Justiça Escaldante

      Todos os anos, mais ou menos por esta altura, quando as temperaturas sobem, raros são os tribunais e os serviços do Ministério Público que se podem prezar de poder trabalhar tranquilamente num ambiente climatizado e com climatizado não nos referimos a ventoinhas que apenas movimentam o ar mas a sistemas de ar condicionado.


      Se bem que no Inverno seja mais fácil a climatização, seja pelo acrescento de roupa e ligação de aquecedores de todo o género, muitos adquiridos pelos próprios Oficiais de Justiça, no verão as coisas complicam-se, porque, em termos de roupa, não parece adequado que os Oficiais de Justiça se dispam, como se estivessem na praia, e as ventoinhas, que também compraram, não arrefecem nada.


      Não houve ainda nenhum Oficial de Justiça que tenha tido a iniciativa de adquirir um aparelho de ar condicionado, porque nesta classe não se aufere vencimento que permita tal compra, ficando-se pelas ventoinhas e aquecedores dos mais baratos, normalmente de 10 a 20 euros.


      Isto representa um verdadeiro problema porque quando se tem que estar muitas horas em determinado local sobreaquecido, nem o trabalho corre como devia nem a concentração é a adequada, não se obtendo o rendimento esperado.


      Não é um luxo relacionado com a comodidade, é uma necessidade.


      Recentemente, podia ler-se num órgão de comunicação regional (abaixo indicado) que há Oficiais de Justiça que dizem que suam mais no trabalho do que no ginásio e isto ocorre de facto.


      Em muitos locais até existem os aparelhos de ar condicionado mas não estão a funcionar, como é o caso, que o mesmo órgão de comunicação referido apresentava, referindo-se ao Juízo de Família e Menores de Vila Franca de Xira, dizendo que “os equipamentos de ar condicionado estão avariados há meses e apesar das várias promessas de reparação a verdade é que isso ainda não aconteceu”.


      De acordo com aquela publicação, “O alerta foi deixado por delegados sindicais que temem que o caso se arraste eternamente. Até porque, já se sabe, sem boas condições de trabalho não há trabalho em condições”, pode ler-se.


      Explica ainda a publicação que “Já antes, enquanto aquelas secções estavam num espaço municipal no edifício Varandas da Lezíria, o calor era sufocante e ares condicionados nem vê-los.”


      A publicação conclui que “É certo que o tema da justiça no país é escaldante e este problema só vem trazer ainda mais achas para a fogueira. Resta esperar que as obras sejam feitas ou então que o Inverno regresse depressa”.


      A informação base para a elaboração deste artigo foi obtida na seguinte fonte: “O Mirante”.


Calor.jpg

Comentários

  1. Sem falar no aspecto de 3º mundo que dá chegar-se a um Tribunal e ver o pessoal afogueado com ventoinhas a dar diretamente para a cara. Parece saído de um flme classe B.
    Mas mais gritante é virem técnicos arranjar os aparelhos da magistratura e manter os das secções avariados.
    Uma vergonha.

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  2. Anónimo4/8/17 00:29

    São os efeitos das cativações no orçamento da justiça!...
    Será que devido às cativações, para solucionar o problema dos aparelho de ar condicionado, nos vão impor estatutáriamente, o uso de leque para além do uso de capa nas sessões e audiências a temos que assistir?
    Sempre é mais barato e às senhoras até fica bem!..
    .

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  3. Essa é outra. O uso de capar aliado ao calor numa sala sem climatizaçao, é uma maravilha.
    Aliás, bem sei que há quem dê muita importância a essa coisa do uso de capa.
    Quanto a mim, parecemos uns esfarrapados comparados com os restantes intervenientes.
    Pergunto até se ao invés da dar solenidade a acto, não contribuirá para o aspeto decrépito da coisa. Além de ser totalmente disfuncional. Para quem anda em julgamentos a correr de um lado para o outro e a capa a prender-se em todo o lado, sabem bem do que falo.
    Há que acompanhar os tempos e mudar mentalidades arreigadas a costumes totalmente despropositados nos dias de hoje.
    O uso de capa é um deles.

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