As Queixas dos Provisórios

     Com a entrada dos últimos seiscentos novos Oficiais de Justiça, atualmente a desempenharem as suas funções num primeiro momento de período probatório e de início de carreira, têm-nos chegado algumas comunicações nas quais se queixam de estarem a ser mal tratados nas secções e desprezados pelos mais velhos, sem a necessária ajuda a quem está a começar.


     A estes, que agora começaram as suas funções, foram atribuídas funções e uma carga de trabalho excessiva, com muitas funções e muito excesso de trabalho que excede, em alguns casos, as suas capacidades de principiantes. Há mesmo quem afirme que se não fosse pelo dinheiro ao fim do mês já tinha desistido pois a pressão é demasiada.


     As queixas resumem-se ao facto de, os mais velhos, terem-se livrado das funções que lhes estavam atribuídas entregando-as aos mais novos, livrando-se desse trabalho e ficando agora com atribuições ditas “mais leves”.


     Mas os Provisórios queixam-se, não só de sobrecarga do trabalho e múltiplas funções, mas também de não obterem apoio e reconhecimento dos demais, bem pelo contrário, dizem que chegam a ser desprezados.


     Veja-se uma das queixas:


     «Quanto ao trabalho, é-nos exigido em termos de volume e complexidade, mais do que os da casa. Estes querem apenas chegar a horas, almoçar a horas e sair a horas. Nós vemo-nos obrigados a entrar antes da hora, não ter hora de almoço e sair depois da hora».


     «Se com muitos anos de experiência, os funcionários “experientes” ainda não dominam, porque diabo é que exigem mais de nós? Mas, admitindo tal, o horário de expediente não o permite, porque já não chega para tantas exigências».


     São estas as queixas que apresentam e estes extratos ilustram. No seguinte extrato, para além de se queixarem dos colegas, queixam-se também da sobrecarga do trabalho.


     «Regra geral, um escrivão adjunto só quer cumprir despachos e aponta o dedo aos auxiliares que não fazem nada e que também devem fazer do seu serviço porque só eles não podem. Então, a cargo do auxiliar ficam: julgamentos, sem respeito ao horário laboral, elaboração das atas que raramente se conseguem concluir nos julgamentos, sendo um risco elaborá-las nas sessões, porque deve ser prestada assistência; cumprimento das próprias atas, expediente vário urgente que se encontra acumulado há vários meses, ou até, anos, sendo ordenado que se intercalem vários tipos de trabalhos, todos urgentes, surgindo de dia para dia cada vez mais casos urgentes, sendo que num dia, quanto mais forem os trabalhos, menos se consegue fazer, não se conseguindo acabar nada, porque larga-se um urgente, pega-se noutro mais urgente e assim sucessivamente, até que, há montanhas de trabalho urgente todo por fazer porque com o método de intercalar, nada se consegue terminar e não é por isso que se despacha mais».


     E prossegue ainda:


     «Depois, ainda há os papéis diários que são empurrados à força para os auxiliares, porque os adjuntos “não podem” nem estão para isso, os quais não se conseguem cumprir, e, de entre eles, corre-se o risco de protelar casos urgentes, ficando mais uma vez o Auxiliar sujeito a ser punido».


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      «Há ainda a posição dos Adjuntos que dizem que não podem fazer tudo e que os Auxiliares também devem ajudar no seu trabalho, mas a parte do apoio na instrução é traduzida por má vontade ou mesmo nenhuma, para além de através da liberdade de expressão tratarem os Auxiliares de qualquer maneira».


     E há questões e dúvidas também apresentadas nos seguintes explícitos termos:


     «Agradecia q me informassem se existe alguma associação isenta q aprecie e apoie situações injustas de funcionários (e se na justiça há tanta injustiça!). Sindicatos? Nem pensar! Pois os q lá estão têm afinidades com funcionários “podres” dos tribunais. Penso q o mau funcionamento dos tribunais não se compadece com o tratamento desdenhoso e arrogante aos funcionários + novos».


     «Algum do pessoal “novo” é explorado, escravizado, enxovalhado, maltratado, humilhado e, basta ter adquirido um “rótulo”, vá para onde for, será sempre “perseguido” e cada vez mais maltratado, sendo este que justifica o que corre mal. Será esse o objetivo de reforços de pessoal?»


     Mesmo quando aconselhados a exporem as suas questões aos respetivos chefes das secções de forma a que estes analisem as situações e tentem encontrar uma melhor solução, as respostas têm sido mais assim: «Falar com superiores? Não. É deles que parte esse exemplo. E ao dirigir-me a eles, interpretando tal assunto como “queixinha”, as consequências seriam piores.»


     É esta a situação e a visão que muitos dos Provisórios vão transmitindo. Sim, é certo que isto não sucede em todas as secções mas também bem sabemos que estas situações ocorrem e que não ocorrem de forma isolada e excecional.


     Se o excesso de trabalho, em muitas secções, produz uma tensão a que os Oficiais de Justiça mais velhos não suportam, seria conveniente que essa sobrecarga de trabalho não fosse agora despejada em cima dos mais novos, que nem sequer estão habituados e começam a dar sinais de perturbação. É verdade que a falta de pessoal obriga a muitas soluções erradas e más mas não se pode de todo descarregar tantas atribuições aos recém-entrados, não só por razões óbvias relacionadas com a sua experiência em ambiente de trabalho real, que é nula, como pelo risco de cometerem erros graves dada a sua pouca experiência, a par da perturbação, desilusão e mesmo depressão que daí pode advir e cujos sinais devem constituir um alerta, pois a ninguém interessa que a par da falta de pessoal ainda se somem baixas médicas.


GritoDesespero.jpg

Comentários

  1. Anónimo7/3/16 13:24

    Parece que quem entra para a Carreira de Oficial de Justiça, não sabe de que se trata a mesma nem aquilo que há para fazer.
    Infelizmente terei de dizer que existem muitos oficiais de justiça que não sabem o lugar deles. Mesmo que tenham tido um mau conheço, nunca devem fazer aos outros o que lhe fizeram ou o que não gostam que lhe façam.
    Por outro lado antes dos direitos, temos deveres.
    Horários nem sabem o que isso é. Cada dia que passa são muitos poucos os tribunais, onde se pode cumprir o horario 9:00-12:30/13.30/17:00.
    Porque será que os Oficiais de Justiça tem um estatuto próprio?
    Cada vez nos tiram mais direitos, daqueles que já tivemos em tempos. De quem será a culpa? Será só dos mais velhos? Sim e talvez não.

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  2. Anónimo7/3/16 14:54

    Sr. Oficial de justiça, estas queixas são verdadeiras ou fictícias?
    Os Srs, OJ´S que se acham tão importantes por terem 10/20/30 anos de serviço deveriam de ter mais humildade, sim humildade, para ensinarem os que agora começam a sua carreira, deveriam também de se resguardarem nos comentários públicos, é uma vergonha ver determinados comentários no facebook de colegas mais velhos, uma vergonha para a instituição que representam e até para o tribunal onde estao colocados, um cidadão que recorre à justiça ver esta pouca vergonha no serviço publico...

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    1. Anónimo7/3/16 16:17

      Concordo plenamente com o comentário mas acrescento que vergonhoso é expor no face ou em qualquer oura rede social. Esse tipo de problemas, a existirem tem que ser resolvidos dentro da secção ou com as entidades próprias e não em praça publica. quanto ao restante, plenamente de acordo

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    2. Encontrava-se neste local um comentário que continha nomes de pessoas (desconhecendo-se se reais), parecendo corresponder a citações efetuadas noutros locais ou redes sociais, acautelando a possibilidade de serem pessoas reais e preservando a sua identidade, tal comentário foi suprimido e é aqui reproduzido mas substituindo o nome das pessoas por símbolos (###), mantendo-se, tudo o mais inalterável.

      De Anónimo a 07.03.2016 às 16:22

      Caso nao tenha percebido isto nao veio para a praça publica por vontade das pessoas que se encontram em ano probatório, o que aconteceu, foi que este blog resolveu denunciar o que está a acontecer, não ve nenhum, repito, nenhum colega novo a dar a cara por tais maus tratos, pelo contrario, ve comentarios dos colegas mais velhos como:

      Deixo um conselho aos descontentes, vão trabalhar para o privado. - #################

      Não sei até que ponto isto é verdade mas se o é é de lamentar pois os coitadinhos não sabem o quanto os mais velhos passaram a trabalhar para além do horário normal do serviço,como me aconteceu a mim enquanto estive no JIC na Policia Judiciária durante dez anos que cheguei a sair de lá muitas vezes até ás tantas da noite e um dos dias saí de lá ás 4 horas da manhã pois tinhamos que ouvir os presos e não recebiamos mais por isso. - ##############

      Grande LOLADA!!!!! Pensavam que vinham para vida boa? - ##############

      caredo é melhor queixarem-se á APAV- «Algum do pessoal “novo” é explorado, escravizado, enxovalhado, maltratado, humilhado e, basta ter adquirido um “rótulo”, vá para onde for, será sempre “perseguido” e cada vez mais maltratado, sendo este que justifica o que corre mal. Será esse o objetivo de reforços de pessoal? - ############# !!!

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  3. Anónimo7/3/16 18:45

    Sou contra este tipo de lamentações publicamente, mas mais uma vez se confirma que parte desta juventude não sabe o que é trabalhar nos Tribunais e passaram por uma faculdade que não lhes deu a ler o estatuto de oficial de justiça, porque se o tivessem lido de certeza que não quereriam seguir esta carreira. Ainda estão a tempo de desistir porque nos tribunais faz falta quem tenha espírito de sacrifício e muita vontade de trabalhar, quanto ao serem desprezados pelos colegas não quero acreditar que isso aconteça e se acontece por certo é que os escrivães adjuntos estão assoberbados de processos.

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    1. Anónimo7/3/16 19:32

      Sou funcionário público há 22 anos, trabalhei em dois ministérios diferentes, não houve um dia da minha vida que levasse o vencimento para casa sem o merecer. Fiz o estágio para of, passei com um boa nota, mas felizmente não concorri aos tribunais. A minha experiência revê-se em muito do que foi denunciado. Seria bom perceber o que não está bem, e ter coragem de fazer mudanças, melhorando procedimentos e percebendo que ninguém nasce oficial de justiça, aprende-se com bons chefes e bons colegas.

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  4. Anónimo7/3/16 18:48

    acrescento ainda que estão muito verdes para já estarem a dizer mal dos sindicatos, deviam era unirem-se no sindicato pois estes são a sede própria para defender os trabalhadores.

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    1. Anónimo8/3/16 13:01

      A sério?!? EU entrei em 2005 e foi a mesma história. Tornei-me logo sócio do sindicato, e agora, passados 11 anos a história ainda se repete. Então o que é que fez o sindicato?!?

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  5. Permita-me discordar caro Oficial de Justiça, quando refere "não só por razões óbvias relacionadas com a sua experiência em ambiente de trabalho real, que é nula".

    Como Oficial de Justiça tenho muito pouca experiência. Mas a minha experiência laboral está longe de ser nula, trabalhei muito no sector privado antes iniciar funções como Oficial de Justiça.

    Passei por inúmeras situações de stress. É isso que é ser-se trabalhador jovem em Portugal nos dias que correm, trabalhar muito e receber pouco... dinheiro, estabilidade, confiança,...

    Não tenho motivos relevantes de queixa do tribunal onde estou a trabalhar. Recebi apoio e trabalho em condições normais, a todos os níveis.

    Até agora, é dos melhores empregos que já tive. Tenho um bom horário de trabalho, um salário acima do mínimo, recebo a tempo e horas, o ambiente no local de trabalho é satisfatório.

    Mas vejo alguma ignorância dos funcionários mais velhos quanto às dificuldades por que os trabalhadores jovens passam. E como na maioria dos empregos, os trabalhadores mais velhos lá vão passando as tarefas que menos lhes agradam aos novatos, isso é ponto assente.

    Há muito preconceito em Portugal, basta ver os comentários. E depois geram-se conflitos no trabalho.

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    1. Caro "A", quando se afirma que os Provisórios não têm experiência em ambiente de trabalho real, pretende-se dizer que, na sua maioria, não detêm experiência nas funções que ora estão a desempenhar e apenas nestas funções. Aliás, é o próprio "A" que diz assim: «Como Oficial de Justiça tenho muito pouca experiência.» É apenas essa pouca experiência, nula mesmo, em muitos casos de Provisórios que recentemente entraram sem antes terem estagiado em tribunais, pois estagiaram noutras entidades.

      Claro que a experiência laboral de muitos Provisórios não só é extensa como muito valiosa, pois ao contrário de outros, já passaram até por múltiplas experiências laborais, mas não é essa a experiência que está aqui em causa (nem podia estar), mas tão-só as capacidades de se desenvencilharem sozinhos em ambiente judiciário; ambiente este que é uma novidade e está repleta de inúmeros aspetos específicos que estão agora a ser descobertos e se aprende a dominar. Nada de novo ou estranho mas perfeitamente normal e comum a todos os principiantes de todas as profissões, pois por mais formação teórica que detenham, a prática é outra coisa, especialmente no início da carreira.

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    2. Não poderia ter sido melhor dito, caro oficialdejustiça.

      O sistema está todo errado e não facilita, mas se houver boa vontade e trabalho tudo se resolve. Os novos OJ não têm culpa de terem tido uma boa de porção de formação teórica sem a correspondente prática, nem de terem aguardado anos por uma colocação provisória, com a correspondente perda de conhecimentos adquiridos que obriga a um esforço redobrado, embora com ganho na maturidade e noutras valências.

      Tenho em crer que aqui o problema central das divergências entre provisórios e não provisórios, é que há pessoas que não compreendem a necessidade e o benefício futuro, de agora despenderem uma boa porção do seu tempo de trabalho a auxiliar os novatos. As profissões, como a sociedade, precisam de renovação, mas há quem apenas pense em tirar trabalho de cima dos ombros, pelos mais variados motivos.

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  6. Providorio7/3/16 21:11

    Boa noite. Não costumo comentar ou alimentar este tipo de comentários mas apenas gostava de referir o seguinte: sou provisória! Fui bem recebida, quer na secção, quer pelos magistrados, sinto sinceramente que já faço parte da "família". Sinto também que sou essencial no serviço, no início fiz um esforço para me adaptar e num mês já fazia todas as diligências e cumpria despachos, via alarmes, etc. Dos meus colegas não conheço nenhum que se queixe como descrito neste blog. Talvez alguns se queixem que queriam estar perto de casa, que um ou outro colega é menos simpático e receptivo, mas nada mais que isso... Ou seja, acho que este post está completamente distorcido da realidade e se acontece são casos esporádicos. Este post só servem para criar atritos e infelizmente mostrar o que a maior parte dos oficiais de justiça sentem por nós mais novos que entraram agora: repulsa, ódio, inveja sei lá...não percebo! Felizmente a minha chefe gosta de mim e eu a ela, os meus colegas de outras secções idem aspas! Agora, vendo certos comentários de pessoas com 20 e 30 anos de serviço é realmente uma vergonha, deviam pensar bem que amanhã pode ser um dos vossos filhos/ netos a ser tratado assim. Como é que em pleno século XXI ainda existem este tipo de mentalidades? É triste muito triste! Dizer que pensávamos que íamos para a praia? Para a vida boa? Muitos de nós viemos do privado e estamos habituados a trabalhar mais que os OJ! Deviam era agradecer por vos virmos ajudar e aliviar trabalho mas a mania da falta de humildade, e da mania dos cursos cega-vos os olhos! Secalhar humildade não falta aos novos mas sim aos mais "experientes". Mas quer queiram quer não os mais velhos e casmurros vão saindo aos poucos e tenho esperança que no futuro haja uma mentalidade muito mais aberta e de entreajuda do que hoje em dia.

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    1. Caro "Providorio", conforme refere, desde a sua experiência e conhecimento parece estar a ter a sorte que falta a outros, ainda bem, mas tal sorte não a têm todos.

      Este artigo não distorce, como diz, a realidade, apenas reflete uma realidade que também existe e assim consta do próprio artigo quando se afirma que esta situação não é generalizada mas note que, o facto de não ser generalizada não significa que não exista. Infelizmente existe de facto e, como o próprio "Providorio" acaba de constatar no resto do comentário, há indivíduos com a tal mentalidade que vai descrevendo.

      As queixas são reais e os comentários aqui e acolá deixados também e, pelo que bem se pode ver, só por aqui, não se pode dizer que tais queixas não existem ou que são infundadas. Aliás, basta ler o que escreveu, até ao fim, para perceber que bem sabe como tal é real.

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    2. Provisório7/3/16 21:44

      *provisório e não Providorio (escrita inteligente).
      Caro oficial de justiça, do meu grupo de colegas que é até bastante grande não vi ninguém queixar-se dessa maneira. Muito pelo contrário, a maior parte tal como eu foram bem recebidos e adaptaram-se perfeitamente, não correspondendo também á verdade que os " os provisórios são verdes". A experiência tem sido bastante positiva, os magistrados estão contentes com a nossa facilidade por exemplo nas novas tecnologias e da facilidade de aprendizagem. Como disse podem haver casos mas não acredito que muitos. E a existirem serão nos tribunais por exemplo de Lisboa, Loures, Sintra, essencialmente comércio etc... E não sei se tem a ver ou não mas relembro que foram nessas zonas onde foram colocados maioritariamente os candidatos com notas inferiores (não querendo com isto dizer nada em específico mas que pode influenciar? Pode). Basicamente o que quis dizer é que acho (apenas uma opinião minha independentemente de ser correcta ou não), que este post está exagerado face á realidade. Mas deu para perceber realmente que os mais velhos não têm o mínimo de respeito e consideração por nós... Se estes comentários não são maltratar e falta de respeito então não sei o significado de respeito. Como é que pessoas com 30 anos de experiência nos exigem respeito e humildade quando falam nestes termos? O que eu acho que acontece hoje em dia é que nós numa situação de "rebaixe" não nos calamos como se calhar á 20 anos atrás! E auto defesa é confundido muitas vezes com falta de respeito e humildade mas por vezes apenas estamos a responder á letra coisa que certos acomodados não estão habituados!

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    3. Caro "Provisório" (ex-Providório), quando diz que este artigo "está exagerado face à realidade" e logo de seguida afirma que "Mas deu para perceber realmente que os mais velhos não têm o mínimo respeito e consideração por nós", continuo a aconselhá-lo a ler tudo, até ao fim, não dos outros mas apenas de si próprio.

      Se percebeu "realmente que os mais velhos não têm o mínimo [mínimo] respeito e consideração", como afirma, então deveria também perceber que não há nenhum exagero naquilo que consta do artigo.

      Nada disso se passa consigo nem com o seu grupo de conhecidos? Ótimo. Ainda bem e essa é a experiência comum a tantos outros na sua situação, no entanto, há alguns que não tiveram essa mesma sorte e tiveram o azar de ter colegas mais velhos na profissão que se estão a aproveitar e a sobrecarregar indevidamente os colegas mais novos, ainda por cima, tratando-os com maus modos e alegando coisas diversas relativas ao seu sofrido passado como justificação para todos os abusos.

      Não é um exagero, é a própria realidade que é assim, embora para muitos possa de facto parecer um exagero.

      As coisas não são fáceis e o trabalho é árduo mas isso não justifica que não se dê sequer tempo aos Provisórios para poderem refletir sobre as suas tarefas, sobrecarregando-os com imensas tarefas. Tal sobrecarga poderá vir a seu tempo mas não desde logo, no início da carreira, sem nenhuma ajuda, a não ser o conselho: “Desenrasca-te! No meu tempo também tive que me desenrascar.”

      Isto não é um exagero, é uma indignidade de todos aqueles que se julgam superiores a outros e que agora aproveitam os novatos para descarregar as suas frustrações e disfarçar o seu medo e complexo de inferioridade.
      São cães que ladram por medo, dificilmente morderão mas fazem muita algazarra e cumprem a sua função simples de afastar os intrusos. Veja, caro “Provisório”, como ladram por todo o lado. É mesmo assustador. Não são muitos, não, mas a algazarra é, ainda assim, grande.

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  7. Anónimo8/3/16 13:43

    Obviamente não acontece em todas as secções,nem em todas as comarcas, mas infelizmente acontece!!
    Sou provisória e sei bem o que é estar na pele de ser menosprezada, humilhada e tudo por uma simples razão.. não segui os trâmites de lamber as botas a ninguém, isto porque acho que não o deveria fazer.. não sou um boneco, sou um funcionário, mas não vou permitir que façam de mim gato sapato..Inclusive foi-me dito que nos Tribunais não havia direitos,para me ir habituando..sem comentários!!!

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  8. Já ando por cá há uns anos. Nunca fiz nem assisti a quem fizesse algo próximo do relatado. Porém, in dubio pro reo.
    No entanto, quanto ao alegado stress, deixem que esclareça que há uns anos atrás havia bem mais, mas também mais humildade. Poderia citar exemplos mas deixem apenas referir que conheço quem vindo de outros empregos tenha logo desistido e regressado ao anterior, afirmando ser a do OJ uma profissão muito exigente, muito mais que a que tinha e, comparativamente, menos bem paga.
    O texto, pese embora entenda, não posso deixar de dizer que revela desconhecimento legal no que concerne as competências da categoria que desempenha; assim como me sinto obrigado a referir que deveria procurar escrever de forma a quem quem lê não entenda como uma situação geral mas sim pontual - já passei por diversas comarcas (em todas deixei amigos) e sei que o que afirmo é verdade.
    Iniciei o período probatório bem ciente das competência que a categoria me impunha, mercê do estágio de seis meses numa secretaria de competência genérica, e logo fui lançado aos lobos; porém sempre dispus do apoio dos colegas.
    Atualmente estou com pessoal com alguma antiguidade e dois provisórios; duvido que algum deles concorde com o que aqui foi relatado. Mas também posso dar como exemplo um colega (Escrivão) que trabalha com outro juiz que, quando um dos provisórios lhe foi levar as notificações para que ele as assinasse lhe disse: Não, quem assina és tu, já não és estagiário, agora és oficial de justiça tens que assumi-lo. Isto ofende?
    Sou, excluindo o Secretário, o segundo funcionário com maior antiguidade na secretaria (antes não fosse!!), mas nem por isso os mais novos têm maiores/melhores conhecimentos que eu a nível das novas tecnologias, antes o contrário, antes os ajudo eu - modéstia à parte.
    Costumo dizer quem não gosta ponha na beira do prato, se há contestatários do que está mal eu sou um deles, se há quem aponte aos sindicatos o que considero errarem eu sou um deles, mas isso não impede que apresente sugestões se as tiver. Aliás apontar erros é muito fácil, encontrar soluções é que já é mais difícil.
    Um dos provisórios com quem trabalho há tempos atrás disse-me eu já fico com medo quando vem falar comigo, só me mostra erros! E eu respondi, não tens que ficar com medo, se não te corrigir vais continuar a errar, é para aprenderes que eu falo. Hoje esse provisório não sente qualquer espécie de problema em pedir ajuda. Também já lhes disse que por vezes uso de forma mais dura na forma como ensino porque considero que será a mais adequada na situação. Reitero, se perguntarem as esses provisórios se estão descontentes, garanto que responderão que não; pois já afirmaram não querer sair de onde se encontram. Isso não significa que não os repreenda se considerar útil e fá-lo-ei a esses ou outros apenas e só porque quero que sejam bons naquilo que fazem, que se tornem bons funcionários, que passem a definitivos com a melhor consideração por parte das chefias.

    Um conselho: se alguém se encontra na situação descrita no post fale com quem deve falar, só isso o ajudará; vir para aqui atirar pedras só piorará a situação. O adágio tem barbas "da discussão nasce a luz".

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  9. Mandar e berrar qualquer um manda e berra, chefiar já exige mais e começa pelo exemplo. O chefe afirma-se com naturalidade se for, pelo menos, competente e imparcial. O tempo necessário para a assimilação das técnicas laborais, complemento direto da preparação teórica, não é igual para todos: não é instantânea e cada individuo tem o seu, variando, também, com a quantidade e diversidade das tarefas que lhe são impostas a cada dia. Os problemas relatados existem de facto e acredito que só não há mais casos publicados porque os provisórios estão dependentes do beneplácito do chefe direto para conquistarem o vínculo definitivo. Muitos sentir-se-ão até chantageados pelas chefias. Eu senti-me. Fiquei sempre com o pior serviço antes de conseguir sequer entender o menos complexo. Nunca reclamei, aprendi quase sozinho a fazê-lo mas com muitos tropeções de permeio. Era Verão, os definitivos iam a banhos, era necessária “carne” na sala pois alguém tinha que assegurar a realização das diligências, pairava a ameaça de prorrogação do período experimental já proposta mas pendente de decisão final, foi-me dito que mais seis mesitos não eram nada, apenas o suficiente para ser considerado apto. E lá fui. De boa-fé. E os seis meses passaram lenta e tortuosamente para mim e remansosamente para os definitivos. Mas passaram e precedendo o apto permaneceu o não. O secretário fez como Pilatos pois “não foi ele que acompanhou diretamente o desenrolar do período probatório” e caucionou, de cruz, a sentença. Até hoje, aguardo que me apontem uma só falha minha que tenha lesado o interesse de qualquer interveniente processual.
    Claro que aquela “meia dúzia” de carolas que aguenta o barco à tona não gosta de generalizações. Tem razão mas tem que saber viver com isso.
    Se alguém se sente como eu me senti, que não acredite e confie na palavra dada como eu confiei. Estão há seis meses e faltam outros seis ( e talvez, para muitos, ainda mais seis). Estando a meio do período probatório, há tempo para demonstrar capacidade noutra secção. Se se sentem prejudicados, exponham já o caso ao oficial de justiça que ocupa o lugar mais alto dentro da comarca. Em cada comarca só há um. Quem despreza os préstimos de outrém, sem justificação decente, merece ser desfalcado desse elemento que poderá demostrar cabalmente a sua competência noutra secção.

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    1. dou de barato, mas o geral é o inverso.

      aliás parece que há por aqui alguns drs. ressabiados

      eu também conheço o contrário: nada valiam e foi precisamente o secretário quem os tornou "aptos"! talvez seja destes que se queixam...

      assim como conheço alguns drs. que se estivessem a meu lado teriam que arrepiar caminho.

      neste portugal há de tudo, por isso não generalize, se faz favor: até hoje, de mim não há quem possa queixar-se... e o único que o fez (era eu auxiliar definitivo), quando concluiu o estágio veio agradecer os puxões de orelhas, depois de compreender o porquê. ficámos amigos, claro.

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  10. Citação parcialmente errada. Nas escolas profissionais faz-se formação para postos de trabalho. O problema é que à excepção dos estágios incluídos, continuam a ser formações excessivamente teóricas.

    Felizmente já há escolas profissionais portuguesas a adoptar um sistema mais próximo do que é utilizado em diversos países europeus, como na Alemanha. Um sistema mais dinâmico, que emparelha experiência no local de trabalho com formação teórica em sala de aula.

    Infelizmente, há cursos técnicos em escolas públicas cá, que representam um retrocesso. Enviam alunos para falsos estágios, onde não aprendem porque não há pessoas naquele local qualificadas na área, para lhes ensinarem coisas, apenas exigências de trabalho gratuito, numa lógica de continuidade do que já faziam na escola.

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  11. A verdade é para ser dita em todas as profissões há bons e maus profissionais. Contudo, devo dizer que todos os "provisórios" com quem tive que lidar, ajudar, ensinar sempre foram e são pessoas extremamente responsáveis, capazes e com grande potencial pela frente. É bom que toda a gente se lembre, principalmente os mais antigos, como eu, que houve alguém, no seu percurso profissional que "perdeu" tempo a ensinar e talvez ainda perca. Ninguém sabe tudo, toda a gente tem duvidas e perguntas.... (também já foram provisórios, ou têm memoria curta)

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