Só Não Subimos Porque Não Queremos



      A manifestação de quinta-feira, levada a cabo pelas entidades policiais: GNR, PSP, PJ, ASAE, SEF, Guarda Prisional e Polícia Marítima, terminou, mais uma vez, em frente à escadaria da Assembleia da República, desta vez tendo conseguido subir apenas alguns degraus.


      Cada vez que os manifestantes terminavam de cantar o Hino Nacional, faziam nova investida com o intuito de subir a escadaria. Derrubada e retirada a grade de limitação, esta foi substituída por um coeso “muro” humano de polícias que maleavelmente suportaram as investidas, degrau acima, degrau abaixo.


      A palavra “invasão” foi repetida centenas de vezes e foi esta que perdurou, tendo os manifestantes esquecido todas as palavras de ordem que a organização tentara, em vão, ensaiar no Parque Eduardo VII.


      Uma das frases ensaiadas era: “Passos toma atenção, os polícias têm razão”, no entanto, à chegada à Rua de São Bento, os manifestantes corrompendo os ensaios gritavam: “Passos escuta, és um filho da puta”, repetindo-a várias vezes por entre “invasão, invasão”.


      Na véspera da manifestação o Governo concedeu um aumento de 25 euros mensais no suplemento de fardamento, sendo tal valor considerado pelas forças policiais como “uma migalha” comparativamente com o corte de 150 euros ensais nos diversos suplementos que recebiam.


      Porta-voz dos polícias do SEF referiu que no próprio dia da manifestação, inspetores do IGAI (Inspeção Geral da Administração Interna) estiveram numa delegação do SEF, munidos de fotografias da anterior manifestação, com o intuito de identificar elementos do SEF que nela haviam participado, o que considerou uma intimidação inaceitável.


      A Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD) aprovou o pedido do Ministério da Administração Interna (MAI) para captar imagens da manifestação mas impondo algumas limitações: não captar som, apenas imagens; não realizar cópias das gravações, mesmo se remetida a gravação para o Ministério Público, não realizar cópias. As imagens captadas não podem ser usadas como prova em processos disciplinares levantados aos participantes, apenas em processos criminais caso houvesse incidentes dessa natureza.


      O MAI pediu autorização à CNPD para utilizar 3 câmaras portáteis de vídeo com o objetivo de “monitorização dos incidentes policiais”.


      Não houve nenhuma carga policial e esta seria muito difícil de justificar, uma vez que os manifestantes nada mais fizeram do que tentar empurrar a massa de armaduras dos outros polícias, para cima.


      Durante toda a noite apenas uma garrafa de água foi lançada contra os polícias fardados; não voou uma pedra nem se incendiaram caixotes de lixo, etc. Ainda assim, a PSP anunciou ter detido e identificado duas pessoas por motivos eventualmente criminais.


      César Nogueira da Associação de Profissionais da Guarda, ao realizar um balanço final, diria: “Bastava os polícias quererem que a invasão acontecia”. Durante a manifestação a organização deu o mote cantando: “Só não subimos porque não queremos” e é esta mesma a impressão que fica, a de que a esmagadora maioria dos manifestantes não quis subir, sendo apenas alguns poucos os que de facto tentaram.



 


 

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Ministério da Justiça já tem novos mapas de pessoal da 1ª instância

A carreira dos Oficiais de Justiça é a terceira mais envelhecida da Administração Pública

Mais um acordo assinado e foi “uma grande vitória” e foi “o que se conseguiu”, diz o SFJ