Dos Trabalhadores

      Hoje comemora-se o Dia Internacional do Trabalhador e não o dia dessa estranha e estúpida neodesignação de "Colaborador".


      Perante a crise do capitalismo e as suas medidas brutais sobre o mundo do trabalho, qual tem sido a resposta dos trabalhadores para se oporem a esta ofensiva?


      Tem sido a reivindicação do direito ao trabalho e a manutenção das suas pequenas conquistas; dos seus beneficiozinhos próprios e particulares obtidos ao longo do tempo, mas sempre dentro do quadro capitalista, sem pôr em causa o sistema burguês de exploração.


      A luta e a resistência dos trabalhadores passa essencialmente por manifestações de desagrado, mas são, no entanto, insuficientes, ou mesmo inócuas, para travar a brutal e enorme ofensiva do capitalismo que procura resolver a sua crise à custa dos trabalhadores, para quem a tal crise é completamente alheia e dela nunca retiraram nenhum lucro, como outros.


      Se alguns setores vêm contestando o sistema capitalista, a grande massa trabalhadora não o contesta, esperando que a resolução dos seus graves problemas de trabalho, de vida e de sobrevivência, ocorra dentro do próprio sistema capitalista.


      Devemos estar atentos, ativos e não na expetativa, aguardando por soluções caídas do céu ou da cabeça dos donos do capitalismo. Dentro das nossas possibilidades, devemos participar nas lutas, grandes ou pequenas, intervindo e denunciando sempre este sistema capitalista atroz não apenas na sua exploração como nas suas fabulosas falcatruas, incentivando os trabalhadores a não aceitarem, de forma alguma, esta ordem injusta que sempre (mais tarde ou mais cedo) a todos prejudica e maltrata.


      Será possível aprender com a História? Sem ir mais longe, com a mais recente? Será possível que as coisas sejam de outra maneira e tenham outro rumo? Será inevitável que o trabalhador seja sempre a mula de carga dispensável? A marioneta de fios? Um mero utensílio na produção? E que, ainda por cima, pague todas as loucuras e malabarismos financeiros?


Manif-MultidaoComBandeiraPt.jpg

Comentários

  1. Questão:
    Outrora, um elemento da família chegava, com o seu trabalho, para sustentar a família, nada faltando. Havia férias, carro, casa própria...
    Nos dias de hoje, trabalha o homem, trabalha a mulher, e não chega.
    O que se passa, afinal?

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Há a questão da economia, as finanças públicas, a mudança social e a evolução tecnológica.

      Por um lado, subiram os preços às costas da inflação, por outro os rendimentos em geral sofreram reduções diversas.

      Para além disso há produtos e serviços que hoje são essenciais e anteriormente não eram, como por exemplo, ter Internet em casa.

      Ainda sou do tempo em que nem o computador e a impressora existiam nas habitações da classe média. Muito menos Internet e telemóveis.

      Actualmente temos rendimentos congelados, muitos outros reduzidos, excessivo desemprego e bastante precariedade à mistura. Também temos preços a subir anualmente e as promoções são por vezes uma forma de o tentar encapotar.

      A par com isso, os impostos estão altíssimos e contribuem para grandes gastos, principalmente para quem depende do automóvel e tenha uma ou + casas acima de humilde.

      Noutros tempos as despesas com filhos também não se aproximavam dos calcanhares das de hoje, era roupa, material escolar e alimentação tão-só. E era frequente o Estado financiar o material escolar, parcialmente ou totalmente, em famílias de rendimentos modestos mesmo que não fossem exactamente pobres.

      Basicamente o problema hoje em dia é que os rendimentos são em geral demasiado baixos para o nível de vida. Podia-se alegar o contrário, mas é mais difícil, não há volta a dar quanto à evolução científica e tecnológica. Se nos descuidarmos, ficamos sem dinheiro, porque há muito em que o gastar e é um bem escasso, salvo raras excepções.

      Eliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Ministério da Justiça já tem novos mapas de pessoal da 1ª instância

A carreira dos Oficiais de Justiça é a terceira mais envelhecida da Administração Pública

Mais um acordo assinado e foi “uma grande vitória” e foi “o que se conseguiu”, diz o SFJ