Portugal é dos países europeus que menos greves faz
Depois da greve geral desta última quarta-feira, voltaram – desta vez com mais intensidade – os ataques aos trabalhadores, desde logo ao direito à greve, partindo do Governo as mais desavergonhadas alegações e falsidades, que, infelizmente, acabam secundadas por muitos cidadãos, muitos trabalhadores, que não exercem a sua capacidade de raciocínio em relação às ações de uns e de outros, optando pela simplicidade da lógica fácil irrefletida de que a culpa é dos trabalhadores.
Um dos falsos argumentos
mais comuns é que em Portugal os mandriões dos trabalhadores passam o tempo
todo a fazer greves e é por isso que o país não está tão desenvolvido quanto os
países nórdicos, onde os trabalhadores têm outro comportamento e não passam o
tempo todo a fazer greves.
A comparação
entre a história laboral portuguesa e os dados disponibilizados pelo Instituto
Sindical Europeu e a Pordata demonstram precisamente o contrário: que Portugal
está nos últimos lugares da Europa em dias de trabalho perdidos por greve.
A métrica
utilizada para medir a intensidade das greves é o número de dias de protesto
por ano por cada mil trabalhadores. Apesar da dramatização pública, os números
mostram que Portugal é um país bem menos grevista do que os parceiros europeus.
No topo da lista
está a Finlândia que lidera com 142 dias de protesto por mil trabalhadores,
seguida da Bélgica (94) e do Reino Unido (91). França regista 77, Espanha 39 e
a Alemanha 21. Portugal surge no fundo da lista com uns espantosos 9 dias.
Um trabalhador
finlandês passa quase 15 vezes mais tempo em greve do que um português, mesmo
face a Espanha, Portugal regista quatro vezes menos contestação.
A discrepância
entre perceção e realidade explica-se pela evolução desde 1986 de greves de
massas para greves cirúrgicas.
Embora Portugal seja
dos países europeus que menos greves faz, as paralisações sentem-se sobretudo
nos nós vitais do quotidiano.
Com o declínio
da indústria e o peso crescente dos serviços, o impacto concentra-se em
infraestruturas críticas. Um pequeno grupo de maquinistas ou controladores pode
paralisar o país, apesar de representar poucos trabalhadores.
A greve geral
contra o programa “Trabalho XXI”, também conhecido como o “Pacote do Luís”
ilustra esta nova era: Portugal não para porque todos param, mas porque os seus
nós logísticos fecham.
Os números
europeus são claros: Portugal trabalha muito mais do que protesta, mas quando
protesta, fá-lo onde mais dói.
Apesar do muito
baixo número de greves, há uma eficácia maior e uma ampliada perceção.
Fonte: “Diário de Notícias”.
.jpg)
Comentários
Enviar um comentário