A Voz dos Oficiais de Justiça: “Os Oficiais de Justiça não precisam de longos textos a explicar por que devem aceitar tudo”
Às quartas-feiras – salvo se a atualidade impuser outras divulgações – é dia da habitual rubrica: “A Voz dos Oficiais de Justiça”, contendo artigos escritos pelos nossos leitores e que nos são enviados – para o nosso endereço de e-mail geral: OJ.PT@YAHOO.COM – para aqui publicar neste dia da semana. Todos são bem-vindos, todos têm espaço para a sua voz, mesmo aqueles que não se queiram identificar (Saiba+Aqui).
Hoje, vamos reproduzir a “carta” elaborada por um Oficial
de Justiça que dirigiu à presidente do Sindicato dos Funcionários Judiciais
(SFJ) e decidiu partilhar connosco, portanto, com todos os milhares de leitores
diários desta página.
O título da comunicação foi indicado no
assunto do e-mail da seguinte forma: “Representação Sindical Inaceitável”.
E diz assim:
«Bom dia Srª.
Presidente do SFJ!
A
representatividade que Vª. Exª. exerce, na senda da anterior que culminou no
primeiro prego no caixão da carreira/profissão de Oficial de Justiça, é inaceitável,
contrária aos estatutos do SFJ e literalmente lesiva dos interesses de quem
representa.
Os oficiais de
justiça já perceberam uma coisa:
Hoje, os
sindicatos informam depois. Negociam primeiro.
E esse é talvez
o maior problema de todos.
Durante anos
ouvimos discursos sobre transparência, igualdade, mérito e defesa da carreira. Mas
quando chegam as negociações decisivas, os representados desaparecem da
equação.
Não conhecem
propostas.
Não conhecem
contrapropostas.
Não conhecem
linhas vermelhas.
Não conhecem
cedências.
Não conhecem
impactos reais.
Conhecem apenas
o resultado final.
Fechado.
Assinado.
Consumado.
E depois recebem
longos textos a explicar por que devem concordar.
Curioso: critica-se
o “provimento por convite” porque alegadamente faltava transparência e
critério. Mas aceita-se que alterações estruturais à carreira sejam negociadas
sem verdadeiro escrutínio dos próprios oficiais de justiça.
Aparentemente, a
opacidade só é grave quando vem da Administração. Quando vem dos sindicatos
chama-se “responsabilidade”.
O mais
inquietante é outro ponto: os diplomas já aprovados criaram mais dúvidas, mais injustiças
e mais insegurança do que soluções concretas para o futuro da carreira. E mesmo
assim continua a vender-se a ideia de “vitória negocial”.
Vitória para
quem?
Porque para
muitos oficiais de justiça o resultado é simples:
Mais funções,
Menos perspetiva
de progressão,
Mais
precariedade funcional,
Mais dependência
de mobilidades,
Mais
desvalorização futura da carreira.
E no meio disto
tudo ainda se pede confiança cega.
Mas
representação sindical não é paternalismo iluminado.
Não é negociar
em circuito fechado e informar no fim.
Não é tratar
trabalhadores qualificados como destinatários passivos de comunicados jurídicos.
Representar
implica prestar contas.
Antes.
Durante.
E depois.
Quem representa
uma carreira essencial à Justiça não pode exigir transparência ao Estado enquanto
pratica opacidade perante os próprios representados.
Os oficiais de
justiça não precisam de textos a explicar por que devem aceitar tudo.
Precisam de
sindicatos que os envolvam antes de decidir por eles.
Com os melho0res
cumprimentos,
Um ex-associado, atual técnico de justiça,
grau 3 indiferenciado, Joaquim Queiroz»
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Colega disse tudo. Subscrevo na íntegra.
ResponderEliminarObrigada por fala por também por mim.
Subscrevo o que o colega disse. Estou a esperar até ao final do ano como tempo para me desligar do sindicato tudo depende da contagem decrescente para a minha desfiliação.
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