A Revolução do 25 de Abril de 1974
A última revolução ocorrida em Portugal, foi a Revolução do 25 de Abril de 1974, também conhecida como a Revolução dos Cravos, sendo uma original e tranquila revolução levada a cabo por um grupo de militares que, num só dia, sem resistência de relevo, derrubaram cerca de meio século de ditadura, trazendo a liberdade para o povo português e para os povos dos países africanos e asiáticos que na altura eram colónias portuguesas.
O 25 de Abril é também chamado de Dia da Liberdade, por ter libertado o povo do peso do regime autoritário fascista.
Hoje, a Revolução, começa a ficar, para muitos, diluída na imensidão da memória histórica, no comodismo do adquirido e no desleixo de algum bem-estar. Esta distração vem provocando o desabrochar das velhas ideias fascistas, nunca mortas, cada vez com mais admiradores e votantes, aqui e ali crescendo quais ervas daninhas resistentes a todos os químicos e lâminas de corte.
Mostram-se encobertos de discursos liberais, falam dos mercados e dos dados e falam ainda e também de crenças sobrenaturais, de milagres, de aparições e visões, de chefes supremos de seitas e visitas; tudo no falso nome de uma caridade santificada que opiaceamente atonta os mais distraídos que tudo vão aceitando com uma embrutecida naturalidade e uma ingenuidade típica das crianças.
O país dos três efes chegou a ter um brilhozinho nos olhos mas hoje, se algum brilho tem nos olhos, advém da miopia que lhe tolhe a visão.
A revolução tem início com a passagem de duas canções em duas emissoras de rádio, canções essas que constituíam o sinal para o início das operações militares.
A canção "Grândola Vila Morena", composta e cantada por Zeca Afonso, foi escolhida pelo Movimento das Forças Armadas (MFA) como a segunda senha da movimentação militar; a senha definitiva e irreversível.
À meia-noite e vinte minutos do dia 25 de abril, a canção foi transmitida na Rádio Renascença, confirmando o início da revolução em todo o país.
Cerca de hora meia antes, pelas 22:55 (de 24 de abril) tinha-se ouvido a primeira senha musical que dava o sinal de preparação, era a canção "E Depois do Adeus", cantada por Paulo de Carvalho, através dos "Emissores Associados de Lisboa" e foi audível apenas na capital.
A razão da escolha da primeira senha "E Depois do Adeus" esteve relacionada com o facto de ser uma canção sem conteúdo político e que era uma música em voga na altura, pelo que não levantaria suspeitas, podendo a revolução ser cancelada se os líderes do MFA concluíssem que não havia condições efetivas para a sua realização.
A posterior radiodifusão, na emissora católica, de uma música claramente política e de um autor proscrito (Zeca Afonso) daria a certeza aos revoltosos de que já não havia volta atrás e que a revolução era mesmo para arrancar.
Hoje, essa canção senha, é um hino entoado nas ruas em cada manifestação popular e não deve haver ninguém que não a conheça, ainda que mal a saibam cantar, e diz assim:
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade
Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada esquina um amigo
Em cada rosto igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto igualdade
O povo é quem mais ordena
À sombra duma azinheira
Que já não sabia sua idade
Jurei ter por companheira
Grândola a tua vontade
Grândola a tua vontade
Jurei ter por companheira
À sombra duma azinheira
Que já não sabia sua idade
Rapidamente os militares revoltosos obtiveram a adesão do povo que espontaneamente saiu à rua apoiando o golpe-de-estado e comemorando até a libertação, antes mesmo dela estar realmente concluída, chegando mesmo a estorvar os militares que pontualmente tiveram que pedir à população entusiasta que se afastasse para os deixar concluir a revolução. O entusiasmo só por si já era uma verdadeira revolução.
Apesar das várias versões para a origem dos cravos na revolução, certo é que espontaneamente surgiram cravos na população e nos militares, que os colocaram nos canos das espingardas e nas lapelas dos casacos, assim colorindo de vermelho a revolução sem sangue.
No vídeo abaixo está uma gravação da época que mostra como ocorreu o cerco ao Quartel do Carmo, no dia 25 de Abril de 1974, pelo Movimento das Forças Armadas ali chefiado por Salgueiro Maia, rodeado por milhares de pessoas que apoiavam (e até estorvavam) a revolução. Dentro do Quartel estavam refugiados Marcelo Caetano e dois ministros do seu Gabinete.
O cerco iniciou-se às 12:30 e às 16:30 Marcelo Caetano anunciou que se renderia. Uma hora depois, o General Spínola, mandatado pelo MFA, entrou no Quartel do Carmo para negociar a rendição do Governo. O Quartel do Carmo iça então a bandeira branca e às 19:30 Marcelo Caetano rende-se.
"A última revolução ocorrida em Portugal, foi a Revolução do 25 de Abril de 1974,"
ResponderEliminarDiscordo.
Há elementos históricos mais recentes que apontam para uma data situada cerca de 24 dias mais cedo, embora 40 anos e 5 meses mais tarde.
A ultima revolução terá sido na inesquecível Madrugada do Primeiro de Setembro de 2014.
Tempos antes ficara concluido um par de movimentos magistrais com valorização do pessoal das academias e muitas promessas aos milicianos.
Foi nessa data que, após uma longa década de iniciativas desmaterializadoras do processo judicial em curso, agravado no seu derradeiro triénio com o racionamento do papel e o incentivo forçado ao uso nas novas tecnologias, o Povo se viu confrontado com a maior revolução que a especie humana já testemunhou: A Invenção do Processo Judicial Verbal.
Sim, Já tinhamos tudo nos computadores e já não havia papel para imprimir.
Nessa Madrugada despedimo-nos, finalmente, do Antigo Sistema e dos seus tortuosos e arcaicos processos.
Há que o transmitir aos que nasceram depois disso assim como nós o transmitimos a quem no-lo solicitou nesses meses do Outono Quente de 2014.
Tal processo revolucionário terá causado, contudo, algumas vítimas. No caso, foram cerca de 3M. mas, diz-se, apenas 3M de desmaios.
Nada grave diz-se também, não obstante muitos ainda estarem na reanimação pois nem o SNS nos vale para combater estas infindáveis listas de espera.
Durante meses, os tortuosos processos do anterior regime passaram a existir apenas na tradição oral e a comtemplação de cada emaçado tornou-se uma arte zen com 7mil monges praticantes em cerca de 23 mosteiros.
Mas, sobrevivemos a tudo isso e hoje temos uma nação toda ela muito bem representada num belo mapa côr-de-rosa.
Discordo também sobretudo na questão africana onde não se verificou uma descolonização mas sim uma recolonização por conta de outrém, fruto do abandono à moda de Saigão que apenas trouxe mais guerra e mais miséria aos irmãos e primos das Leudimilas.
Que não se deixe para Abril o que se deve fazer sempre!