Leituras de Verão

      O que vai ler a ministra da Justiça Francisca van Dunem este verão? Esta era a pergunta que a Visão colocava e respondia, tendo a ministra indicado duas obras.


      “Há leituras que, invariavelmente, ficam à espera das férias de verão. E não têm que ser leves e relaxadas... Estes são os livros escolhidos, e comentados, por Francisca van Dunem para a acompanharem nas próximas semanas.


      1– Racismo em Português - O lado esquecido do colonialismo, de Joana Gorjão Henriques (Tinta-da-China).


      "Joana Gorjão Henriques escreve sobre o racismo em português, numa abordagem focalizada nas particularidades das relações inter-raciais no Império Colonial (na sua versão final), partindo de experiências de cinco ex-colónias: Angola, Moçambique, Guiné, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.


      A pergunta que fica sempre, suportada numa afirmação recorrente, mas carecida de comprovação bastante, é: "as relações inter-raciais nas colónias portuguesas eram diferentes das que existiam nas colónias britânicas, francesas ou holandesas? Em que medida e com que consequências práticas?


      A obra de Joana Gorjão Henriques, que me habituei a ver tratar estes temas com rigor e inteligência, seguramente trará dados para a resposta àquela e a outras questões e ajudará à compreensão da medida em que património relacional do mundo colonial e a raça influenciam, ainda hoje, as relações humanas, o percurso individual dos cidadãos e as suas possibilidades de viverem iguais, na diferença, nas sociedades nascidas da implosão dos impérios.


      2– Murmures à la Jeunesse, de Christiane Taubira (Philippe Rey).


      Christiane Taubira é uma intelectual, mulher inteira nas causas, e ex-ministra da Justiça da França. Direta, desassombrada, muitas vezes polémica. Em “Murmures à la Jeunesse” escreve sobre o dever de não desesperança e sobre a preeminência dos valores republicanos numa sociedade fustigada pelo terrorismo e condicionada pelo estado de emergência.


      Dirige-se aos jovens do seu país, interpelando-os a uma leitura autónoma dos sinais, liberta de pré julgamentos, da espuma das “short messages” comunicacionais e iluminada pelos factos, na sua singularidade e crueza. A recusa de estereótipos, a procura de compreensão do porquê e do como, face à emergência de fenómenos de violência e de uma espiral de ódio sangrenta e aparentemente inexplicável, é partilhada e interessa-nos a todos.


      Com cerca de uma dezena de obras publicadas, Christiane Taubira habituou-nos à profundidade das suas análises e à força da expressão das suas ideias. Vou lê-la com entusiasmo”.


      Assim explicava a ministra da Justiça as obras que vai ler nestas férias, curiosamente, como se já as tivesse lido.


      Alguma da informação base para a elaboração deste artigo, e aqui parcialmente reproduzida e/ou adaptada, foi obtida na fonte (com hiperligação contida): Visão


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