A Indesculpável Falta de Meios

      Esta segunda-feira (05SET), o juiz presidente da Comarca do Porto, presidiu a uma cerimónia de posse de cerca de 50 magistrados colocados naquela comarca, tendo referido que a comarca que preside enfrenta uma "indesculpável" falta de meios e de condições de trabalho, assinalando ainda que "pouco" foi mudado dois anos após a reforma do sistema judiciário.


      José António Rodrigues da Cunha frisou que se mantém a falta de meios humanos e materiais, instalações adequadas ao funcionamento dos tribunais e Oficiais de Justiça.


      "Recordo a carência de Funcionários Judiciais, que continua a verificar-se, apesar da entrada de 600 novos Oficiais de Justiça, mas as aposentações, entretanto ocorridas, ultrapassam esse número".


      O juiz presidente realçou que há uma "constrangedora" falta de instalações condignas para o funcionamento dos tribunais, para a qual "insistentemente" tem não só chamado a atenção, mas apresentado soluções.


      "No essencial, tais soluções que elencámos nos diversos relatórios da comarca, foram acolhidas pelo Ministério da Justiça, mas algumas, poucas, foram concretizadas e importa que o mesmo suceda rapidamente com aquelas que ainda não o foram", salientou.


      A Comarca do Porto agrega os municípios de Gondomar, Maia, Matosinhos, Porto, Póvoa de Varzim, Santo Tirso, Trofa, Valongo, Vila do Conde e Vila Nova de Gaia.


      José António Rodrigues da Cunha destacou ainda a necessidade de criar uma mega sala de audiências no Convento de Santa Clara, em Vila do Conde, para resolver definitivamente os "recorrentes problemas" para a realização de grandes julgamentos, medida que, conforme disse, permitirá uma poupança significativa de recursos financeiros.


      A título de exemplo, o juiz presidente revelou que arrendar uma sala aos bombeiros para a realização de mega julgamentos pode chegar aos 3000 euros por mês.


      Outra das necessidades elencadas é a realização de obras para a transferência das secções de comércio de Vila Nova de Gaia e de Santo Tirso.


      "Essas e outras intervenções e mudanças devem ser levadas a cabo rapidamente, delas dependendo uma justiça mais eficiente e eficaz, designadamente ao nível da celeridade processual", realçou.


      Apesar destes constrangimentos, o juiz presidente a Comarca do Porto adiantou que tem havido uma significativa diminuição das pendências, mais acentuada no último ano.


      Com a reorganização judiciária intensificou-se, por parte dos órgãos de gestão das comarcas, a obsessão pelos dados estatísticos. Passou-se a trabalhar para as estatísticas e com este propósito sempre presente, tudo se faz para poder acenar com dados estatísticos, sendo já irrelevante a realização de um bom trabalho, aprofundado e de plena satisfação dos cidadãos. O foco é agora a celeridade e a estatística, ainda que se atropelem tantos outros aspetos que interessam de facto aos cidadãos. Mas este é outro assunto que merece uma abordagem em artigo próprio.


      Curiosamente, as queixas que hoje ouvimos do atual juiz presidente da Comarca do Porto, já o próprio as ouviu antes de outros juízes presidentes, pois já foi diretor-geral da DGAJ.


      No entanto, não exerceu funções durante muito tempo, nem sequer perfez um ano de exercício de funções como diretor-geral, pois tomou posse em dezembro de 2009 e demitiu-se em novembro de 2010.


      Na altura era ministro da Justiça Alberto Martins que aceitou a demissão, a segunda que ocorria na mesma semana, sendo a primeira a do então secretário de Estado da Justiça João Correia que, numa entrevista ao jornal "i", então explicaria que existem "duas culturas distintas dentro do Ministério da Justiça", uma política e outra judiciária, que ele próprio "protagonizava" e que originaram "alguns mal-entendidos".


      Alguma da informação base para a elaboração deste artigo, e aqui parcialmente reproduzida e/ou adaptada, foi obtida na fonte (com hiperligação contida): Lusa/TSF.


TJ-Porto.jpg

Comentários

  1. A ministra da Justiça afirmou, esta quarta-feira, ter a "expectativa" de contratar mais funcionários para os tribunais. Porém, Francisca Van Dunem disse que, primeiro, é preciso fazer uma "análise" às atuais condições das secretarias, libertando funcionários judiciais de uma tarefa que lhes consome imenso tempo: expedir correspondência.
    "Os tribunais gastam milhões de envelopes por ano, enquanto as Finanças já têm um sistema automatizado".

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Ministério da Justiça já tem novos mapas de pessoal da 1ª instância

A carreira dos Oficiais de Justiça é a terceira mais envelhecida da Administração Pública

Mais um acordo assinado e foi “uma grande vitória” e foi “o que se conseguiu”, diz o SFJ