O Trabalhador não é um Colaborador
Hoje comemora-se o Dia Internacional do Trabalhador e não o dia dessa estranha e estúpida neodesignação de “Colaborador”.
Existe uma diferença entre as palavras “trabalhador” e “colaborador” e estas não são sinónimos.
Claro que hoje se ouve por todo lado; desde empregadores a empregados, governantes e governados e em toda a comunicação social; todos muito modernos, usar-se a fina e elegante designação de “colaborador” e não a comuna e velha palavra “trabalhador”, como se algo rural e antigo fosse.
Há quem ache que colaborar não é trabalhar e que o colaborador não é um trabalhador e, portanto, como colaborador que é, não necessita de direitos de trabalhador; como colaborador que é não necessita de vínculo algum, uma vez que presta uma colaboração que não tem que ser duradoura e nem sequer condignamente remunerada como o deve ser o efetivo trabalho.
Há quem prefira a designação de colaborador para arredar todo o valor, todo o peso e todo o património histórico da luta dos trabalhadores pelos seus direitos que a palavra “trabalhador” encerra em si própria.
Há quem prefira a designação de colaborador porque não quer mesmo usar a designação de trabalhador, porque prefere a fragilidade do emprego; o não compromisso nem com a pessoa nem com a sociedade.
Perante esta estúpida nova mentalidade, embrulhada e ofertada com a crise do capitalismo e as suas medidas brutais sobre o mundo do trabalho, qual tem sido a resposta dos trabalhadores para se oporem a esta ofensiva?
Tem sido a reivindicação do direito ao trabalho e a manutenção das suas pequenas conquistas; dos seus beneficiozinhos próprios e particulares obtidos ao longo do tempo, mas sempre dentro do quadro capitalista, sem pôr em causa o sistema global burguês de exploração do Povo.
A luta e a resistência dos trabalhadores vem passando agora essencialmente por manifestações de desagrado, designadamente nas opiáceas redes sociais; abstraídos da realidade. Mas não é com a colocação de gostos nem com a partilha de “posts” cada um mais estúpido que o outro, que se trava e combate a brutal e enorme ofensiva do capitalismo que subtilmente até já introduziram e cimentaram a nova expressão, já não detendo trabalhadores mas meros colaboradores.
A grande massa trabalhadora não contesta o sistema capitalista, mas a ele se adapta, esperando que a resolução dos seus graves problemas de trabalho, de vida e de sobrevivência, ocorra dentro do próprio sistema capitalista; o que é uma ilusão; pois a bondade do capitalismo, como já sobejamente se viu, não existe; é uma utopia.
Devemos estar atentos, ativos e não na expectativa, aguardando por soluções caídas do céu ou da cabeça dos donos do capitalismo. Dentro das nossas possibilidades, devemos participar nas lutas, grandes ou pequenas, intervindo e denunciando sempre este sistema capitalista atroz não apenas na sua exploração como nas suas fabulosas falcatruas, incentivando os trabalhadores a não aceitarem, de forma alguma, esta ordem injusta que sempre (mais tarde ou mais cedo) a todos prejudica e maltrata.
Os trabalhadores não se podem deixar iludir, nem alimentar, com as pequenas migalhas atiradas, ou acidentalmente caídas, do alto dos laudos repastos.
Será possível aprender com a História? Sem ir mais longe, com a mais recente? Será possível que as coisas sejam de outra maneira e tenham outro rumo? Será inevitável que o trabalhador seja sempre a mula de carga dispensável? A marioneta de fios? Um mero utensílio na produção? Uma merda de um colaborador? E que, ainda por cima, pague todas as loucuras e malabarismos financeiros?
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