e extinção das categorias, e hoje trazemos a notícia de mais uma injustiça que ocorrerá no Movimento que está a decorrer, também devido à transição efetuada com extinção das categorias.
Trazemos hoje o caso da Maria.
A Maria esteve de baixa médica por mais de 30 dias quando começou a carreira; já lá vão bem mais de 20 anos.
Nessa altura essas faltas descontavam na antiguidade, isto é, esse tempo de ausência desaparecia, como se não existisse, fossem mais de 30 dias seguidos ou interpolados ao longo do ano.
Por exemplo: a Maria e a Silvina entraram ao serviço no mesmo dia, no mesmo mês e no mesmo ano de 2000. A Maria teve a má sorte de estar 3 meses ausente e a Silvina só teve 15 dias. Ao final de um ano, a antiguidade da Silvina estava intacta, com um ano completo, mas a Maria só tinha 9 meses de antiguidade, em vez do ano.
Assim, em vez de estarem no mesmo plano temporal, a Silvina passou a estar à frente da Maria e veio a conseguir uma transferência pouco tempo depois, enquanto que a Maria teve de esperar mais uns anos para a conseguir.
Esta modalidade de desconto na antiguidade deixou de existir em 2017, embora já não se tivessem feito descontos para o ano anterior, 2016, devido a uma interpretação, pelo que hoje, quem falta 3 meses num ano continua com o ano completo.
Mas naquela altura, a Maria, enquanto Escrivã Auxiliar, penou com aquela extinta regra e pagou durante muitos anos, não só ficando para trás nas transferências, como ficando para trás também na promoção à categoria seguinte.
Quando conseguiu a promoção para Escrivã Adjunta, a antiguidade começou a contar do zero nesta nova categoria e aqueles meses em falta ficaram arrumados porque pertenciam à categoria que já não possuía.
O tempo na nova categoria decorreu sem problemas, nunca mais teve necessidade de faltar e a antiguidade que possuía na categoria sempre foi a real.
Mais tarde candidatou-se a Escrivã de Direito e obteve essa promoção. A antiguidade na categoria voltou a contar do zero e, entretanto, desde 2016, as faltas deixaram de descontar na antiguidade como no passado haviam descontado.
Aqueles três meses que lhe tramaram a vida durante anos, na categoria de Auxiliar, estavam enterrados, perfeitamente enterrados, já não eram tidos nem achados desde há muitos anos, até que, de repente, chegada a este presente de 2025 constata como se desenterraram os tais 3 meses de baixa de há quase 30 anos quando iniciou funções e teve um problema de saúde.
Com a nova lista de antiguidade, que leva em conta a antiguidade na carreira e não na categoria, acaba de ser ultrapassada pelos outros Escrivães, devido àquela baixa médica que já não contava há cerca de 20 anos e que já não existe desde 2016.
No presente Movimento, dificilmente conseguirá a transferência porque acaba de ficar para trás os tais três meses e esse período representa que algumas dezenas de colegas passaram a estar à sua frente.
Este caso da Maria, que é hoje Escrivã, não se reflete apenas nesta categoria, mas também na de Técnico de Justiça, especialmente nos ex-Adjuntos que já tinham arrumadas todas as faltas do tempo da categoria de Auxiliar e que agora voltaram todas à vida, mesmo depois da mudança de legislação ocorrida em 2017 e que a DGAJ aplicou ainda de forma retroativa às listas de 2016.
A DGAJ trouxe à vida todos os descontos na antiguidade mesmo quando tal já não se aplica desde a entrada em vigor da Lei 25/2017 de 30MAI. Nesta Lei consta que a produção de efeitos a 01-06-2017, isto é, que a partir desta data todas as baixas deixam de ser contabilizadas como vinham sendo para descontar na antiguidade; desde aquela data para a frente e não para trás.
Esta Lei de 2017 revoga o nº. 6 do artº. 15º da Lei LGTFP.
Curiosamente, as listas anuais de antiguidade com referência a 31DEZ de cada ano, nesse ano de 2017, quando sai a referida Lei, ainda não estavam publicadas as do ano anterior, isto é, as de 2016, como deveriam estar, logo no início de 2017.
Então a DGAJ aplica ao ano anterior a nova Lei de 2017 que, apesar de referir que se aplica a partir dali em diante e não retroativamente, a DGAJ faz com que se aplique retroativamente, porque tinha em mãos umas listas atrasadas.
Caso as listas de 2016 tivessem sido feitas no início do ano de 2017, teriam, como era devido, as faltas longas registadas, mas como a meio do ano ainda não estavam prontas, quando se fizeram, e foram divulgadas, atrasadíssimas, em outubro de 2017, interpretou-se que se devia aplicar a nova Lei então existente e não contar essas faltas do passado.
Na altura, em 2017, alertamos para a interpretação que consideramos anómala (artigo de 2017 intitulado: “Listas de Antiguidade para Reclamar em 30 dias”), interpretando que a Lei em vigor até à saída da nova Lei devia ser observada, não podendo o atraso da DGAJ produzir efeitos retroativos apenas porque se atrasou, e muito, na elaboração das listas, aliás, houve pronúncias nesse sentido, mantendo a DGAJ a interpretação de que desde a publicação da Lei de 2017 não mais se aplicaria o desconto na antiguidade.
Essa interpretação permaneceu até ao presente e não mais se descontou antiguidade como antes se fazia, no entanto, este ano passou a aplicar-se novamente esse desconto como já não se fazia desde 2017, ressuscitando as faltas antigas.
Isto não significa que tenha havido uma mudança de opinião, apenas poderá querer dizer que os técnicos das contagens ignoraram a existência da lei de 2017 que faz com que não se descontem tais faltas, tal como se fez em 2017 com as faltas de 2016 que estavam a ser tratadas e foram abandonadas.
Este problema da interpretação retroativa a 2016 não mereceu na altura nenhuma atenção ou reação por parte dos sindicatos, concordando, portanto, tacitamente, com aquela interpretação, mas e hoje, merecerá agora alguma atenção? Ou deixar-se-á que todos os que entraram antes de 2016 e tenham faltado mais de 30 dias seguidos ou interpolados, voltem a penar por tais faltas?

Como disse um grande pensador contemporâneo,
ResponderEliminarJustiça para quem nela trabalha.
E ninguém fica para trás.
Não esquecendo o grau e o prestígio
ResponderEliminarSerá que é só porcaria nesta casa?!
ResponderEliminarDesconfio que sim!...
Desta vez, na opinião dos escrivães, deve ser contado o tempo na categoria e não na carreira, precisamente o o contrário do que fundamentou a ação dos secretários.
ResponderEliminarQue curiosa esta mudança de posição em função dos interesses em jogo.
o Fernando Jorge, Marçal e Carlos Almeida, pois, pois ....
ResponderEliminarBom dia!
ResponderEliminarO que importa é que tenho mais de 27 anos de casa, 30 com a contagem do setor privado e faltam-se 13 para os 40 de serviço e 15 para a aposentação.
Que ninguém duvide que nesse tempo que falta não conto com a mesma regularidade na assiduidade, a partir dos cinquenta aparecem as maleitas todas, mas a pior de todas é a dor do desprezo, da desconsideração que merecemos nesta transição, mataram o meu projeto de vida e a notícia veio sem anúncio e foi breve.
Agora é esperar pelas cinco da tarde para ir fazer o que gosto - encaro o trabalho como um suplício diário como o pecador que de joelhos fletidos coloca grãos de milho sobre eles numa espécie de autoflagelação, de castigo pelos pecados cometidos e o meu maior pecado foi acreditar nisto ... nos tribunais.
Deixem-se de ilusões, os tribunais assemelham-se agora a matadouros onde a morte resolve o sofrimento dos animais para servir de alimento, noutra espécie de cadeia alimentar nós, os oficiais de justiça, servimos igualmente de alimento a uma máquina cheia de entropias que se apressa a uma liquidação (morte) de processos sendo este o seu fito e já não a realização da justiça - realizar justiça agora é acabar processos, não importa se com boas ou má decisões, nem importa o processo para ali chegar.
Estas atitudes, estes impasses, são uma verdadeira desumanização dos serviços - somos oficiais de justiça, mas poderíamos ser muito bem cães, até máquinas que seríamos tratados de igual forma.
E os sindicatos em silêncio... Foram extintos? Estão a dormir? Acham que está tudo bem e não há mais nada a fazer ? Que tristeza!!!!!!!!
ResponderEliminarDuvidas?
ResponderEliminar25 aos de porcaria, só merda! que se resolve em tribunal no fim de vida.
Mas que merece esta gente?
Grandes coveiros, anos e anos
ResponderEliminarColega é o que sinto mesmo!
ResponderEliminarAtualmente apenas estou nisto porque preciso de dinheiro para me sustentar o mês, porque motivação é zero e identificação com isto é menos de zero.
Só porcaria.
VENDIDOS
ResponderEliminarPUBLIQUEM NO JORNAL
O insustentável silêncio dos sindicatos!
ResponderEliminarNormal... a vergonha deve ser tanta que nem querem aparecer.
ResponderEliminarEsperam que a gente esqueça todas as injustiças deste acordo, mas não vamos esquecer.
É a coerência que tanto carateriza esta classe.
ResponderEliminarEsta do "grande pensador contemporâneo" partiu-me todo!
ResponderEliminarTb desconfio que não deve haver "casa" com tantos chatos como nesta.
ResponderEliminarDass......
ResponderEliminarA minha vida de segunda a sexta-feira começa às 17h
Passo o dia todo mortinho por chegar a hora da saída.
Nunca fui assim mas actualmente não merecem mais do que isto.
E que voltem as greves à sexta-feira para voltar à semana de 4 dias!!
num bom ano o grau é de cerca de 14º
ResponderEliminarSerá que andam nas arruadas ... ?
ResponderEliminarÉ legítimo pensar que sim, por exemplo para apoiar os camaradas, o seu ex-líder na Lousã, ou tantos outros por esse país fora ...
Estou no meio de uma crise existencial !
ResponderEliminarJá não sei se sou Cristão. Explico:
Deus trata todos por igual e nomeadamente os pecadores que se redimem dos seus pecados. Aos Seus olhos somos todos iguais e merecemos a mesma porção do seu amor. Mas em várias fábulas da Bíblia parece que Lhe importa mais a ovelha que se perdeu do seu rebanho e que entretanto encontrou o caminho e é regressada, ou o pecador que, redimido, se volta a aproximar Dele.
Trata-se de uma bela ideia que apenas pretende o aumento do número que "compõe o rebanho" e nada mais que isso.
O assunto do texto de hoje provocou-me uma reflexão introspetiva.
Então vejam lá o que me assaltou ao pensamento:
- Sou Técnico de Justiça transitado da extinta carreira judicial onde era Escrivão Adjunto. Nessa carreira e categoria tive, enquanto auxiliar, 1 classificação de BD e 2 de MB, depois, já como Adjunto tive 5 classificações, todas elas de MB.
- Sei de muitos colegas que transitaram da mesma carreira mas que detinham a categoria de auxiliar, que lá alcançaram o MB depois de tantos e tantos anos - sem culpa diga-se - naquela categoria, com classificação de B, depois BD e agora MB - e até será justo esta classificação a quem permaneceu - por culpa da tutela e da DGAJ - tantos anos no mesmo rame rame.
- Pelo caminho investi num curso superior e em várias formações, tendo-me aventurado por esse país fora para conseguir uma promoção a uma categoria num projeto de carreira e de vida agora destruído.
Agora, ao que parece, SOMOS TODOS IGUAIS, SOMOS TODOS TÉCNICOS DE JUSTIÇA e, depois deste primeiro movimento, nada existe sobre a diferenciação entre uns e outros, entre aqueles que comprovadamente têm mérito e emprestaram-no nas - em todas - as funções exercidas e aqueles que o "mérito foi reconhecido pelo decurso do tempo", como se a experiência ou a competência fosse atributo da antiguidade.
Resumindo, a Lei vai passar a tratar todos por igual, quem tem um único muito bom em vinte e tal anos, ou quem sempre teve mérito reconhecido nas suas várias funções, com várias notações de mérito (BD e/ou MB) e até nas várias categorias (extintas).
Parece que o legislador seguiu aquela máxima, cega, mas que não é a cegueira da justiça, é aquela outra, a daqueles que não veem a realidade e aos seus olhos somos todos iguais - não importa os pecados passados, os seus descaminhos, o que importa agora é que integramos uma carreira plana e por isso não há diferenciação.
Não é nem devia de ser assim, a verdadeira igualdade pressupõe que se trate desigual o que é desigual (art.º 13.º da CRP) caso contrário teríamos de dar um "bife" a todos, por exemplo a um nascituro, que não tem dentes para deglutir e nem sequer nasceu, ou a um velho desdentado pelos amargores da vida. Mesmo um jovem e adulto por não conseguir deglutir a proteína, quiçá por ser vegetariano.
Temos de ir aos absurdos para explicar as coisas de forma a que as percebam e nós não somos como a Maria madalena, mas sofremos no corpo como se fossemos trabalhadores do sexo e estamos possuídos por demónios que nos tormenta o discernimento.
Porque é que não ressalvam as situações de injustiça. Porque é que é tão difícil decidir bem, porquê?
PS: a propósito da nomeação em comissão de serviço. Um destes dias dei-me conta de vários colegas que são filhos de gente importante (Juízes, Procuradores, Médicos, Advogados, e eu sei lá que mais ...) e que, não obstante o tempo de exercício nas funções, se perfilam para ser indigitados em comissão de serviços nesses nobres cargos de Secretário e até os Administradores Judiciários das comarcas já estão a ser cogitados para a ocupação até de gente externa ao serviço.
O que dizem disto os Sindicatos? Absolutamente nada!
Somos um pais de brandos costumes, estrebuchamos e fica tudo na mesma porque ninguém faz nada, nadica de nada!
Todos "grandes pensadores contemporâneos"
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ResponderEliminarE não é que este Blog funciona mesmo???????
Aqui há dias queixava- me neste Blog da falta de toalhetes para limpar as mãos nas casas de banho do Tribunal há um ror de tempo....E não é que 2 ou 3 dias depois da minha queixa , miraculosamente, já apareceram???
Será coincidência ou este Blog é mesmo onde o local onde quem nos governa vem saber o estado de espirito dos Oficiais de justiça?
Ora, parece que o Orçamento de Estado para 2026 conterá o seguinte:
ResponderEliminarPondo a hipótese de ser verdade e de tal ter sido transmitido aos "negociadores" sindicais, pergunta-se, qual a razão para continuarem as negociações estatutárias?
Ou terá a comitiva (sim, ao que parece, comitiva, para parecer importante) já regressado de uma coisa qualquer que terá acontecido no estrangeiro e de quase todos desconhecida?
ResponderEliminarÉs um brincalhão.
ResponderEliminarSe tiver um pouco menos, pode-se sempre compensar com mais um copito!
ResponderEliminarVerdadinha
ResponderEliminarOs nossos antepassados teriam vergonha de nós.
Já nada lutamos.
Um povo de guerreiros, conquistadores, que matou um rei e lutou pela liberdade, agora é um povo de bananas que nem o pe firme sabem bater.
Povo de vendidos.
Foddd
Eh pá, 100 M para os OJ, é o triplo do previsto para os edifícios, já que o Igfej vai receber 30M.
ResponderEliminarMuito bem.
Vai dar uma média de 15k por cabeça, ou seja, cada OJ vai aumentar 1000€ no salário.
Espetáculo, nem o Andrezito Tutti frutti faria melhor com as suas promessas de inventar receita onde não há.