A Machada de Mirandela



      Esta semana, um indivíduo de 50 anos, invadiu o Tribunal de Mirandela, fazendo acompanhar-se por um machado, com o intuito de, alegadamente, se vingar dos Oficiais de Justiça daquela instituição, designadamente daqueles que exercem funções nos Serviços do Ministério Público de Mirandela, em virtude de um processo que ali corre e que envolve familiares seus.


      O homem chegou a ameaçar os funcionários presentes no Ministério Público, mas os seus desígnios acabariam por sair frustrados, uma vez que, por acaso, naquele momento, nas instalações do tribunal encontravam-se dois militares da GNR que intervieram de imediato, imobilizando o agressor em potência. A PSP veio a acorrer ao local e deteve o suspeito.


      O homem é conhecido em Mirandela como o Chico das Quintas e, segundo o Jornal de Notícias, não é a primeira vez que o indivíduo tem ações deste género, designadamente numa repartição de Finanças e no Instituto de Reinserção Social.


      Desde que faleceu o porteiro de serviço do Tribunal de Mirandela, o posto não mais foi ocupado, pelo que não há qualquer vigilância durante o horário de expediente. Esta circunstância é comum à maioria dos tribunais do país, não existindo qualquer tipo de controlo nos acessos ao tribunal, às várias secções e mesmo aos gabinetes dos magistrados e, enfim, a qualquer parte do edifício. Só por mero acaso não há situações de sangue nos tribunais portugueses, meros acasos como o incidente de Mirandela. Os Guardas da GNR que lá se encontravam teriam ido entregar ou receber qualquer expediente ou aguardariam a sua vez para testemunharem em audiência; é esse o motivo da sua permanência nos tribunais, um mero acaso, num determinado momento. Uma sorte.


      É esta a situação de risco diária dos Oficiais de Justiça de Portugal, os quais lidam todos os dias com indivíduos alterados e transtornados e, em face da impotência e falta de apoio, têm que lidar com eles com sabedoria e especial manha de forma a conseguir acalmá-los e não permitir que haja situações mais gravosas. Vejamos até quando esta situação assim se pode manter, neste equilíbrio penoso e explosivo.


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